Fala que eu te escuto (#4)

Leiam com atenção o comentário do leitor Roberto Rodrigues. Vocês perceberão que o escrito pede (implora mesmo) por uma resposta zoacionística. Pois bem, here we go!

O problema é que não dá pra levar a sério autores que, seja por desconhecimento o ma fé, confudem formas de governo com modos de produção!…Muito senso comun também!….Ah…o nazismo não deu certo por causa de Hiltler, mas de Stálin!… (dívida eterna da humanidade aos povos da URSS!)…o Socialismo não deu certo na URSS porque negaram Stálin!…A diferença entre ele e os que o sucederam pode ser resumida assim: ele (Stálin) herdou um país arruinado e transformou-o numa super-potência, os seus sucessores herdaram essa super-potência e a arruinaram!… [Os negritos são meus]

Então… É até complicado esculhambar semelhantes “argumentos”, porque pode-se acabar sendo acusado de praticar bullying…

Notem que não há nenhuma referência às mais de TRINTA MILHÕES de pessoas que morreram sob as botas de Stalin, um dos maiores sociopatas da história do mundo! Me permitam ser um tanto repetitivo: eu disse TRINTA MILHÕES! Perto dele, Hitler não passava de um moleque travesso.

Mas suponhamos, por amor ao debate, que o sujeito seja um pragmático: “Sim, matou uma galerinha, e tal… Mas transformou um país arruinado numa superpotênia!” Sim, só que ao contrário…

Vejam: sob Stalin a URSS não se tornou um exemplo de prosperidade. Basta ter em mente que boa parte daqueles 30 milhões referidos morreram de fome, graças, também, a jenialidades como as fazendas coletivas. Eu não tenho tempo (nem saco) para destrinchar em pormenores todos os fatores que levaram ao colapso do bloco comunista.

Mesmo porque não me é possível levar a sério quem considera digno de idolatria um assassino compulsivo; quem exige reconhecimento para um sistema que deu à luz a maior máquina de matar da história humana.

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6 ideias sobre “Fala que eu te escuto (#4)

  1. Roberto Rodrigues

    Caro Gallazi, de onde tirastes esse número…De que fonte?…nenhum historiador sério referenda esses dados tão badalados pelo tal do Robert Conquest, um “historiador desacreditado, pai de todas esses mitos e mentiras a serviço da Guerra Fria – ex-agente do departamento de desinformação IRD – Information Research Departement, do serviço secreto inglês. O IRD foi uma secção iniciada em 1947 (com o nome inicial de Communist Information Departement) tendo como tarefa principal combater a influencia dos comunistas, sob o lema: “a mentira necessária!”. Meu caro, quem propugnou uma guerra de aniquilação e extermínio contra a URSS foi Hitler, esta ação provocou além das atrocidades inomináveis, a morte de 25 milhões de cidadãos soviéticos. Procure se informar melhor para não pagar mico tratando Hitler com essa complacência e leniência. Nota-se pelas suas colocações que você não tem a menor idéia da magnitude e da arquitetura do projeto nazista liderando por Hitler, que, graças a J Stálin, ” o líder da guerra”, conforme reconheceu Averrel Harriman – Político e diplomata da confiança de F D Roosevelt – não prosperou!…

    Resposta
    1. Hay

      Robert Conquest incluía nas estatísticas eventos como deportações para kulaks, certo? Logo, ele era mais realista, afinal, não seria lá muito inteligente achar que não havia mortes em massa nos kulaks. Logo, esse negócio de “nenhum historiador sério referencia X” me leva a questionar os historiadores. Especialmente considerando o fato de que só conheci um historiador na minha vida que não era um marxista pentelho.

      Resposta
    2. Eduardo Araújo

      Hay, mas o melhor é que não existe essa de “nenhum historiador sério …”
      Conquest é reconhecido por muitos dos seus colegas como um expoente da historiografia sobre a União Soviética. ALGUNS criticam especialmente seu livro “O Grande Terror”, alegando ser obra de um ativista anti-comunismo (grande “argumento”, hein). Sobre a baboseira de “historiador desacreditado”, cabe perguntar: quem desacredita o historiador britânico? Nem preciso dizer que já sabemos a resposta, não é?
      Lembremos que esquerdista que se preze é mestre em distorcer, mentir e omitir a respeito da história. Considere essa alusão a Averell Harriman. Articulista do governo Roosevelt, Harriman foi peça importante no entrosamento dos chamados três grandes (Churchill, Roosevelt e Stalin). Mas ele não disse que Stalin era O LÍDER DA GUERRA e, sim, que era UM GRANDE LÍDER MILITAR. De todo modo, o esquerdista omitiu convenientemente toda a frase de Harriman. Confira:

      ““We became convinced that, regardless of Stalin’s awful brutality and his reign of terror, he was a great war leader. Without Stalin, they never would have held.” (em http://www.brainyquote.com/quotes/authors/w/w_averell_harriman_2.html)

      Segue uma tradução livre, com meus destaques:

      Somos convencidos que, apesar da TERRÍVEL BRUTALIDADE DE STALIN E DE SEU REINO DE TERROR, ele foi um grande líder militar.

