Cracolândia: é preciso denunciar os exploradores da miséria humana.

Eu sei que, considerado o chamado “padrão da internet”, posso ter perdido o timming desse assunto. Quem me lê há mais tempo sabe que não escrevo em obediência a padrões abstratos ou etiquetas gerais da web. O que me move é apenas o desejo de expor pensamentos; defender aqueles que considero meus valores fundamentais.

É a partir desse prisma que decidi fazer alguns comentários sobre a operação policial desencadeada pelas autoridades de São Paulo na área da Cracolândia. Não vou tomar muito a paciência de vocês, afinal gente mais gabaritada do que eu já escreveu quase tudo o que havia para ser escrito sobre o tema. Quero apenas tentar lhes chamar a atenção para algumas nuances que não podem passar desapercebidas, acobertadas por um ar de – como chamarei? – “inocência”. Ao trabalho!

Desde logo, quero deixar claro que a idéia da operação em si – isto é, a decisão do Estado de expulsar os viciados da área conhecida como Cracolândia – não apenas é correta (do ponto de vista moral e legal), como também é necessária. Permitir que o tráfico pudesse chegar livremente àquelas pessoas, reunidas de forma a se tornarem presas fáceis para os criminosos, seria admitir que o poder público defintivamente capitulou; rendeu-se aos sabotadores do sistema de liberdades democráticas.

Ora, é óbvio que “apenas expulsar os viciados não é suficiente”, como bem lembraram várias pessoas. O que pretendo afirmar aqui, de forma clara e incontroversa, é que retirar os viciados da Cracolândia era um importante primeiro passo que precisava, sim, ser dado. E vou além: sem ele, nenhuma outra ação de política pública complementar poderia ter qualquer efeito. Retomar aquela área pública e colocá-la, uma vez mais, sob o controle do Estado era indispensável! Sendo assim, as autoridades de São Paulo envolvidas merecem os parabéns pela coragem de tomar tal medida. Prefiro um governo que enfrente a pressão dos “especialistas” por fazer cumprir a lei, do que um que feche os olhos para o problema e, de braços dados com o tráfico, entregue, de modo oblíquo, uma área pública ao crime.

Mas, como dito, é claro que muito mais há que ser feito… E que as autoridades sejam cobradas agora, acerca dos próximos passos, como deve ser dentro de um Estado democrático de direito! Mas, atenção! Que todas as autoridades sejam cobradas, não apenas aquelas cujos partidos são vistos pela elite progressista universitária brasileira como a encarnação do mal absoluto. Em outras palavras, não basta cobrar que os “demotucanos” Kassab e Alckmin recebam os viciados em centros de apoio e recuperação. É preciso, também, cobrar que os políticos de Brasília mudem as leis, autorizando, por exemplo, que se recorra a mecanismos como a internação compulsória – uma medida extrema, como extremos são os efeitos do crack.

Não deixa de ser curioso que os “especialistas” que aplaudem a decisão do governo de Minas Gerais de dar dinheiro aos viciados – numa medida que cria, na prática, uma bolsa-crack! -, sejam os mesmos que acham “desumano” defender a internação obrigatória dos dependentes. Todos, creio, têm as cabeceiras abarrotadas por livros de Foucault…

São os representantes da corrente sociológica que chamo de coitadismo: para eles, os viciados são “doentes”. Eu devo mesmo ser um reacionário, como dizem alguns que aparecem de quando em vez aqui no blog, pois acho que doente é quem pega uma gripe… Quem escolhe entrar no mundo do crack, sinto dizer, deve ser tratado como aquilo que é: alguém que fez uma… escolha! “Mas o crack provoca dependência desde a primeira vez que é fumado!”, poderiam dizer. Ora, mas, ainda assim, foi necessário que alguém escolhesse experimentar aquilo, não? Por que devemos passar a mão na cabeça de quem decidiu arruinar a própria vida?! Aqui, não!

Quem escolheu para si esse caminho não merece bolsa-auxílio do Estado, custeada com o dinheiro de quem escolheu trabalhar e estudar. Isso, meus caros, não é ser reacionário, direitista, conservador ou whatever. Isso é ser sério! O viciado deve ter a chance de sair daquele mundo destrutivo? Claro! Deve receber apoio do poder público para tanto? Evidente! Mas que isso se dê de maneira séria e eficaz, não simplesmente entregando dinheiro que terminará nas mãos dos traficantes.

O mais aborrecido desse episódio todo, porém, é o comportamento delinquente de certa gente que passou ao largo de qualquer civilidade democrática. Pessoas que fizeram da bandalheira e da trapaça intelectual suas bandeiras, decidiram aproveitar a operação na Cracolândia não para debater o drama dos viciados, ou as medidas complementares necessárias para solucionar, em definitivo, o problema das drogas. Que nada! Em vez disso preferiram ultrajar pessoas e vilipendiar a própria essência da democracia.

