Apostas pro Oscar 2014

Hoje teremos a entrega do Oscar, na condição de portador da verdade™, vos trago a lista dos vencedores. Vou falar só das categorias principais e de um ou outra das secundárias, porque, na boa, quem liga pra coisas como “melhor curta de animação” ou “melhor documentário curta metragem”? Pois é, ninguém. Então vamos falar do que interessa:

PRÊMIOS TÉCNICOS:

Podem anotar aí pra dar aquela cobrada™ depois: Gravidade vai levar os prêmios por melhor mixagem de sommelhor edição de som. Trilha sonora vocês me desculpem mas me recurso a comentar pelo simples fato de terem excluído a de Man of steel da lista final de indicados.

Além disso, Gravidade também vai levar o Oscar de melhores efeitos especiais, pra desespero dos fanboys de O Hobbit. Aliás, aqui vale fazer o registro: como puderam sequer indicar Círculo de fogo nessa categoria? E será de Gravidade também o Oscar de melhor fotografia, apesar de ser obrigatório ressaltar o espetáculo que é Nebraska e seu preto-e-branco opressivo. Não vai tirar o prêmio de Gravidade, mas se tirasse seria igualmente justo.

Pra terminar, aposto que Clube de compra Dallas vai levar o Oscar de melhor maquiagem. Eu normalmente nem me importaria com essa categoria, mas o trabalho que fizeram nesse filme é espetacular! Merece demais ser reconhecido.

ANIMAÇÃO

Funciona assim: se não derem o Oscar pra Frozen, eu vou pessoalmente lá em Hollywood cometer uma chacina! Frozen é a melhor animação desde Toy Story 3 e uma das mais marcantes desde O Rei Leão. É um trabalho pra ficar na história da categoria e, vou além: marca o começo de uma era, com a Disney novamente sendo protagonista direta. Fora o fato que todas as crianças do mundo estão loucas pelo filme.

Mas (e vocês sabiam que haveria um “mas”…) a categoria também conta com Vidas ao vento, o último filme do mestre Miyazaki. Há uma chance de a Academia decidir premiar o “conjunto da obra” dele, o que seria absolutamente merecido. Só que fazer isso às custas de Frozen seria criminoso! Enfim, não tem jeito: Frozen tem que ganhar melhor animação.

CANÇÃO ORIGINAL

Se “Let it go”, de Frozen, não ganhar, vou aproveitar a ida a Hollywood pra matar mais um punhado de gente. Ela é disparada a melhor música que tá concorrendo e, não adianta: tá na cabeça de todos que viram o filme (meu filho canta ela umas 87 vezes por dia, numa estimativa conservadora).

Só que na mesma categoria temos ninguém menos que o U2, do politicamente atuante Bono Vox, concorrendo com “Ordinary Love”, uma música de um filme sobre Mandela. E aí, amigos, temos uma reunião tão grande de coisas feitas pra ganhar o Oscar que me dá até medo. E me dá medo porque a música Frozen merece muito mais! Por isso, mesmo sabendo o risco que é apostar contra o combo que é o U2 falando de Mandela, insisto: Frozen leva o Oscar de melhor canção original.

FILME ESTRANGEIRO

O prêmio precisa ir para o maravilhoso A grande beleza. Eu não via a Itália mandando tão bem num filme desde o inigualável “A vida é bela”, então acho realmente muito difícil que o prêmio escape dos italianos. Vale registrar os excelentes “A caça” e “A imagem que falta”.

ROTEIRO

No Oscar de melhor roteiro original não tem pra ninguém: o prêmio irá para o espetacular Ela. E será justíssimo! Vale lembrar que estão sensacionais também “Nebraska” e “Clube de compra Dallas”.

Já o prêmio de melhor roteiro adaptado deve ir pra um dos grandes favoritos da noite, 12 anos de escravidão. Aqui faço uma ressalva de cunho pessoal: eu preferia que o prêmio fosse pra “Antes da meia-noite”, que fecha uma trilogia que adoro demais, ou mesmo pra “Lobo de Wall Street”, que, se dependesse de mim, ganharia tudo! Mas não tem jeito: “12 anos de escravidão” já pode comemorar essa.

ATUAÇÃO

Nas categorias de atuação, até o tapete vermelho já sabe que Cate Blanchett até separou um lugar na estante pro Oscar de melhor atriz. Se o prêmio levasse em conta a “melhor cena de calcinha no espaço”, Sandra Bullock teria chances; se considerasse o “melhor decote”, talvez Amy Adams ameaçasse. Mas não tem jeito: La Blanchett já levou essa.

