“Eu sou a mudança segura”

Excelente entrevista do Aécio à revista Isto É! Vejam abaixo alguns trechos (íntegra aqui):

ISTOÉ – É evidente o desejo de mudança do brasileiro, exposto desde o ano passado nas manifestações de rua. O que o seu governo trará de novo para o País?
Aécio Neves –
A primeira é uma mudança ética, de valores. Talvez essa seja a mais perversa das heranças que esse governo nos deixará: a baixa qualidade das relações políticas e o absurdo aparelhamento da máquina pública para servir a interesses que não são os dos brasileiros, são de grupos políticos que convivem dentro do governo. A segunda é uma mudança de visão do Estado. Eu pratiquei isso durante toda a minha vida. Entendo que o Estado não tem que ser ineficiente por ser Estado. O setor público não precisa necessariamente apresentar maus resultados apenas por ser público. Acho que essa é uma mudança profunda que o Brasil precisa viver, qualquer que seja o próximo governante.

ISTOÉ – Como se faz isso?
Aécio –
Promovendo o resgate da meritocracia, de um governo que funcione, tenha metas, apresente resultados. Hoje vemos uma desqualificação cada vez maior dos serviços públicos. A terceira mudança é uma nova visão de mundo. O Brasil se isolou por uma visão absolutamente equivocada desse governo, que promoveu um alinhamento ideológico da política externa sem que isso trouxesse qualquer benefício ao País. O mundo avança em acordos bilaterais. O governo do PT, no entanto, celebrou apenas três acordos bilaterais: com Egito, Israel e Palestina, o que não teve qualquer consequência objetiva no fortalecimento da nossa economia, na ampliação de mercados para os nossos produtos. O sentimento de mudança hoje é tão avassalador na sociedade brasileira que até o governo do PT quer mudar.

 

 

ISTOÉ – Por que o sr. já apresentou seu ministro da Fazenda?
Aécio –
Quando eu anuncio que, se eleito, nomearei o Armínio Fraga como ministro da Fazenda, estou dando a sinalização clara na direção que o País vai. É muito cômodo você ouvir candidatos dizer “ah, eu vou governar com os melhores”… Quem é que vai governar com os piores, né? Não existe isso…

ISTOÉ – O sr. acha que quem concorrer contra a Dilma ganha no segundo turno?
Aécio –
Quem concorre contra a Dilma é presidente da República. O PT perdeu essas eleições e nós temos duas alternativas: nós e a Marina. Não duvido das boas intenções dela, mas a Marina é fruto desse mesmo sistema que hoje ela combate. Ela militou por 20 anos no PT.

ISTOÉ – Essa insatisfação é com o governo, mas também não é uma insatisfação com a polarização PT/PSDB?
Aécio –
Há dois componentes principais nas intenções de voto da Marina: uma é a negação da política, outra a insatisfação com essa polarização. E uma outra parcela que quer derrotar o PT. Só que derrotar o PT é apenas o início da obra, não é a conclusão da obra. Eu não quero estar daqui a quatro anos lamentando com o brasileiro uma nova opção equivocada, porque a inexperiência da Dilma no governo custou muito caro ao Brasil. Então, o Brasil tem duas alternativas hoje. A nossa é experimentada, os quadros estão aí e estamos sinalizando com muita clareza em que direção vamos. A outra trata a política como se fosse um balcão de supermercado: vamos buscar os melhores, vamos pegar os melhores daqui, os melhores dali. Mas para ela avançar em qual direção? Respeito a Marina, mas até agora não teve que mostrar com clareza o que pretende fazer se vencer as eleições. E só boas intenções não resolvem os problemas do Brasil.

ISTOÉ – A presidenta Dilma comparou Marina a Collor pela ausência de uma estrutura partidária. O sr. vê riscos semelhantes?
Aécio –
Não acho que a história dela se pareça com a do Collor. Mas a pregação da não política, sem uma palavra de valorização e fortalecimento dos partidos é algo que me preocupa. A negação pura e simples da política é estranha, principalmente vindo da Marina, alguém que militou tradicionalmente na política durante mais de 20 anos. Essas contradições têm que ser analisadas por todos nós. Qual é a Marina que vai governar? É a que acena em abraçar o agronegócio ou aquela que em 1999 apresentou um projeto de lei para proibir o cultivo de transgênicos no País? É aquela que dentro do PT se submetia a esse corporativismo que impedia avanço na gestão pública ou é a que propõe agora em seu governo a meritocracia? É a que acena para o presidente Fernando Henrique de um lado e para o Lula de outro, como se fosse possível essa compatibilização? Agora o brasileiro vai avaliar com consistência, com profundidade, as alternativas que existem aí.

 

 

ISTOÉ – Sua campanha apostava mais no combate direto à presidenta Dilma. A partir de agora vai mirar mais no combate à Marina?
Aécio –
Sou oposição à Dilma, oposição ao PT. Não circunstancialmente. Sou oposição desde sempre. Nunca acreditei nesse modelo que está aí. Então não abro mão da prerrogativa e da primazia oposicionista em relação ao modelo que está aí. Mas o meu papel é mostrar também as fragilidades da candidatura de Marina. Não do ponto de vista pessoal, pois a respeito, como respeito a Dilma do ponto de vista pessoal. Mas a Dilma fracassou. A inexperiência dela custou muito caro ao Brasil. O aprendizado do PT no governo da Dilma custou um tempo que não volta mais. Nossos indicadores sociais pioraram. Na economia é isso que nós estamos vendo hoje: um quadro de recessão, os investimentos deixaram de vir para o Brasil, um cemitério de obras com sobrepreços e abandonadas ou paralisadas pelo País afora. O conjunto da obra do PT vai levá–los a uma derrota. E eu quero conhecer com clareza, além das platitudes do discurso da Marina, o que ela efetivamente pensa e como ela vai governar.

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