Me refiro aos que criaram essa coisa teratológica chamada de “Churrascão da gente diferenciada – versão Cracolândia”. Os revolicionários de sofá decidiram, entre uma sessão e outra de cafuné materno, que fazer piada com o drama de seres humanos era a melhor forma de atacar Alckmin, Kassab e demais desafetos políticos. A coisa toda só não é mais ridícula, porque trágica. Notem: o ~~protesto~~ deles contra a desocupação da Cracolândia só pôde ser realizado na Cracolândia depois que o aparelho de segurança do Estado… desocupou a Cracolândia. Mas é fascinante! Essa gente, que se vale de viciados para desenvolver suas “teses” político-ideológicas, só teve a chance de atacar o Estado graças à ação do… Estado! Parabéns a todos os envolvidos. Mesmo!

São os defensores do direito que o ser humano tem de viver como um zumbi, entregue ao vício e rastejando em pocilgas a céu aberto. Para esses humanistas do crack, o governo “higienista e fascista” de São Paulo não deveria desocupar a Cracolândia. Que nada! Para eles, os viciados deveriam continuar lá, exercendo sua “liberdade” de passar os dias e as noites em lugares como esse:

Uma das "moradias" de onde o Estado fascista de SP decidiu retirar os viciados.

Há outras imagens da Cracolândia que vocês podem ver. Servem para que se possa ter uma idéia de como era esse paraíso algo woodstockiano, que uma bela fatia do moderno progressismo brasileiro adorava ver nas mãos de traficantes e viciados. “É sujo mas é do povo!”, devem pensar…

Felizmente, na vastidão de conteúdo típica da internet é possível encontrar também gente decente que não apóia essa patacoada de churrasco na Cracolândia. Que bom! É reconfortante saber que pessoas de bem não têm medo de confrontar aquilo que é evidente mau e milita contra os alicerces do sistema de liberdades individuais. Parabenizo os responsáveis pela iniciativa e os convido a não capitular: é preciso lutar o bom combate, como bem lembrou São Paulo, o apóstolo.

O efeito mais danoso dos que escolhem fazer piada com a desgraça humana, porém, é outro. A redução do debate a um evento estúpido – algo infantilizado – milita contra qualquer argumentação séria que merece ser tecida diante do drama que é o crack.

Em vez de se organizar para, de forma honesta e objetiva, cobrar que o poder público continue trabalhando, inclusive adotando as demais medidas indispensáveis ao acompanhamento dos viciados, preferem usar incapazes como massa de manobra político-eleitoral. Assim, deixa-se de lado pontos que mereceriam atenção de verdade, em troca de promover chavões mentirosos e oportunistas – como se impedir que o tráfico tivesse trânsito livre numa área pública fosse algo fascista.

Não é! Fascismo é tolher de pessoas sua natureza humana, tornando-as instrumento de luta partidária. É isso que faz quem abdica de discutir sobre fatos concretos e prefere fazer “churracos” organizados via Facebook. É esse comportamente, flagrantemente contrário à democracia e às liberdades, que é e será sempre combatido aqui.

Espero que o debate em torno da questão das drogas – em geral – e do crack – em particular – se dê num nível mais elevado, onde se discutam políticas públicas, ações de governo e as necessárias reformas no arcabouço legal brasileiro. As falhas e faltas do poder público – e as há aos montes! – devem ser apontadas de maneira clara, a fim de tornar produtiva qualquer discussão. Não em tom de chacota, desrespeitando seres humanos tolhidos de seu juízo perfeito.

E que se ressalte uma vez mais, a fim de que não restem quaisquer dúvidas: todo e qualquer debate sobre o tema só será possível porque o Estado, por meio de suas autoridades democraticamente instituídas, teve a coragem de dar o primeiro e indispensável passo: reconquistar o espaço público. Isso merece aplausos. Sempre!

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35 ideias sobre “Cracolândia: é preciso denunciar os exploradores da miséria humana.

  1. mulherdechuteiras

    Muito bom!
    Concordo com várias coisas ditas, no entanto, acho que o pecado dessa desocupação foi que o Estado não se preocupou com o que esses usuários fariam. Isso reflete claramente nas ruas de São Paulo. Existem viciados perdidos por todos os cantos e muitas vezes roubando para manter o vicio. Nesse ponto, acho que o Estado tem muito o que aprender.

