Ainda que contornada, crise entre PMDB e PT pode criar rachaduras irreparáveis no projeto de poder petista.

Não é de hoje que o PMDB dá algumas dores de cabeça a seus aliados. O partido, que não tem – nem parece que um dia poderá ter – ambições de lançar pra valer uma candidatura presidencial, vive de conquistar poder regional e ampliar suas bancadas em Brasília. Com isso, torna-se o aliado preferencial de todo e qualquer candidato que chegue à Presidência da República.

Dilma, apresentada por Lula como uma “gerentona” (a “mãe do PAC”, lembram?), não é certamente conhecida por seu traquejo político. Pelo contrário, até: não raro comenta-se sobre a impaciência da presidente em ter que lidar com o dia-a-dia da máquina pública, em especial com as articulações políticas. E isso parece estar causando alguns aborrecimentos aos aliados, em primeiro lugar o PMDB.

Vamos lembrar que em 2010 o PT tinha um Lula com mais de 80% de aprovação que ofereceu a Michel Temer a vice-Presidência. É uma situação de win-win clara, que o partido, como não poderia deixar de ser, aceitou. Agora, em 2014, não temos Lula candidato nem na máquina. E, ao que parece, nem cuidando das articulações políticas. Sai Lula e entra Dilma, com menos de 40% de aprovação (só 51% no Nordeste, onde o PT jogava em casa!), com inflação de volta, balança comercial ruim e prestes a encarar os protestos de rua que a Copa certamente irá trazer de volta. Não é mais tão atraente assim embarcar cegamente na canoa petista, como se vê…

Eu nem acho que o PMDB chegue a romper, de fato, a aliança. Mas imagino em 2014 algo parecido com o que vimos em 2002: o PMDB compondo chapa com um dos principais candidatos e, por fora, dando apoio ao outro. E isso pode representar enormes problemas para o projeto de poder petista, afinal a capilaridade do PMDB é algo de que uma claudicante Dilma não poderia jamais abrir mão. Na BA e em PE, por exemplo, é quase certo que o PMDB ajudará os dois principais adversários de Dilma, o que representa um problema sério pro PT em estados que representam os maiores colégios eleitorais do Nordeste. No RJ já há um clima de inimizade declarada entre outrora aliados e em MG, bem… Em MG Dilma deve se preparar pra ver Aécio Neves colocar no mínimo uns 2 milhões de votos de frente.

Se é verdade que o PMDB provavelmente continuará dando ao PT seu precioso tempo de TV, também é verdade que o PT está fazendo de tudo para não conseguir nada além disso. Aliás, depois de ver a resposta de Valdir Raupp ao presidente do PT, fica bastante claro que os dois aliados estão em guerra aberta, dispostos a esticar a corda até o limite. O que parece não estar sendo notado pelos petistas é que só eles têm a perder com isso, porque o PMDB, vença quem vencer em outubro, estará no futuro governo e com papel de destaque, oferecendo a tal “governabilidade republicana necessária para o desenvolvimento do país” e todo aquele blá-blá-blá que conhecemos.

Os petistas estão trucando num jogo onde o zap está nas mãos do adversário. E aí, a única esperança pra turma da estrelinha é que o PMDB caia no blefe e abaixe a cabeça, coisa difícil de acontecer em se tratando do partido que reúne as raposas mais velhas e felpudas da política nacional.

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