Curtas (ou nem tanto)

Meu filho mais velho, o Lucas, é danado. Atribuem a mim a culpa, pois, durante a gestação, eu dizia que queria um filho danado. Mea maxima culpa, então. Eu não acredito nessas coisas, mas, por via das dúvidas, durante a gestação da Giulia fiquei dizendo o tempo todo que queria uma filha bem comportadinha. E ao que tudo indica ela vai ser uma cópia do irmão, comprovando que o senso de humor de Deus só não é maior que sua infinita misericórdia.

É impressionante como todos (eu disse todos!) os clichês da paternidade são verdadeiros. Os filhos mudam completamente a vida da gente, em todos os sentidos. A maneira como sabotam as nossas rotinas é, confesso, assustadora. Sou um conservador e, como tal, sempre considerei a rotina uma coisa libertadora. Ah, que saudades eu tenho da aurora da minha vida, da minha rotina querida! Etc, etc…

Todos os pais têm alguns medos elementares no que concerne aos filhos pequenos. O meu medo essencial é me tornar uma daquelas pessoas que eu, quando mais novo (e sem filhos) detestava. Aquelas que levam os filhos pequenos pra todo tipo de lugar, sem se preocupar em perturbar quem lá está. Não é chato quando estamos no restaurante/cinema/avião e chega aquele casal: ela com o bebê no colo, ele com carrinho, moisés, bolsa, travesseiro e, por incrível que pareça, só dois braços?! Pois é, agora eu me tornei o cara chato. E é inevitável, suponho… Afinal, a gente quer passear e fazer as coisas que sempre fez. Agora eu entendo, mas continuo morrendo de medo daquele olhar de reprovação das pessoas.

Lucas fez cinco anos outro dia. Por falar em clichês, lá vai: meu bebê está crescendo. Mas é depois de ter uma recém-nascida em casa que percebemos como ele está realmente enorme – quase um “mini-adulto”. A irmãzinha nem senta ainda sozinha e ele já vai pro banho e escova os dentes sozinho! Dá orgulho? Claro que dá! Mas eu quero meu bebê de volta!

Ele disse que tem cinco anos, mas que ainda quer colo. E que ainda é o nosso bebê.

E aquelas pessoas que tentam afetar cumplicidade? Sujeito vê você tentando desesperadamente calar o bebê em público e já chega: “É cólica? Complicado… Os meus tiveram. Sabe o que você faz?” MEU AMIGO, PRIMEIRAMENTE SAI DE PERTO DE MIM! VOCÊ TÁ CHAMANDO MAIS ATENÇÃO AINDA, DESGRAÇADO!

Confesso que acho estranho essa gente que tenta fazer amizade do nada, puxando papo onde quer que esteja. Ok, o problema pode ser comigo, confesso. Mas não perco a esperança de ser uma alma lúcida atormentada por esse mundo de pessoas simpáticas.

Um sujeito aqui da minha cidade resolveu dar a maior contribuição civilizacional para o povo daqui, desde a chegada da palavra escrita. Falei rapidamente (bem rapidamente) a respeito lá no facebook: http://goo.gl/QIIBSA

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