A saudade.

Já são seis meses desde que experimentei uma dor forte, injusta, lancinante… O clichê de que “o tempo cura as feridas” é triste de ser ouvido, mas é verdadeiro.

Não, a dor não passa. Todo dia dói um pouco, e de vez em quando dói bastante… Mas a gente aprende que só é possível conviver com essa saudade aceitando que, agora, ela faz parte da nossa vida.

O mais estranho é a raiva de mim mesmo, que vem quando lembro, todo dia dezessete de cada mês, a data em que a nossa anjinha partiu, ao mesmo tempo em que já me peguei – mais de uma vez – “lembrando”, um ou dois dias depois, da data em que ela nasceu. Parece tão injusto que seja assim… Que a marca mais indelével seja a da dor…

Acabou que não brinquei com ela tanto quanto gostaria. Mas ninguém brincou, essa é a verdade… Foi tudo tão assustadoramente rápido, que algumas vezes nem parece verdade.

Como quando sonho de noite, lembrando das vezes em que segurei minha primeira sobrinha no colo. Ou daquela noite em que acho que ajudei a aliviar uma cólica chata que fazia ela chorar… Ou ainda quando sonho aquilo que não aconteceu, imaginando momentos que não tivemos. Não parece justo acordar e descobrir que a saudade continua lá, onde ela vai morar pra sempre.

É estranho sentir falta de algo que poderia ter sido… E que não mais será.

E é inviável conter a aflição sempre que essa certeza dura vem arrebatando, como as vagas que investem contra um rochedo. Dura e repetidamente; um golpe após o outro…

Não é fácil ter de lidar com esses sentimentos novos, que inevitavelmente surgem ao longo da nossa caminhada “por este vale de lágrimas”. Mas ninguém disse que seria fácil… A gente é obrigado a crescer e a descobrir que as perdas mais dolorosas acontecem também com a gente; dentro da nossa própria família.

E só resta tentar entender essa saudade diferente, que passa a fazer parte da vida. Sempre… Todo dia… Nos lembrando de sentir falta daquilo que que agora só poderemos viver em doces sonhos.

Como crianças, que em seus sonhos podem tudo. Até viver o impossível…

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Pra quem chegou recentemente ao blog, aqui vai algo para ajudar a entender melhor.

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