Um ministro do TSE e o “problemão” pra resolver.

O Ministro Lewandowski parecia preocupado demais com a possível reprovação das contas de Dilma.

Abaixo alguns trechos de matéria da Veja desta semana:

Havia farto material que demonstrava que a contabilidade do partido era similar à de uma organização criminosa. Munido de documentos que atestavam as fraudes, o auditor elaborou seu parecer recomendando ao tribunal a rejeição das contas. O parecer, porém, sumiu – e as contas do mensalão foram aprovadas.

Menos de dois meses depois, ocorreu um caso semelhante, tão estranho quanto o dos mensaleiros, mas dessa vez envolvendo as contas da última campanha presidencial do PT. O mesmo auditor foi encarregado de analisar o processo. Ao conferir as planilhas de gastos, descobriu diversas irregularidades, algumas formais, outras nem tanto. Faltavam comprovantes para justificar despesas da campanha. A recomendação do técnico: rejeitar as contas eleitorais, o que, na prática, significava impedir a diplomação da presidente Dilma Rousseff, como determina a lei. Ocorre que, de novo, o parecer nem sequer foi incluído no processo – e as contas de campanha foram aprovadas. (…) Ambas cristalizam a suspeita de que a Justiça Eleitoral manipula pareceres técnicos para atender a interesses políticos – o que já seria um escândalo. Mas há uma acusação ainda mais grave. A manipulação que permitiu a aprovação das contas do mensalão e da campanha de Dilma Rousseff teria sido conduzida pessoalmente pelo então presidente do TSE, o ministro Ricardo Lewandowski.
(…)
VEJA teve acesso a outros documentos ainda mais contundentes, incluindo mensagens eletrônicas despachadas pelo próprio Lewandowski, que revelam o empenho dele na aprovação das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff. Faltavam dez dias para a cerimônia de diplomação da presidente eleita. Nas mensagens trocadas com assessores. o ministro, que nada tinha a ver com o processo, cujo relator era o juiz Hamilton Carvalhido, demonstra irritação com o teor do parecer que pedia a rejeição das contas — um “problemão”, nas palavras dele. “Não estamos lidando com as contas de um “boteco” de esquina. mas de um comitê financeiro de uma presidente eleita com mais de 50 milhões de votos. Se fosse assim, contrataríamos um técnico de contabilidade de bairro”, escreveu o ministro a Patrícia Landi, sua funcionária de confiança e então diretora-geral do TSE.

Desnecessário dizer o quão assustadores e graves são os fatos narrados acima. A mera sugestão de que um ministro da corte judicial responsável por conduzir e garantir a lisura de uma eleição poderia ter interferido a fim de favorecer a aprovação de contas irregulares de campanha é uma estocada violenta contra o coração do próprio sistema de liberdades democráticas.

Há, sim, que se investigar a fundo os fatos reportados por Veja, especialmente pela riqueza de detalhes que a matéria fornece: haveria até mesmo uma mensagem enviada pelo próprio ministro Ricardo Lewandowski demonstrando um – como chamaremos? – interesse sui generis no desenrolar de um processo judicial que não estava sob sua responsabilidade. O que ele pretendia ao interpelar funcionários técnicos acerca das eventuais consequências da desaprovação das contas de Dilma? Essa, por exemplo, é uma das tantas questões que devem ser esclarecidas o mais rápido possível. Lewandowski, vocês sabem, é também ministro do STF e deverá, em breve, julgar os recursos dos políticos petistas condenados pelo mensalão. As oposições estão olhando para esses eventos e posicionando-se se forma a permanecer vigilantes?! Quero crer que sim.

P.S.: Vale lembrar que todo esse cuidado em garantir a diplomação e a posse de Dilma no matter what foi em 2010, depois de uma eleição relativamente tranquila para a petista. Imaginemos que tipo de jogo o PT estará disposto a jogar em 2014, quando a disputa promete ser um tanto mais acirrada…

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