Pesquisologia em época de eleição

É uma coisa interessante: ao mesmo tempo em que a maioria dos analistas políticos famosos fala que “pesquisa é momento” e não deve ser lida como verdade absoluta, todos continuam falando delas cada vez mais. Como explicar?

Eu mesmo, aqui, vivo repetindo que intenção de voto interessa pouco ou quase nada. Mas, se é assim, por que acompanhar a divulgação das pesquisas? Porque elas fornecem dados interessantes, que vão muito além de meros números percentuais.

Uma coisa que sempre comento aqui é a tal da tendência – ou, em outras palavras, da curva – de cada candidato. Quando, por exemplo, várias pesquisas, de institutos diferentes, feitas em períodos diferentes, apontam para uma mesma tendência, é sinal que se tem um padrão em cima do qual elaborar análises.

Tome-se o exemplo das recentes pesquisas divulgadas: Dilma sempre caindo, Aécio subindo, Eduardo Campos crescendo mais devagar que o mineiro, a rejeição à presidente acima dos 40% e a reprovação ao governo praticamente anulando a aprovação. Esses cenários têm se repetido com alguma constância em todos os levantamentos e isso, sim, importa – como bem observou a Nariz Gelado, lá no blog dela.

Outra coisa que vale a pena acompanhar são as pesquisas nos estados, principalmente em ano de eleições gerais, onde candidatos a deputado, senador e governador querem saber o que suas bases pensam sobre a sucessão presidencial, para decidir em qual canoa colocar o pé. Assim, chama a atenção o fato de o senador Aécio estar à frente de Dilma no DF e no Espírito Santo, além de ter empatado em Mato Grosso do Sul. E isso importa menos pelos números em si, mas pelo fato de que essas – lá vamos nós de novo – tendências estão sendo monitoradas pelos políticos locais.

Esta semana o Datafolha saiu para fazer mais um levantamento. Aguardemos os resultados, mas a Bovespa e a Petrobrás já tiveram alta apenas por conta do boato de que a tendência de queda de Dilma será confirmada. Quando é assim, costuma-se dizer que a laje está gravemente trincada…

Nas “pesquisologias” pré-eleitorais, são esses pequenos detalhes que mais importam. Aliados, claro, à evidente insatisfação com os rumos do governo e do país, que levou os brasileiros a economizar menos, por exemplo.

O cenário em 2014 não é, por enquanto, de continuidade. O povo está insatisfeito e parece ter começado a ligar o sentimento anti-PT a um sentimento pró-oposição (por isso o crescimento consistente de Aécio e a subida – ainda tímida, porém – de Eduardo Campos). Com a chegada do horário eleitoral isso tende a piorar a vida de Dilma, que precisará fazer uma campanha de mudança, ao mesmo tempo em que pede continuidade. Não é fácil (Serra tentou sem sucesso em 2002), sem dúvida. O PT previa um passeio eleitoral contra os “anões da oposição” (copyright João Santana), mas vai ter que se esforçar muito para mudar a tendência.

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