Esse tal “Fora Ricardo Teixeira” é falta de louça pra lavar!

Poucas convenções sociais brasileiras são tão estúpidas quanto a mania que o povo tem de pedir a cabeça do Presidente da CBF, Ricardo Teixeira. A mais recente revolução sofazística, iniciada naquele fórum de debates inúteis chamado Twitter – que culminou com a criação da revolucionária hashtag #ForaRicardoTeixeira -, atingiu um ridículo tão grande, que decidi escrever este texto definitivo sobre o assunto, a fim de ajudar essas pobres almas, cujas cabeças vazias se tornaram oficinas do diabo, a perceberem sua rematada tolice.

Cartaz de um movimento criado por pessoas cujas pias estão cheias de louças sujas há meses...

Ricardo Teixeira, um dirigente de sucesso.

Sim, vocês leram certo mesmo! A gestão da CBF, sob Teixeira, é indiscutivelmente um sucesso. Arrisco-me a dizer que apenas dirigentes de companhias de tecnoligia e commodities experimentaram um triunfo maior que ele nos últimos vinte anos.

Ora, a CBF é um ente privado (tenham isso em mente, pois retornaremos ao tema em breve) e, como tal, seu sucesso – ou fracasso – deve ser medido a partir dos resultados obtidos. Pois bem, Teixeira assumiu o comando do futebol brasileiro em 1989 e, de lá pra cá, esta gloriosa-idolatrada-salve-salve-mãe-gentil-pátria-amada-Brasil conquistou nada menos que 2 Copas do Mundo, 3 Copas das Confederações e 5 Copas Américas. Isso para citar os torneios mais importantes!

Atentem para os números: ao longo da “ditadura” Teixeriana, a seleção venceu um terço das Copas que disputou! Isso para não mencionar o fato de que foi na gestão dele que se logrou trazer o mundial de futebol de volta a estas terras tupiniquins. Sinceramente, não vejo a partir de qual análise objetiva concreta os resultados da empresa CBF possam ser considerados ruins a ponto do povo brasileiro desejar avidamente queimar Teixeira em praça pública…

“Ah, mas ultimamente a seleção tem sido um fracasso!” Sim, mas what the fuck o coitado do Ricardo Teixeira tem a ver com isso?! Ou alguém acha que ele teria o poder de levar Romário e Ronaldo à fonte da juventude, para que não fosse necessário, hoje, recorrer aos vários Freds, Júlios Baptistas e Grafittes?

O fato da geração atual de jogadores ser muito fraca, não guarda qualquer relação com a diretoria da CBF. Ou alguém aí acredita a sério que Teixeira tem culpa pelos chapéus que Zidane aplicou nos craques do Brasil em 2006? Ou pelo pisão que Felipe Melo deu em Robben, em 2010? Ou – o cúmulo! – pelos quatro pênaltis perdidos diante do fortíssimo selecionado paraguaio, na última Copa América? Francamente… A cada minuto que passa, me convenço mais que marchar contra a direção da CBF é coisa de (a) desinformados ou (b) desocupados.

Você também deveria procurar algo útil pra fazer, em vez de ficar reclamando da CBF.

O problema é que Deus deve amar os desocupados com minhocas na cabeça, ou não haveria tantos… Vejam abaixo a – como chamarei? – “convocatória” que achei no blog do Juca Kfouri:

Neste sábado, dia 30/07, será realizado o sorteio dos grupos para a Copa de 2014. E, se você não quer que a Copa fique entregue a própria sorte, participe do 2º MEGATWITTAÇO #FORARICARDOTEIXEIRA! Convoque os seus amigos, divulgue as hastags, acesse o site! Com a ajuda de todos, podemos fazer a diferença e marcar mais esse golaço pelo Brasil! ZZZZzzzzzz [Sono nosso.]

Uau! Eu imagino Teixeira engasgando com seu scotch e caindo da cadeira ao ler sobre o “MEGATWITTAÇO”! Se ele acompanhou o episódio da revolução tuiterística que culminou no #FORASARNEY, sabe que esses movimentos costumam ter muito efeito prático no mundo real… OPA, PERAÍ! A verdade é que não têm efeito prático algum!

No meu mundo ideal, a Copa definitivamente ficaria “entregue à própria sorte” (com crase!!!), e não seria assunto de interesse público. Isso porque, sempre no meu mundo ideal, de interesse público são hospitais, escolas e polícia. Futebol, não! Futebol, seleção e CBF não são coisas de interesse público, como se vai desmonstrar agora.

A falácia da seleção como patrimônio nacional.

