Sobre as coisas que realmente importam na vida.

Entrei no meu agora ex-emprego há uns sete anos atrás (não lembro com exatidão…), depois de ter feito estágio lá e ter sido convidado, pelo chefe da época, pra ficar.

Foi um período muito bom, durante o qual pude aprender muita coisa e conhecer pessoas inteligentes e dedicadas. Isso poderia ser motivo de tristeza, agora que chegou a hora de virar essa página… Mas não é! No final das contas, um emprego é apenas… um emprego.

Me formei em Direito e sempre trabalhei na área. Trata-se de um meio onde a busca pela tal estabilidade decorrente dos concursos públicos virou uma espécie de meta para a vida das pessoa. Cada um sabe de si, mas… Sei lá… Acredito de verdade que essa fixação por um emprego estável seja um dos maiores problemas do Brasil. As faculdades de Direito se tornaram grandes cursinhos preparatórios para concurso, onde os alunos aprendem a decorar leis, não a pensar. Não vejo como uma engrenagem assim possa produzir algo de bom para o país a longo prazo, but whatever

O emprego que ficou pra trás era isso: apenas um emprego. Uma ocupação secundária à qual eu me dedicava enquanto não estava exercendo minha verdadeira vocação: ser pai e marido. Acredito firmemente que qualquer trabalho deve servir para elevar o núcleo familiar, nada mais que isso. Você se realiza no que gosta, ganha dinheiro, produz algo, constrói coisas… Mas, creio, tudo isso deve ser sempre secundário.

Assim, da mesma forma que saí de um emprego (apenas um emprego…), começarei outro agora. Nada de tensão ou expectativas exacerbadas, afinal trata-se de apenas outro emprego… Será uma nova parte da minha rotina, mas será também – e principalmente! – somente uma pequena parte dela. Uma dessas coisas da vida que, se não der certo, basta deixa pra lá. “Mas e a estabilidade? E a segurança?” Olha, estabilidade e segurança é o que conseguimos em nossas famílias; junto aos nossos amigos. Empregos? Os há aos montes por aí.

Confesso que não entendo por que tanta gente leva a vida profissional sob enorme pressão… Há exemplos aos montes de pessoas que, em nome de meros empregos, abdicam da vida em família. Francamente, não acho que haja sequer escolha possível entre tais esferas… O profissional, para mim, nunca passará de um simples complemento.

Desde cedo decidi que não perderei festinhas de aniversário em razão de trabalho. Não deixarei de comemorar aniversários de casamento por conta de compromissos profissionais. A vida da gente é essa interminável sucessão de escolhas, e eu fiz as minhas: nenhum trabalho que ouse se elevar acima do meu núcleo familiar, vale a pena. “Nem se ele garantir estabilidade?!” Pois é, nem assim… Há coisas muito mais importantes na vida que a certeza de ter um emprego todas as manhãs, e a minha família pode me proporcionar todas elas!

Seja na saída de um trabalho, seja no começo de um outro, o que experimento é apenas a sensação de que uma parte bem pequena da minha rotina diária será modificada. A minha vida, em si? Ah, ela é algo muito maior que o lugar onde eu “bato o ponto” todas as manhãs… E ela orbita ao largo e acima disso, onde as coisas verdadeiramente importantes devem estar.

Sinceramente, não entendo como alguns permitem que uma mera atividade profissional tenha mais importância que isso, deixando-se condicionar a ponto de colocar a vida pessoal em segundo plano. Juro que não entendo mesmo… Ainda bem que não entendo!

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4 ideias sobre “Sobre as coisas que realmente importam na vida.

  1. valeria vasconcelos

    Difícil encontrar pessoas com consciência sobre o que realmente importa. Parabéns!

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  2. Gilciane

    Yashá,
    É a primeira vez que acesso teu blog e tive o prazer de deparar-me com esse lindo texto.
    Parabéns por escolher ser Pai e Marido em tempos de “workaholismo” e onde a família, tão relegada a segundo plano, perde seu valor.
    Felicidades no novo trabalho e continue fazendo as escolhas certas!

    Gilciane

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  3. CLÁUDIO

    BROTHER, MEUS PARABÉNS!!! AINDA NÃO SOU ESPOSO NEM PAI, NO ENTANTO, POSSO DIZER QUE ESSA MENSAGEM AJUDOU-ME A CORROBORAR O PENSAMENTO QUE TENHO, MAS QUE, COM A PREOCUPAÇÃO PELA “ESTABILIDADE” ACABO ME DEIXANDO BOMBARDEAR PELO “ESPÍRITO DA ÉPOCA”. LHE PARABENIZO TAMBÉM PELA CORAGEM DE POSTAR ALGO ASSIM, NÓS, HOMENS TEMOS UMA CERTA RESERVA EM DECLARARMOS NOSSA POSTURA EM DETERMINADOS ASSUNTOS, PRINCIPALMENTE SOBRE ESSE. PODERIA PARAFRASEAR NUMA APLICAÇÃO VÁLIDA O QUE DIZ O TEXTO BÍBLICO EM UM DOS EVANGELHOS DA SEGUINTE FORMA: “DE QUE ADIANTA AO HOMEM GANHAR O MUNDO INTEIRO, TER BENS, ESTABILIDADE… E NÃO TER UM SENTIDO NA VIDA. NÃO DESFRUTAR DA VIDA COM PESSOAS AMADAS”
    (PARAFRASEANDO DE FORMA APLICATIVA O QUE DIZ JESUS)
    MAIS UMA VEZ, PARABÉNS!!!

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  4. Nathália Uchôa

    Você tem razão.
    É muito questionável o que se convencionou como satisfação pessoal e qualidade de vida.
    Seu texto me sensibilizou. Diria que é quase poético.
    Seja feliz.

    Resposta

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