Então, eu larguei meu emprego!

Pois é, isso tava mais ou menos ensaiado, né? Analisando a situação agora, nem consigo entender como pude demorar tanto a chutar um emprego que não me fazia feliz nem profissional, nem pessoalmente. Whatever… Demorei um tantinho, mas agora posso dizer de boca cheia e de peito aberto que me libertei!

Foi importante vivenciar essa experiência, isso não posso negar. Pesar prós e contras, avaliar riscos, calcular chances… Ver o susto na cara de algumas pessoas, quando eu contei que estava prestes a desistir da tal estabilidade do serviço público, que tanta gente considera um objetivo de vida, é algo que não tem preço. Dizer o quê? Sempre que eu parava para refletir, essa tal estabilidade me parecia cada vez mais um fardo, do que um benefício em si mesmo; mais que um bônus, uma espécie de corrente, que me prendia a algo que só me fazia triste. Até que chegou a hora de admitir o que, no fundo, eu já sabia: dane-se!

“Mas, afinal, por que você decidiu sair?!” Então… Não esperem que eu fique aqui fazendo drama em cima de coisas passadas. Além de um tanto estranho, isso soaria piegas, afinal o tal (agora ex) emprego já é página virada. Num resuminho rápido, poderia dizer que os planos, idéias e objetivos deles eram incompatíveis com os meus; que os valores pessoais deles eram incompatíveis com os meus. Se não estava me sentindo aproveitado nem valorizado como profissional, por que continuar? por conta da tal estabilidade?! Sorry, mas acho pouco…

Enquanto várias pessoas que conheço ficaram um tanto incrédulas diante da minha decisão, eu só consigo me sentir feliz por ter podido tomá-la. Dando às coisas a sua real importância (um emprego – lembrem-se! – é apenas um emprego), eu fiz simplesmente algo que todos sonharam em fazer pelo menos uma vez na vida: abandonei um eprego que não me fazia feliz. Só quem fez isso pode saber o quanto é libertador! Eu não senti nenhuma culpa; nenhum peso. Antes: me livrei de um fardo.

Eu não tenho nem trinta anos, por isso não me vejo no direito de dar conselhos a quem quer que seja. Mas, se posso dizer uma coisa sem medo de errar, é: nunca permitam que as vontades de terceiros que nada significam para vocês, determinem os rumos de suas vidas.

Como se nota, foi tudo uma simples questão de incompatibilidades: o que foi planejado para mim, eu considerei inaceitável. E aí, em vez de me desgastar lutando por um trabalho que não gostava e onde não me sentia valorizado, escolhi mandar tudo às favas e privilegiar os meus valores. Acreditem: há coisas ligadas aos princípios de cada um, que estabilidade nenhuma no mundo pode pagar.

Nenhuma estabilidade pode proporcionar a ninguém a possibilidade de estar em paz com seus princípios; nenhum salário garante o direito de andar de cabeça erguida na rua. Foram essas coisas que eu decidi escolher, em detrimento de outras inevitavelmente menores.

E vida que segue! Agora é experimentar essa confortável sensação de “alívio moral”, e buscar horizontes que me realizem de verdade profissionalmente.

_____

P.S.: Parece que a “vida de desempregado” nem vai durar tanto assim. Aguardemos…

Anúncios

30 ideias sobre “Então, eu larguei meu emprego!

  1. Kelton

    Confesso que já estava esperando esse “post”, se é assim que se chama. Quando vi no twitter que tinha realizado essa proeza… Pensei: vem boas palavras por aí (ou no mínimo ácidas..rsrs). Legal é que você fez o que muitos têm vontade de fazer, pero, não o fazem…por uma razão ou outra. Importante é deixar claro que esta atitude não induz um ou outro a realizar o mesmo feito, mas sim, dá uma oportunidade para as pessoas refletirem sobre o que lhes conforta (no sentido de tornar-se forte -> feliz pra seguir)… Realmente, constrói um pensamento, algo raro em nossos meios.

    Resposta
  2. Thiago - RJ

    Meu caro, só por curiosidade: qual emprego/cargo efetivo público você largou?

    Entenderei, obviamente, se você preferir não responder. Mas é uma curiosidade imensa: sou um advogado que estuda para concurso, justamente porque, considerando o que eu gosto (e sei) dentro do Direito e meu planejamento de vida, a carreira na advocacia pública (stricto sensu) é mais vantajosa e o que me satisfará, pessoal e profissionalmente.