    Mas concordo principalmente com: “Quem escolhe entrar no mundo do crack, sinto dizer, deve ser tratado como aquilo que é: alguém que fez uma… escolha!”

    Parabéns pelo texto.

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      1. dawrannumida@bol.com.br

        Ações de tal envergadura, envolvendo características como as vivenciadas naquele local, vide foto da “casa”, no post, não terminam nunca. Isso porque o vício e o tráfico não iniciaram-se, necessariamente ali. Que o tráfico e o vício estão por todo lugar, é lógico. Que há dispersão de viciados e do tráfico, é lógico. Mas, a dispersão já existia antes das ações do Estado e da Prefeitura.

        Se tivessem sido deixados lá os viciados à mercê de todo tipo de violência e condições que nem baratas talvez vivam, o que ocorreria? Simples: mais violência, mas condições piores que as de baratas e tráfico. E a incúria recairia sobre o Estado e a Prefeitura. E quem realmente paga as contas, todos os cidadãos, via impostos diretos e indiretos, seriam os imbecis.

        Que as ações precisam ser aprimoradas, lógico. Precisam ser construídas vagas para atendimento de viciados, lógico.
        Então, as cobranças e as cooperações deve ser nesse sentido. Não no sentido ideologizado de disseminar culpas a todos. Como se quem trabalha, não trafica e não é viciado tivesse alguma culpa pelo vício e pelo tráfico de outros. Isso é absurdo e preconceituoso.

        Fazer churrasco num local daqueles é um disparate. Por que os organizadores, então, não levaram aqueles infelicitados para suas casas, para um jantar com suas famílias?
        Simplesmente porque não dá e sabem muito bem disso. Embora seja lícito crer que tenha quem o faça e estes, com certeza, sabem das dificuldades de tratar com pessoas que, infelizmente, perderam quase toda sua condição de discernimento.
        Assim, que Estado e a Prefeitura movam mundos e fundos e que não recuem nunca, aprimorem as ações e avancem sempre no sentido da melhoria.

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  2. mike osoviskh

    Caro Yashá.

    Putz, como sempre um belo texto. Claro, inteligente, bem construído.
    Sempre em forma! Vou divulgar nas redes, seria um pecado deixar passar em branco.

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  3. Barba

    Até então não conhecia seu Blog, mas creio que achamos mais um democráta convicto, para o bem do Brasil. Parabéns pelo seu post. Brilhante!

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  4. @newclair

    Excelente post! Estou compartilhando no meu Facebook o post e as fotos do inferno da cracolândia.
    Ninguém tem o direito de se destruir como o fazem os usuários de drogas! A vida é o BEM mais precioso que Deus nos deu!
    Parabéns pela sua clareza e objetividade!

    Resposta
  5. Gilberto

    Muito bom texto e concordo com seu ponto de vista.
    Li muita coisa a respeito e vi muitos usuários de drogas, desde maconha, criticarem a policia e o governo, mas acho que o caminho é este mesmo.
    Infelizmente a legislação não permite que eu trate o usuário de drogas contra a vontade dele e a maioria não quer ser tratado, quer viver na loucura.
    Alguns dizem que os usuários estão por aí roubando, mas isso eles já faziam e depois dos delitos retornavam a cracolândia.
    Agora o que falta é o estado garantir a detenção dos traficantes e a ocupação desta área.
    Outro fator importante é evitar que se formem outros focos como este que foi desmontado.
    Quanto ao churrascão. Os organizadores estão pedindo aos participantes que deixem suas drogas em casa, ou seja, será uma reunião de usuários de classe média, defendendo o suicídio dos pobres.
    Um grande abraço
    Giba

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  6. João

    O seu texto é tão profundamente desorientado que é até difícil saber por onde começar a criticar. Seria necessário apontar os erros parágrafo por parágrafo, desde o primeiro.

    O que mais evidencia a sua confusão é a sua afirmação de que a “idéia” da operação é correta para impedir que o tráfico chegasse livremente às pessoas, que assim se tornam presas fáceis, para logo depois você dizer que a entrada na vida do crack é uma mera escolha individual, e não devemos “passar a mão na cabeça” de quem decidiu arruinar a própria vida. Ora, se o crack é uma simples escolha, como a de quem decide tomar um sorvete, como podem ser presas de traficantes? E se são vítimas de traficantes, como se pode dizer que escolheram conscientemente? Não faz o menor sentido.

    Além das falhas lógicas, é claro que o texto não passa de pura retórica de alguém que não sabe o que aconteceu aqui na cracolândia. Não houve “idéia” alguma. Houve sim bala de borracha, cacetete e spray de pimenta. Na falta de uma “idéia”, após a ação desastrosa, o governo se pronunciou dizendo que a “dor e o sofrimento” levariam as pessoas ao tratamento. Convido o articulista a conhecer a maravilhosa estrutura hospitalar disponível aos viciados aqui em São Paulo.

