Pra encerrar o “caso dos 100 mil”.

Escrevi aqui outro dia um texto onde mostrei como vejo a política do Amapá como um todo. Abordei o tal “caso dos 100 mil” apenas a título de exemplo, mas é evidente que há muitos outros episódios que podem servir para ilustrar os porquês da minha descrença com este rincão.

Estou errado? Meu pessimismo é exagerado? Ora, pode ser. Mas continua sendo o que eu acho, por isso trato do assundo no meu blog. Quem não concorda, que não concorde, ora essa! O fato é que não escrevi pautado pela matéria da revista Época. Escrevi porque acredito no que penso, principalmente quando digo que nenhum dos políticos que hoje sentam na Assembléia Legislativa me representa. Acho que ainda tenho a liberdade de dizer abertamente quando um homem público não se amolda aos meus requisitos éticos e morais, não é mesmo? Adiante.

Se agora parece que o aumento da verba indenizatória para indecentes 100 mil mensais foi ato da mesa da Assembléia, não fruto de votação unânime dos deputados (ao contrário do que afirmou aquela revista) não adianta ficar na bronca com os vários cidadãos que expressaram indignação. Todos nós só podíamos nos manifestar tendo como base apenas o que foi dito na Época. E por quê? Pois nenhum dos deputados apareceu, antes, para apresentar outra versão. Queriam o quê? Que a indignação aguardasse?! Francamente…

No mais, acho, data vênia, que o aumento ter sido ato da mesa, não do plenário, não deve ser motivo de regozijo para uns e outros. Antes, deveria despertar algumas indagações lógicas, que a paixão partidária está sufocando. Tais como:

1 – A origem do ato faz mesmo toda essa diferença? A meu ver, não. O aumento continua sendo escandaloso e ultrajante, seja ele fruto de votação do plenário, ou de ato discricionário da mesa diretora.

2 – É realmente possível que numa casa com apenas 24 deputados decisões dessa natureza sejam tomadas sem que se saiba o que está sendo feito? Se for, trata-se de algo ainda mais grave!

3 – Se, de fato, alguns parlamentares sequer tomaram conhecimento da decisão da mesa até a publicação da revista Época, não é o caso de pedir que fiquem mais atentos ao ambiente que os cerca?

4 – Por que alguns só se manifestaram depois que a matéria da Época veio a público e ganhou repercussão nacional?

5 – Se algum parlamentar é mesmo contra o aumento, que medida concreta vai adotar contra esse absurdo? A meu ver, simplesmente afirmar que não votou a favor é muito pouco…

São todas indagações bastante óbvias, que apenas o olhar turvo de quem só pensa em birrinhas de momento não permite ver. Se eu tivesse votado em algum dos parlamentares que cumprem mandato atualmente na Assembléia, esperaria do meu representante, por exemplo, que: a) buscasse medidas legais contra o aumento; b) fizesse eco ao que foi dito pelo Ministério Público, acerca da necessidade de derrubar esse aumento abjeto; c) não concorresse para que os integrantes da mesa fossem, no futuro, reconduzidos.

Eis apenas alguns exemplos de medidas concretas que eu exigiria dos deputados, caso algum me representasse. Como nenhum me representa, não espero absolutamente nada. Já passei da idade de ser ingênuo, se é que me faço entender…

Ademais, tenho certeza de que suas excelências, com suas equipes competentíssimas e assessores gabaritadíssimos, sabem, melhor do que este escriba, o que pode ser feito a fim de cancelar o malfadado ato da mesa diretora – sempre que queiram fazê-lo… Não espero, pois, que gastem tempo dando atenção ao que aqui se escreve.

_____

No Jornal a Gazeta de hoje atribui-se ao deputado Moisés Souza, Presidente da Assembléia Legislativa do Amapá, a seguinte declaração, acerca da recomendação feita pelo Ministério Público para cancelar o aumento:

“Não vou cumprir recomendação nenhuma. A verba indenizatória é lei e está formatada, e não vou reduzi-la. O Ministério Público não é poder, eu sou poder.”

Não sei se ele de fato disse o que vai acima, mas, se disse, eu acho muito preocupante… Corrijam-me se estiver errado, mas não há um único precendente minimamente parecido vindo de país democrático e civilizado.

Imaginem aí o speaker da House of Representatives americana falando algo assim lá nos Estados Unidos… Tentem vislumbrar o líder da maioria parlamentar britânica usando semelhantes termos… Eu não consigo.

Evidente que o problema pode ser comigo, claro… Mas o fato é que não me reconheço num agente público que age assim. Daí o cerne principal daquele texto de outro dia – e deste também: não me representam!

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