Outra barbada é o prêmio de melhor ator coadjuvante para Jared Letto, que está magistral em “Clube de compra Dallas”. Muita gente diminui a importância de Letto tratando-o só como “aquele carinha da banda”, mas a verdade é que ele está magnífico naquele papel! A única e remota ameaça ao Oscar de Letto é o tal Abdi, de “Capitão Phillips”. Mas acho ainda incomparável, porque ele interpreta a si mesmo, enquanto que Letto realmente construiu um personagem inesquecível. Merece registro histórico o Matthew McConaughey, que nem foi indicado nessa categoria, mas, se tivesse sido indicado pela ponta que fez em “O lobo de Wall Street”, seria sério candidato a sair da festa com dois prêmios. A cena dele conversando com o Di Caprio já tá na história do cinema:

O Oscar de melhor atriz coadjuvante deve acabar indo pra estreante Lupita Nyong’o, pelo trabalho sensacional em “12 anos de escravidão”. Mas há que se registrar o belíssimo trabalho de June Squibb, em “Nebraska” que, se dependesse de mim, seria a vencedora dessa categoria. A velhinha que ela encarna é apenas sensacional! Por fim, não esqueçam que nessa categoria concorre a nova queridinha de Hollywood: Jennifer Lawrence. Se alguém for tirar o Oscar de Lupita, será J-Law, sem dúvida. E, ao contrário de alguns, não achei ruim o trabalho dela – pelo contrário! A cena dela cantando e a que ela protagonizou no banheiro, com Amy Adams, já valeriam um Oscar fácil;

Na categoria de melhor ator, o prêmio deve ir, com muita justiça, pra Matthew McConaughey, que foi espetacular em tudo que fez no ano passado. Mas a verdade é que, tirando o Christian Bale (o que ele faz ali, meu Deus?! Como puderam deixar o Tom Hanks de fora?!), qualquer um dos indicados seria um justo vencedor. Se eu fosse decidir, daria o Oscar pro Di Caprio, que está magistral em “O lobo de Wall Street”. Mas Bruce Dern, em “Nebraska”, também esteve excelente. A vitória deve mesmo ficar com McCounaghey, mas chega a ser um pecado Leonardo Di Caprio não ganhar neste que foi, a meu ver, seu melhor papel (num filme que foi, a meu ver, o melhor Scorsese). A cena dele falando como se fosse um pastor, na frente da equipe, é espetacular:

DIREÇÃO

O vencedor do Oscar de melhor direção já tem nome e é Alfonso Cuaron. O que fez o mexicano em “Gravidade” é indescritível! Será o prêmio merecido demais, sem dúvidas. De novo: dependesse só de mim, Martin Scorsese seria o vencedor, porque “O lobo de Wall Street” eu considero simplesmente o melhor trabalho do velhote. Além deles, uma menção para Alexander Payne, pelo belíssimo “Nebraska” e para Steve McQueen, que – atenção agora! – conta com um forte lobby para se tornar o primeiro negro a ganhar um Oscar de direção. Ele tem chances, mas acho difícil que o prêmio escape do Cuaron.

MELHOR FILME

Graças ao bom Deus este ano não corremos o risco de ver premiada uma desgraça tipo “Crash”, “Quem quer ser um milionário” ou “O artista”. Todos – eu disse todos! – os nove indicados são excelentes filmes e não seria nenhuma tragédia caso qualquer um deles vencesse. O único reparo que faço à lista dos finalistas é a ausência de “Rush”. Mas vida que segue.

Se fosse para ganhar um underdog, minhas apostas seriam “Clube de compra Dallas” e “Nebraska”. Mas ambos, apesar de espetaculares, dependem completamente da atuação de seus atores e o prêmio de melhor filme considera mais que isso. O vencedor deve ser um dentre “12 anos de escravidão”, “Trapaça” e “Gravidade”. Aposto que o Oscar de melhor filme vai para 12 anos de escravidão, porque ele tem tudo para ser, este ano, aquilo que Lincoln não conseguiu ser em 2013.

“12 anos…” não é meu preferido. De novo: se dependesse de mim, “O lobo de Wall Street ganharia tudo! Tive uma conexão inexplicável com esse filme e é uma pena que não ganhe tantos prêmios quanto mereceria de verdade. Mas o filme de McQueen, além de reunir os clássicos clichês que a Academia adora, também consegue ser uma obra realmente excelente. Lembram da Michelle Obama entrando ao vivo da Casa Branca pra anunciar o vencedor em 2013? Erraram o ano: um Obama deveria ser chamado agora, em 2014. Nada melhor pra fechar a lista de clichês que o presidente negro anunciando uma história maravilhosa sobre um escravo como melhor filme.

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