É caro viajar pra Europa?

Eis uma pergunta que todos me fazem sempre. Então decidi fazer um textinho aqui sobre esse polêmico tema, que aflige o povo-assalariado-que-recebe-em-reais desta pátria-amada-idolatrada-salve-salve-mãe-gentil.

Não! Viajar pra Europa não é caro! E não sou o único a afirmar isso. Perguntem pra qualquer um que tenha ido de férias pra lá, e vão ver que tô falando apenas a verdade. Aliás, para ser mais preciso, não apenas ir ao “velho mundo” não é caro, como algumas vezes é mais barato que viajar pelo próprio Brasil!

“Ah, cê tá zoando!” Não, amigos. Não tô. Agradeçam aos impostos extorsivos do Brasil, ao capitalismo pedestre que não incentiva a concorrência e aos gargalos de logística por isso. Em condições normais de temperatura e pressão, ir à Itália pode custar o mesmo que ir ao Rio Grande do Sul (considerando a minha realidade, que saio do Amapá de Lost).

A parte mais salgada de uma viagem à Europa continua sendo a passagem aérea. Mas mesmo aqui já é possível encontrar coisa bem legal. Numa pesquisinha rápida, vi que passagem pra dois adultos + uma criança até Milão tá saindo por 5.200 pela KLM e 5.300 pela TAP. Sim, pouco mais de 5 mil dilmas por três passagens! Tá bom bagarai o preço (by the way, acho que vou programar outra viagem logo…)!

Uma amostra de como o Brasil fode a gente? Pela TAM, a mesma viagem sairia por – segurem-se nas cadeiras! – dez mil e trezentos reais! A explicação pra isso é muito simples: nesta bagaceira de país ferrado, recolhem-se mais impostos (pensem nos encargos trabalhistas, nas taxas aeroportuárias e nos custos escondidos no preço dos combustíveis…) e há menos concorrência. Aliás, não há concorrência alguma, afinal a Gol, pelo que me consta, não voa pra Europa. [ironic mode on] E este é o país que pretende sediar uma Copa! [ironic mode off]

Visto que é possível encontrar passagens pra Europa por uns dois mil reais (ida e volta!), fica claro que o diabo não é tão feio assim como pintam ele. E se você acha dois mil contos muito, procure algum traficante de drogas, ou um cafetão, que eles te embarcam pra lá por um precinho bem mais camarada – em troca de alguns “favores”…

“Tá, mas e hotel? Deve ser caro bagarai essa merda lá!” Olha, depende… Preço de hotel na Europa é exatamente como em qualquer outro lugar do mundo: varia muito de acordo com o que você procura. Se você quiser, pode ficar num hotel em Paris com mármore em todo o banheiro e maçanetas banhadas a ouro nas portas. E vender a alma ao diabo para pagar a conta, depois. Ou pode procurar bastante e encontrar hotéis bem baratinhos e igualmente muito bons.

Quando fomos a Paris pela primeira vez, eu a esposa linda ficamos num Íbis situado na região da Defence. Se vocês olharem um mapinha, verão que essa área da cidade fica um tantinho longe do centro badalado (Torre Eiffel, Champs Elisee, e tals). Mas a sacada é que havia uma estação de metrô na porta do hotel, que nos deixava nos pontos turísticos mais famosos em uns 15 minutos. Preço da diária? Apenas 48 euros (na época lembro que dava uns 90 reais).

Pra nós, que vivemos num país sem estrutura nenhuma e com muita violência, contar com metrô parece furada. Mas no primeiro mundo é diferente, amigos. O metrô de Paris é sensacional, user friendly e fácil de entender. Eu aconselho todos os meus amigos a escolherem o hotel tendo como base a proximidade do metrô, não das atrações turísticas.

Isso vale pras demais grandes cidades da Europa, como Milão, Madrid, Londres, etc (o metrô de Milão é mais bagunçado, mas também serve de boa). O de Londres é sensacional, como o francês. Podendo contar com transporte público de qualidade, é bobagem pagar mais caro pra ficar no pé da Torre Eiffel.

Outro common misunderstanding diz respeito às refeições: simplesmente todas as pessoas que vêm falar comigo acham que sair pra almoçar/jantar na Europa vai significar gastar todo o dinheiro e implorar para lavar os pratos do dia em troca de não ser atirado na cadeia. Pura bobagem… Geral fica de queixo caído quando eu digo que jantar fora na Europa custa o mesmo que no Brasil. Em alguns casos chega a ser mais barato! E, sim. Eu estou falando muito sério.

Tem um exemplo matador que costumo apresentar quando falo disso: é possível almoçar no restaurante situado no alto da Torre Eiffel por apenas 18 euros – menos de 45 reais! Sério, tentem comer bem num lugar fodástico pagando um valor tão pequeno aqui no Brasil…

Notem que não estou indicando um muquifo meia-boca, destinado a imigrantes ilegais e mulas do tráfico. Tô falando do restaurante que fica na Torre Eiffel, meus caros! Menos de 45 dilmas pra almoçar comida boa vendo do alto uma das cidades mais lindas do mundo. Como diria o maluco lá das Casas Bahia, “tá barato pra caramba!”

Via de regra, sempre que vamos a um restaurante na Europa gastamos, na pior das hipóteses, o mesmo que gastamos nestas terras tupiniquins de vergonhas descobertas. E comendo muito bem!