    Na total ignorância, você escreve que o churrasco da cracolândia só foi possível porque a Cracolândia foi desocupada. Só que a Cracolândia não foi desocupada e o churrasco foi realizado no meio dos viciados. E mesmo antes era possível transitar na cracolândia. A ação policialesca de fato destruiu o trabalho de muitos grupos que trabalhavam para recuperar e ressocializar os usuários de crack. Não tem nada a ver com fazer piada com a desgraça humana.

    A vida é muito mais complicada do que essa retórica infantil de extrema direita. A vida tem coisas como ano de eleição e especulação imobiliária. Talvez você devesse estudar um pouco estas outras questões. É só uma sugestão.

    No seu texto se destaca um certo linguajar agressivo, fascista que chama quem pensa diferente de você de “essa gente que desenvolve teses político-ideológicas”. Um linguajar bem conhecido dos textos de Reinaldo Azevedo e outros de extrema direita. Este é o estilo de quem não tem inteligência nem talento para debater em alto nível e se refugia junto a um público decadente. Escreve para saciar os desejos mais primitivos deste público. É uma posição cômoda, pois este
    público sempre existirá e não exige análise, dados reais e coerência.

    Este estilo parece ter sido a sua “escolha”.

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Oi, João.

      Por favor, não se acanhe: aponte os tais erros – ainda que parágrafo por parágrafo.

      Você vê uma certa oposição de idéias entre “viciados serem presas fáceis pro tráfico” e “entrar no vício ser uma escolha individual”. Engraçado, porque eu só vejo linearidade de ideias… Note: eu disse – e reafirmo! – que provar uma droga e entrar nesse mundo pútrido é uma escolha individual. Quando afirmo que acabar com a Cracolândia é importante para impedir que traficantes tenham fácil acesso aos viciados, estou falando de um momento posterior: os “zumbis” que vagam pela Cracolândia já fizeram suas escolhas individuais, João. Já caíram no vício. Lá, estão entregues ao tráfico e à indigência. Continuar fumando crack, assim, não é mais uma livre escolha, pois essa liberdade já foi tolhida pela droga; pelo vício. Me fiz entender?

      Não bastasse isso, há ainda o problema de ordem pública: só porque algumas pessoas decidiram entrar no vício, o Estado deveria permitir que bandidos (sim, traficar drogas ainda é crime!) tivessem o controle de uma área pública?! Ora, cumpre retomar o lugar, mesmo!

      Depois você envereda pela ridícula seara do “você não é daqui, então não pode falar”. João, ninguém precisa tomar cicuta pra saber que vai morrer. Se alguém lhe disser o contrário, desafiando-o a sorver aquele líquido, fuja!

      Ora, não precisa dizer que a estrutura hospitalar em São Paulo é precária – mesmo sendo uma das melhores (a melhor?) do país! Eu sei disso! As coisas são assim no país todo. Note bem: eu deixei claro no texto que há MUITO mais a ser feito e que as autoridades PRECISAM ser cobradas. O que não entendo é como isso vai se dar por meio de “churrascões”…

      Aí você vai e diz que errei ao afirmar que o churrascão só aconteceu porque o Estado retomou o lugar e garantiu aos envolvidos a possibilidade de fazer seus protestos. Bem, pode ser que eu tenha errado… Mas, se errei, por que diabos NUNCA antes houve nada do tipo?! Se antes era tudo tão seguro, um paraíso na terra onde ongueiros e viciados viviam em confraternização perene, por que não havia “churrascões”? Aliás, se é verdade que havia mesmo um – como foi mesmo que você falou? – “trabalho social” no lugar, permita-me uma sugestão: LIMPEM AQUELA POCILGA! Não consigo nem imaginar que tipo de gente faz trabalho social e tenta recuperar viciados no meio daquele LIXO que as fotos mostram. Ah, já sei! As fotos foram plantadas pela “ação policialesca”, né?

      A vida é bem mais complicada que uma visão infantil de extrema direita. E de extrema esquerda, também… Curioso, aliás, você falando que há coisas como “ano de eleição”… Eu toquei no assunto no texto: você não acha interessante ver sindicatos, ONGs, pastorais e afins bradando contra o “fascismo tucano”, às vésperas de um ano eleitoral?! Mais ainda: não acha interessante ver esses mesmos grupos organizados sempre sentados no colo do PT e dos demais partidos de esquerda? Talvez você devesse estudar mais essa e outras questões. É só uma sugestão.