Suponhamos, porém, ad argumentandum, que a era Teixeira não fosse esse indiscutível sucesso cabalmente demonstrado alhures. Vamos, pois, considerar que o selecionado futebolístico nacional não tivesse vencido porcaria nenhuma e que o Brasil não tivesse sido escolhido pela FIFA para receber uma Copa. Ainda assim seria ridículo e absurdo pedir a cabeça do Presidente da CBF.

Isso porque, como dito, a CBF é em ente privado, e seus diretores – atenção agora!!! – dizem respeito apenas a ela própria. Exigir a saída de Ricardo Teixeira é tão intelectualmente pedestre quanto pleitear a demissão do dono da padaria da esquina. Nos dois casos fala-se de organizações particulares, sobre as quais não há nenhum interesse público.

Sim, eu sei que não é fácil assimilar isso de pronto, principalmente aqui, onde somos criados ouvindo a besteira de que “a seleção é patrimônio nacional”. Bullshit! Peguem a Constituição Federal e apontem o inciso que eleva o combinado futebolesco canarinho ao patamar de “bem da União”. Vamos! Tentem!

Nada? Bom, então googleiem aí e tentem encontrar a norma legal que classifica a CBF como autarquia (empresa pública, sociedade de economia mista ou whatever…). Tô esperando… E aí? Nada?! Ora, meus caros, não vão encontrar nada mesmo! Isso porque a Confederação Brasileira de Futebol é tão pública quanto a Sadia! É exatamente por isso que fazer movimentos exigindo a saída de Teixeira é de um ridículo sem limites, afinal eu nunca vi ninguém convocando “twittaço” pra reclamar da quantidade de fatias de bacon dentro das embalagens que compramos nos supermercados…

Imaginem que no Brasil, este país com IDH nórdico e serviços públicos maravilhosos, chegou-se a fazer uma CPI (!!!) para “apurar as possíveis relações espúrias entre CBF e Nike”. E tudo por quê? Porque suspeitava-se que o jogo da final de 1998 havia sido entregado para a França, depois de um acerto entre aquelas.

A coisa é tão ridícula, que não sei nem por onde começar… Ainda que CBF e Nike tivessem decidido entregar aquela bagaceira, estaríamos diante de um acerto celebrado entre entes privados. No máximo, os torcedores que pagaram para ver um “jogo limpo” no estádio é que poderiam se dizer prejudicados. Mas o que caráleos deputados e senadores brasileiros têm a ver com os jogos que um time de futebol decide ganhar, ou perder? Again: cadê o diabo do interesse público?!

O único fato envolvendo Nike e CBF que mereceria um levante popular com direito a guilhotinas e enforcamentos é essa horrorosa camisa atual da seleção, que, sabe-se lá Deus como, foi aprovada e está por aí, nas escolas, nas ruas, campos, construções, lembrando-nos do que não devem fazer as empresas de materiais esportivos…

Na real, quem viu aquele jogo ao vivo sabe que o Brasil não entregou porcaria nenhuma. Antes: levou uma trolha sarracena de Zidane e companhia; um clássico baile futebolístico. E acreditar que a Copa de 98 foi vendida só pode ser coisa de mentes inferiores, [polêmica mode on] dessas que também consideram Senna melhor que Schumacher… [polêmica mode off]

Esqueçam a CBF e cobrem o Estado!

“Ah, mas a CBF mantém relações com o poder público!”, dizem. Sim, como toda empresa que vive num regime democrático, onde o Estado edita as leis e dita as regras. Mas nem isso é motivo suficiente para justificar a asneira de exigir a demissão de um diretor de empresa. Quem decide isso, amigos, são os “acionistas” – in casu, as federações e os clubes.

Se o Sr. Ricardo Teixeira se envolveu em maracutaias que causaram prejuízo ao erário, que seja devidamente processado e punido. Como qualquer outro cidadão! Mas apenas se e quando o parquet tiver em mãos fatos concretos e objetivos, não sob alegações estapafúrdias do tipo “nossa, ele já está lá há anos e isso é ditadura!”; ou “a seleção canarinho é uma paixão nacional e não pode ser pautada por questões comerciais.” Façavor, né?

"Amorzinho, a seleção é patrimônio nacion..." "CALA BOCA, SUA ANTA!"

Mais estúpido que isso só quem se acha no direito de exigir alguma coisa da CBF porque esta teria o monopólio da atividade futebolística nacional. Outra tolice épica! Qualquer um pode decidir criar um campeonato nacional. Aliás, isso já aconteceu no passado, durante a mamilísticamente polêmica Copa União, lembram?

