Arquivo da categoria: Histórias da vida real

Dez livros

A nova modinha no facebook (ainda é, ou já acabou?) é listar dez livros marcantes para a vida de cada um de nós. O pressuposto da brincadeira é fazer a lista de bate-pronto, sem pensar muito. Eu entrei no jogo e, bem… Aí vai o resultado:

Por que fui entrar nisso, meu Deus?! Por quê?! Foi publicar o post e começar a me arrepender por conta dos livros que esqueci de mencionar. Onde está Romeu e Julieta?! Como consegui deixar de fora Memórias póstumas de Brás Cubas, que considero o melhor de Machado?! Onde estava com a cabeça quando deixei passar Casa grande e senzala, ou Angústia? Como pude cometer o pecado de esquecer Orgulho e preconceito?!

Não que os dez listados não mereçam estar onde estão. São ótimas obras e todas marcaram muito minha – se me permitem – formação como leitor. O que me atormenta um tanto desde a manhã de hoje é a ânsia de entender o que me levou a apontar aqueles dez e deixar de foram tantos outros livros preferidos.

Eu cliquei no botão “publicar” e imediatamente: “Meu Deus, Orgulho e preconceito! Ah, não! Esqueci Memórias póstumas!” E ter de carregar comigo o resultado dessa irresponsabilidade que foi escolher só dez dentre tantos livros passou o dia a me atormentar como se fosse a malfadada gravata, em Angústia. E eu tentava afrouxar o nó (imaginário), mas quê!

Ah, as armadilhas do inconsciente… Aliás, alguém tem um bom livro que trate disso, pra me indicar?

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Curtas (ou nem tanto)

Meu filho mais velho, o Lucas, é danado. Atribuem a mim a culpa, pois, durante a gestação, eu dizia que queria um filho danado. Mea maxima culpa, então. Eu não acredito nessas coisas, mas, por via das dúvidas, durante a gestação da Giulia fiquei dizendo o tempo todo que queria uma filha bem comportadinha. E ao que tudo indica ela vai ser uma cópia do irmão, comprovando que o senso de humor de Deus só não é maior que sua infinita misericórdia.

É impressionante como todos (eu disse todos!) os clichês da paternidade são verdadeiros. Os filhos mudam completamente a vida da gente, em todos os sentidos. A maneira como sabotam as nossas rotinas é, confesso, assustadora. Sou um conservador e, como tal, sempre considerei a rotina uma coisa libertadora. Ah, que saudades eu tenho da aurora da minha vida, da minha rotina querida! Etc, etc…

Todos os pais têm alguns medos elementares no que concerne aos filhos pequenos. O meu medo essencial é me tornar uma daquelas pessoas que eu, quando mais novo (e sem filhos) detestava. Aquelas que levam os filhos pequenos pra todo tipo de lugar, sem se preocupar em perturbar quem lá está. Não é chato quando estamos no restaurante/cinema/avião e chega aquele casal: ela com o bebê no colo, ele com carrinho, moisés, bolsa, travesseiro e, por incrível que pareça, só dois braços?! Pois é, agora eu me tornei o cara chato. E é inevitável, suponho… Afinal, a gente quer passear e fazer as coisas que sempre fez. Agora eu entendo, mas continuo morrendo de medo daquele olhar de reprovação das pessoas.

Lucas fez cinco anos outro dia. Por falar em clichês, lá vai: meu bebê está crescendo. Mas é depois de ter uma recém-nascida em casa que percebemos como ele está realmente enorme – quase um “mini-adulto”. A irmãzinha nem senta ainda sozinha e ele já vai pro banho e escova os dentes sozinho! Dá orgulho? Claro que dá! Mas eu quero meu bebê de volta!

Ele disse que tem cinco anos, mas que ainda quer colo. E que ainda é o nosso bebê.

E aquelas pessoas que tentam afetar cumplicidade? Sujeito vê você tentando desesperadamente calar o bebê em público e já chega: “É cólica? Complicado… Os meus tiveram. Sabe o que você faz?” MEU AMIGO, PRIMEIRAMENTE SAI DE PERTO DE MIM! VOCÊ TÁ CHAMANDO MAIS ATENÇÃO AINDA, DESGRAÇADO!

Confesso que acho estranho essa gente que tenta fazer amizade do nada, puxando papo onde quer que esteja. Ok, o problema pode ser comigo, confesso. Mas não perco a esperança de ser uma alma lúcida atormentada por esse mundo de pessoas simpáticas.

