Os números e a eleição

 

O Instituto Teotônio Vilela (ITV), braço de formulação política do PSDB, comparou em carta publicada nesta terça-feira o avanço do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) em períodos que coincidiram com os governos do tucano de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (iniciado em 2011), destacando o que seria um melhor desempenho dos tucanos na melhora do índice.
Nesta segunda-feira, 29, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou o IDHM e mostrou que nos últimos 20 anos, de 1991 até 2010, houve crescimento de 47,5% na avaliação do País, que passou da nota 0,493 para 0,727, deixando de ser um País com desenvolvimento considerado “muito baixo” para ser classificado como “alto”.
“Na média, o IDHM geral saltou 24% de 1991 a 2000 e, no período seguinte, melhorou mais 19%. Na educação, a diferença é cavalar: na primeira metade das duas últimas décadas, ou seja, na fase predominantemente tucana, o avanço obtido pelo país foi de 63%, porcentual que caiu para 40% no decênio seguinte”, destaca o documento do ITV.
Acima vai um pequeno trecho de uma matéria publicada no Estadão sobre os números mais recentes do IDH no Brasil.
Leio aqui e ali que o PSDB se animou (com razão!) com as informações, que mostram uma melhor performance do governo FHC – principalmente no campo da educação – diante do governo do PT. Entendo celebrar os dados e usá-los academicamente para refutar o mito de que Lula recebeu um país arrasado e “transformou” a realidade social. Trata-se de um debate importante e que deve, sim, ser travado (especialmente nas universidades, onde impera a hegemonia do discurso de uma esquerda tão extrema, que ainda chama o PSDB de neoliberal).
Mas, como falei ontem, eu quero ganhar a eleição. E uma campanha presidencial num país continental como o Brasil não se faz tendo como muro-de-arrimo um calhamaço de números e de estatísticas. Essas coisas, por mais importante que sejam, soam frias e distantes do cidadão médio – aquele que vê as novelas, o BBB e enche as urnas no dia da votação.
Aécio Neves, o PSDB e qualquer outro que se pretenda oposição ao PT precisa construir um discurso alternativo capaz de cativar a audiência. Há que se explicar ao eleitor por que seria interessante mudar; o que ele teria a ganhar deixando de votar no PT. E, mais que isso, conquistar o eleitor para fazer valer a pena o esforço de pensar em mudar. E, sim: decidir-se pela mudança (qualquer que seja ela) demanda sempre mais esforço do que permanecer na continuidade.
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