Pesquisas

Pesquisa eleitoral é sempre um negócio que atiça muita curiosidade. Agora, pouco mais de um ano antes da eleição, começa a febre pelas pesquisas eleitorais (usadas muito mais para se avaliar tendências, que para estabelecer certezas) e, com ela, a difícil missão de filtrar as informações que valem a pena mesmo ser lidas. Um recente levantamento da Sensus, creio eu, merece alguma atenção:

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), lidera pesquisa de intenção de votos do Instituto Sensus sobre a eleição presidencial de 2014 entre eleitores que conhecem os quatro principais pré-candidatos em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Esses estados concentram 40,3% da população brasileira. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (9), pelo site Brasil 247.

Aécio Neves aparece com 27,9% das intenções de votos, bem à frente da presidente Dilma Rousseff, que alcançou 21,3%.

A ex-senadora Marina Silva vem logo atrás, com 17,7%. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, registra 3,8%. Brancos/indecisos e nulos somam 29,3%.

A pesquisa ouviu 4,5 mil eleitores, entre os dias 25 e 30 de julho. A margem de erro é de 1,5 ponto, para mais ou para menos.

No levantamento geral, considerando os eleitores que conhecem e os que não conhecem os quatro pré-candidatos, o Instituto Sensus registrou um empate técnico entre três pré-candidatos.

Nesse cenário, Dilma tem 25,2%, Aécio 22,9% e Marina, 21,5%. Eduardo Campos aparece com 2,3%. Brancos/indecisos e nulos somam 28,1%.

A pesquisa também avaliou as intenções de votos em um 2º turno entre Aécio e Dilma.

O presidente do PSDB lidera com folga em Minas Gerais, com 52,7%, contra apenas 28,6% de Dilma.

Nos demais estados pesquisados, Dilma está à frente, mas com uma margem bem menor sobre Aécio: 31,4% a 27,3%, no Rio, e 33,3% a 27,4% em São Paulo.

Para o diretor-presidente do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, as eleições encontram-se indefinidas, com possibilidades de crescimento dos candidatos da oposição.

Esses números são importantes porque retratam uma intenção de voto potencialmente consolidada, extraída de uma porção do eleitorado mais informada acerca do processo eleitoral e conhecedora dos principais nomes colocados em disputa.

A aceitação eleitoral de Dilma e Marina, ambas egressas de uma campanha em 2010 e, portanto, apoiadas em um forte recall, é facilmente compreensível. A do senador Aécio Neves, se não surpreende – afinal ele é bastante conhecido nos principais colégios eleitorais do país (SP, MG e RJ) -, mostra que poderemos ter uma disputa aberta em 2014, com boas chance para as oposições.

O sentimento genérico de insatisfação generalizada (que faz o eleitor médio flertar com qualquer mudança) está colocado na sociedade há algum tempo – por conta da situação econômica – e ganhou um gás durante os protestos de junho. O desafio principal do PSDB é canalizar o sentimento geral e apresentar à sociedade uma alternativa capaz de mobilizar, principalmente, o cidadão comum (aquele que vê novela, BBB, Datena e enche as urnas na eleição). Além disso, há desafio de fazer Aécio penetrar nos rincões dominados há uma década pelo PT (em especial o nordeste). Se considerarmos que a região nordeste é aquela onde Eduardo Campos mais conta com aceitação, torna-se possível perceber que são concretas as chances de um segundo turno e que há boas possibilidades de quebrar a hegemonia petista.

Daí a considerar que “o jogo virou”, vai uma distância enorme. E é bom que seja assim! Não se faz campanha nem se ganha eleição com salto-alto ou clima de já ganhou. Todos lembramos como foi 2006, depois de dois anos de “vamos deixar Lula sangrar no cargo até a eleição”, não é mesmo? É preciso saber se comunicar desde logo com o eleitor, a fim de estabelecer uma relação de empatia entre ele e o candidato. Assim como é indispensável que o sentimento de mudança continue sendo estimulado, para não deixar a chama apagar. O eleitor deve ser conquistado dia após dia, para que se tenha uma campanha de sucesso. Os números da Sensus sobre os eleitores de SP, MG e RJ são sem dúvida um ótimo começo para quem deseja derrotar o PT. É preciso que sirva como motivação para continuar trabalhando cada vez mais duro, não como motivo para comemorar.

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