Ainda o aborto: é preciso impedir que se abram as portas do inferno.

Sim, eu vou voltar a falar desse assunto. Não poderia ser de outra forma, afinal há princípios e valores morais que, por sua própria natureza, são inegociáveis e devem ser defendidos sempre.

No último texto que escrevi falando sobre o aborto, recebi alguns comentários que insistiam em analisar a questão sob a ótica da tal “emergência de saúde pública”. Segundo essa linha, o aborto é algo ruim e deveria ser evitado, mas o “drama” das mulheres que morrem fazendo abortos clandestinos não poderia ser ignorado.

Pois bem, eu não o ignoro! E – permitam-me ser bastante direto – a melhor maneira de não morrer numa clínica clandestina de aborto, nas mãos de um açougueiro qualquer é – pasmem! – NÃO INDO A UMA! Sim, eu juro! Quem não se submete a tais procedimentos, corre bem menos risco de acabar morrendo, sabiam?

Mas isso, por mais lógico que seja (e é!), parece não ser levado em consideração. Ainda se insiste que interromper uma vida deve ser um instrumento de saúde pública. Daí que seria forçoso debater os danos colaterais de ignorar a questão atual, que vitimaria milhares de mulheres. Ok, então que se faça o debate! Mas em cima de qual realidade?!

Segundo a ONU, nada menos que duzentas mil mulheres morreriam todos os anos no Brasil, vítimas de “abortos de risco”. Esse número saiu em todos os jornais brasileiros e nenhum se dispôs a dizer o óbvio: trata-se de uma afirmação FALSA! Ora, se 200 mil mulheres morrem por ano em decorrência de abortos realizados, temos que nada menos que 547 mulheres morrem por dia. São VINTE E DUAS MORTES POR HORA (POR HORA!!!) apenas em razão de abortos mal e porcamente conduzidos. Na boa, alguém com dois neurônios pode levar semelhante ~estatística~ a sério?!

O que se quer com esse tipo de falácia barata é simplesmente despertar a simpatia da opinião pública, afinal ninguém consegue ficar insensível ao ler que duzentas mil pobre mulheres morrem por fazerem “abortos de risco”, não é mesmo? Com isso, defende-se a bandeira dos “direitos da mulher sobre o próprio corpo” e da “libertação feminina”, subtraindo ao debate informações que deveriam – estas sim! – ser colocadas na mesa.

Deixa-se de dar importância, por exemplo, ao fato de que clínicas britânicas já fazem abortos quando as grávidas REJEITAM O SEXO DO BEBÊ! Se alguém consegue distinguir isso de uma eugenia pura e simples, be my guest.

Começa-se debatendo a legalização do aborto em nome da “saúde pública” e então, num repente, estamos vivendo numa sociedade que se acha no direito de decidir quem merece – ou quem não merece – nascer. Aceita-se, em nome de “causas humanitárias”, abrir uma pequena fresta no muro que nos separa da barbárie mais desumana e animalesca. Quem vai garantir que aquela fresta não se torne um rombo cada vez maior?

Ou, colocando isso em termos concretos, quem vai garantir que, num futuro não tão distante, CRIANÇAS DE SEIS, SETE E ATÉ OITO MESES POSSAM SIMPLESMENTE SER ABATIDAS DENTRO DAS BARRIGAS DE SUAS MÃES?! Sim, essa coisa dantesca ironicamente chamada de aborto com nascimento parcial JÁ EXISTE! Quem vai evitar que se torne prática corriqueira?

Perdoem meu conservadorismo (ou não o perdoem, sei lá…), mas prefiro lutar para que nenhuma fresta naquele muro civilizacional seja feita. Não sou ingênuo a ponto de acreditar na bondade essencial do ser humano. Prefiro que não lhe seja dado o direito de deliberar sobre o direito que os bebês têm de vir ao mundo.

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6 ideias sobre “Ainda o aborto: é preciso impedir que se abram as portas do inferno.

  1. Gabriel

    Yashá, tenho divergências com você em relação a isso. Para mim, se, por descuido, a mulher engravidou, é um direito abortar antes de determinado tempo. Porém, acredito, como você, que a melhor saída é não se comportar como uma cadela no cio – com todo o respeito às cadelas – e para não me chamarem de machista, vale para os homens também.

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    1. yashagallazzi Autor do post

      E bota divergência nisso, Gabriel! Pra mim, não se pode aceitar que o aborto seja instrumento de alguém que “se descuidou”.

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  2. Charles Borges

    Toda interrupção de gravidez é uma operação de risco quando incorre em uma prática de intervenção cirúrgicafarmacológica ou extracional. Logo, não existe aborto seguro.

    Chasborges.

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    1. Eduardo Araújo

      Thiago, indivíduos desse “naipe” nada mais são que a expressão do amanhão de abortistas.

      A tendência é, com certeza, ir na linha do Peter Singer, que defende também o infanticídio – na idade determinada pelos pais!

      Na outra ponta, logo, logo, os iluminados do século XXI irão dizer a idade a partir da qual poderão assassinar, também, os idosos, os deficientes, os pobres, os … Pense numa humanidade podre, já a anuviar no horizonte.

      O que me deixa pasmo é como monstruosidades de tal calibre possam ser defendidas por pessoas que, ainda por cima, se consideram “avançadas”. Até parece!

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  3. Eduardo Araújo

    Yashá, meu caro, você tocou no ponto nevrálgico da coisa toda: a VERDADEIRA intenção por trás do “humanismo” abortista.

    Aliás, basta olhar para os países que legalizaram o assassinato de seres humanos indefesos não nascidos, a exemplo recente de Portugal. É ver e conferir como a prática abortista aumentou, sob a sanha da indústria aborteira capitaneada pela Planned Parenthood, e com fins puramente de “reparação” por uma gravidez contraída.

    Que existe a clandestinidade, sabemos todos que sim. Aqui, no Brasil, são as chamadas “fazedoras de anjos” (pelo menos, aqui no Ceará). Mas o problema, muito bem observado por você é que as “pobres” mulheres que acorrem a esses serviços agem em pleno exercício da liberdade e da vontade, além de – tenho convicção firme disso – saberem plenamente o que estão fazendo, com quem estão fazendo e as graves consequências desse ato. Porém, o que lhes interessa mesmo é se livrar do “resultado indesejável” da noitada. Como se vê, paira algo de muito hipócrita no reino da abortolândia.

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