    Me dará oportunidade, inclusive, de “fazer a diferença”, sabe aquele idealismo bobo de garoto, aquele romantismo meio piegas que alguns, como eu, não conseguem largar, por mais que se “crie carcaça”? Eu já percebi que apenas dentro da estrutura da Administração Pública eu posso fazer algo para diminuir a iniquidade, o que significa, no caso do meu Estado, simplificar, esclarecer e conformar a gigantesca legislação tributária infralegal à Constituição. A cada dia eu “descubro” cada coisa… Além disso, nas Procuradorias estadual e municipais por aqui, é permitido exercer advocacia privada, desde que não haja conflito de interesses. Cai como uma luva para minha idéia de deixar a metrópole caótica e viver numa cidade média próxima – com ligação de ônibus direta para o centro da cidade.

    O passo que você tomou é muito corajoso. Daí minha pergunta: do que você abriu mão? Você certamente abriu mão de algo. Que não é pouco, certamente, ainda que insuficiente para você

    Abraço!

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Opa! Eu era auxiliar judiciário do TJ daqui. Cargo de nível médio, com um salário até razoável, mas nenhuma enormidade.

      Resposta
      1. Thiago - RJ

        Entendi. As pessoas nem olham para esses cargos pela remuneração, mas pela estabilidade. Realmente, muito corajoso. Você seria considerado maluco por 100% dos meus colegas… na boa, não sei se teria essa coragem, mas certamente não te julgo. Eu sei muito bem o que é esse sentimento que te levou a pular fora. E eu sei também o desânimo que dá continuar em certos contextos profissionais dentro do Direito, especialmente no próprio Judiciário.

        Boa sorte aí na próxima etapa!

        Resposta
  3. camila

    Parabéns pela atitude! Sou funcionária há mais de 6 anos e pretendo largar no fim deste ano ou começo do próximo.

    Resposta
  4. Anonimo

    Ah! Perfeito! Acabei de fazer o mesmo com o meu! É uma sensação boa misturada com um pouco de medo, mas o medo é bom. É o medo que nos mantém em movimento.

    Resposta
  5. Sabrina

    Poxa !!!! Gostei dos posts , pra quê continuar em um emprego que não te faz bem?
    Há tempos pensava em largar meu emprego , pois o stress que ele me proporciona não me deixam estudar , darei um basta nas humilhações e irei estudar !
    Meus pais me apoiam , meio ressabiados , mas apoiam.
    O importante não é eles acreditarem em mim e sim eu mesma não desistir.A única pessoa que pode nos derrotar está dentro de nós , bora estudar , bora acreditar em si mesmo , bora dar um novo rumo em minha vida !

    Resposta
  6. Fernanda

    Seu texto foi inspirador, mas confesso que ainda não tenho essa coragem.
    Passei num dos concursos mais cobiçados do país, ganho na casa dos 20.000 e já estou há 10 anos no serviço público.
    Não vou cuspir no prato que comi pois o ótimo salário me permitiu vivenciar muitas experiências e ter uma vida confortável materialmente falando, mas a verdade é que não me idêntico com o que faço, com a burocracia, papel, autoridade, tanta responsabilidade.
    Sou uma pessoa criativa e o serviço público cai para mim como algo extremamente castrador.
    Queria ter coragem de bancar uma vida mais simples que tem mais a ver com quem sou hoje.
    Acho que quando fiz essa escolha era muito jovem e fiz o concurso mais por ego do que por vocação. Queria provar a mim mesma que era capaz. Durante todo esse tempo sempre senti um sentimento de inadequação e frustração pois não era feliz, o trabalho era um fardo, uma cruz e por mais que me falassem que eu era abençoada e deveria valorizar meu emprego eu nunca consegui..
    A cada dia que passa mais difícil se torna essa libertação. Minha formação é jurídica e não tenho mais afinidade com a área e não me vejo começando uma nova faculdade, fazendo outro concurso tampouco vendendo artesanato…
    Enfim, eu me sinto presa a uma realidade que busquei a 10 anos atrás justamente por não ter a coragem de abrir mão de tudo o que conquistei pois infeliz ou não é tudo o que tenho.
    Te admiro muito pela sua inciativa, quem sabe um dia…

    Resposta
  7. Suzana

    Poxa fiquei muito feliz ao ler isso, fiz o mesmo ontem e várias pessoas me chamaram de louca… Estou aliviada em saber que eu não sou a única. Há coisas que o dinheiro e essa tal de estabilidade não compram, paz e felicidade por exemplo…

    Resposta
  8. Anônimo

    estou me preparando pra largar o meu! estou cada vez mais feliz com minha decisão. So nao chutei ainda pq estou terminando um trabalho com pessoas que dependem de mim. Parabens!