É tudo explicado por uma equação bem simples: as “coisas” na Europa custam muito menos que no Brasil. Já as “pessoas” custam mais. Traduzo: comprar um tênis da Adidas será sempre mais barato lá, do que cá. Mas se você quer contratar uma manicure, uma faxineira, um manobrista, um taxista, ou um cabeleireiro, melhor ficar por aqui, porque lá isso custa bem mais.

Isso permite entender por que alugar um carro na Europa é muito mais barato que no Brasil. Eu paguei uns 1.200 reais por um mês a bordo de um carro com ar condicionado e direção hidráulica, na Itália. Em Brasília, paguei 980 reais por apenas dez dias. E isso já com desconto e pegando o carro mais safado que eles tinham (sem porcaria nenhuma de opcional).

Curti muito o carrinho que aluguei lá, mas ele puxava pra esquerda quando eu passava dos 280Km/h...

Da mesma forma, fazer compras lá vale muito a pena. É por isso que a brasileirada volta de mala cheia, afinal é um pecado não aproveitar as oportunidades. Os gadgets mais diversos são muito mais em conta. Nessa última viagem vi Nintento Wii por 350 reais; Play Station por 300. Paguei 1.100 reais por uma bike de corrida que aqui no Brasil custa, por baixo, uns 2.500! E isso vale pras demais coisas, em geral. Roupas, sapatos, acessórios… Via de regra, é tudo mais barato por lá.

“Mas se o euro é mais caro que o real, como pode ser mais barato?” Sim, há analfabetos beneficiários do Bolsa-Família que me perguntam isso… Entendam: não importa que cada euro valha 2,3 reais, se lá eu consigo comprar por 40 euros (uns 90 reais) uma chuteira da Nike que aqui custa mais de duzentas dilmas! Sacaram a lógica?

Em Milão, a esposa linda foi na Zara procurar uns escravos umas roupas, e fez a feira! Eu fui na Sérgio Tacchini justamente no período em que tavam dando até 70% de desconto (God bless o capitalismo e a concorrência!), e comprei por 15 euros (uns 40 reais) camisas que no Brasil saem por mais de 100! Enjoy your Baratão do Povo e lojas Marisa…

Milão não é só pra fazer compras, seus sacoleiros! Visistem os monumentos do lugar também.

O que é caro pra cacete na Europa, além “das pessoas”, é água e refrigerante. Em restaurantes vale muito mais a pena pedir cerveja e vinho, que lá custam menos que aqui. Agora, se você não conseguir ficar sem água mineral e Coca-Cola, então prepare-se para ser assaltado: cheguei a ver latinhas de refrigerante sendo vendidas por até 6 euros (uns 15 reais)!!! Sério, I’m not making this up!

A dica amiga que deixo pra vocês é a seguinte: quando quiserem tomar uma bela Coca-Cola, procurem o McDonald’s mais próximo. Considerando o copaço de bebida que eles te vendem, o preço acaba ficando mais razoável (apesar de que ainda é mais caro que aqui). Outra opção é ir a um supermercado e comprar sua água e seu refrigerante por lá. Ou, ainda numa daquelas maquininhas de distribuição que ficam nas ruas, sabem?

Outra dica preciosa é: NUNCA, em hipótese alguma, peguem táxi na Europa. Em especial em Paris! A razão é bem simples: como o sistema público de transporte é simplesmente ótimo (sério, é fantástico mesmo!), andar de táxi é considerado luxo por lá. E você paga por esse luxo, como é óbvio.

Xeu vê o que mais… Ah, lembrei! Outra dica fundamental é: não aluguem carro em Paris – a menos, é claro, que você seja praticamente um nativo! Nas ruas mais badaladas (onde nós, turistas, queremos ir) é impossível estacionar. Não, isso não é uma hipérbole! Quando eu digo impossível, quero dizer que realmente vocês vão rodar em círculos o dia todo, sem conseguir parar. Passar por algo assim é simplesmente estúpido, afinal há estações de metrô por toda a cidade, que podem te deixar onde você quiser.

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Bônus game: na cidadezinha de Mendrisio, na Suíça, pertinho da fronteira com a Itália, há um shopping fenomenal onde as coisas são vendidas sempre com desconto. Não, não é um shopping qualquer, desses que você encontra em todo lugar. Lá estão as maiores marcas do mundo! Prada, Gucci, Armani, Dior, Valentino, Nike, Puma, Adidas, Ferrari, Sergio Tacchini, Timberland… Isso só pra citar algumas que lembrei de cabeça.

O lugar, chamado Foxtown, fica na parte italiana da Suíça (geral entende e fala italiano muito bem!), e está a apenas 60Km de Milão (dá pra chegar em menos de uma hora, de carro). Você chega, estaciona no subsolo do shopping (é grátis!) e fica lá o dia todo, passeando entre uma loja e outra. Impossível sair sem comprar nada, acreditem.

Lembrem da dica que já dei outra vez: não usem as autoestradas da Suíça (expliquei aqui o porquê)! Melhor seguir para Como, sair quando chegar lá e, por estradas secundárias, cruzar a fronteira e seguir até Mendrisio. Não tem como errar, afinal Foxtown é o único grande outlet daquela região, e todos o conhecem. Pintou dúvida? Encosta num café ou num posto de gasolina e confirma o caminho, que as pessoas saberão te ajudar.

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