Ninguém precisa da chancela da CBF para jogar futebol e atribuir títulos no Brasil. Sério, pesquisem aí! Não há uma mísera norma dizendo que só Ricardo Teixeira e sua turma podem criar competições esportebretônicas nestas terras de vergonhas descobertas. Eu e você, amigo leitor, podemos perfeitamente criar o Campeonato Nacional Tupiniquim, por que não? O que provavelmente está restrito à CBF é a expressão “Campeonato Brasileiro”, que, suponho, é protegida por copyrights. E é justo que seja assim, afinal foi ela quem criou a baguaça, né? Mas é só um nome… E um nome, como sentenciou o velho Bill Shakespeare, não passa de um… nome!

E quando às relações entre governo e CBF, bom… Como dito, basta pensar um pouquinho: se o Estado brasileiro, ávido por se meter em todas as searas da nossa existência, as always, coloca grana pública na CBF, vamos organizar manifestações contra o governo! Mas pedir a cabeça do Teixeira por conta de supostas avenças com o poder público é tipo querer derrubar o presidente da Honda porque em Manaus a empresa ganha incentivos fiscais do Estado para produzir…

A resposta para toda essa discussão já foi dada brilhantemente pelo ex-Presidente americano Ronald Reagan: “Government is not the solution to our problem. Government is the problem!” E é exatamente isso mesmo! Em vez de querer imiscuir ainda mais o Estado em assuntos de entes privados, que não administram absolutamente nenhum interesse público, exigindo CPI’s, inquéritos policiais e quetais, o negócio é brigar para que o Estado pare de se meter com a dona CBF de uma vez por todas!

Titio Reagan sabia das coisas...

Convenhamos: é bem mais fácil parar de repassar recursos públicos extorquidos de nós por meio de impostos putaquepariusticamente altos, do que depois ficar gastando o tempo de suas excelências, os parlamentares, com investigações acerca de supostas “entregadas” futebolísticas… Imaginem que no país que reelegeu os responsáveis pelo mensalão, chegou-se ao absurdo de convocar para depor no Congresso Nacional o então técnico da seleção, para que ele falasse sobre um CASO EXTRACONJUGAL! Agora me digam, pelo martelo de Thor, o que as atividades pirocanabucetísticas de Luxemburgo têm de interesse público, for God’s sake?!

Por isso, crianças, aprendam de uma vez por todas a dedicar o tempo livre de vocês à nobre tarefa de lavar a louça suja da casa, em vez de ficarem se dedicando a protestos imbecis. Se a sanha revolucionária é tão grande que não pode mesmo ser controlada, canalizem essa energia para pedir a cabeça da galerinha que actually recebeu os vossos votos inocentes, beleza? Mesmo porque, se a selecinha acaba dando a sorte de vencer a Copa de 2014 em casa (é sempre possível que o avião da seleção espanhola caia, por exemplo…), vão estar todos cantando e bebendo, de bem com a vida.

Logo, leave Ricardo Teixeira alone e se ocupem da dona Dilma, do Sérgio Cabral, do Eduardo Paes, do Alckmin, do Kassab, et caterva, que andam por aí preocupados com Maracanãs, Itaquerões, trens-bala, em vez de construir mais presídios para aprigar a bandidagem.

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30 ideias sobre “Esse tal “Fora Ricardo Teixeira” é falta de louça pra lavar!

  1. Andre Buck

    Falo isso há tempos. Incrível como até gente reconhecidamente séria na imprensa parece acreditar que o futebol é patrimônio público. Fifa desanca governos mundo afora com seu estatuto que ignora proposital e solenemente as constituições federais de seus afiliados. A dona do futebol profissional no planeta é a Fifa, e a Fifa no Brasil é a CBF. Querem tirar RT da CBF? Dêem um jeito de acusá-lo, e provar sua culpa, de algum crime previsto em lei. Porque se depender das Federações que formam o Colégio Eleitoral da CBF(que claramente querem, felizes da vida, que ele continue lá), ele só sai de lá quando estiver a fim de aposentar, ou morto.

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  2. George

    “Agora me digam, pelo martelo de Thor, o que as atividades pirocanabucetísticas de Luxemburgo têm de interesse público, for God’s sake?!”

    AHUShuahushuashAUShuhashASUhuhasuhASUHUHA! PQP, tô rindo pra caralho disso até agora!

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Uau, mas que “argumento” foda, heim?! Não, não tô recebdno nada da CBF. Mas, olha que coisa maneira: se estivesse, NÃO HAVERIA NENHUM PROBLEMA NISSO! Seria simplesmente um contrato entre dois entes PRIVADOS!

      Resposta
  3. Paulo Neto

    Porra! Até que enfim vou escrever pra discordar desse italiano!! hehehe…!

