A “nova política” do partido de Marina Silva

Marina Silva já não me dizia nada em 2010, quando surgiu como a Papisa da Igreja do Aquecimento Global dos Últimos Dias. Aquele tom sempre soturno de quem conhece o futuro condenado da humanidade e detém as revelações sacras sobre como evitar o armagedom sempre me soou mais como trapaça, que como esperança.

Outra razão do meu ceticismo quanto a Marina Silva diz respeito à forma como ela tenta claramente emular o PT pré-2003. Ela se apresenta como a imagem de uma tal “nova política”, que pairaria acima dos partidos “tradicionais” (e, por conseguinte, viciados) e seria, exatamente por isso, capaz de promover a “mudança”. Em outras palavras, ela – e seus seguidores na tal Rede – seriam os virtuosos capazes de nos conduzir para um amanhã glorioso; os imaculados.

Some-se a isso a construção do mito pessoal: a mulher, negra, pobre, de um estado atrasado, que sofreu muito na infância e agora transita imaculadamente no establishment nacional. Esse mesmo discurso, vocês hão de lembrar, nos foi vendido por Duda Mendonça, em 2002. Eu não acreditava nele alhures, não tenho por que acreditar agora. Além disso, lembro que a história é rica em exemplos de outsiders que se propuseram a desafiar a política “tradicional”. Mussolini, Berlusconi e Collor são apenas alguns exemplos…

Ontem, Pedro Piccolo, um integrante do partido de Marina Silva, pediu afastamento da agremiação. Ele foi identificado, usando a camisa do movimento, durante os atos criminosos de depredação ao Itamaraty, em junho. Se disse arrependido e afirmou não ter cometido crime, ao mesmo tempo em que admitiu ter apanhado em suas mãos uma barra de ferro e pressionado-a algumas vezes contra diferentes pontos da estrutura do prédio (o que quer que tal licença poética signifique…).

Não! Eu não estou julgando o movimento todo com base em um integrante. Estou, em primeiro lugar, apontando o comportamento de um membro da executiva nacional da Rede. E, em segundo lugar, estou chamando a atenção para como alguns proeminentes rostos do grupo de apóstolos eleitos por Marina Silva pretendem implementar a tal “nova política” deles: com a ajuda de barras de ferro.

Apenas imaginem a gritaria caso um membro da executiva nacional do PSDB, do DEM ou de qualquer outro partido antipático ao PT fosse surpreendido depredando um prédio público em Brasília… Mas um aliado de Marina?! Ah, não vamos exagerar! Ele, no máximo, cometeu um equívoco movido pelas “emoções à flor-da-pele”. Não vamos crucificá-lo, não é mesmo?

Eu não confio em Marina Silva e não confio no projeto que ela diz ter para o Brasil. Em condições normais, aposto que ela fará em 2014 menos votos do que fez em 2010 – e perderá o posto de “terceira via”. Mas isso, como dito, em condições normais… Uma das coisas que pode quebrar essa normalidade é Serra ser candidato: ele vai pescar votos exatamente onde sempre pescou, sem conseguir agregar nada a mais. Vou além: será como Brizola em 98 e fará menos de 10%. Mas será o suficiente para implodir as oposições e mandar Dilma e Marina ao segundo turno.

Quem eu escolheria nesse cenário? Eu escolheria o armagedom (aquele mesmo que Marina jura saber como evitar com sua “nova política” feita com o auxílio de barras de ferro).

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