      Engraçados os seus padrões, João… Eu chamo meus adversários intelectuais de “gente que desenvolve teses político-ideológicas”, e minha retórica é considerada violenta. Você chama de “ignorante” e é – suponho – um expoente do iluminismo sociológico. É… Violentos são os outros, mesmo.

      Quanto ao público para o qual escrevo, permita-me deixar claro que sou um egoísta: escrevo, antes de mais nada, porque quero e gosto. Se tenho a sorte de ser lido – e de encontrar pessoas que concordem com minhas palavras -, apenas agradeço tal bônus. E, não! Para seu azar, não somos um público “decadente”, com “desejos primitivos”. Somos milhões de pessoas HONESTAS! Pessoas que TRABALHAM e ESTUDAM. E que acreditam no valor da DEMOCRACIA e das LIBERDADES.

      Resposta
      1. João

        Yasha,

        não foi por acanhamento que não apontei os erros parágrafo por parágrafo. Não achei que isso seria útil. Eu me enganei e, como penitência, farei isto com a sua resposta.

        ** Quando afirmo que acabar com a Cracolândia… **

        Todos querem acabar com a Cracolândia, não é isto que está em questão. O que está em questão é a ação midiática e policialesca que não acabou e nem vai acabar com a Cracolândia.

        ** Continuar fumando crack, assim, não é mais uma livre escolha, pois essa liberdade já foi tolhida pela droga; pelo vício. Me fiz entender? **

        Não, não se fez entender. Continua não fazendo sentido à luz do que você escreveu antes:

        ** “Mas o crack provoca dependência desde a primeira vez que é fumado!”, poderiam dizer. Ora, mas, ainda assim, foi necessário que alguém escolhesse experimentar aquilo, não? Por que devemos passar a mão na cabeça de quem decidiu arruinar a própria vida?! Aqui, não!**

        ** só porque algumas pessoas decidiram entrar no vício, o Estado deveria permitir que bandidos [bla bla bla retórico] tivessem o controle de uma área pública?! Ora, cumpre retomar o lugar, mesmo! **

        Você não sabe do que está falando. A Cracolândia não é nenhum morro do Rio de Janeiro onde polícia não pode entrar. A Cracolândia é um gueto onde os traficantes atuam livremente, com a conivência policial, ao lado do comércio, dos trabalhadores, da população em geral. Isso deu até no Globo Repórter. A Cracolândia é uma conveniência social para afastar os viciados de outras áreas da cidade. Acontece que agora aquela área é objeto de enorme especulação imobiliária. Então é hora de enxotar os viciados para outro lugar. Por favor, não fale do que você não entende.

        ** Depois você envereda pela ridícula seara do “você não é daqui, então não pode falar”.**

        Nunca falei nada disso. Por favor, releia o que eu escrevi.

        ** Ora, não precisa dizer que a estrutura hospitalar em São Paulo é precária…**

        ** eu deixei claro no texto que há MUITO mais a ser feito e que as autoridades PRECISAM ser cobradas. O que não entendo é como isso vai se dar por meio de “churrascões”…**

        Aperentemente você não dá valor a isto ou não conseguiu entender, mas o Churrascão foi uma forma de protesto contra o tratamento desumano dos moradores da Cracolândia. Tratamento humano (por exemplo, não dar um tiro de borracha na boca de uma menina de 17 anos) também é importante, mesmo para a escória social do crack. Graças a este e outros protestos, que são uma forma de cobrança, a violência policial diminuiu bastante.

        **por que diabos NUNCA antes houve nada do tipo?!**

        “Tipo” o que? Um churrascão? ou um protesto contra a situação da Cracolândia? Ou um protesto contra a violência policial? de fato, NUNCA houve churrasão na Cracolândia. É essa a sua queixa, protesto foi feito na forma de um churrascão?

        ** Aliás, se é verdade que havia mesmo um – como foi mesmo que você falou? – “trabalho social” no lugar,**

        Informe-se.

        ** permita-me uma sugestão: LIMPEM AQUELA POCILGA! **

        Ficou com nojo? Aquilo é só a ponta do iceberg.

        ** Não consigo nem imaginar que tipo de gente faz trabalho social e tenta recuperar viciados no meio daquele LIXO que as fotos mostram.**

        Pois é, são verdadeiros heróis.

        ** Ah, já sei! As fotos foram plantadas pela “ação policialesca”, né? **

        Nada disso, aquilo é muito real, pode acreditar. Resultado do abandono e da hipocrisia do governo e da sociedade. Como eu escrevi acima, tudo isso aconteceu com a conivência da polícia anos a fio.