    “Bem amigos”, primeiramente vamos comentar sobre sua base teórica pra considerar que a “gestão da CBF, sob Teixeira, é indiscutivelmente um sucesso.”

    Você cita os títulos mais importantes do período pra justificar a atuação do RT. Mas na hora de falar do fiasco da seleção atual, a culpa é dos jogadores? Tipo, o fato de Romário ser um gênio dentro da área, ou de Ronaldo ser um fenômeno, tudo isso devemos atribuir a Teixeira?
    Convenhamos, se não posso culpá-lo pelo fracasso, também não posso culpá-lo pelo sucesso, né? Ou devo agradecer também a Ricardo Teixeira por Roberto Baggio mandar a bola à Lua e por Oliver Kahn ser um bate-roupas do caráleo?!

    Agora, sobre os protestos contra Teixeira, concordo que o modus operandi é bem, digamos, cômico. Claro, entro na brincadeira do tuitaço pois, bem, o tuiter é meu e tals. Mas acho mesmo a causa justa. E tratando o futebol como ele merece ser tratado, a coisa mais importante entre as coisas sem nenhuma importância, acho mesmo lamentável este senhor ainda estar no comando da CBF. É opinião minha diante de vários indícios e acusações de “maracutaias que causaram prejuízo ao erário”.

    Sem essa de achar isso por tratar o futebol como patrimônios nacional. Falo isso como consumidor mesmo. Como cliente que paga um pay-per-view, como torcedor que paga ingresso e frequenta os estádios, como consumidor de camisas e demais produtos da seleção, etc. posso muito bem reivindicar que esteja no comando de tudo isso alguém com uma conduta menos, digamos, suspeita. Assim como, mesmo assistindo em casa, não poderia aceitar q a final da copa98 fosse comprada (btw, não acho q foi o caso)
    Eu até poderia fazer mais: fosse sócio pagante de um clude filiado à CBF, eu teria direito de reivindicar que minha presidenta não vote nele para mais um mandato. Ou que peça o afastamento. Sem dúvida que essa seria a postura mais eficiente que tuitaços.

    Aí vc dirá que não sou obrigado a fazer isso, pois qq um pode criar uma outra organização de futebol. Ok. Mas a CBF não foi criada por Teixeira. Ele chegou depois. E havendo as tais maracutais, ele que saia da CBF, e não eu e nem meu clube.

    Um bom motivo de interesse público que eu ache que ela deva deixar a CBF é o fato de ele se utilizar do poder que tem junto aos clubes e, portanto, à massas de torcedores e, consequentemente, a milhões de expectadores/consumidores, para esconder da mídia todas as denúncias de favorecimentos fiscais que as empresas dele têm. Sem falar das denúcias de compras de votos de parlamentares para abafarem CPI´s q investigavam seus negócios.

    Portanto, diante da denúcias, e são muitas google afora, não acho certo nem justo que ele utilize da CBF (que não é pública mas também não é dele nem foi criada por ele) para enriquecer causando “prejuízo ao erário”. Desejo que ele saia da CBF para ver se ele se sustentaria diante de tantas denúncias sem esse “poder” nas mãos.

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    1. yashagallazzi Autor do post

      Opa! Obrigado, caro amigo pai da gloriosa Olívia, por me dar o prazer de discutir com alguém que não confunde “mas” com “mais”. É edificante ser cobrado por quem elabora raciocínio, não só pelos haters de plantão. Agora, devidamente superada a fase rasgaçãodesedazística, vamos ao trabalho!

      Tentarei, para facilitar, abordar aqueles que considerei os pontos principais da sua linha argumentativa. Se faltar algo, diga aí, ok?

      1) Os critérios para avaliar os sucessos e os fracassos da seleção.

      Well, é lógico que RT não tem méritos pela genialidade de um Romário, da mesma forma que não pode ser culpado pelo pênalti fieldgolzístico do André Santos. O ponto é: a ele, na condição de administrador da empresa CBF (e ela precisa ser vista como isso: um ente privado!), cabia fazer o quê? Fornecer a seus colaboradores os meios para que as qualidades individuais de cada um surgissem, e eles pudessem fazer seu trabalho. Isso significa arrumar hotel bom, comida boa, CT bacana, etc, etc, etc. Aí, quando ele fez a parte dele e os jogadores jogaram bola, o resultado, via de regra, foi bom pro Brasil. Óbvio que algumas vezes você faz tudo isso, mas aparece um Zidane e ferra tudo, como em 98 e 06. Aí entra a tal “imprevisibilidade” tão amada do futebol… Não é mais culpa de ninguém, entende? Diferente do que vimos, a meu ver, na Copa de 2010 ou na Copa América deste ano, onde os jogadores fizeram merda pra cacete e provaram que temos a geração mais fraca dos últimos VINTE anos! A meu ver, encarando a coisa pela ótica empresarial, o sujeito, como administrador, forneceu as condições para que os “empregados” trabalhassem. Aí vem o Elano e faz merda, não dá pra pedir a cabeça do cara, né? Ou o hotel na Argentina tava ruim? Ou a comida era estragada? Sacou, o cerne da comparação?

