Aborto: a questão essencial que ninguém quer discutir.

Sempre que o debate sobre a legalização do aborto volta à tona, quase todas as questões ligadas ao tema são exaustivamente discutidas. Fala-se da liberdade da mulher em dispor do próprio corpo, do direito à vida, do drama de quem recorre a clínicas clandestinas, de conceitos científicos e religiosos, do que pensam as feministas, os evangélicos, os progressistas, os conservadores, a Globo e o Vitor Fasano. Fala-se, como dito alhures, de quase tudo. A meu ver, porém, a questão mais importante é deliberadamente negligenciada – afastada da mesa -, porque demasiado incômoda. Bem, eu a proponho aqui, pois a considero condição sine qua non para que qualquer discussão acerca do aborto possa ser iniciada: como diferenciar aquilo de um assassinato?

Sim, eu sei que neste ponto do texto já ficou claro o que penso sobre o assunto. Não tem problema nenhum: nunca escondi que sou contra a legalização do aborto pelo simples motivo de que não encontro resposta para a questão posta acima. Minha mente ortodoxa, conservadora e obscurantista simplesmente não consegue diferenciar um aborto de um tradicional homicídio. O problema pode ser comigo, admito… Sou um ser humano falho; imperfeito. Talvez por isso tenha ainda mais ressalvas quando o tema é determinar o fim de uma outra vida.

Diferente de Eleonora Menicucci, nova ministra nomeada por Dilma, não acho que o aborto seja uma questão de saúde pública equiparável às doenças infecto-contagiosas ou à dengue. Até que me provem o contrário, aquilo que cresce e se desenvolve no útero de uma mulher é um ser humano, exatamente igual a você e a mim. Peço que os iluministas me desculpem, mas não consigo dezumanizar os fetos a ponto de condescender com o assassinato deliberado deles.

E, se não se trata de assassinato, espero que me seja demonstrado por quê. Em minha pequenez humana, não me avoco o direito de determinar quando uma outra vida deve iniciar e terminar. Sendo assim, não tenho como admitir a legalização do aborto em qualquer tempo da gestação. Sei que algumas correntes científicas falam que a vida só começa na terceira semana. Outras falam que é apenas depois do primeiro mês. E são justamente esses argumentos científicos, ilustrados, que invoco em defesa de minhas convicções ortodoxas: se os vários grupos científicos não conseguem determinar quando começa a vida, como eu poderia fazê-lo?!

Posto isso, retorna-se sempre àquela questão inicial: se o feto objeto de um aborto é vida (ou se é impossível descartar com 100% de certeza que o seja), como diferenciar isso de um homicídio puro e simples? Eu sei que colocar a questão assim, de forma direta, causa incômodo. Já fui acusado de “apelar” mais de uma vez por pedir que algum interlocutor defensor da legalização do aborto respondesse aquela pergunta. Mas eu o faço apenas por um imperativo moral insuperável: se considerarmos todos que cada vida vale exatamente o mesmo, como reivindicar o direito de deliberadamente interromper uma?

Ora, é evidente que conheço os problemas decorrentes dos abortos realizados em clínicas precárias, que terminam por mutilar e matar mulheres. E, sim! Acho que algo precisa ser feito, pois essa situação não pode ir adiante. O que não aceito é que se apresente como única solução a legalização do direito de colocar um fim a outra vida. Quando me digo contrário à legalização do aborto, ouço dos meus amigos progressistas que sou “muito antiquado” e que “o mundo evoluiu”. Bem, não me é lícito exigir que esse tal mundo mais evoluído procure soluções que passem ao largo do homicídio puro e simples? No mais, não deixa de ser irônico ser chamado de retrógrado e obscurantista por defender com instransigência o direito à vida… Prefiro isso ao moderno humanismo baseado na curetagem.

De resto, como funcionaria na prática a regulamentação do direito ao aborto? Afinal, uma vez legalizado, ele deveria ser oferecido pelo SUS, não? Bem, conhecendo o país em que vivemos como conhecemos, imaginem aí: a mulher engravida, procura o posto de saúde, agenda uma consulta, aguarda uns meses, vai à tal consulta, agenda o aborto, aguarda mais alguns meses na fila e, enfim, chega à mesa de cirurgia. Com quantos meses de gravidez? Até quando será permitido recorrer à – como chamaremos? – “solução”? O sistema público de saúde dará conta do serviço?

