Diversionismo

Ao longo de todo o dia de ontem, na internet, os blogs, fan pages e perfis que costumam apoiar o governo petista dedicaram-se a atacar o texto em que Luiz Felipe Pondé disse que os médicos brasileiros estão se tornando os judeus do PT. Repetindo a velha estratégia de tentar desmoralizar o adversário, os governistas denunciaram o que seria um aparente exagero do colunista da Folha.

Não era exagero algum. Na verdade, Pondé apenas apontou uma estratégia tão evidente quanto eficiente: a de criar um inimigo interno para, em seguida, apresentar-se como protetor da população. No nazismo, esse inimigo interno foi o povo judeu (e outras minorias sociais). Na URSS, foi a burguesia. No fascismo de Mussolini, a esquerda radical. Ao longo da história, todo regime filofascista escolheu, em algum momento, um inimigo interno que devia a todo custo ser combatido pela sociedade.

A forma como o PT está sistematicamente demonizando os médicos brasileiros, definindo-os como “playboys” interessados apenas em dinheiro, para os quais o povo pobre poderia tranquilamente morrer nos corredores dos hospitais, não é um fato aleatória. Tudo segue um padrão muito claro, já visto em outros momentos da história: exortar a sociedade a reconhecer no inimigo interno o mal, para nele desforrar seu sentimento de revolta. Daí a forma metódica com que a militância petista na internet tenta viralizar termos como “coxinhas”, “racistas de jaleco”, “máfia de jaleco” e quetais.

Mas uma ameaça interna não basta ao fascismo: é preciso também um inimigo externo assustador, capaz de incutir na sociedade um forte temor (fundado ou não) de um mal imediato. Tudo para que o cidadão médio se volte para o estado clamando por uma proteção ilusória, que acaba por fortalecer a liderança do führer, ou do duce. No caso brasileiro, o inimigo externo escolhido são os Estados Unidos, acusados de ameaçar a soberania nacional com sua ~espionagem~.

Tudo piada, claro. Não há nenhum petista em Brasília que acredite a sério que Obama e seu Nobel da Paz representem qualquer ameaça ao Brasil, mas os fatos não importam: o importante é disseminar o medo e, ao mesmo tempo, atiçar o sentimento nacionalista do povo. Ao apontar o dedo para os imperialistas americanos, o que o PT espera é obter do cidadão médio uma reação do tipo “Quem esses gringos pensam que são?!”

A facilidade com que esse discurso da dupla ameaça – interna e externa – está sendo comprado é preocupante. Não estranhem se a popularidade de Dilma se recuperar um tantinho, afinal ela é a “vítima da grande potência”, justamente no momento em que tenta enfrentar esses “médicos malvados”

Já escrevi antes e insisto agora: a campanha eleitoral de 2014 já começou – ao menos para o marketing do PT. Os roteiros estão aí, para quem quiser ver. E a tática de apresentar ao país o “perigo” dos inimigos internos e externos faz parte do script traçado por João Santana, que está cuidadosamente sendo trabalhado pelos governistas e ingenuamente (ou não…) sendo repercutido pela imprensa.

Tudo conforme o plano. Tudo seguindo o melhor caminho possível para o führer. Ou para o duce. Ou, ainda, para a figura de liderança nacional da vez, que passa a ser vista como a grande protetora da sociedade; a única capaz de se colocar entre o pobre povo e as ameaças (interna e externa) que supostamente se levantam.

A história nos ensina que invariavelmente as verdadeiras ameaças à democracia e às liberdades individuais sempre partiram dos que se apresentaram como redentores dos oprimidos e salvadores da sociedade. Esqueçam Obama e os emails da Presidência: não posso imaginar nada mais aborrecido do que ler páginas e mais páginas de textos contra as privatizações feitos por servidores públicos no horário de trabalho. Esqueçam os tais médicos malvados, que supostamente não querem atender os pobres. Nada disso existe! A única e verdadeira ameaça para o Brasil está em Brasília e governa o país há uma década.

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