Artigo recomendado (#7) – Pedro Sette-Câmara: “O capitalismo tem conserto?”

Abaixo transcrevo apenas alguns trechos de um dos artigos mais geniais que já li, assinado pelo Pedro Sette-Câmara. Deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas e faculdades do país! Os negritos são meus.

_____

Antes mesmo de começar a discutir a questão, creio que é preciso fazer uma espécie de limpeza retórica, porque a primeira coisa que me chama a atenção é que uma crise financeira dos países capitalistas parece ser suficiente para condenar a ideia mesma de capitalismo, ao passo que os genocídios da China, da URSS, do Camboja, do Vietnã e até do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães não parecem suficientes para questionar a viabilidade, para nem falar da moralidade, do que seria o sistema rival, o socialismo. Hoje em dia você pode dizer que o socialismo deu errado na URSS por causa de Stálin, mas, francamente, isso me parece um tanto similar a dizer que foi Hitler que estragou o nazismo, que o nazismo merece credibilidade apesar de Hitler.

(…) A segunda observação importante é que o termo “capitalismo” foi criado por Karl Marx. É um termo pejorativo, que indica a dominação do capital. (…) A diferença é que quando uma pessoa se diz “capitalista”, ela não está se dizendo a favor da dominação do capital, mas a favor de um sistema de trocas livres.

(…) O “capitalismo” no sentido positivo ou liberalismo seria basicamente um sistema de trocas baseado na especialização de cada participante. Eu traduzo, você faz pontes, nós vendemos nossos serviços uns aos outros. Esse sistema é tão natural que nem mesmo o socialismo conseguiu destruí-lo. O sistema coletivista da URSS apenas criou um mercado negro paralelo cujos preços eram artificialmente elevados. Por isso também eu mesmo defendo menos interferência dos governos, e acho que eles devem proteger mais os consumidores do que as empresas. Proteger os consumidores e não as empresas seria, por exemplo, não aumentar o IPI de carros importados não sei de onde para que você possa pagar mais caro por um carro só porque ele foi gloriosamente produzido no Brasil. O nacionalismo está sempre ligado à ideia de que enriquecer os empresários locais é de algum modo moralmente superior a enriquecer um empresário estrangeiro, mesmo que o estrangeiro tenha um produto melhor e mais barato. (…)

_____

A íntegra está aqui.

Anúncios

4 ideias sobre “Artigo recomendado (#7) – Pedro Sette-Câmara: “O capitalismo tem conserto?”

  1. Gabriel

    Pois é, eu tenho uns amigos socialistas, e as desconstruções deles, no Face, através de charges ou textos, são sempre falando da pobreza. 1º – ela pode – e deve – ser combatida dentro do liberalismo. 2º – bom, eles devem achar que bom mesmo é todo mundo ser pobre, é mais justo

    Resposta
  2. Roberto Rodrigues

    O problema é que não dá pra levar a sério autores que, seja por desconhecimento o ma fé, confudem formas de governo com modos de produção!…Muito senso comun também!….Ah…o nazismo não deu certo por causa de Hiltler, mas de Stálin!… (dívida eterna da humanidade aos povos da URSS!)…o Socialismo não deu certo na URSS porque negaram Stálin!…A diferença entre ele e os que o sucederam pode ser resumida assim: ele (Stálin) herdou um país arruinado e transformou-o numa super-potência, os seus sucessores herdaram essa super-potência e a arruinaram!…

    Resposta
  3. Eduardo Araújo

    O problema é que não dá pra levar a sério comentaristas estupidificados que, seja por imbecilidade em altíssimo grau, seja por impostura intelectual ou as duas coisas juntas (mais provável), idolatram um reconhecido assassino sanguinário e impiedoso, famoso pelos seus expurgos e suas perseguições sistemáticas.

    Soa irônico associá-lo à derrota final do regime nazista, quando foi graças a ele que esse regime pode consumar sua tão sonhada apropriação de metade do território polonês, ficando a outra metade adivinha com quem …

    Até 1941, o governo comunista do seu “santo” Stalin foi amiguinho de conveniência do Eixo, com quem assinou pactos de não-agressão dos quais muito se beneficiou, como na já citada apropriação de metade do território polonês (para depois voltar a carga contra os países do Báltico e a Finlândia).

    A única dívida que se pode falar aqui foi a contraída pelo seu amado ditador comunista, contribuindo para a deflagração da guerra e submetendo povos livres ao jugo da ditadura comunista sanguinária e perseguidora (como fizeram com os outros “povos da URSS”).

    Foi preciso o amiguinho Hitler trai-lo para que o ditador rompesse sua relação de amor com o Eixo e se unisse aos aliados criando a Frente Oriental. Com esta – e graças à inestimável colaboração da Frente Ocidental – quitou sua dívida com a humanidade, pondo fim à guerra, a mesma guerra que ajudou a começar.

    Resposta
  4. Eduardo Araújo

    Caro Yashá, relendo o meu comentário acima, ocorreu-me esclarecer:

    – a “dívida” quitada por Stalin a que me refiro seria apenas a relacionada com o colaboracionismo original com o regime nazista, resultando no estourar da guerra;

    – esclarecido esse ponto, ressaltemos que isso em hipótese alguma liquida a “parte principal” do passivo stalinista: os milhões de seres humanos mortos sob o jugo do sanguinário ditador comunista, como bem salientou você na postagem “Fala que eu te escuto #4”.

    Achei interessante fazer esse esclarecimento para que alguém não deduza do meu comentário que estaria inocentando Stalin dos crimes produzidos pelo seu governo por conta da Frente Oriental. O cerne, na verdade, foi refutar essa balela de que os soviéticos foram OS heróis da Segunda Guerra.

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s