“Ah, mas essas são outras questões!” Bem, são questões que precisam ser feitas, não? Afinal, não adianta apenas querer discutir o aborto em tese, mas legalizá-lo na prática pra depois “ver como vai ser”. Bom, pelo menos eu – careta, conservador, etc… – acho temerário algo assim…

Não, meus caros! A verdade pura e simples é que há questões importantes demais que ainda precisam ser respondidas e a principal delas – gostem ou não os defensores da legalização – é exatamente a que foi posta no início deste texto: como é possível diferenciar o aborto de um assassinato? Sem responder a isso, entra-se no debate admitindo, a priori, que determinadas vidas humanas podem ser interrompidas com base em conceitos genéricos e abstratos.

Sendo assim, desculpem meu conservadorismo, mas não consigo deixar de achar estranho um mundo onde defender a preservação da floresta amazônica seja considerado progressista, mas defender a vida humana seja obscurantismo. Vai ver o problema é comigo… Talvez eu seja obtuso demais ao negar mais uma chance ao argumento de quem insiste em não dar chance nenhuma a uma vida humana indefesa.

 

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19 ideias sobre “Aborto: a questão essencial que ninguém quer discutir.

  1. FERNANDO

    quem tem bufunfa procura clínica particular e quem não tem, uma clandestina ou fundo dy kyntal mesmo…? tbm penso que ninguem melhor que uma mãe para saber como será o desenvolvimento dessa criança…os direitos assugurados na CF, será ela possível de oferecer o cuidade devido para criar o menino…? Não precisa ser oferecido pelo SUS, mas assegurado a escolha da Mãe. É o que penso a respeito

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Fernando, a questão é que eu defendo é que se tire a opção MATAR BEBÊS da mesa, entende? Ou então devemos aceitar que o Estado, por não conseguir evitar que as ricas abortem numa clínica, prefira a solução mais fácil?! Sei lá, me parece um pensamento temerário…

      No mais, vincular as dificuldade sociais à necessidade de legalizar o aborto é essencialmente errado. Parte-se do princípio que toda criança pobre pode ser um bandido em potencial, o que eu REJEITO! É preciso, sim, ter condições materiais de criar filhos. Mas essa é apenas UMA das necessidades. Há outras escolhas – inclusive de ordem moral – que precisam ser feitas.

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  2. Paulo

    O Reinaldo Azevedo publicou, hoje no seu Blog, uma entrevista realizada em 2004 com a nova ministra das Mulheres. Além do aborto ela cita outros pensamentos dela. Uma vergonha para o Brasil ter uma mulher deste quilate como ministra de Estado.

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  3. Danilo Freire

    Acho interessante essa forma de “in dubio pro fetus” que o amigo advoga. A verdade, porém, é que isso só importa realmente para aqueles que acreditam em alma ou qualquer análogo princípio animador estranho à matéria.

    É só neste contexto que o seu método têm possibilidade de aplicação coerente, pois não está claro em que momento este princípio “entra” em jogo; e como nenhuma entidade vai descer aqui para dizer “olha, a animação acontece neste exato momento aqui”, faz sentido a sua posição.

    Para aqueles que, como você, creem num princípio animador, “vida” é o mesmo que “animação” (significando “tem alma/espírito/wtv”); assim, realmente faz sentido a equação “embrião = ser humano completamente formado com uma história de vida”. É esse raciocínio que está na raiz do seu “oh, é um assassinato!”

    Ocorre que o ateu ou materialista/fisicalista não tem – pelo menos coerentemente não deveria ter, IMHO – esse tipo de dilema moral, trata-se de uma questão puramente pragmática. Não é relevante em que momento a vida “começa”, e para ser bem sincero não acho que essa pergunta possa ser respondida satisfatoriamente pela ciência – não por incompetência, mas pela dificuldade em se determinar até mesmo o que é “vida” (vírus é vida? célula é vida? óvulo/espermatozóide é vida?)