        ** você não acha interessante ver sindicatos, ONGs, pastorais e afins bradando contra o “fascismo tucano”, às vésperas de um ano eleitoral?!**

        Existe uma precedência aqui. Primeiro a polícia baixou o cacete. Depois houve os protestos. Um pouco de humildade, reconhecendo o erro, seria bom.

        ** Mais ainda: não acha interessante ver esses mesmos grupos organizados sempre sentados no colo do PT e dos demais partidos de esquerda? **

        Não sei o que você quer dizer com “sentados no colo”, mas não acho estranho ver os movimentos sociais ao lado dos partidos de esquerda. Talvez eu seja louco, mas isso me parece muito natural. Por definição, é de esquerda quem está ao lado dos movimentos sociais.

        ** Eu chamo meus adversários intelectuais de “gente que desenvolve teses político-ideológicas”, e minha retórica é considerada violenta. Você chama de “ignorante” e é – suponho – um expoente do iluminismo sociológico. É… Violentos são os outros, mesmo. **

        Infelizmente você considera uma advertência da sua ignorância como agressão. Você não é ignorante. Você é sábio, muito sábio. Tem muito a ensinar sobre o problema da Cracolândia. Está contente?

        ** Se tenho a sorte de ser lido – e de encontrar pessoas que concordem com minhas palavras -, apenas agradeço tal bônus.**

        Olha só que azar, você encontrou alguém que discorda de você. Foi mal. Estraguei a sua festa.

        ** E, não! Para seu azar, não somos um público “decadente”, com “desejos primitivos”. Somos milhões de pessoas HONESTAS! Pessoas que TRABALHAM e ESTUDAM. E que acreditam no valor da DEMOCRACIA e das LIBERDADES**

        Agora você me fez lembrar um ditado muito comum entre pessoas maravilhosas aqui da minha terra:

        DIREITOS HUMANOS PARA OS HUMANOS DIREITOS.

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    2. Saulo

      O texto expressa a realidade dos fatos, não as estorinhas contadas por vigaristas intelectuais de esquerda, que criticam todas as ações tomadas para arejar o Estado, mas, tal qual o Apedeuta e a Apedeuta, nada fazem em benefício daqueles que necessitam, preferindo ficar confortavelmente em seus domicílios, vendo o circo pegar fogo.
      Smj, o esquerdopata é cego, ignorante, oportunista, vigarista e um parasita do sistema que ele critica.

      Resposta
  7. Alessandro Gusmão

    Achei fundamental a observação sobre a internação compulsória. Não adianta reclamarmos que o estado deveria tratar os viciados em clínicas, com psicologos, psiquiatras e todo tipo de infraestrutura. A atual legislação permite que o usuário de drogas saia dessa clínica por vontade própria (coisa que um viciado não tem) na hora que quiser e colocando a perder tudo o que foi feito em seu tratamento.

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  8. Kika

    Perfeito!
    Ninguém é obrigado a entrar no vício…eles que escolheram…infelizmente é a realidade..
    tenho dó das famílias dos viciados, são os que mais sofrem nessa história…

    Só queria fazer uma observação…esse pessoalzinho que organizou e participou do churrasco, NUNCA se manifestou antes…aliás eles nem sabiam aonde ficava essa tal cracolândia…
    são uns riquinhos metidos a revolucionários e se acham engajados por causas sociais, mesmo que NUNCA TENHAM subido num ônibus, pego um metrô, passado perto da periferia…geralmente moram em bairros de classe média alta e nem precisam trabalhar …contato com pobres, eles tem quando falam com o porteiro do seu prédio ou dão ordens a suas empregadas….HIPÓCRITAS

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  9. Anônimo

    Nossa, você está quase se formando na universidade dos babacas imbeciloides reacionários! Já tem um texto como o do Felipe Ponde, do Coutinho e do Reinaldo Azevedo!

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  10. Ballarini

    Deveria ter poupado Foucault que tanto contribuiu para a pratica da ciencia dentro da psiquiatria e medicina social.

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    1. yashagallazzi Autor do post

      Eu discordo… Acho que Foucault construiu teses a partir de premissas erradas. Algumas das modernas correntes de pensamento sociológico, que pregam uma retórica algo coitadista, onde o indivíduo é sempre vítima do meio social, mas nunca responsável por suas escolhas, são fruto das construções dele.

      Resposta
  11. Toledo

    Parabéns, parabéns, ziguilhões de parabéns para vc!!!

    Texto e pensamentos magnifícos, de pessoa séria, honrada, austera e comprometida com a civilidade, a democracia e o estado de direito.

    Estou contigo em tudo que pensa e disse, e não abro mão disso.

    Grande agraço.

    Mais uma vez, PARABÉNS !!!

