Mais um triste exemplo de ataque às liberdades, em nome do “equilíbrio do pleito”.

Ontem, o Supremo Tribunal Federal reconheceu oficialmente que o mensalão foi compra de votos, não caixa dois. Eu repito, porque o evento merece o devido registro histórico: a Suprema Corte brasileira disse com todas as letras que houve compra de votos no Congresso Nacional, meticulosamente organizada por um grupo político.

Também ontem, a 12ª Zona Eleitoral da Bahia, atendendo um pedido da coligação encabeçada pelo PT, decidiu que o candidato do DEM à Prefeitura de Salvador, ACM Neto, está proibido de mencionar o julgamento do mensalão.

O que temos é mais um triste exemplo de como os órgãos teoricamente encarregados de garantir os fundamentos democráticos, em nome dessa abstração denominada “equilíbrio do pleito”, solapam as bases do sistema de liberdades individuais. A justiça eleitoral da Bahia simplesmente determinou que fatos públicos e notórios, agora, inclusive, reconhecidos pela Suprema Corte, fossem EXCLUÍDOS dos programas eleitorais.

A idéia é evitar que se faça “exploração política” do julgamento, com o fim de “influenciar o eleitor”. Por quê? Sim, por quê?! A essência de todo processo político é influenciar o eleitor, inclusive mostrando a ele que o STF está condenando por corrupção políticos ligados ao governo do PT. Isso vai “influenciar”? Ótimo! Por que proteger políticos de fatos?! Que princípio democrático é esse, capaz de justificar a censura de informações verídicas (ou a justiça eleitoral baiana acha que o julgamento no STF é falso?), para não “desequilibrar o pleito”?

É ridículo! É abominável! O Brasil, não contente em flertar com o fascismo, deitou-se com ele na cama.

 

 

 

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3 ideias sobre “Mais um triste exemplo de ataque às liberdades, em nome do “equilíbrio do pleito”.

  1. Gabriel

    Como o TSE acha que uma democracia funciona? Para eles, tudo tem que ser “certinho”, ficam fazendo propagandas ridículas para a pessoa votar consciente – como se um eleitor de um comprador de votos não votasse consciente – enquanto isso, cadê gente presa por compra de votos ou caixa dois? Para punir casos como esse mencionado em Salvador, para o qual nem deveria haver punição, eles são bons, mas com o que realmente fere a democracia eles não fazem nada.

    Resposta

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