Então vamos falar sobre o Ibope

Chega a ser engraçado o padrão do DCE da internet™: sai uma pesquisa a mais de um ano de distância da próxima eleição mostrando Dilma na frente e eles começam a cobrar comentários de quem critica o governo. Muito bem! Querem falar sobre a nova pesquisa Ibope?! Vamos falar sobre ela!

Os dados de mais apelo do ponto de vista do marketing petista eu nem preciso comentar, né? A imprensa brasileira – inclusive o tal PIG – já fez o serviço bem ao gosto do freguês e estampou em suas manchetes ao longo do dia que Dilma lidera, que a vantagem dela aumentou e que ela – pasmem! – venceria no primeiro turno. Isso tendo 38% de intenções de voto na pesquisa estimulada e diante de um total de 31% de indecisos. Os jornais poderiam ter trazido em suas capas que NUNCA UMA ELEIÇÃO SE APRESENTOU TÃO ABERTA E IMPREVISÍVEL, mas isso não agradaria quem pagou caro por uma margem de erro, não é mesmo? Então falemos daquilo estão querendo esquecer: a opinião dos entrevistas sobre as áreas mais sensíveis da administração pública brasileira:

Vocês desculpem meu ceticismo, mas diante de um quadro como o de cima – e tendo em mente que um terço do eleitorado entrevistado diz não ter decidido ainda em quem votar (ouso dizer que o número é bem maior, mas ok) -, apenas tolos ou governistas a soldo poderiam estar comemorando a perspectiva de uma reeleição de Dilma ainda em primeiro turno.

Percebam que a saúde é a pior área do governo Dilma, segundo avaliação dos entrevistados pelo Ibope. A mesma saúde que está há meses em todas as propagandas, graças ao tal Mais Médicos. O que isso nos mostra? Que a população até pode responder bem quando perguntada se deseja mais médicos no SUS (quem não deseja?!), mas a percepção sobre as condições da saúde pública no Brasil são péssimas.

Notem que Dilma é a candidata no cargo que concorrerá à reeleição. O favoritismo natural é dela! E, ainda assim, lá está a presidenta, a “mulher do Lula”, com pouco mais do terço de votos que o PT historicamente sempre teve às portas de qualquer eleição. É pouco. Principalmente quando se considera que dois dos candidatos de oposição estão só começando a se apresentar à população, ao passo que a gerentona não faz outra coisa a não ser campanha eleitoral (seja na cadeia nacional de rádio e TV, seja no púlpito da Assembléia-Geral da ONU).

Enfim, o grande dado dessa pesquisa (e das outras divulgadas até agora) é que o governo não é imbatível. Longe disso, eu diria: a avaliação dos entrevistados sobre as áreas mais sensíveis da administração pública mostram que há espaço para a oposição, bastando apenas que se saiba construir o discurso que será apresentado aos eleitores ao longo deste quase um ano. E um candidato em particular parece estar conseguindo fazer um bom trabalho nesse sentido. Vejam abaixo o que foi publicado no Uol mais, a partir dos dados da mesma pesquisa Ibope de que estamos falando (os negritos são meus):

Com a proximidade do prazo final de filiações partidárias com vistas às eleições de 2014, as especulações em torno de nomes da oposição à presidente Dilma Rousseff (PT), como Marina Silva (sem partido) e José Serra (PSDB), crescem. Isso em função da primeira ainda não ter viabilizado a criação de seu partido, a REDE, e o segundo, por sua posição no mínimo misteriosa.

No caso de Marina, os números mostram que a curva de queda de suas intenções de voto tem se mantido constante e em ritmo acelerado, apesar de que se mantém em segundo lugar em qualquer cenário.

Já Serra não tem passado de um ghost candidate. Ou seja, nos holofotes se nega como candidato, mas nos bastidores alimenta essa possibilidade, prejudicando principalmente o real pré-candidato de seu partido, Aécio Neves (PSDB).

Por outro lado, a pesquisa divulgada pelo Ibope ontem traz dois importantes dados talvez relegados ao segundo plano pela recuperação da popularidade de Dilma, mas que são fundamentais para se enxergar a real situação das pré-candidaturas de oposição.

O primeiro dele confirma que Aécio Neves é o pré-candidato da oposição com melhores condições de crescimento. O senador mineiro é o nome oposicionista com menor rejeição, principal fator que deve ser analisado quando se tenta projetar o potencial de crescimento de uma candidatura.

Já Serra é o campeão de rejeição com 47%. Já Marina e Eduardo Campos (PSB) tem 36%. Todos piores do que Aécio Neves (35%), que se igual à Dilma Rousseff.

O segundo fator importantíssimo para se ler as pré-candidaturas de oposição em 2014 é a consulta feita pelo Ibope levando-se em conta a citação espontânea dos eleitores. Nela, Aécio Neves já é o candidato oposicionista mais citado. Fica à frente, inclusive, de Marina e Serra, que já tiveram a oportunidade e a visibilidade de uma eleição presidencial.

Está claro que há um jogo a jogar e ele há pouco começou. Mais que isso, está bastante evidente que é possível vencer esse jogo. Não se deixem enganar por intenções de voto distantes mais de um ano do pleito: o eleitor é naturalmente acomodado e, a esta altura dos acontecimentos, sequer pôde ser convencido por uma real alternativa. Mas ele está lá: mais de 60% dizendo que Dilma não é boa o bastante para continuar na Presidência. Não acho que isso deva animar demais a oposição, principalmente para evitar qualquer tipo de acomodação. Mas tenho certeza que está incomodando o governo.

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