      Além disso, Harriman foi um proeminente diplomata na questão polonesa que se seguiu à guerra na Europa. Questão esta que manteve-se após o conflito exatamente devido à União Soviética de Stalin, que assinara um pacto de não-agressão no qual partilhou o território polonês com seus amiguinhos da hora: Hitler e companhia. Somente em 1941, com a traição dos amados amiguinhos nazistas, o governo socialista mudou-se para os aliados, criando a Frente Oriental. Mas daí a dizer que eles foram os heróis da Segunda Guerra, como se as duas Frentes não dependessem uma da outra e, ainda, como se os Estados Unidos e a Inglaterra não tivessem aparelhado a União Soviética fortalecendo-a e modernizando o seu parque industrial bélico; e, mais, ignorando que até no seu Estado-Maior, o sanguinário Stalin promoveu expurgos, executando generais e estrategistas; e que esse monstro carniceiro ainda aproveitou a resistência para executar seus oponentes na população, engrossando a cifra dos 25 milhões … Detalhes, sem importância para os “historiadores sérios” que desacreditam outros historiadores, entende?

      Resposta
  2. Giba

    Em minha visão há exagero em ambas as partes, mas o fato é que, se o socialismo fosse bom, teria dominado o mundo.
    Vamos ver a coisa da seguinte ótica, vários países da Europa foram destruídos pela guerra e se reergueram através do capitalismo e os países mais fortes do planeta são capitalistas.
    A URSS faliu, Cuba está só o frangalho e o melhor exemplo de socialismo eficiente que temos foi o da Albânia, que também não resistiu ao tempo.
    É interessante perceber que os regimes socialistas, que sempre se tornam comunistas e depois totalitaristas, impedem seus cidadãos de saírem do país, enquanto que os capitalistas incentivam o turismo internacional, porque?
    Porque em um regime capitalista e democrático, o cidadão na enorme maioria das vezes retorna ao lar, com satisfação, mas o mesmo não acontece em regimes de esquerda, onde o cidadão, por não ter a chance de progredir, quer se ver livre do país cativeiro natal.
    Quanto ao genocídio, a história conta que quem mais matou foi a religião, pois se contabilizarmos as vidas ceifadas por católicos, protestantes e islamitas, teremos mais vítimas que se somarmos as grandes guerras mundiais.
    Os governos de direita, centro e esquerda mataram igualmente ao longo da história, basta pesquisar, então, por este motivo, não acredito ser este um bom parâmetro.
    O melhor parâmetro é comparar a qualidade de vida, a liberdade de ir e vir, a liberdade de expressão, as taxas de mortalidade por doenças e fome, o número de suicídios e assim por diante.
    Todos os regimes políticos são lindos na teoria, mas na prática, são outras medidas e outros pesos.
    Não podemos esquecer que a igreja católica e Hitler firmaram acordos de cooperação e parceria, tema que você pode abordar futuramente.
    O que derrotou Hitler foi uma falha de estratégia somada ao rigoroso inverno Siberiano, onde qualquer liderança militar bem preparada teria vencido a batalha como fizeram os Soviéticos.
    Este assunto, para ser debatido sem erros, deve ser fragmentado e tratado item a item.
    Um grande abraço
    Giba

    Resposta
    1. Eduardo Araújo

      Giba, sua afirmação de que “a história conta que quem mais matou foi a religião” é completamente destituída de fundamento e beira o absurdo, ainda mais quando você diz que o número de vítimas em guerras religiosas ultrapassaria as duas guerras mundiais somadas, um disparate total. A história não conta nada disso. Ela mostra que a maior motivação dos conflitos humanos envolveu o binômio propriedade-poder.

      A Igreja Católica NÃO assinou acordo com Hitler. A Concordata de 1933 foi, sim, um acordo firmado entre DOIS ESTADOS – o Vaticano e a Alemanha, que até então era um país democrático, visando assegurar a liberdade de culto católico no país. O cinismo de quem aborda esse fato chega ao ponto de insinuar que a ascenção política do NSDAP e, por extensão, de Hitler, se deu graças à Concordata, outro disparate, tendo em conta que a eleição se deu em 1932. Agora, se o sujeito, num fanatismo anti-religioso, confunde Zentrum com Igreja Católica ou Vaticano com Igreja Católica, paciência.

      Voltando à sua afirmação dos campeões de genocídio, esqueceu-se de considerar os mais de CEM milhões assassinados por regimes comunistas que incluiam na sua agenda a perseguição sistemática a clérigos e fieís religiosos e – no caso da URSS e da Albânia eram oficialmente ateus. Pois é, contabilidade implica em ativo e passivo, também.

      Resposta
  3. Roberto Rodrigues

    Meus caros, pra não ficarmos tendo que suportar “pigmeus se esgoelando com um gigante”…recomendo o seguinte link, que versa sobre o “o menino travesso”, Conquest, Solzjenitsyn, Hearst, etc….http://www.mariosousa.se/MentirassobreahistoriadaUniaoSovietica.html.
    Recomendo também, o excelente livro de Geoffrey Roberts, Stalin’s wars: from World War to Cold War, 1939-1953; onde trechos do mesmo pode ser encontrado aqui: http://books.google.com.br/books?id=xlRjy4qnH6cC&printsec=frontcover&dq=geofrey+roberts&hl=pt-BR&sa=X&ei=QrbvTpuACO_J0AGmhfihCQ&ved=0CDMQ6AEwAA#v=onepage&q=geofrey%20roberts&f=false, do qual particularmente, em face de comentários feitos no post, recomendo o capítulo que trata do Pacto Nazi-Soviético!…Lamentavelmente (proposital?)…não traduzido para a língua portuguesa!…Que venha el toro!….

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