      2) As revoluções de sofá e futebol como patrimônio nacional.

      Bom, concordamos quanto à efetividade de se protestar via Twitter (taí os resultados do #FORASARNEY…), pelo que vi. Mas você tem razão: cada um gasta seu tempo naquela baguaça como preferir. Acho justo isso! E eu tiro onda aqui só pra zoar mesmo.

      Sobre pressionar os presidentes dos clubes, beleza! É esse o caminho!

      E também concordamos que futebol não é patrimônio nacional. Ufa! Menos mal… Sigamos.

      3) Indícios contra RT.

      Ué, eu falei isso no texto! Se há FATOS CONCRETOS contra ele, que as autoridades investiguem! Mas não porque ele é o “mandachuva da CBF”, e sim porque é isso que deve acontecer com qualquer um. Se o fato do cara presidir um ente privado esportivo dá a ele poder suficiente para se esquivar dos rigores da lei, putaqueopariu, que paíszinho vagabundo, heim?! As autoridades que partam pra cima do cara com tudo, ora essa! Tão com medo do quê?! Dele cancelar o Brasileirão?! Aí começamos a voltar para aquele que considerei no meu texto o problema principal: se essa porcaria de Estado cuidar do que tem de cuidar, em vez de dar merda de incentivo fiscal pra clube de futebol, a coisa anda!

      Agora, insisto: tem de processar o cara por infração à lei, não porque ACHAM que o Brasil entregou a Copa, ou porque o Luxa mandou a manicure bolagateá-lo. Até porque, convenhamos de indício esse país tá cheio, né? Acho que se tivessem actually a case contra o cara, algum promotor deste Brasil já teria caído matando, né? Porra, já arrumaram coragem pra denunciar Zé Dirceu, vão ficar com medo de RT?!

      4) O monopólio da CBF.

      Sim, a CBF veio antes do RT. Mas quem decide quer o cara lá, oras! Há muito tempo? Sim, concordo! Mas como diabos isso é problema da sociedade?! Tipo, o Bill Gates tá há bem mais tempo na Microsoft, sacou a idéia?

      Veja só: ainda que arrumem provas concretas, que ele seja processado e condenado, o cara só sai de lá se: a) os “acionistas” quiserem; ou b) ele for mandado em cana. De resto, não adianta ragear contra os anos que ele tem lá, porque, como dito, é exatamente o mesmo caso do presidente da Sadia! É ente PRIVADO ele se rege de per si.

      Concluindo, deixa eu esclarecer BEM meus principais pontos de vista:

      A) acho, sim, que do ponto de vista dos resultados, os anos RT possuem mais ganhos que perdas. Acho até que isso seja uma questão de FATO, não de gosto. “Ah, mas os caras eram craques quando a seleção ganhou!” Bom, isso é tipo desmerecer o Agnelli porque nos anos dos lucros recordes da Vale as commodities estavam valorizadas por fatores do mercado externo…

      B) Não sou contra que o cara seja investigado e, eventualmente, punido. Longe disso! Só afirmo que isso deve ser feito em razão de infrações OBJETIVAS à lei, não porque ele está há séculos na CBF ou porque o futebol é patrimônio nacional. Se a acusação tiver REALMENTE um caso, que vá adiante pra valer – e não perca tempo com CPIs para ouvir manicures…

      C) Pedir a cabeça do diretor de um ente privado?! PQPQPQPQPQP! Não consigo ver como isso seria racional, pelo menos enquanto não pintar uma sentença penal condenatória…

      D) O ponto central do meu texto (espero que isso tenha ficado claro) é dizer que, a meu aviso, é MUITO mais urgente cobrar que o Estado brasileiro pare de se meter com a CBF (e com o futebol em geral), do que pedir a cabeça do RT. Sei lá, acho questão de prioridades, saca? Parece querer reclamar do gerente do banco suíço que recebeu a grana, em vez de ir atrás do Maluf, entende?

      Acho que é isso.

