A eleição em São Paulo.

 

A dianteira consolidada por Celso Russomano em São Paulo parece definitiva – e perigosa. Esperaram demais por uma “queda natural” dele, que acabou não acontecendo.

Russomano foi abraçado pelo eleitor da periferia (sim, ele tem voto fora dela, mas o principal vem de lá mesmo), que ficou órfão do pagodeiro Netinho e não se deixou seduzir pelo charme-classe média de Haddad. Aliás, esse Haddad… O efeito Dilma não parece destinado a se reproduzir, em que pese o belo trabalho do marketing petista na TV, como apontei aqui mesmo.

Até havia pouco tempo, a tendência era de um Haddad subindo (a muito custo, mas subindo), até quem sabe ultrapassar Serra. Foi o que se leu dos programas iniciais na TV, onde voltamos a ver os mesmos erros de marketing que Gonzales e o PSDB têm apresentado há anos.

Aposto que foi inclusive com base nessa tendência, que os tucanos decidiram chutar pra longe a lenga-lenga do “quem bate, perde” e partir pro confronto com o PT. É a partir daí que se nota a inversão de tendência mostrada no último Datafolha, com Serra parando de cair (e até subindo um pouco) e Haddad parando de crescer (e até caindo um tantinho).

No cenário atual, temos uma legítima situação de 8 ou 80: se Serra ficar fora do 2º turno, será uma derrota avassaladora pro PSDB, pra ele mesmo e pras oposições. Se, porém, o eliminado no 1º turno for Haddad, a derrota histórica será do PT, de Lula e do governo. Vale lembrar que São Paulo é o porto de salvação do PT nessas eleições municipais, afinal o partido se prepara pra sofrer derrotas acachapantes em Recife, BH e Porto Alegre…

Pessoalmente, já aceitei há tempo que a eleição em São Paulo é qualquer um, menos Russomano. Não tenho nenhuma simpatia pelo PT, mas se Haddad for pro 2º turno, a escolha será entre Haddad e o caos absoluto. Prefiro que Serra continue na disputa, é claro. Mesmo sabendo que ele não terá vida fácil. Não se surpreendam se o PT sacar da manga, pela enésima vez, a carta das privatizações. E, mais que isso, não se surpreendam se o PSDB ficar perdido diante dela e não souber responder (de novo)…

Sem falar que num eventual 2º turno entre Russomano e Serra, não tenho a menor dúvida e que a máquina do PT atuará fortemente contra o tucano. Uma lástima, afinal, como dito acima, todos deveriam ter a obrigação moral de escolher qualquer um, menos Russomano. São Paulo é importante demais pra ficar nas mãos de um aventureiro sem nenhuma base ou background sólido. Ainda confio que os paulistanos evitarão o desastre.

 

 

 

 

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4 ideias sobre “A eleição em São Paulo.

  1. Gilberto

    Uma das derrotas marcantes do PT nesta campanha foi em Osasco, com o candidato João Paulo Cunha renunciando da disputa por conta da condenação no processo do mensalão, onde ele sacou dinheiro do Valério duto e ainda por cima, assinou alguns contratos fraudulentos na Câmara dos deputados, quando era presidente da casa.
    Este episódio osasquense deixou algumas sequelas na campanha de São Paulo.
    No restante, concordo com sua linha de raciocínio, mas não acredito na derrota de Celso Russomano, principalmente por conta da má pontaria dos marqueteiros do PSDB.
    Um grande abraço

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Acho que organicamente (subir em palanque, essas coisas), não. Mas não duvido que alguns nomes notáveis declarassem voto em Haddad em nome da tal “responsabilidade” que os tucanos adoram afetar.

      Resposta

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