    Resposta
  12. Anônimo

    Li seu texto, vindo pelo atalho do Coturno Noturno e não ia comentar, mas depois de ler sua resposta ao tal João, bem… bravo!!!

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  13. @newclair

    Yasha Gallazzi voltei aqui hoje para ver os comentários. Faço isso sempre no Coturno noturno e no Reinaldo Azevedo. Lá eles moderam e não deixam passar a petralhada de jeito nenhum! O racumim funciona preventivamente! Às vezes o Coronel deixa um pra gente se divertir… ou até faz uma postagem especial… e é muito divertido mesmo! rs rs
    Mas aqui vc não apenas deixa passar como encara e responde muitíssimo adequadamente às investidas descompassadas deles! kkkkk ri muito!
    Voltarei! Fiquei fã!

    Resposta
    1. João

      Yashá,

      você está vendo, foi isso que eu quis dizer com público decadente. Este (ou esta) aqui se orgulha de participar de sites que só publicam comentários favoráveis e passam “racumim” nos demais. É fascismo puro. Se a sociedade estivesse nas mão de pessoas assim, estaríamos vivendo na idade das trevas. Você é melhor do que isso.

      Resposta
      1. Hay

        Vou te dar uma dica grátis, João: fascismo não existe em um blog particular. O dono do blog simplesmente escolhe quais comentários publicar. Logo, não há absolutamente nada de fascista nisso. Para mim, quem usa “fascista”, “extrema-direita”, “escreve como o Reinaldo Azevedo” é motivo de piada. Parece até um adolescente ou um militante do PSTU… As universidades brasileiras são especialistas em idiotizar o cidadão – inclusive cidadãos bastante inteligentes mas que acabam sucumbindo ao marxismo barato.

        E esse papo de “se a sociedade estivesse nas mãos de pessoas assim”? É de me fazer chorar de rir. Ok, intelectual preocupado com os fracos e oprimidos, você é muito legalzão! Imagine se o mundo estivesse nas mãos de pessoas que não são como você! Oh, a tragédia! Oh, o horror! Ui, pessoas diferentes de você! Que nojo!

        Até entendo a sua forma de pensar. O brasileiro tem uma dificuldade imensa com o uso do cérebro para tomar decisões racionais sem se deixar levar pelo emocional. Não importa se o raciocínio lógico deva ir para as cucuias. O que importa é, no final das contas, ficar com ama de bonzinho. É por isso que o brasileiro é tão fácil de se enganar.

        Resposta
        1. João

          Vou te dar uma dica grátis, Hay: aprenda a ler. Chamei de fascismo o orgulho que o cidadão ou cidadã acima sente de participar de blogs que só publicam comentários favoráveis. Se você soubesse o que é fascismo, saberia que a principal característica desta forma de pensar é a repressão contra todo pensamento discordante.

          Quantos aos donos de blogs que “apenas escolhem” que comentários publicar, e esta “escolha” significa censurar aqueles que apontam falhas, contradições, ideologias, interesses, não se trata realmente de fascismo, mas de fraqueza, incapacidade, cinismo. Neste ponto, o Yasha está de parabéns, e por isso eu disse que ele é melhor: ele, aparentemente, publica todos os comentários.

          Outra dica grátis: não faça apologia da ignorância. “As universidades brasileiras”, assim, no genérico, não são especialistas em nada. Se você tem alguma crítica, faça a uma universidade, a uma faculdade, a um departamento específico e com exemplos e argumentos. Senão é você que parecerá um adolescente fã da raiva genérica do Olavo de Carvalho.

          Mais uma dica grátis: pare de chorar de rir e comece a pensar. Eu estou justamente criticando a censura. Como eu poderia lamentar por outras pessoas pensarem diferente de mim?

          Pra finalizar, a última dica, também gratuita: você não entende a minha forma de pensar. E, pior, não entende que não entende. Você tem algumas fórmulas na cabeça, que aplica a um brasileiro genérico, que tem dificuldades genéricas. Chama de “lógica” uma retórica tola e acha que quem não se engana por ela é que está se deixando enganar.

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          1. Saulo

            Quem pensa não pode realmente entender, como no século 21, no terceiro milênio, ainda existam posicionamentos pré-históricos, de pessoas que vivem com comportamento medieval.
            Vá para Cuba ou Coréia do Norte, lá certamente vc encontrará eco para sua diarréia mental.
            Vcs esquerdopatas, esquerdofrênicos e esquerdiotas tentam viver sob a égide dos tais “direitos humanos”, mas aplaudem a sua “presidANTA” quando se nega a falar sobre eles lá na filial nº 1 do inferno.
            Direitos Humanos apenas para aqueles que servem de massa de manobra dos vigaristas vermelhos, essa é a idéia central da camarilha.
            Vade retro.