      Resposta
      1. Paulo Neto

        Depois da rasgada de seda, só me resta seguir falando minhas bobagens…

        Vou comentar exatamente sobre a sua conclusão:

        A) Vejo sim alguns pontos positivos na gestão do RT. De fato é um cara empreendedor e tals, deu uma visão profissional à baguaça; o que trouxe investimentos, gerando receita, estrutura, e por aí vai. Vai lá, tem mesmo sua parcelas nas conquistas. Assim como tem suas parcelas nas derrotas. Em 2006, aquele circo armado pelos patrocinadores nos treinos era dispensável. E prejudicou. Podia ter sido melhor negociado isso com as empresas. Mas beleza, culpá-lo por Ronaldo encher o toba de macarrão e chegar quem nem uma porca gorda na Alemanha é foda mesmo.

        B) Talvez esse seja o MEU ponto central. A presidência da CBF gera sim um poder na mídia. E é isso que impede que ele seja devidamente investigado. Não quero q ele seja averiguado pq é presidente da CBF. Mas também não quero que ele NÃO O SEJA por ser presidente da CBF. E ao meu ver, é isso q ocorre.
        A globo até chegou a fazer esse Globo Repórter (parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=xTSYhLIbrHs ) com algumas denúncias cotundentes. Mas hoje sequer abre o debate em seus programas.
        Enfatizo, meu problema é com os danos à coisa pública que ele faz. E que não é investigado por ser presidente da CBF, por usar o dinheiro da entidade pra presentear deputados, por usar sua influência em decidir as sedes da copa em troca de favores políticos. Claro, são apenas denúncias. Mas são tantas que gostaria q fossem, pelo menos, discutidas, averiguadas.

        C) Nada a comentar. Não é questão mesmo de pedir cabeças. Peço apenas que o presidente do meu clube não vote mais nele. Questão democrática.

        4) Sim, claro. No máximo, governo deve se preocupar com esporte como fator de saúde e educação. Esporte profissional é com a iniciativa privada.

        Pra terminar ( e descontrair), dois Fatalities pra fazer você “pedir a cabeça” do Ricardo Teixeira >> http://migre.me/5nAh1 e http://migre.me/5nAhx

        É issaê…

        Resposta
        1. yashagallazzi Autor do post

          Sim, compreendi. E aceito as críticas de ótimo nível feitas ao texto, como sempre. Só os haters não reconhecem que aqui se permite a divergência, desde que exercitada assim: com inteligência.

          Eu só acho necessário complementar seu “item B”: RT é quase inimputável por conta do poder da CBF? Bom, sinceramente isso me soa a outra falha MONSTRUOSA do Estado, que se deixa intimidar por empresa esportiva. Sério, não daria pra algum delegado ou promotor se VESTIR DE HOMEM e partir pra cima do cara com as provas que porventura tenham? Medinho de Presidente de CBF?! PQPQPQPQPQP!

          De resto, sou capaz de apostar que mais concordamos que discordamos.

          Discorde mais! É bacana ser cobrado com argumentos concretos bem articulados. O padrão aqui é essa gente assim tipo o “Sami” aí. Olha o nível…

          Abraço!

          Resposta
  4. Sami

    Ainda bem que o seu filho ainda é criança.

    Quando ele crescer, certamente vai ter vergonha do pai e vai se pergunta porque que não se autoabortou

    Resposta
      1. Anônimo

        Esse tipo de argumento, e uns que vi são aquele do tipo: “Hum..não concordo, não sei o motivo..mas não posso dar razão a ele”.

        Resposta
  5. Thiago - RJ

    Seu post só tem uma falha grave: faltou o selo Chuck Norris de qualidade.

    Essa galera que fica revoltadíssima com Ricardo Teixeira deveria ler a coluna do Guilherme Fiúza da última edição impressa da “Época”. Na boa, reclamar do RT e nem um piozinho pra contestar os chefes de Executivo que, de um jeito ou de outro, estão descarregando um Antonov de $$$ público nesses estádios? Não dá.

    Resposta
  6. João

    As pessoas não percebem que o melhor protesto contra a insatisfação com a CBF é fazer o que um consumidor faz quando não gosta de um produto. Nesse caso, ignorar a seleção brasileira e, caso não se concorde com a forma como é conduzido o futebol no Brasil, ignorar o futebol brasileiro. Não gosta do Ricardo Teixeira? Ora, deixe que a seleção se foda! Acha que tem muita palhaçada no Brasileiro? Diga: “que se foda o futebol brasileiro, vou ver outra coisa”.