    Resposta
  9. Daniele

    Tenho muita vontade de fazer isso, tiraria um grande peso dos meus ombros. Não estou feliz no meu emprego (público). Estou aqui há 5 anos e cada dia me sinto pior. Gostaria de ter a sua coragem, mas sou casada e o salário do meu marido não conseguirá pagar as despesas da casa, ganho muito mais do que ele. Além disso tem o plano de saúde que inclui os meus pais e eles precisam muito.
    Tenho medo de deixar essa “estabilidade” mesmo me sentindo tão triste e desanimada com esse emprego. Quem sabe um dia eu consiga.
    😦

    Parabéns pela sua coragem!!

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Cada um sabe como é sua realidade e sua condição. O que foi certo pra mim, não necessariamente é pra outro. Você só precisa manter a mente aberta e acreditar que tem coisas maiores que a estabilidade de um concurso.

      Resposta
  10. Bruna carvalho

    Tenho um emprego publico e ele me adoeceu. Fui pega pela depressao! Mas nao tenho coragem de largar. Queria poder conversar mais com vc.

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Oi, Bruna. Está meio parado o blog, mas sigo por aqui. No que puder ajudar, estou às ordens. 🙂

      Resposta
  11. talita

    Eu entendo vc. Também pedi exoneração do tal emprego dos sonhos. Me fez muito mal espiritualmente ver de perto tanta corrupção e outros atos ilícitos, sem contar as ameaças que sofri por não querer fazer parte dos esquemas. A única coisa q me prendia no final era o medo do desemprego e de perder o plano de saúde. Me sinto mais leve hoje, apesar de estar há meses desempregada. Só me arrependo de não ter saído antes, pois foi só tempo perdido na minha vida.

    Resposta
  12. simone

    Olá!

    Boa tarde!

    Eu acabei de pedir exoneração tb do meu cargo público e no momento ainda estou naquela fase que penso o dia todo sobre isso, mas me sinto melhor assim.
    Os seres humanos tendem a julgar algo que não teem ou não vivem então…só quem vive para saber se está sendo ruim ou não.

    Não faço nada pensando no que as pessoas irão achar, mesmo pq a vida é minha e quem paga minhas contas sou eu.

    Parabéns e o importante é ser feliz!

    Resposta
  13. jjj

    Não larguei porque tenho filhos e ganho 11.000 reais, mas penso todos os dias em como fazer pra sair de lá.

    Resposta
  14. felipedani

    yashagallazzi primeiramente parabéns pelo post, ficou ótimo para refletir.
    Atualmente sou vendedor de consórcio de carros ha 03 anos, e vejo meu trabalho como um fardo também…é minha primeira experiência em vendas.
    estou com 28 anos, solteiro, moro em casa própria, uma condição relativamente boa, graças a Deus. Estou em um nível de descontentamento, que quase levanto e vou ate o RH entregar minha carta de demissão após ler seu post. Me bate aquele medo de largar um emprego nessa fase de crise que se encontra o país. Não digo que sou feliz no emprego, me sinto mais um peixe fora dágua, fazendo aquilo que não me satisfaz, muito menos feliz, apenas para sobreviver e pagar as contas….Contando os minutos para ir embora desde o minuto que chego na empresa, não tenho nem vontade de sair com os amigos, creio até que estou com um quadro de depressão. Não quero que esta fase da minha vida seja assim. Estou cada dia mais decidido que vou sair, e meu projeto é passar em concurso para polícia ( sonho de criança ser policial ).
    Agora quero que você nos conte um pouco como está atualmente sua vida profissional, se vc se arrepende, e se faria tudo denovo…. abraços

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Oi! Cara, desde esse post se passou muito tempo, coisas aconteceram, novas mudanças (algumas maiores que essa, inclusive pra outro estado!). Mas essa decisão de largar esse emprego nunca me trouxe arrependimento algum. Me trouxe, aliás, uma coisa ótima: depois disso, eu aprendi que emprego é só emprego. É só uma pequena parte da vida da gente e se termina um, logo aparece outro. Quando eu cheguei em casa depois de pedir exoneração e vi que a vida tava igual no que importa (o aspecto afetivo e pessoal), tudo ficou mais fácil. 🙂

      Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s