    Para ser ainda mais sincero, se fosse arriscar eu diria que a “vida [humana]” começa na concepção e não me sinto nem um pouco constrangido em afirmar que isso não me comove. Porém, é bom dizer, rejeito o formalismo “embrião = ser humano”, isso existe apenas como potencialidade. Não concebo igualar um punhadinho microscópico de células completamente dependente do corpo da gestante – ou até fora deste e congelado! – a um bebê e menos ainda a uma pessoa já nascida, um “sujeito histórico” etc.

    Como eu disse no twitter, a levar seu in dubio ao extremo, a FIV (fertilização in vitro) deveria ser proibida, pois tratar-se-ia, sem exagero, de manipulação da vida; “são pessoas! Meu deus, ~PESSOAS~ CONGELADAS! Isso fere de morte a dignidade da pessoa humana!” Além disso, seria como jogar na loteria com a vida: fabrica-se e implanta-se vários embriões na esperança de um ou dois vingarem, ou seja, deixa-os à sorte, aceitando o risco de nenhum dar certo.

    Retomando, para o ateu/materialista/fisicalista, segundo o que eu considero coerente, o momento exato em que a vida começa não têm papel assim tão importante, razão pela qual tanto a FIV, quanto as pesquisas com embriões e o aborto poderiam ser praticados sem o menor constrangimento ético ou moral. O limite temporal para a realização do aborto seguiria critérios pragmáticos: deixou de ser mera potencialidade e veio-a-ser em ato, ou seja, já é um bebê propriamente falando, até com possibilidade de vida extrauterina etc.

    Acho que é basicamente isso. 😛

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    1. yashagallazzi Autor do post

      Mas você segue sem me esclarecer de forma concreta em que o aborto seria diferente de um homicídio. Aliás, permita-me reconstruir a frase: para fazer tal diferença, você acaba tendo que recorrer ao mecanismo de dizer que um punhado de células não é um ser humano. Veja, é exatamente essa “certeza” que eu não me acho no direito de ter. E é por isso que sou contrário à prática.

      O principal ponto de discordância, porém, surge quanto a essa linha que pretende reduzir a contrariedade ao aborto a uma escolha de fé. Como já disse várias vezes, conheço vários ateus contrários ao aborto por razões exclusivamente humanistas. Eles estariam errados?! Bom, é uma maneira de ver as coisas… A outra é achar que criar termos inicial e final pra vida, a fim de permitir a “liberdade” da curetagem é algo assustador.

      Veja, eu divirjo fundamentalmente porque não me atrevo a chegar aos tais “critérios pragmáticos” que você termina mencionando. Me abstenho de debater em quais casos – e de quais formas – uma vida possa ser interrompida exatamente porque não se pode ao certo estabelecer quando ela começa. E aí vem aquela velha história: se um embrião deixado lá, quieto, em CNTP, vai virar um bebê saudável, que princípio (que liberdade) pode conceder a outrem o direito de abatê-lo?!

      Note: eu não nego hora nenhuma que meu pensamento seja influenciado por minha fé. Acho natural que seja, afinal ela faz parte daquilo que sou. Também não pretendo que ele seja tomado como referência ou verdade. Apenas digo, de forma humilde e sincera, que não me reputo capaz de dizer que esse “amontoado de células” não é vida. Por lógica, não consigo diferenciar o aborto de um ato por meio do qual uma vida pode estar sendo tolhida. É bastante simples (alguns dizem que se trata de uma posição “confortável”). Que seja… Prefiro essa simplicidade, do que carregar o ônus da dúvida. Ou – o que é pior – de defender abertamente que se possa trocar uma vida por outra*.

      _____

      *Não estou sugerindo que você tenha defendido isso, mas apenas lembrando que alguns defensores da legalização pensam abertamente assim.