    Resposta
    1. Paulo Neto

      Isso! Acho q o protesto deveria ser esse mesmo! Como consumidor! Cobre organização nos estádios, cobre lisura nos campeonatos. E se está insatisfeito com a gestão do RT, como eu estou, cobre do presidente do seu clube que não vote mais nele, oras! Agora, acho importantíssimo também cobrar que ele seja investigado por todas as denúncias. Como o Yashá falou, se o Teixeira não é investigado por ser presidente da CBF, isso é uma falha grave do Estado. E isso soa absurda e temerariamente possível nessepaêz…!
      É muito foda a gente deixar de “consumir” o futebol como retaliação ao Ricardo Teixeira. Por mais que saibamos q qq um pode criar uma liga/associação/etc paralela a CBF, tudo que tá criado aí não é dele. Se algo for provado que ele fez de errado, que saia ele do futebol, e não eu.
      Enfim, lamento muito que o controle da CBF gere esse poder a ponto de ele parecer blindado das denúncias.

      Resposta
      1. yashagallazzi Autor do post

        “Se algo for provado que ele fez de errado, que saia ele do futebol, e não eu.”

        Perfeito! Eu só exijo que o Estado caríssimo mantido por mim não tenha medo de uma CBF da vida e investigue, arrume provas e puna, se tiver de punir, sem precisar se escorar em desculpas do tipo “ele tem muito poder lá, e precisa sair antes”. Isso me soa muito como conversa mole de órgãos públicos ineficientes.

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      2. Roberto Luiz

        Pegando carona nos argumentos de vocês, acredito ser válido qualquer protesto que demonstre descontentamento com o cara. Estes protestos servem mais para enfraquecer o déspota, tirar sua blindagem e cobrar atitudes dos governantes (no sentido de investigá-lo seriamente) e dos próprios afiliados da CBF que podem tirar o cidadão do trono. Ninguém seria idiota, muito menos o Juca Kfouri, em achar que o cara renunciaria de livre e espontânea vontade por causa de uns protestos no Rio ou na Av.Paulista.

        Não interessa se a CBF ou a padaria da esquina são entidades públicas ou privadas, mas no momento que a padaria começa a receber qualquer facilidade da sociedade, o pão não é tão privado assim.e o dono da padaria deve ser cobrado por suas atitudes. Todas as empresas têm regras que devem ser seguidas e contra-partidas devidas à sociedade pelo simples direito de se estabelecerem no país.

        Outro ponto: a Copa não foi vendida para nós como a Copa que quase não usaria dinheiro público? Estamos vendo bem o que está acontecendo, justamente o contrário.
        Culpa dos governantes ou uma chantagem brutal? Na minha opinião as duas respostas. Os trouxas (nós) pagando a conta, enquanto a CBF vai encher os bolsos.
        Só aí já está atestada a incompetência ou a má intenção do referido senhor. Incompetência por não conseguir fazer o que prometeu ou má-fé de prometer o que sabia ser impossível e enganar quase todo um país (OK, nada diferente de quase todos os políticos).

        Mais um ponto: Ele só não foi indiciado na CPI por uma excelente articulação da Bancada da Bola, que conseguiu, sabe-se lá como (saber, todos sabem) abafar uma série de denúncias de evasão fiscal e outras coisas mais.

        Mesmo sendo presidente de uma entidade privada, merece ser execrado publicamente por suas “maldades” e continuar “c* e andando” por aí para a sociedade brasileira.

        Não dá para todos continuarem beijando sua mão de presidente do Comitê de Organização da Copa e definindo onde vai o meu e o seu dinheiro. Isso os governantes podem fazer: tirar o cara dessa presidência, já que quem paga a conta somos nós.

        Concordo que não cabe ser arrancado diretamente de sua cadeira privada, infelizmente não podemos. Mas podemos pressionar os que podem fazê-lo.

        E também podemos tomar nosso “chá de cadeira” enquanto isso não acontece.

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  7. Valeria Vasconcelos

    “Texto definitivo” para, como é mesmo?: “ajudar essas pobres almas”!? Afinal de contas, quem é você?

    Resposta
      1. valeria Vasconcelos

        Eu também sou eu! Não tenho blog e sei que esse é seu, e vc escreve o que quiser nele (eu nem preciso gostar), mas como há o espaço para comentar, eu o fiz. Aprecio suas opiniões e o modo como escreve, mas às vezes vc exagera na mão, e acaba parecendo o dono da verdade, ou se achando ele.
        Nada é definitivo, nem no seu blog. Afinal, na campanha presidencial vc tanto bateu na Dilma porque ela era “a favor do aborto” (= contra a vida), e noutra oportunidade vc defedeu veementemente a “morte, sem misericórdia, de Batisti” (um assasino sem direito à uma nova chance). Ah!, só pra registrar, não votei na Dilma, tampouco sou a favor da decisão (equivocada) do senhor STF em relação à não extradição de Batisti.

