Prefeituras vão demitir médicos brasileiros para receber estrangeiros.

Quem diria, não é mesmo? Vejam trecho de notícia publicada na Folha (íntegra aqui):

Para aliviar as contas dos municípios, médicos contratados por diferentes prefeituras no país serão trocados por profissionais do Mais Médicos, programa do governo Dilma Rousseff (PT) para levar estrangeiros e brasileiros para atendimento de saúde no interior e nas periferias.

Na prática, a medida anunciada à Folha por prefeitos e secretários de saúde pode ameaçar a principal bandeira do plano: a redução da carência de médicos nesses lugares.

(…) As cidades que já falam em trocar suas equipes estão no Amazonas (Coari, Lábrea e Anamã), Bahia (Sapeaçu, Jeremoabo, Nova Soure e Santa Bárbara), Ceará (Barbalha, Cascavel, Canindé) e Pernambuco (Camaragibe).

Hoje, as prefeituras recebem da União cerca de R$ 10 mil por equipe no programa Saúde da Família. Complementos de salários e encargos, porém, são pagos com recursos de cada cidade.

Um exemplo é Coari, no Amazonas, a 421 km de barco de Manaus, onde a prefeitura paga R$ 25 mil para médicos recém-formados e R$ 35 mil para os especialistas.

“Somos obrigados a pagar esse valor ou ninguém aceita. Vamos tirar alguns dos nossos médicos e colocar os profissionais que chegarão do Mais Médicos“, diz o secretário da Saúde, Ricardo Faria. (…)

Mas é óbvio que isso acabaria acontecendo… Uma prefeitura no interior do Amazonas, do dia pra noite, deixará de pagar 25 mil reais ao mês pelos serviços de um médico brasileiro, pois o governo federal desembolsará sozinho os 10 mil mensais pagos no programa Mais Médicos. Se a qualidade eventualmente cair “um pouco”, dane-se!

A idéia ~genial~ do ministro Alexandre Padilha e de Dilma Rousseff para atacar de forma emergencial (como se o PT não estivesse governando há uma década o país!) uma das deficiências da saúde pública mostra-se, dessa forma, completamente falha e destinada ao fracasso. Afinal, em momento algum o governo disse que o programa Mais Médicos implicaria a demissão de médicos brasileiros.

Como será resolvida a carência de médicos em determinadas regiões, se o que se desenha é apenas uma substituição pura e simples de mão-de-obra, privilegiando aquela mais fácil e barata? O governo Dilma inaugura, no âmbito do serviço público, a mesma lógica comercial que leva grandes conglomerados empresariais a deixar de lado os trabalhadores nacionais e buscar fábricas chinesas: contratar quem aceita trabalhar por menos e em piores condições. O serviço final? Bom, isso pouco importa.

O que salta aos olhos, além da total inutilidade do programa Mais Médicos e das evidentes ilegalidades que ele carrega, é a facilidade com que o governo do PT atira contra a classe médica brasileira, tentando jogar a opinião pública contra ela. Tudo porque é midiaticamente mais fácil encontrar um vilão para apresentar ao povo, do que investir em plano de carreira e estrutura física, criando condições para que as vagas nas cidades do interior sejam atraentes.

Em vez disso, o PT reedita a mesma tática já usada em 2006, no pós-mensalão: criar um clima de guerra e apontar à opinião pública um inimigo comum. Os eleitos da vez foram os médicos, agora descartados por prefeituras pequenas para dar lugar à mão-de-obra barata e integralmente financiada pela União. Porque o importante não é sanar as falhas da saúde pública nacional, mas criar fatos políticos com potencial de virar spots publicitários durante o horário eleitoral obrigatório.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s