      Resposta
    2. Thiago - RJ

      Não é preciso ser teísta para considerar que o aborto é igual ao homicídio. Aliás, a pergunta proposta pelo Yashá é incômoda justamente porque foge da questão puramente religiosa de achar que “já há alma ou espírito”, ou que a “vida é uma dádiva divina”. Pelo contrário, os ateus é que deveriam ser os mais interessados na resolução dessa questão: quando, cientificamente, começa a vida?

      Essa não é, necessariamente, uma pergunta posta por um teísta a um filósofo/teólogo. Pode ser – e assim deve ser considerada – uma pergunta feita por um humanista secular a um cientista da área biomédica. Medicina, Biologia, Biomedicina e congêneres/derivados: a partir de que momento aquele conjunto de moléculas deixa de ser algo inanimado e passa a ser algo “animado”?

      Curiosidade à parte: a dicotomia animado/inanimado, termos usados para diferenciar a vida da não-vida, têm origem etimológica no termo latino anima, de onde deriva o português “alma”. É interessante ver que, linguisticamente, a ciência acabou recorrendo a um truísmo religioso – afinal, “alma” não pertence ao mundo material, visível e palpável, é justamente a fé em sua existência que diferencia um teísta de um ateísta.

      Um trecho específico do que você diz merece comentário à parte: “O limite temporal para a realização do aborto seguiria critérios pragmáticos: deixou de ser mera potencialidade e veio-a-ser em ato, ou seja, já é um bebê propriamente falando, até com possibilidade de vida extrauterina etc.”

      Primeiro, há um equívoco: “bebê propriamente” é uma questão de nomenclatura. Quando deixa de ser “feto” e passa a ser “bebê”? É um critério puramente temporal – é feto até nascer, depois é bebê? Ok, mas isso é uma convenção, porque não há diferença biológica – sequer morfológicas – entre aquilo que agora está “aqui fora” e há 1 minuto estava “lá dentro”. Aqui está seu equívoco: achar que só o “bebê” é vida. A vida começa “lá dentro”. Eis a pergunta: “quando, lá dentro?”.

      Ademais, “possibilidade de vida extrauterina” é um critério cada vez mais escorregadio. Uma gravidez normal dura 42 semanas. Eu tenho um irmão que nasceu na 37ª, e com baixo peso (1,6 kg), tendo que ficar na UTI neonatal. Mas o bebê mais prematuro que a equipe já trouxe ao mundo tinha apenas 385 g, no início do 6º mês. Não importando como se chame (bebê ou feto), aquele ser vivo de 385 g tinha possibilidade de sobreviver aqui fora. Meu irmão, mesmo, nasceu para continuar vivo, porque as complicações da gravidez o levariam à morte – no útero que já não mais funcionava. Foi complicado, sim, mas a equipe da UTI neonatal da Clínica Perinatal do RJ tirou de letra. A Medicina avança… graças a Deus! hehehe

      Em segundo lugar: quando é que se deixa de ser mera potencialidade? Basta procurar na literatura médica para constatar que esse critério é falho. Como já disse eu testemunhei pessoalmente – duas vezes, aliás, que há cada vez mais meios de se tornar uma “potencialidade” em um ser humano saudável.

      Em suma: a não ser que você considere que todo ateísta é amoral (o que equivaleria a dizer que só a religião é fonte de moral), a questão posta pelo Yashá não é – ou não deveria ser – uma preocupação exclusiva de religiosos.

      Resposta
  4. Danilo Freire

    A diferença entre aborto e homicídio?

    Não respondi porque para mim essa questão não se coloca. Não sei se consegui deixar isso claro. Juro não ser uma tática para fugir da questão, apenas acho que o debate “onde começa a vida?” – questão que subjaz à pergunta que você me faz – é recursiva, não conduz a nenhum lugar e ainda impõe restrições com as quais discordo; nem ciência nem religião conseguirão respondê-la a contento (embora a religião possa recorrer ao dogma, como efetivamente o faz).

    Mas para responder a provocação do texto, far-me-ei claríssimo: digamos que sei lá como fique DEMONSTRADO que “embrião é vida humana”. Por mim pode matar e eu não ficarei sequer 1 segundo comovido. Não consigo nutrir afeto e respeito ~humanitário~ de “pessoa humana-para-pessoa humana” com um punhado microscópico de células.

