Refinaria de Pasadena poderia ser o Fiat Elba de Dilma: por muito menos Collor caiu!

A cada dia fica mais feio o negócio lá pros lados do Planalto, heim? Quanto mais avança a apuração sobre a compra da refinaria (leia-se sucata) de Pasadena pela Petrobrás, mais evidências de fraudes surgem.

Ontem, no Jornal Nacional, foi revelado que vários relatórios alertaram a Petrobrás (e, por conseguinte, o governo) sobre os riscos de se prosseguir naquele negócio, que, sabe-se, custou aos cofres públicos mais de um bilhão de dólares de prejuízo.

Isso significa que a tática inicial do governo Dilma de mandar o clássico “eu não sabia de nada” (aprendeu bem com o Lula ela, heim?) foi pro vinagre rapidamente. O prejuízo aos cofres públicos, ao que parece, tem sim as digitais da presidente. Vejam trechos da matéria do JN (íntegra aqui):

O Jornal Nacional mostrou, em primeira mão, o conteúdo de dois documentos sobre o processo da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras.

São relatórios de empresas contratadas para avaliar o negócio antes que ele fosse concretizado. E as duas deixaram muito claro para a Petrobras que não tiveram tempo e informações suficientes pra fazer a avaliação. E alertavam para riscos.

Mesmo assim, a empresa brasileira concretizou a compra, que acabou se tornando um péssimo negócio.

O parecer confidencial foi entregue à Petrobras em janeiro de 2006, um mês antes da aprovação da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Foi feito pela BDO, uma empresa de auditoria que atua em 140 países.

(…) A BDO alerta: a refinaria passou por disputas trabalhistas e precisa se adequar às leis ambientais, o que pode gerar novas despesas. O relatório recomenda expressamente: é preciso colocar limites!

Uma consultoria desse tipo é feita para evitar riscos e prejuízos, e cabia à Petrobras seguir ou não as recomendações.

(…) Há duas semanas, a presidente Dilma Rousseff, que presidia o Conselho de Administração da Petrobras, declarou, em nota, que apoiou a compra com base em um resumo técnico que trazia “informações incompletas”, e “omitia qualquer referência às cláusulas”, “que se fossem conhecidas, seguramente não seriam aprovadas pelo Conselho de Administração da Petrobras”.

O Jornal Nacional também teve acesso ao documento feito pelo Citigroup – que tem sido usado pelo governo como um atestado de defesa da compra da refinaria. Mas não é isso que o relatório contém.

O Palácio do Planalto chegou a citar a avaliação em uma cartilha, que encaminhou a deputados aliados para que eles unificassem o discurso a favor do negócio.

O documento a que o Jornal Nacional teve acesso é confidencial. A data é de 1° de fevereiro de 2006, mesmo mês em que a compra de Pasadena foi aprovada pelo Conselho de Administração da Petrobras.

São três páginas, em inglês, enviadas à direção da Petrobras. E quase todo o conteúdo é dedicado a ressalvas sobre a metodologia e os critérios usados pelo Citigroup.

Os técnicos admitem que somente conversaram com diretores e representantes da Petrobras e examinaram previsões financeiras disponibilizadas pela diretoria da estatal.

O documento diz: “Nós não fizemos e não nos foi fornecida uma avaliação independente”. E destaca: “Nós não fizemos inspeções na refinaria de Pasadena, no Texas”. “E nossa opinião é baseada, necessariamente, em dados fornecidos para nós”. (…)

E como esse escândalo que é a gestão do PT frente à Petrobrás chega concretamente a nós? De forma simplória, pode-se dizer que se hoje estamos pagando uma gasolina tão cara é também porque os petistas dilapidaram a Petrobrás. Não esqueçam que Lula anunciou com pompa e circunstância nossa – como era mesmo? – “autonomia em petróleo”…

O que chama mais atenção, porém, é o fato de que estabeleceu-se uma desconfiança tão grande na capacidade de gestão do governo Dilma, que basta um boato de que ela cairá nas pesquisas para que as ações da Petrobrás disparem na bolsa de valores:

As ações da Petrobras ganham força nesta tarde, com rumor de que o Planalto já trabalha com queda de Dilma em uma pesquisa de intenção de voto do Datafolha, que entrou em campo nesta quarta-feira e vai até sextafeira, de acordo com coluna do jornalista Kennedy Alencar. Os papéis ordinários sobem 4,58%, a R$ 15,74, enquanto os preferenciais avançam 4,68%, a R$ 16,55.

Com a queda de Dilma nas pesquisas, o mercado se mostra com menor aversão ao risco ao investir em estatais. “Faz sentido que o mercado esteja trabalhando com uma queda de Dilma nas pesquisas, uma vez que outros eventos negativos foram revelados, como a  polêmica de Pasadena”, disse William Alves, analista da XP Investimentos.

Os rumores de que os candidatos da oposição teriam crescido na preferência dos eleitores na pesquisa Ibope divulgada no último dia 20 de março impulsionou as ações das estatais brasileiras, que subiram forte indicando a insatisfação do mercado com as medidas adotadas por Dilma Rousseff. Contudo, a pesquisa Ibope não revelou uma mudança significativa no quadro eleitoral. Na última quinta-feira (27), bastou ser divulgada pesquisa do mesmo instituto apontando queda da popularidade de Dilma para as ações das estatais dispararem novamente.

E, convenhamos: Dilma, ex-ministra de minas e energia, foi apresentada ao Brasil em 2010 como sendo “um excelente quadro técnico”. A ~gerentona~, lembram? Esse mito, creio eu, está destruído para sempre.

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