O trono vacante

O então Santo Padre, Papa Bento XVI, decidiu renunciar ao trono de Pedro e encerrar seus dias como “apenas mais um peregrino em oração”. Deixou, assim, o posto de líder maior dos católicos, de Vigário de Cristo na Terra, para “subir o monte” e se encontrar com o Altíssimo.

Sim, essas colocações soam estranhas para os que não professam a fé católica. Para estes, o Papa é apenas uma figura sem importância religiosa – no máximo aceito como chefe-de-Estado. Para os católicos (e neles me incluo), porém, se trata de um líder espiritual. Ou ao menos deveria ser assim…

O agora Papa Emérito Bento XVI renunciou e logo imprensa e opinião pública partiram para aquilo que mais gostam – e que mais vende jornais: as teorias da conspiração. Foram as pressões externas; foram as pressões internas; foi a corrupção; foi o colapso da fé cristã; foram os escândalos; foi obra de seitas infiltradas… E eis que num repente todos falavam dessa tão “desimportante e ultrapassada” instituição chamada Igreja Católica.

“Mas por que ele renunciou, afinal?” Ah, não tenho a menor idéia. Mas vou além: não tenho a audácia de tentar adivinhar o que se passa na cabeça, no coração e na alma do sucessor de Pedro. E aqui repousa um importante reflexo da fé: a mim basta saber que a escolha dele foi a melhor escolha. Não cabe a mim julgar. Ou melhor, quem sou eu para julgar? Não me atrevo… Meu coração está em paz.

Dito isso, é impossível negar que onde há seres humanos, há relações políticas. É evidente que a Santa Sé e a Cúria Romana têm problemas sérios e disputas profundas, e que essas coisas influenciaram tanto a rotina do então Papa Bento XVI, como influenciarão o conclave que hoje se iniciou. O que não me impede de acreditar – e isso é próprio da minha fé! – que a escolha dos cardeais será guiada, primordialmente, pelos interesses cristãos. Se não acreditar nisso, qual o ponto de seguir fiel?

Aliás, por falar na escolha dos cardeais, não faltam hoje “preferidos” na imprensa. Todo país tem os seus (no mais das vezes o cardeal que de lá é originário). Eu? De novo me recolho à minha pequenez e não ouso ter um “favorito”. Tenho lá meus palpites, mas não me atrevo a dizer que esse ou aquele cardeal seriam melhores escolhas. Como poderia?! A mim cabe aceitar e respeitar o eleito, sabendo que ele carrega sobre os ombros o peso de uma missão que não é nada simples.

O principal, porém, é saber que a escolha feita no Vaticano não será orientada pela vontade dos sommeliers de conclave que surgiram nas últimas semanas, muitos dos quais apresentando todas as soluções para aqueles que eles acreditam ser os problemas da igreja. E lá vão os clichês sendo levados para passear: “É hora de um Papa negro!”; “É hora de um Papa progressista!”; “Chegou o momento de um Papa capaz de fazer reformas.” Em breve veremos alguém na Globo pedindo por um “Papa ateu”… Todos esses sábios conhecem os segredos para salvar a Santa Madre, que, segundo eles, caminhará para a extinção, caso suas idéias não sejam aceitas.

Nenhuma novidade… É assim há milênios e a igreja católica segue aí, existindo. Aliás, se mutios dos “especialistas” fossem ouvidos, ouso dizer que ela caminharia mais rapidamente para o seu fim. Eles não querem uma igreja melhor, mas uma igreja que empunhe suas bandeiras militantes. Eu passo! Prefiro uma igreja que continue preocupada mais com a defesa de seus valores, do que em agradar a militância moderna.

A igreja não está no mundo para ser popular ou simpática aos olhos do consenso de momento. Está para defender a verdade que lhe foi revelada, da qual é portadora. E, sim: isso só faz sentido para quem nela acredita e decide professar a fé católica. Assim sendo, por que dar ouvidos a quem com ela não se importa, e que não lamentaria nada caso ela amanhã deixasse de existir?

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2 ideias sobre “O trono vacante

  1. Leonardo

    Já comprei a minha bandeira de Dom Odilho, quando ele ganhar vou cobrir o carro com ela e sair buzinando na rua.

    Resposta
  2. Leonardo

    Acabei de ler na Folha os comentários dos “famosos” brasileiros sobre a eleição do papa.

    A maioria deles com aquele papo pogrecista de que esperam um papa que reconheça o casamento gay, etc.

    Mas o melhor deles foi o do cantor/compositor Tom Zé:

    “Parece que é um papa sob medida para os traços daqueles perfis que o José Simão faz. Vou aguardar. Eu me pergunto: será que este papa vai ajudar a salvar a economia da Argentina? Agora, sem brincadeira, eu espero que ele demita aquele sujeito que foi eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos aqui no Brasil”

    Jênio!

    http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1245823-escolha-do-papa-foi-mau-gosto-diz-hector-babenco-leia-o-que-falaram-outros-artistas.shtml

    Resposta

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