Os número do Ibope: o que dizem e como atingem as campanhas.

A internet, em especial aquele jornalismo que gosta de cravar resultados, ficou ouriçada com o Ibope de ontem, que mostra Marina isolada em segundo lugar (no limite do empate técnico com Dilma), dez pontos à frente de Aécio. O que podemos tirar dos dados dessa pesquisa, sem escorregar em análises ligeiras e superficiais?

Em primeiro lugar, acho importante notar que ainda não há esse tão propalada “furacão Marina”. Nos protestos de junho, quando despontou como a preferida de quem era “contra tudo isso que tá aí”, Marina chegou a ostentar 35% das preferências. Em abril, última vez que ela apareceu em uma sondagem, tinha 27% dos votos. Agora, 29%. Marina está, pois, onde sempre esteve. Se efetivamente estiver surgindo um fenômeno de votos a partir da candidatura do PSB, isso só será possível afirmar nas próximas pesquisas.

Percebam que algumas exultações (de novo: muitas partindo de certo jornalismo que mais faz torcida que análise) não passam de constatações do óbvio. “Marina lidera entre os mais escolarizados!” Ora, já foi assim em 2010. “Marina avança nos grandes centros urbanos!” Também fez isso na eleição passada. O que há, efetivamente, de novo? Até o presente momento, só o potencial demonstrado de levar para si boa parte dos que se declaravam dispostos a votar branco e nulo, bem como dos que se diziam indecisos. Mas esse eleitorado, sabe-se, é volátil.

Eu vejo dois cenários possível no horizonte para Marina: 1) se confirma a tal “onda” a favor dela e ela continua crescendo, inclusive superando Dilma já no primeiro turno. Em tal caso, tendo a acreditar que ela pesque mais votos na base eleitoral do PT, que na do PSDB, principalmente em razão da história política e das afinidades ideológicas; 2) a empolgação inicial arrefece e ela pára por volta do 30%.

Notem que qualquer dos cenários é relativamente confortável pra Marina, que está há mais de dez dias surfando em uma cobertura positiva do jornalismo (algo inédito, diga-se). A primeira oportunidade em que foi, de fato, confrontada politicamente se deu apenas ontem, no debate da rede Bandeirantes. Mas era evento com pouca audiência, com pouco alcance. O primeiro grande teste para Marina será a entrevista no Jornal Nacional (quando e se ocorrer…).

E Dilma?

Sem dúvida o sinal de alerta nunca soou tão alto na campanha petista. O segundo turno, que eles ainda sonhavam evitar, está confirmado. E a chance de derrota é mais do que real. A coisa toda se complica mais quando se nota que Dilma caiu depois de uma semana de programas na TV, desfilando as supostas obras que fez e as promessas que fará. Ah, e com Lula todo santo dia pedindo voto pra ela. Não parece mais ser garantia de nada.

E Aécio?

O candidato tucano vinha na estratégia acertada de se tornar conhecido, apresentando a biografia e as realizações, solidificando sua ida ao segundo turno e construindo, passo a passo, a vitória final. A reviravolta eleitoral o colheu em cheio também e agora a campanha se faz dura. Mas, ao contrário do que dizem alguns, não está derrotado: mesmo ainda desconhecido de boa parte do eleitorado, manteve-se na casa dos 20%. O trabalho é para se firmar como verdadeira alternativa ao PT, com a dificuldade de ter que fazer isso ainda mais rápido e de forma mais intensa.

O jogo ainda não está jogado: estamos diante da eleição mais imprevisível desde 1989.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s