Um sujeito aqui da minha cidade resolveu dar a maior contribuição civilizacional para o povo daqui, desde a chegada da palavra escrita. Falei rapidamente (bem rapidamente) a respeito lá no facebook: http://goo.gl/QIIBSA

Quando a vida faz sentido.

Lembro quando meu primeiro filho, Lucas, nasceu. Eu contei aqui na época, alguns dias depois da chegada dele (quando a reviravolta causada pela nova rotina começava, então, a ficar sob controle).

Hoje completam-se dez dias que Giulia está conosco. E eu, cinco anos mais velho, me sinto novamente apanhado pelo furacão que a chegada de uma criança traz. Por um período me iludi achando que seria tudo mais tranquilo, afinal já passamos por isso antes. Que nada! Há momentos em que me pego ainda mais ansioso do que no passado (ou do que me lembro do passado…), sendo um clichê ambulante que encosta a mão no peito da filha pra “sentir a respiraçãozinha”.

O milagre da vida sempre nos surpreende, de uma forma ou de outra. E a chegada de Giulia às nossas vidas permite redescobrir até o “meninão” da casa, que ainda é pouco mais que um bebê. Lucas está um legítimo big brother, querendo abraçar, brincar, beijar a irmãzinha. Ter de novo um bebê em casa serve para mostrar como o Lucas já está grande. E isso também assusta, porque (e lá vamos nós em busca de outro clichê) o tempo passa aparentemente ainda mais rápido do que imaginamos. E começa a dar saudade de tudo o que já vivemos com ele e que agora vamos começar a viver – de novo, mas de uma forma diferente – com ela.

E vem aquela adrenalina decorrente da insegurança: “será que eu consigo ser um bom pai pros dois?” Acho que é inevitável se perguntar essas coisas… Ser pai é descobrir que os clichês são todos verdadeiros. E que a rotina é uma coisa libertadora! Por falar nela, é hora de eu cuidar da mais nova integrante da nossa família. 😉

Daily Vídeo #3 (11/08/2013) – Lucas e meu presente de dia dos pais

Sim, estou feliz e sorridente como o mais babão dos pais. 🙂

Lara está em casa.

Há quem diga que o mundo de hoje afasta as pessoas e torna a vida mais mecanizada. Eu discordo. Conheci muitos amigos graças à internet, uma das maiores faces da modernidade. Foi por poder me conectar com qualquer parte do país e do mundo, sem sair de casa, que conheci a Lara.

Lara é a filha do Diego e da Thati. E vocês hão de me perdoar por não saber dizer muitos detalhes sobre a vida deles. São amigos de internet, desses que a gente conhece num repente e começa a trocar mensagens e compartilhar experiências. Vocês sabem como funciona esse mundo: quando percebemos, já nos sentimos próximos das pessoas, mesmo sem nunca tê-las encontrado pessoalmente. Assim é com o Diego, com a Thati e com a Lara.

Lara, como toda filha, estava sendo amada e esperada desde o primeiro momento. E ela parece ter amado tanto a família, que decidiu chegar mais cedo. Muito mais cedo… Lara nasceu prematura, com 24 semanas e pouco mais de 500 gramas. Precisou passar quatro meses na UTI, enquanto terminava de ser “gestada fora do útero”. Espero que ela me perdoe a simplicidade do resumo: não cheguei nem perto de conseguir relatar a força e a intensidade com que essa pequena guerreira lutou pela vida.

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Foi assim que eu conheci a Lara, lendo os relatos emocionantes do pai dela, o Diego. Cada dia uma nova vitória, um novo passo no caminho para conseguir aquilo que todos os pais esperam: levar o filho para casa. Algo que, agora, parece tão simples, tão óbvio, tão natural…

Hoje, que a Lara está indo pra casa, as provações que ela e a família enfrentaram parecem até pequenas. Mas estarão para sempre na lembrança de quem, mesmo sem conhecê-los de perto, viveu esse período com eles. E não foram poucos os que, como eu – meros desconhecidos -, passaram a acompanhar os relatos do Diego diariamente, incorporando-os à própria rotina. Tenho certeza que muita gente chorou de emoção com eles a cada nova conquista. Eu sei, porque eu mesmo chorei várias vezes. Como agora, que a Lara está a caminho de casa.

