PT primeiro atacou de forma baixa Eduardo Campos, para agora chamá-lo de “companheiro”.

Tenho dito há tempos que a máquina de moer reputações do PT não respeita biografias nem sentimentos. E se move contra tudo e contra todos que ousem não beijar a cruz do petismo. Foi assim com Eduardo Campos: depois de passar cerca de uma década aliado de Lula e do PT (e essa foi uma ressalva que sempre fiz a ele), Campos achou por bem se candidatar à Presidência. O PT não aceitou e externou sem pudor sua revolta:

A imagem acima é do facebook oficial do PT e continua no ar, mesmo depois da tragédia de ontem e da tentativa do PT de lucrar com ela, publicando nota oficial cheia de elogios ao “companheiro Eduardo.” Sim, agora eles chamam de “companheiro” a quem em janeiro foi chamado de “playboy” e de candidato “sem compostura”. Vejam alguns trechos do que o PT publicou sobre Campos:

(…) Estimulado pelos cães de guarda da mídia, decidiu que era hora de se apresentar como candidato a presidente da República – sem projeto, sem conteúdo e, agora se sabe, sem compostura política.

O velho Miguel Arraes, avô de Eduardo Campos, faz bem em já não estar entre nós, porque, ainda estivesse, morreria de desgosto.  E não se trata sequer da questão ideológica, já que a travessia da esquerda para a direita é uma espécie de doença infantil entre certa categoria de políticos brasileiros, um sarampo do oportunismo nacional. Não é isso.

Ao descartar a aliança com o PT e vender a alma à oposição em troca de uma probabilidade distante – a de ser presidente da República –, Campos rifou não apenas sua credibilidade política, mas se mostrou, antes de tudo, um tolo.

Acreditou na mesma mídia que, até então, o tratava como um playboy mimado pelo “lulo-petismo”, essa expressão também infantilóide criada sob encomenda nas redações da imprensa brasileira. Em meio ao entusiasmo, Campos foi levado a colocar dentro de seu ninho pernambucano o ovo da serpente chamado Marina Silva, este fenômeno da política nacional que, curiosamente, despreza a política fazendo o que de pior se faz em política: praticando o adesismo puro e simples. (…)

Ontem, depois do trágico acidente que vitimou Campos, quem era (ou melhor, é. Afinal o post continua publicado lá!), o PT emitiu uma nota oficial onde, logicamente, lamentou o ocorrido. Mas não conseguiu evitar o cinismo e foi além:

Campos deixa um grande vazio na política brasileira. Seu partido, o PSB, sempre foi um aliado do PT e, juntos, construímos um país melhor e socialmente mais justo. Eduardo Campos teve papel importantíssimo nas gestões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tendo sido ministro da Ciência e Tecnologia. 
 
Mesmo quando decidiu seguir um caminho diferente ao do PT, mantivemos com Eduardo Campos uma relação de profundo respeito e admiração.

Sim, vimos o tanto que o PT respeitava e admirava Eduardo Campos, não é mesmo?

E não se enganem achando que isso foi coisa de algum assessor isolado: o próprio Lula, em março, no Paraná, ao se referir ao então candidato pelo PSB afirmou:

A minha grande preocupação é repetir o que aconteceu em 1989: que venha um desconhecido, que se apresente muito bem, jovem e nós vimos o que deu.

Eu não romantizo a política nem acho que todos devam se amar. Eduardo rompeu com o PT, se tornou adversário e, é fato, criaria dificuldades para Dilma na base histórica do petismo, o nordeste. Mas era adversário, não inimigo. E um dos males que o PT faz à política nacional é justamente tratar adversários como inimigos.

Com a mesma desenvoltura com que o PT e Lula transformaram um opositor em inimigo, tentando diminui-lo e atacá-lo, agora tentam explorar a tragédia a fim de colher dividendos positivos. Agora, enfim, ele é o “companheiro Eduardo”, não mais um “tolo”…

Diante disso, me vem à mente os melhores trechos da entrevista de Eduardo Campos ao JN, na última terça, véspera de sua morte: “O governo Dilma é o único da história que vai entregar o país pior do que recebeu.” E ainda: “O salário das pessoas não chega mais ao fim do mês, por culpa da inflação.” E, por fim: Não desistam do Brasil. É aqui que vamos criar nossos filhos.”

Esse é o grande legado que Eduardo deixa: um político de oposição ao governo do PT, que exortou os eleitores a não desistirem do Brasil. É essa a mensagem que precisa seguir em frente pelas mãos da oposição brasileira.

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