Leave Suíça alone!

Essa pobre bandeirinha está sofrendo bullying.

Imagine que você nasceu num desses países do Oriente Médio em que o povo vive oprimido por costumes – por que não dizer? – bárbaros. Aí você resolve que não quer mais ficar sujeito a um Estado teocrático de molde fascista, onde homossexuais são presos e mulheres mutiladas, e decide se mandar rumo à Europa, onde os “cães infiéis” que rejeitam Allah vivem na liberdade e na democracia.

Então você desembarca num lugarzim maneiro como a Suíça, abre um negócio próprio (ou arruma algum emprego, sei lá…) e monta a sua família numa boa. Um ou outro mauricínho malcriado provoca, de quando em vez, seus filhos, mas tudo se resolve na base do sadio que-tu-falou-aí-filha-da-puta?!, e pronto. Poder frequentar escolas de qualidade e viver sem precisar amarrar bombas ao próprio corpo acaba compensando tudo.

Mas aí seu filho cresce e, junto a outros amigos que também sofreram um bullyingzinho na escola, resolve que é hora de dar o troco:

Filhos de imigrantes muçulmanos na Suíça querem que o governo tire a cruz (um símbolo cristão) da bandeira nacional porque, dizem, é incompatível com um país multicultural.

O jornal suíço Aargauer Zeitung informou que esses “imigrantes de segunda geração” estão pressionando o governo com o argumento de que o Estado é laico e que, portanto, a bandeira do país tem de ser neutra.

A Suíça tem 7,8 milhões de habitantes, menos, portanto, do que a população da Grande São Paulo. É um dos países mais ricos do mundo.

Apesar da cruz em sua bandeira, que também está no escudo nacional, os suíços estão entre os povos menos religiosos do mundo.

De acordo com um estudo recente, a Suíça é um dos nove países onde a religião está em extinção.

Eu leio isso e concluo que não há mais pratos sujos na Suíça, afinal só muito tempo livre ocioso pode justificar a mobilização em torno de uma causa com tamanho grau de pescotapabilidade

Notem a preocupação da galerinha em afirmar que o Estado é laico, por isso a cruz deveria ser banida da bandeira. Lindo esse engajamento! Quero é ver eles se vestirem de homens e irem cobrar isso lá de onde eles vieram

A gente fica combinado assim, rapaziada: primeiro ceis exigem a retirada da lua crescente lá das bandeiras de vocês, depois a gente enquadra a Suíça. Afinal, parece meio estranho que se exija respeito ao multiculturalismo na Suíça (um país formado a partir de três povos diferentes!), ao mesmo tempo em que se justifica a lapidação de mulheres em praça pública, alegando que se trata de um… traço cultural!

Por outro lado, é interessante observar esse fenômeno do ponto de vista antropológico: ver imigrantes muçulmanos levantando tais bandeiras dentro do Ocidente só me faz acreditar ainda mais na superioridade dos nossos valores morais: aqui, eles são livres para criticar as coisas daqui e exigir mudanças. Agora tentem dizer na praça central de Teerã que não é certo apedrejar mulheres (mentira, não tentem! Pode ser muito perigoso!)…

Ao fazer exigências estúpidas sobre a bandeira da Suíça, o máximo que acontece é sofrer uma zoaçãozinha nas internerds – como neste texto -, nada mais. As liberdades estão garantidas, e ninguém vai atentar contra a vida deles por conta disso. Poderíamos, os ocidentais, gozar as mesmas liberdades lá, na terra natal deles?

_____

P.S.1: Pra quem não sabe, os tais imigrantes, além do papel ridículo, também tão fazendo um papel imbecil! Aqui a explicação sobre a cruz na bandeira da Suíça.

P.S.2: Íntegra da notícia, aqui.

P.S.3: Via @gravz.

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