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  14. carlos roberto

    parabens,Esse texto deveria estar nos jornais.Tambem não conhecia seu blog, mas a partir de hoje eu acompanharei.

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  15. Neuza

    Bom e raro descobrir um novo lugar de discussão de idéias com respeito , elegância, clareza e coragem. Atualmente é quase proibido pensar com independência. Discordar do pensamento dominante é ser fascista. Será que quem acusa não percebe quem é realmente fascista?

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  16. Porta Torta

    Caro Yasha:

    Venho por recomendação do Coronel dar uma espiada nos seus posts. Vc é muito bom de zarabatana textual: na mosca! É vero tudo o que vc brilhantemente expôs.
    O que eu mais detesto nessa estória toda é idiota se achando descolado querendo faturar com a desgraça alheia dos mortos-vivos, enchendo o saco com o apoio da mídia barraqueira, mas no dia-adia não erguendo uma palha para realmente ajudar.(só fumando uma palha, que é o que eles sabem fazer!…). Criam ongs pra sugar dinheiro do terceiro setor, mas na hora de por a mão na massa, desculpam-se: ah, a vida real é meio suja e fedida, nossa que meda né…
    Esse papo de povinho inteliquituahhhlll maconheiro com a mesada de papai autoironizado de Desentorpecendo a Razão zuar com os zumbis crackeiros, querendo churrasquear (queimar um camarão, saca!…) dá vontade de mandar fuzilar semanticamente os palhaços ..

    Sds,

    Porta Torta

    Resposta
  17. Porta Torta

    Lívre-arbítrio é o caralho, meu nome é João Petelho !!!

    Nossa, como o texto do João é soberbamente bem escrito ! (Ou será escrito com soberba intelectual?) Qual cátedra lhe é mais trivial ?!? Um culto crítico que APENAS aponta profunda desorientação, evidências de confusão, falha de lógica, total ignorância, sugestão de mais estudo, destaca linguajar agressivo, fascista e de extrema-direita, não sei mais o quê, e que por último decreta (sempre humildemente, saliente-se !): Este é o estilo de quem não tem inteligência nem talento para debater em alto nível e se refugia junto a um público decadente. Escreve para saciar os desejos mais primitivos deste público. É uma posição cômoda, pois este
    público sempre existirá e não exige análise, dados reais e coerência.

    Este estilo parece ter sido a sua “escolha”.

    Caro Yasha, com isenção eloquente o nobre João, candidamente, parece sentenciar:
    Você não deveria tratar dos temas que envolvem o posicionamento político das esquerdas e dos movimentos sociais sem possuir um conhecimento ideologizado desde dentro do (nosso!) projeto de poder revolucionário ou, resumindo: recolha-se a sua insignificância !
    OU:
    Como não concordo com você nos temas que tratou e que me são mais caros, eu…eu…eu…não gostei e pronto! Você não deveria ter escrito! Se escreveu, está errado! Então, vou ensinar como você DEVERIA pensar e escolher! … … …

    Será ou não será isento?!? Vê-se que a campa não lhe foi outro berço! Banhou-se mesmo nas etéreas esferas da cultura, se não alta, no mínimo guindada a postos elevados, para que pudesse meditar tranquilamente afastado da planície semiletrada…Ao menos na educação bem assistida ministrada por pais regrados, escolas públicas qualificadas de outrora ou quiçá um internato de sóror rigorosa passou bons e longos anos, para emergir um classificador imparcial (!!!) dos humildes escritos dos outros, almejando apenas defender as esquerdas e os movimentos sociais…
    É, prezado Yasha, sorria: Foste patrulhado! O João não é um. É uma legião.

    Resposta
    1. João

      Porta Torta, gostei muito do seu texto. Usa uma linguagem muito bem humorada. Obrigado pelos elogios, mas acredito que não mereço tantos! Só discordo quando você você diz que eu patrulhando. Estou apenas exercendo o direito que o dono deste blog me concedeu de analisar e criticar o texto e, posteriormente, a réplica. Até agora não tenho motivos para pensar que minha opinião não é bem vinda.

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  18. Anônimo

    Adorei! Obrigado por revelar a hipocrisia dos defensores do direito de fumar crack e dane-se o resto.

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  19. Thalita

    Ah! O Coronel e as suas boas indicações. Yasha, parabéns pela singular definição de doente x viciado. A julgar pelas babás militantes, viciados terão mais assistência e acesso a benesses do Estados que os cidadãos-pagadores-de-impostos.

    Resposta

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