    (— A distinção legal entre aborto e homicídio eu posso dizer que existe por razões político-criminais, sociológicas, psicológicas, afinal, goste disso ou não, em termos práticos é, sim, mais grave/danoso matar uma pessoa nascida, com vínculos, convivências etc. um “sujeito histórico”, do que um feto. —)

    Conforme eu disse, se for pra levar a sério esse “in dubio”, cabô FIV, cabô pesquisas com embriões congelados e, com muito mais razão, cabô o aborto. Não sei, você não se manifestou sobre esses outros pontos, mas presumo que para você essas consequências seriam OK. Eu não acho.

    É claro que aí estão implicadas as suas convicções e as minhas. Quando você diz que “não se atreve a chegar aos critérios pragmáticos” eu vou além e digo que nem que você quisesse. Você é cristão e segundo compreendo as coisas, a ética cristã é fundamentalmente deontológica, afastando as de orientação teleológica, como o pragmatismo.

    Só faço questão de frisar os caracteres metafísicos não por malice (:P), mas porque, bem, quando ética e moral estão em discussão parece-me importante ter claros quais os princípios correm na arena. rsrs É por isso que quando me refiro aos ateus/fisicalistas falo em coerência. Você citou e eu conheço alguns que efetivamente são contrários, porém nunca entendi direito os fundamentos disso. Mas isso já é problem meu com eles. 😀

    Obs.: Para mim, mais importante do que saber quando a vida começa é saber quando ela termina.

    Resposta
    1. Thiago - RJ

      “Mas para responder a provocação do texto, far-me-ei claríssimo: digamos que sei lá como fique DEMONSTRADO que “embrião é vida humana”. Por mim pode matar e eu não ficarei sequer 1 segundo comovido. Não consigo nutrir afeto e respeito ~humanitário~ de “pessoa humana-para-pessoa humana” com um punhado microscópico de células.”

      Entendemos e respeitamos seu ponto de vista, ele é válido. Mas você tem que admitir que há uma escolha moral aí. Admitindo-se que é vida humana, tem-se duas escolhas: encerrá-la ou não a encerrar. A sua escolha é encerrar aquela vida humana que, apesar de sê-lo, merece menos consideração por seu estágio ainda primevo de desenvolvimento, qualquer que seja a fundamentação. É isso que está escrito.

      No caso do Yashá e do meu, a escolha é não a encerrar. Note que a fundamentação, quanto ao aspecto levantado pelo Yashá, é irrelevante. A escolha moral que ele fez tem uma fundamentação: teísta; gnóstica, acho (no sentido escolástico, de que é possível conhecer e entender a deidade racionalmente); cristã; e católica apostólica romana. É esse sistema filosófico que o leva a dizer: “não se encerre esta vida”.

      A fundamentação poderia ser qualquer outra. A minha é diferente e não vem ao caso: para todos os efeitos você pode me considerar um ateísta agnóstico dos mais céticos. Um humanista secular, cujos valores morais advêm de uma crença na razão superior do homem. Com base nesse sistema filosófico eu também diria: “não se encerre esta vida”.

      Não estou criticando seu ponto de vista, ok? Só estou apontando que há uma escolha moral ao se afirmar que “mesmo se for vida, pode tirar”.

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    2. yashagallazzi Autor do post

      “digamos que sei lá como fique DEMONSTRADO que “embrião é vida humana”. Por mim pode matar e eu não ficarei sequer 1 segundo comovido.”

      Então, Danilo… É exatamente aí que se encerra TODO o nosso debate. Você acha que “um punhado microscópico de células”, ainda que comprovadamente seja considerado vida, pode ser abatido. Eu acho que não. Posta essa diferença, pouco importa se você pensa o que pensa por ser ateu, e eu penso o que penso por ser cristão. A divergência quanto à questão ESSENCIAL é simplesmente insuperável. E explica por que você é favorável à legalização do aborto e eu sou contrário.

