Barcelona Vs. Santos: o rodo cotidiano.

O Santos não perdeu para um grande time de futebol. Foi devastado por um fenômeno da natureza! Esse Barcelona atual é uma orquestra, regida magistralmente por Guardiola. Uma obra de arte! Aqueles jogadores, juntos, são a La Pietà do futebol; a Capela Sistina dos gramados.

O Santos, de Neymar e Ganso, que encerra a esperança do futebol brasileiro, não teve chance. Foi acuado, amedrontado, torturado pela troca alucinante de passes, que tira o norte dos adversários e os leva à exaustão – física e psicológica. A malemolência, a ginga, a pedalada do “jeito brasileiro” de jogar futebol foram aniquiladas pelo estilo objetivamente espetacular do Barcelona.

No time de Guardiola, não há focas amestradas, fazendo firulas com a bola. Há geômetras em campo, ocupando perfeitamente os espaços existentes e forçando outros, novos, a surgirem. O Barcelona faz o time adversário (qualquer que seja ele) correr atrás da bola, enquanto dá rápidos e repetidos toques, mudando posições e destroçando esquemas táticos.

Hoje, sem Villa e Sanchez, os catalães entraram em campo com apenas um atacante de ofício. Por acaso recuaram? Tentaram se defender, marcando os brasileiros? Não! Posições táticas não são importantes, pois o fundamental, no caso do Barça, é o fato de haver uma filosofia em campo, de chuteiras, agredindo o adversário. Esse time fabuloso joga sempre do mesmo jesito, seja contra o Manchester United, o Real Madrid, o Levante ou o Santos. Seja com três atacantes de ofício e nenhum zagueiro (sim, já fizeram isso), ou com apenas um avante. O já histórico “estilo-Barça” continua igual: pressão absurda sobre a saída de bola adversária, obrigando o chutão ou o erro, para, então, retomar o controle das ações e trocar passes, fazendo com que a bola gire de mansinho, sem pressa, sendo conduzida até o gol.

Comparações de épocas distintas são sempre polêmicas (por isso gostamos tanto delas!), mas não consigo deixar de dizer que esse Barcelona é uma das maiores maravilhas esportivas que o mundo já viu! Pessoalmente, já o coloco acima de equipes como o Flamengo de 1981, o Brasil de 1982, a Holanda de Cruyff e o Milan de Sacchi. Considero que os catalães estão no nível de equipes lendárias como o Santos de Pelé e o Real Madrid de Di Stefano.

Os brasileiros, principalmente os da imprensa esportiva, deveriam parar de cantar as glórias de um “futebol-moleque” que foi destroçado hoje, e aproveitar para admirar o Barcelona. Deixar de lado especulações acerca do que poderia ter sido e apenas contemplar Messi, Xavi, Iniesta, Fabregas e companhia, enquanto desfilam talento, elegância e lógica pelos gramados do mundo. Vai demorar até surgir algo parecido. Devemos ser gratos pelo privilégio de ver a história ser escrita ao vivo, diante dos nossos olhos.

Encerrando, um recado para a criançada que está crescendo ouvindo que Neymar é melhor que Messi:

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9 ideias sobre “Barcelona Vs. Santos: o rodo cotidiano.

  1. Felipe Flexa

    A Holanda de Crujff, que já foi um dos jogadores do Barça, é a clara inspiração do conceito empregado pela equipe catalã – que conta com a minha simpatia desde o tempo em que Dinamite (um dos heróis da minha infância) passou rapidamente por lá. É um equipe soberba. E que só vai soçobrar quando aplicarem nela o mesmo remédio: ataques inclementes e diminuição do espaço – além de anos de entrosamento.

    A grande Holanda, a invejável Holanda caiu apenas diante de uma equipe não menos brilhante, mas menos bafejada pela imprensa: a Alemanha. Que virou uma final de Copa em 45 minutos. Mas a Alemanha tinha time pra isso, e aplicou à Holanda um remédio que ela não conhecia: ser atacada.

    Em 1986, a sensação era a Dinamarca. Como fazer para encarar a equipe de Elkjaer e companhia? Era uma tormenta! Até que a Espanha de Butrageño aplicou-lhe impiedosos 5 a 1. A fórmula? Atacar a Dinamarca impiedosamente. Coisa que ninguém tinha feito ainda, ou por falta de jogadores para isso ou por medo.