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        1. yashagallazzi Autor do post

          Valéria, você acha que eu acabei “parecendo o dono da verdade”? É porque você leu o texto com o botão do sarcasmo desligado… Consulte o “decálogo do blog” (http://goo.gl/oyAXO), especialmente o ponto número 6, para entender bem o que quero dizer. Parece bastante evidente que o objetivo principal do post era ZOAR um assunto, tanto que ele está arquivado na categoria “zoando a baguaça”.

          Eu bati MUITO na Dilma, sim. Inclusive porque ele é favorável ao aborto, mas, se você acompanhou mesmo o que escrevi na época, sabe que bati nela principalmente porque ela MENTIU, tentando afetar uma posição e uma fé que não tinha de verdade. Essa hipocrisia eu considero pior do que chegar e falar na lata “defendo o aborto mesmo!”

          Aí você vem e dize que eu “defendi veementemente a ‘morte sem misericórdia de Batisti'”?! Assim, com aspas e tudo! Bem , CADÊ ISSO?! Sério, acha pra mim o texto onde eu defendi que o sujeito fosse morto, vai. O que eu sempre defendi é que a lei seja cumprida e que ele seja recolhido à prisão, para que sejam cumpridas as sentenças aplicadas a ele.

          Eu ADORO debates feitos em alto nível aqui no blog. Publico TODAS as divergências civilizadas que me são postas (aí estão seus comentários, para provar isso). Mas eu realmente gostaria de ser cobrado pelo que de fato escrevi, não pelo que se pensa que escrevi.

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  8. Valeria Vasconcelos

    Então devo me redimir Yashá. De fato vc não defendeu explicitamente a “morte, sem misericórdia, de Battisti” (com aspas e tudo), vc só afirmou que ele “não passa de lixo humano! É a escória do mundo! Está no último degrau da cadeia alimentar”, e ainda, “Um ser humano, eu disse. Não animais como Battisti” (post de 04/01/2011). Isso seria amor/defesa à vida humana?
    Mas não desejei discutir, nem cobrar sua habilidade ou opiniões ao dissertar sobre o assunto. É que, para os leitores (mesmo os que ligam o botão sarcasmo), vc parece (eu disse parece) entrar em contradições.
    E afinal, de quê valeria escrever se ninguém lesse?. Um blog, apesar de emitir opiniões estritamente pessoais, é pra ser lido, e uma vez lido, pode ser comentado. Simples assim.
    Ah, eu entendi sua posição em relação à hipocrisia da Dilma sim. Acompanhei atentamente seus textos. Mas confesso que achei que vc forçava a barra (com a questão espiritual) pra tentar tirar votos dela (é só a minha opinião civilizada de leitora).
    Até mais!

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    1. yashagallazzi Autor do post

      Ué, mas não gostar de Battisti e achá-lo um lixo humano é BEM diferente de defender “morte sem misericórdia”, né? O fato de eu achar que o mundo seria um lugar melhor sem ele, não significa que eu incentive alguém a assassiná-lo. Ou seria preciso que eu o amasse para que todos acreditassem que nunca defendi a morte dele?!

      Sério, sinceramente não consigo ver a tal contradição nesse ponto… Eu posso não gostar de Battisti, Dirceu, Lula, Maluf, Collor e de muitos outros, sem precisar defender que tenham “mortes sem misericórdia”, né?

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      1. Valeria Vasconcelos

        Mas continua não combinando com a defesa que vc fazia da vida intrauterina (que eu também defendo – sou contra o aborto!). Uma pessoa (ser humano) que defende a vida desde a sua concepção, da maneira como vc defendeu noutras oportunidades, não pode (não deve, pq é incoerente) considerar outra (vida) como “lixo humano”. Lixo agente elimina no triturador, queima, ou joga na lixeira pública, pra se decompor.
        Eu também não gosto do Lula e da Dilma, mas considerá-los lixos humanos ou o último degrau da cadeia alimentar é bem diferente!
        Mas já entendi que a última palavra é sua. O blog é seu. Vou continuar lendo, afinal, o Apóstolo Paulo disse, em Tessalonicenses 5:21: “Examine tudo e retenha o que é bom”.

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        1. yashagallazzi Autor do post

          Mas então, por defender a vida, eu não poderia JAMAIS criticar pessoas das quais discordo?! Ou afirmar que o mundo ficou melhor sem um Bin Laden, ou um Saddan?! Bom, acho que “há que se diferenciar a flauta da cítara”, como também falou São Paulo.

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