Ministro da Justiça usou sua posição para atacar a oposição ao governo Dilma.

Certa vez, em uma crônica espetacular, Diogo Mainardi disse que para compreender um escândalo na política brasileira é preciso sempre procurar o petista envolvido. Ele estava certo, como sói.

O escândalo da vez, apesar de surgir como novidade, nada mais é que a reiteração daquele que, a meu juízo, é o principal objetivo do PT desde que chegou ao poder, em 2002, com Lula: investir contra os alicerces democráticos a fim de submeter o Estado aos interesses do partido. O PT tem feito isso com grande sucesso e sob o olhar cúmplice da maior parte da imprensa nacional, acuada pela cantilena recorrente da “imprensa golpista”.

José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça, é um dos homens de confiança de Dilma, que funciona como conselheiro político e pessoal da presidente desde a campanha eleitoral de 2010. Titular de um dos mais importantes cargos do Estado brasileiro, Cardozo não viu problemas em diminuir a cadeira que ocupa a fim de atacar, com interesses puramente partidários e eleitorais, o principal partido de oposição ao PT. Descoberto, o ministro confessou a empreitada com a desenvoltura de quem diz “bom dia”. E, o que é mais assombroso, continua no cargo mesmo depois disso. Vejam em detalhes abaixo:

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu hoje a VEJA, por meio de sua assessoria, que foi ele quem repassou à Polícia Federal o depoimento atribuído a um ex-executivo da Siemens que acusa a cúpula do PSDB em São Paulo de envolvimento com o cartel que operava em licitações de trens e metrô no estado.  A informação desmente a versão da PF, subordinada ao Ministério da Justiça, que até então atribuía a origem do documento ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. Revelado na quinta-feira, o depoimento envolveu pela primeira vez políticos da cúpula do PSDB nesse caso.

No documento, supostamente elaborado pelo ex-executivo da Siemens Everton Rheinheimer, que trabalhou na empresa por 22 anos até 2007, o autor diz ter provas do envolvimento dos políticos, sem no entanto apresentá-las. “Tenho em meu poder uma série de documentos (originais) que provam a existência de um forte esquema de corrupção no estado de São Paulo durante os governos [Mário] Covas,[Geraldo]  Alckmin e [José] Serra e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa dois do PSDB e do DEM”, disse. Em troca das informações, Rheinheimer teria pedido ao destinatário do texto um cargo na direção da Vale.

“O acordo que proponho a seguir não tem nenhum risco, mas envolve minha indicação para uma diretoria-executiva da Vale no médio prazo”, diz o ex-executivo. Como é sabido, nem o Cade nem a Polícia Federal e nem Ministério Público têm o poder de fazer nomeações para a mineradora. Essa prerrogativa é dos acionistas da ex-estatal, incluindo o governo federal — que detém 5% das suas ações — e representantes do partido do governo com influência na empresa.

(…) A VEJA, a assessoria do ministro informou que ele costuma receber denúncias e encaminhá-las aos órgãos responsáveis. Não explicou, no entanto, por que ele passou a semana inteira em silêncio enquanto se discutia a origem do documento, atribuída ao Cade. Cardozo admitiu que foi ele quem passou o depoimento à Polícia Federal depois de questionado pela reportagem da revista.

O que lemos acima é de uma gravidade espantosa e, num país minimamente civilizado, renderia não apenas a demissão do Ministro da Justiça, mas uma investigação destinada a apurar as evidentes ilegalidades promovidas por ele no exercício do cargo que ocupa.

Em síntese, temos que alguém entra em contato com um ministro do governo petista prometendo um documento contendo denúncias contra nomes do PSDB – principal adversário do PT – e pedindo, em troca da tal informação, um cargo na Vale. E o que fez José Eduardo Cardozo diante de tal situação? Deu eco à história, em vez de investigar quem estaria se propondo a incriminar terceiros em troca de um emprego.

Trata-se não apenas de uma conduta imoral de Cardozo, que já deveria estar na rua a esta altura dos acontecimentos, como de um episódio que concorre para aviltar a instituição que ele representa; a cadeira que ele ocupa. Até por isso, acertadamente, a oposição já mostra que está disposta a jogar dura e cobra explicações:

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável candidato à Presidência em 2014, disse neste sábado (23) que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deve explicar sua participação no encaminhamento da denúncia contra tucanos no caso Siemens.

O Ministério da Justiça apresentou uma nova versão sobre a origem da denúncia do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, que acusa autoridades e ex-autoridades do governo de São Paulo de receber propinas.

Segundo a nova versão, o documento foi entregue ao gabinete do ministro por Simão Pedro, deputado licenciado do PT e secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo.

“O ministro precisa esclarecer de forma clara qual foi sua participação nesse processo. Isso é extremamente grave. Estamos assistindo no Brasil o uso de instituições do Estado para fins políticos”, disse Aécio, ao chegar ao Congresso do PPS do Rio. (…)

Espero que, além da oposição política ao PT, as autoridades republicanas encarregadas de zelar pela ordem democrática e pelo Estado de direito também cobrem explicações de Cardozo. O aviltamento das instituições públicas em nome dos interesses particulares do PT mostra que o grau de envenenamento da democracia brasileira é mais grave do que se poderia supor. E, definitivamente, não pode continuar.

UPDATE: E agora o ex-diretor da Siemens nega as delações que lhe foram imputadas por Cardozo. Terá o Ministro da Justiça do PT inventado tudo? Considerando o passado aloprado dessa gente (ainda mais às portas de uma eleição), não seria de se estranhar…

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2 ideias sobre “Ministro da Justiça usou sua posição para atacar a oposição ao governo Dilma.

  1. Elsa Murphy

    Engraçado, os tucanos se envolvem num escândalo de corrupção e o ministro da justiça decide denunciar esse escândalo para beneficiar o PT? Você é débil mental Iaxá? Ou vc tem o seus corruptos de estimação?

    Vamos ver qual vai ser a sua lenga-lenga. Isso se você for homem para publicar esse comentário, já que eu vejo que você não é muito de publicar críticas a ti nessa bosta de blog.

    Maldita inclusão digital.

    Resposta

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