      Dito isso, permita-me dizer que sua posição absolutamente transparente e direta merece mais respeito intelectual do que a “lógica” torcida e retorcida de muitos humanistas, que se recusam a admitir aquilo que você admitiu. É sempre uma tentativa frustrada de torturar as palavras e os argumentos, a fim de emprestar uma roupagem quase santificada a algo que pode ser resumido como você resumiu.

      Discordo frontalmente! Mas respeito.

      Resposta
  5. Maria Edi

    Yashá, obrigada por colocar em palavras as minhas dúvidas. Meu bom D’us, já pensou viver num mundo onde não houvesse dilemas morais? Eu quero, eu tomo para mim. Eu não quero, eu elimino da minha vida. Sem “dilemas morais”. Assustador. Não vejo nenhuma “evolução nisso.

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Nossa, que ~lógica~ formidável, Lucho. Quer dizer que a condição sine qua non pra poder debater o aborto é TER UMA VAGINA?! Sensacional!

      Resposta
  6. FERNANDO

    GENTEMMMMMM, PENSEM NISSO!!!

    Para uma mulher decidir pelo Abortamento, é mt extremo, eu concordo, é mt extremo!!!! Então, agora onde estas mulheres desesperadas, sem rumo, quase sem CONSCIÊNCIA, buscariam apoio e conforto necessário para a real maturação da idéia e opção pelo aborto???? Com o apoio do Estado, ao disponibilizar clínicas aparelhadas com pessoal e equipe multidisciplinar, ESTAS fariam um acompanhamento bem mais próximo do que se tem hj!!!!!!! ISTO, EVITARIA SIM a mortandade que é pratica hj que ninguém VÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!!!!!!! Só vê no noticiário mais um feto achado na LIXEIRAAAAAA!!! PENSEM NISSO!!!

    Resposta
  7. FERNANDO

    Tbm penso que da maneira que se pratica hj, é um ASSASSINATO!!!!! PARA A MULHER QUE O PRATICA E O FETO!!!!

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Fernando, tudo se resume (e devo dizer isso de novo, sim!) à questão inicial. Você acha que os OUTROS problemas de saúde pública e sociais decorrentes da proibição do aborto devem ser debatidos. Ótimo! Eu também acho! O que não concordo é que condescender com o ABATIMENTO DE BEBÊS seja colocado na mesa, como alternativa de “política pública”. Sinto muito… Não consigo ser “progressista e humanitário” a esse ponto…

      Resposta
  8. Henrique de Barros

    Queria tentar enriquecer a discussão pontuando algo que não foi englobado aqui. Eu me declaro a favor do aborto pelos motivos feministas mais conhecidos. Acredito que a discussão do que é considerado “vida” HUMANA (entre aspas mesmo) não leva a nada nesse caso. Por quê? Até onde vai a “vida” HUMANA? Uma célula é “vida” HUMANA? Matamos muitas células por dia, então deveríamos todos ser condenados?

    Outro ponto que vejo é uma ” Defesa pela ‘vida’ ” que é especista não declaradamente. O que quero dizer com isso: todas as vezes em que a palavra ‘vida’ foi usada aqui, ela só tem valor porque se refere a vida de um possível futuro indívidio da espécie humana. Não vejo o mesmo empenho em defender a vida no caso de animais de outras espécies, plantas, bactérias, fungos, etc. Ou seja, um caso de moral seletiva que tendo a criticar sempre que vejo. Prefiro que se assuma a distinção.

    Mas me prendendo mais a pergunta, poderia se dizer que não existe diferença entre aborto e assassinato e mesmo assim torná-lo legal e justificável. Aborto pode ser visto como um ‘assassinato’. Porém, outros casos de morte como em legítima defesa e crimes culposos nem sempre são condenáveis. A lei ‘Matar é crime’ tem exceções. Então, o aborto, que pode ser visto como uma exceção parecida com essas, se formos considerá-lo como assassinato, poderia se encaixar nessa lacuna próxima a da legítima defesa. Quando a vida e interesses de uma mulher entra em conflito com a vida e interesses do feto dentro dela, acredito que ela deveria ter o direito de decidir por priozar a sua vida e seus interesses.

    Resposta

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