O tal do beijo gay.

Dois conhecidos me perguntaram o que eu achei do beijo gay entre os personagens Félix e Nico, veiculado no último capítulo de “Amor à vida”. Confesso que fiquei surpreso com a pergunta e minha reação imediata foi apresentar-lhes uma outra: “Por que eu deveria achar alguma coisa?” Um deles, então, arrematou: “Você não é conservador?!” E eu estou até agora tentando entender que raciocínio torno se construiu na cabeça dele…

Sou, sim, conservador. Isso significa, dentre outras coisas, que tento não me ocupar daquilo que não me diz respeito e que, feito por terceiros, não ameace a liberdade alheia. Um casal gay se beijando não muda em nada a minha vida, por que deveria me incomodar?! Nas FAQs do blog já deixei claro que não apenas sou favorável ao casamento gay, como acho que casais gays, atendendo às exigências da lei, deveriam poder adotar crianças. “Ah, mas que conservador é você?!” Do tipo que acha que uma criança em uma família feliz e decente estará sempre melhor que num orfanato.

O que não entendo é a comemoração de uns e outros diante do tal beijo gay, veiculado na novela. Desculpem, mas não consigo entender em que aquela cena concorra para um Brasil melhor e mais maduro. Não consegui ver o tal tabu sendo quebrado, pois simplesmente tal tabu não mais existia. Ou alguém em sã consciência acha que, em pleno século XXI, alguém ainda não tinha visto os vários beijos gays nos filmes e seriados americanos? “Mas não nos rincões!” Ah, faça-me o favor! Na era da internet, onde qualquer dono de quitanda em Macapá tem celular com internet?!

Vi muita gente celebrando que a atitude da Globo “escancarou os fatos para o país”. Bom, se querem achar isso… Eu, de minha parte, não consigo deixar de ver essas comemorações com alguma estranheza, afinal, se queremos que algo seja visto, entendido e aceito como normal, não faz o menor sentido essa glamurização em torno do fato, não? Se trata-se de algo tão natural, por que criar esse alvoroço? Houve – pasmem! – quem tomasse a cena como motivo para zombar do deputado Marcos Feliciano, como se ele fosse afetado com o evento.

Sei lá, longe de mim querer dar aulas à militância da causa, mas acho que se o objetivo é fazer com que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo sejam entendidos e aceitos como algo normal, que está na sociedade e faz parte dela, o primeiro passo é deixar de emprestar ares de grande feito para um simples beijo.

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3 ideias sobre “O tal do beijo gay.

  1. Axel

    “O que não entendo é a comemoração de uns e outros diante do tal beijo gay, veiculado na novela.”

    Você não entende porque você é ignorante. Mas também, vai esperar o que de quem é blogueiro político?

    Maldita inclusão digital.

    Só quero ver qual vai ser a respostinha “ácida e sarcástica” do Yashá “odeio o Brasil e gostaria de ter nascido na Itália” Gallazzi.

    Resposta

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