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Hoje, eu quero agradecer a Lara, o Diego e a Thati. Agradecer por terem permitido que eu, um desconhecido, fizesse parte da história deles aqui de longe, lendo sobre a pequena guerreira que queria muito viver. E que conseguiu! Quero agradecer o exemplo de fé, de perseverança e de ternura deles, que me ajudaram a ser uma pessoa melhor hoje.

Não sei qual é o termo certo para definir a experiência que vivi acompanhando a história da Lara e dos pais dela. Eu prefiro chamar de milagre, porque não me atrevo a compreender. Apenas agradeço muito e desejo, do fundo do coração, que ela tenha uma ótima vida ao lado da família. Se depender da força de vontade dela, tenho certeza que terá.

—–

P.S.: Pra quem eventualmente não conhece a Lara, aqui está o Facebook e o Twitter do pai dela, o Diego.

Pequenos diálogos

1 – Só mais 5 minutinhos

Meu filho anda muito preguiçoso. Aliás, não! Isso não soa legal… Ele anda muito – como direi? – “sonolento”. Tirar ele da cama pra ir à escola de manhã não é tarefa fácil…

O mais novo truque inventado pra estimular ele a acordar é oferecer um pouco da “camona” dos pais, logo cedo. É assim: eu acordo um pouco mais cedo que o normal, chamo ele lá no quartinho dele e pergunto se quer ir pra “camona”, um pouco. EVIDENTE que ele quer, e isso deveria servir para dar uma quebradinha no sono…

Então hoje fui lá, às 6:30, chamei ele pra “camona”, levei no colo, coloquei ele bem no meio e avisei: “Só mais um poquinho, heim? Tá quase na hora de levantar e ir pra escola.” E ele: “Tá, só mais unzinho-zinho.”. E deitei por mais 5 minutinhos… E acordei quase 9 horas da manhã.

2 – Ficando grande

É final de tarde e eu chego do trabalho. Na sala, ele está vendo TV: pela milésima vez o mesmo desenho da “Dora aventureira” (ou poderia ser um novo, confesso…).

Já sento do lado puxando ele pro colo, abraçando e beijando. Daquele jeito que visivelmente atrapalha a importante tarefa de acompanhar o desenrolar do que ocorre na televisão. Ele resmunga, claro! Até me empurra. Ouço um “Pára, papai!”. Não paro. Insisto… Falo que “nada vai nos separar”, e aperto ele bem forte.

Ele – finalmente – se solta. Vai pro canto oposto do sofá. E 30 segundos depois fala: “Eu acho que vai sim…” – algo, nos separar – “Porque eu  crescendo.”

Dúvida: a psicologia me permite entrar em pânico ao ouvir um menino com menos de quatro anos falar assim?!

3 – Amor próprio

“Filho, a sua festinha de aniversário na escola tá chegando! Você vai querer de qual tema?”

“De super herói.”

“Tá. Mas qual? Homem-aranha, Hulk, Capitão América… Qual?”

“Não.”

“Não?”

“Não. Quero do super herói Lucas.”

“Você é o super herói Lucas?”

“Sim.”

“Tá bom.”

Que ele continue com esse amor próprio pelo resto da vida.

O emblema do super herói Lucas até ficou bem bonitinho. 😉

3 +1 = MUITO MAIS AMOR!

Tô há dias meses pensando que o blog anda parado demais, quase morto, sem movimento nenhum… Nenhum assunto parece suficientemente importante pra vencer a preguiça de escrever e, quando é assim, melhor nem escrever mesmo.

Mas aí eu descubro que dentro de mais ou menos 8 meses lá em casa não seremos mais só três, e pronto: imediatamente todo o resto passa a ser desimportante. Ano eleitoral? Trabalho? Política brasileira? Esporte? Nah… Como levar essas coisas pequenas a sério, quando se sabe que tem mais um bebê a caminho?! Nem a crise mundial preocupa mais, apesar da iminente redução em 25% da renda per capita familiar…

A parte boa é que o amor per capita sempre aumenta numa proporção maior. E agora é tudo novode novo. Agora não somos mais um casal esperando um bebê, pois temos o Lucas conosco, esperando o primeiro (a primeira?) irmãozinho (irmãzinha?).

É aquele clichê: se não temos mais os medos e as ansiedades que tínhamos da primeira vez, mas teremos muitas outras; novas. Por isso a vida é fascinante.

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Update: Daí que a natureza prega uma peça na gente e as coisas repentinamente não serão como gostaríamos que fossem. Acontece… 😦