A “sociedade como um todo” de Eduardo Campos.

Estou entre os eleitores da oposição que acham importante a candidatura de Eduardo Campos – apesar de não ser ele a minha primeira opção de voto. Acho importante por razões estratégicas: Campos enfraquece a base de sustentação do governo petista, ao mesmo tempo em que divide os votos do nordeste com o PT. Minha defesa da candidatura dele, porém, termina aí.

Ainda acho Campos muito tímido no enfrentamento ao PT e muito disso se deve ao fato de que até outro dia – literalmente falando! – ele estava no consórcio governista de Dilma. Isso para não mencionar que foi ministro de Lula, inclusive durante o mensalão.

Aliás, falando em mensalão: vejam a resposta de Campos, ontem, no Programa do Jô, ao ser indagado sobre o maior escândalo de corrupção da história do Brasil (link aqui):

– Jô Soares: Vamos falar um pouquinho da corrupção que assola o país. Você foi parte do governo Lula, chegou a ser parte do governo Dilma. […] Qual é a possibilidade de solução para que a corrupção não continue nesse trilho. Você vê o negócio do mensalão, o tempo que está levando para chegar a uma conclusão. […] Como é que você vê isso? Você que chegou a participar do governo, você que conhece o Zé Dirceu, […] como é que você vê o desenrolar disso tudo e a influência que isso terá no sentido de combate à corrupção?

– Eduardo Campos: Olha, Jô, eu acho que nasce na sociedade um grande desejo de construção de um pacto que resgate novos valores para um novo ciclo político e econômico no Brasil. [Heim?!] Se a gente for perceber, nos últimos 30 anos nós fizemos isso. A sociedade construiu um ciclo da redemocratização. […] O Congresso não aprovou as eleições diretas, mas a gente foi pelo Congresso mesmo. [Que cê tá falando aí, cara?] E quebrou o regime autoritário. […] Quem comandou esse ciclo foi o PMDB. Na sequência, o Brasil perdeu duas décadas praticamente com inflação, instabilidade, falta de crédito lá fora, falta de visão estratégica. Aí veio uma nova onda de mobilização, que ocorre quando o primeiro presidente é eleito e é tirado, pelas razões que todos nós sabemos —o  impeachment do Collor, em 92. [Tá, mas e o mensalão?!] A juventude vai pra rua. E ali começa, com Itamar [Franco], o ciclo da estabilização econômica, bem seguido pelo presidente Fernando Henrique, que operou reformas que permitiram o terceiro ciclo, que foi conduzido pelo presidente Lula. […] Então, nós tivemos esses três ciclos claramente puxados, a redemocratização pelo PMDB, o PSDB puxando o cliclo da estabilização econômica, e o PT o da inclusão social. [Ele vai chegar ao mensalão em algum momento?] E um não haveria sem o outro. Agora, nós percebemos que há um esgotamento dessa pactuação política. E é necessário um outro ciclo, onde a questão ética está no centro. [Acho que não…] A população nos paga 36% do PIB de tributo. Ninguém quer ver o tributo saindo pelo ralo como estamos assistindo aí essas fitas dos fiscais da prefeitura de São Paulo, coisas do gênero. Como vence isso? Não é só uma responsabilidade de quem está na máquina pública, não. É uma responsabilidade da sociedade como um tudo. Onde tem um corrompido há um corruptor. Alguém está corrompendo. Então, esse valor tem técnicas. Grandes empresas privadas tem auditoria, não tem? Por quê? [?????] Porque também tem no universo privado. Ou seja, a transparência é uma grande aliada, as ferramentas da tecnologia da informação são uma grande aliada do enfrentamento da corrupção, a premiação por êxito… Ora, quando a gente diz numa escola, nos fizemos em Pernambuco. Escolas integrais, que acho que a educação é um negócio estratégico, fundamental para você mudar esse país. Na hora que você, numa escola, define: se essa escola bater as metas no aprendizado dos alunos, o professor vai ter o 14º salário, podendo chegar até o 15º, a depender do resultado, o ambiente da escola muda logo. Ninguém quer ver aquele professor que não vai dar aula, ninguém quer mais aquela diretora que não faz circular os textos para debate mandados pelo nível central. Ou seja, temos que fazer inovação no serviço público, que vai permitindo reduzir a presença da corrupção. A corrupção está na humanidade. [And here we go!] Mas acho que, hoje, com ferramentas de tecnologia da informação, transparência e um direito processual em casos de crime envolvendo dinheiro público muito mais célere do que tem hoje. Porque hoje, um bom advogado procrastina um processo por dez anos. Eu acho que a gente precisa rever algumas coisas do Judiciário no Brasil. [Sim, claro…] Por exemplo: eu acho que a gente precisa discutir se é o caso no século 21 de termos ministros vitalícios. Nós podemos ter mandatos. [Zzzzz] Acho que o juiz precisa de estabilidade para cumprir seu papel, mas não necessariamente ministros vitalícios. Nós não podemos ficar com um Código Penal, quando envolve corrupção, com os mesmos trâmites de quando é uma questão que não envolve dinheiro público. Para a democracia é fundamental que o cidadão acredite que não cabe a ele resolver com as próprias mãos.” [Ufa!]

Mas que desconversada sinistra, heim?! Pois é… É por conta dessa dificuldade em apontar o dedo aos ex-companheiros – chegando mesmo a preferir apontá-lo para a “sociedade como um todo” – que eu tenho minhas ressalvas quando a ele.

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Uma ideia sobre “A “sociedade como um todo” de Eduardo Campos.

  1. elson

    Concodo na maioria do seu post, mas tb, qul seria outra opção? Aécio, pra trazer de novo o PSDB?

    Resposta

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