    Reconheço que o Barça é melhor que estas equipes e, a princípio, o remédio é esperar que essa pessoal abandone os gramados. Jogam juntos há oito anos e aprenderam sobretudo nas derrotas – nos muitos vice-campeonatos sobretudo, tão usados para tentar obscurecer certa equipe carioca (apesar dela nem ter tantos assim…). A vantagem é que não saíram vendendo jogador, trocando diretores etc. Há um livro, indicado por um amigo meu, escrito por um ex-presidente do Barça, “A bola não entra por acaso”, onde ele mostra o filosofia que implantou em sua administração 2003-2008.

    O Barça não tem medo de jogar. Não tem medo de perder – e isto já é o grande primeiro passo. Eles não se abalam. Mas nada é perfeito.

    O que me deixa triste é a opinião de Casagrande. E ele está certo.

    Glenda Kosldfjvhdsurebf perguntou: “Você acha que a vitória do Barcelona pode inspirar os técnicos brasileiros?” E Casão, na lata: “Nada! Eles vão é aumentar o número de cabeças de área pra impedir o outro time de jogar! Ou então pra perder de pouco!”

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  2. leandro

    É bem isso ai mesmo, é realmente melhor que a seleção de 82 por um detalhe: o Barça tem atacantes, o Brasil não tinha.
    Acho mesmo que estamos vendo uma grande história sendo escrita, realmente é bem bonita.

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  3. Anônimo

    Cara, você não sabe o que diz! Nenhum time jamais será melhor que o Brasil mágico de Telê. Vai estudar!

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    1. yashagallazzi Autor do post

      Bom, gosto futebolístico é como dedo mindinho: alguns não têm… 😉

      Mas, falando sério: o Brasil-82 foi um TIMAÇO! Histórico, etc. Mas acho que outra seleção brasileira, a de 1970, já era melhor.

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  4. Mauro

    Perfeito! Assino embaixo de tudo. Faria apenas um acréscimo: entre os times lendários equiparados a Barcelona atual, vejo também o Brasil de 1970.

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  5. Rodrigo Aguiar

    Um detalhe importante: mesmo humilhando miseravelmente o Santos, em nenhum momento o Barça “firulou” ou fez qualquer dancinha ridícula.

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  6. Marcus

    O jogo me fez ter certeza de algo que sempre imaginei, o Neymar no Brasil é capaz de driblar, redriblar, driblar os reservas do banco, os que estão em aquecimento, os PM’s que fazem a segurança do estádio..Mas quando ele fosse contra um time do nível do Barcelona, com uma zaga formada com GIGANTES do futebol, ele iria ficar sem ação alguma. O Messi é um bom jogador, mas assim como o Neymar no Brasil ele tem tanta mídia que as vezes ele nem joga tanto mas a moral dada é demais. Jogadores que fazem muito mais que ele em uma competição acabam desfalcados, o Gomis na UEFA Champions League está literalmente arrebentando, no ultimo jogo marcou 4 gols..mas se o Messi marcar um gol, é assunto por uma semana.

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  7. Hay

    Eu sou Santista, mas, sinceramente, é um exagero gigantesco dizer que o Santos era a esperança do futebol brasileiro. O Santos, depois da final da Libertadores, teve pouquíssimos jogos decentes. Era preocupante ver aquela atitude “não estou nem aí, só quero jogar contra o Barcelona”. Acho que o Santos teve uns poucos jogos bons. O Santos tinha a péssima mania de fazer inícios de partida muito bons, mas ficar absurdamente desleixado no final (o ultimo jogo com o Cerro Porteño e o jogo contra o Flamengo são bons exemplos). Era ainda mais preocupante ver uma defesa que, ao invés de tentar tomar a bola, ficava cercando o adversário. Quando via isso, eu pensava: “Cacete, se fizer isso, vai levar uma sova do Barcelona”. Dito e feito. Ao invés de correr, o Santos andou em campo, exceto em alguns poucos minutos do primeiro tempo, quando conseguiu até mesmo uma boa chance de gol. O Ganso, que ainda não acordou para a realidade, quase sentava no meio do campo e esperava a bola chegar a ele.

    Aliás, o Ganso mereceria uma análise mais detalhada. Ele, com a bola nos pés, é, sim, muito, mas muito bom. Com um ou dois toques, ele consegue deixar jogadores na cara do gol. Está faltando a ele mais vontade, falta vê-lo correr em campo. Se tivesse a raça que têm os jogadores do Barcelona, ficaria tranquilamente entre os melhores do mundo. Infelizmente, parece-me que será só mais uma promessa que nunca se cumprirá. Espero estar errado, mas as atitudes dele não estão me permitindo esperar muito mais dele. Não há mais espaço no futebol moderno para jogadores que andam em campo e exigem salários de 600 mil reais por mês.

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