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Datafolha: por que a pesquisa é ruim pro PT?

Foi o que me perguntaram mais de uma vez no twitter, depois que comentei que Dilma e João Santana passariam o final de semana sem dormir, por conta dos números trazidos pelo mais novo levantamento do Datafolha. Ora, mas se Dilma continua – como é mesmo? – “vencendo no primeiro turno em todos os cenários”, por que o PT deveria estar preocupado?

Antes de mais nada, é importante lembrar mais uma vez algo que já falei aqui outras vezes: intenção de voto, a esta altura dos acontecimentos, quer dizer muito pouco ou quase nada. Um exemplo rápido: em abril 2010 quem liderava todas as pesquisas era José Serra. E nós lembramos como as coisas terminaram então…

Na verdade, o brasileiro médio só sente que a eleição começou mesmo quando muda o horário da novela (isto é, quando começa a propaganda na TV). Numa eleição como a deste ano, que será antecedida por uma Copa do Mundo no Brasil, é natural que a população comece a dar mais importância pro processo eleitoral só lá pelos idos de julho ou, vá lá, agosto. Será, pois, uma eleição de tiro curto.

Por que os números do Datafolha são relevantes e, mais que isso, por que assustariam os petistas? Explico os quatro pilares a partir dos quais pode ser construída a derrota de Dilma:

1) Só 36% aprovam o governo Dilma

Notem que a laje da Dilma trincou em junho passado, com os protestos nas ruas. Ensaiou-se, então, uma recuperação que… não se consolidou! Aqueles 65% de aprovação que ela tinha em março de 2013 não voltaram e não parece que possam voltar tão cedo. Vou além: a aprovação da presidente hoje, bem como a nota média atribuída ao governo dela, são muito semelhantes àquelas dadas em junho passado, quando – repito – o povo estava nas ruas. Aqui a coisa já tá assim sem nem protestos ainda…

2) Dilma decepcionou o povo brasileiro

Pra quem foi eleita só por ser apadrinhada de Lula e apresentada por ele como “a mãe do PAC” e um “excepcional quadro técnico”, Dilma está decepcionando demais o povo brasileiro. Nada menos que 63% acham que ela fez menos que o esperado pelo país. Isso é uma enormidade! E a tragédia para Dilma, nesse particular, é que ela está sofrendo a comparação direta com Lula, ou seja, está sendo rejeitada por quem confiou nela em 2010, atendendo a um pedido feito pelo ex-presidente.

3) Aprovação a Dilma cai em todas as regiões

Notem no gráfico acima a situação de Dilma no nordeste. Na região que sempre deu ao PT suas maiores votações, Dilma é aprovada por apenas 51%. É muito pouco. Lula já teve mais de 80% lá. A própria Dilma já esteve acima dos 70% naquela região. Esses 51% de aprovação no Nordeste, ouso dizer, tiram mais o sono do PT que os modestos 28% obtidos no Sudeste: a fortaleza petista foi derrubada.

4) O sentimento instalado é de mudança

Nada menos que 72% esperam que o próximo presidente seja diferente de Dilma. Isso não é uma bomba na campanha do PT: é um ataque termonuclear inteiro! Olhem lá, à esquerda, como esse índice é semelhante ao de 2002 (ano em que houve uma eleição de mudança também).

Isso não quer dizer que Dilma já perdeu e a oposição vencerá por gravidade. Nenhuma eleição se vence de véspera: é preciso construir bem o discurso e a campanha, principalmente na TV. Mas é inegável que, pela primeira vez desde 2002, o sentimento estabelecido na sociedade é de mudança. E isso é péssimo pra quem está no poder, tentando a reeleição.

Some-se a isso o fato de que os dois principais adversários de Dilma ainda são muito desconhecidos do eleitorado (Aécio é conhecido por cerca de 75%, Campos por 66%) e estão postas as condições para derrotar o PT. O que falta ainda é disparar o gatilho que fará esse eleitor ávido por mudança identificar na oposição o caminho para chegar a ela. A partir do momento que isso ficar estabelecido, será inevitável que se chegue, primeiro, ao segundo turno e, segundo, à derrota de Dilma.

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Dilma relativiza o horror na Venezuela em nome das “conquistas sociais”. É o PT provando de novo que tem assassinos de estimação.

Dilma decidiu falar sobre o caos social que se instalou na Venezuela, fruto do inevitável desastre que o tal socialismo bolivariano produziria:

Para o Brasil, é muito importante que se olhe sempre a Venezuela do ponto de vista dos efetivos ganhos que eles tiveram nesse processo em termos de educação e saúde para o seu povo.

A declaração de Dilma é vergonhosa, nojenta e criminosa! A desenvoltura com que Dilma – uma pessoa que diz ter sofrido nas mãos de um Estado totalitário – relativiza a barbárie produzida pelo bolivarianismo em nome das supostas conquistas sociais da revolução é ultrajante.

Dilma me lembra, com a fala acima, aqueles velhinhos italianos que, nos bares, enquanto bebericam um café, gostam de elogiar o governo Mussolini porque “ninguém nunca construiu tantas escolas quanto ele!” Ela me lembra também os néscios que gostam de elogiar os anos da ditadura brasileira, repetindo aos quatro ventos que “o país nunca cresceu tanto como nos governo militares!”

E que se note: ainda que existissem conquistas sociais louváveis na Venezuela (aguardo UMA fonte não ligada ao governo de lá que confirme isso), isso em nada mudaria o fato de que há atrocidades sendo praticadas pelo Estado totalitário comendado por Nicolas Maduro. Indicadores sócio-econômicos não funcionam como tribunal: não podem absolver um governo assassino.

“Brasil reza a São Pedro para resolver crise de energia.”

A matéria abaixo é da revista The Economist e foi repercutida em toda a empresa brasileira e mundial hoje. Ela ilustra bem o desastre que é o governo da ~gerentona~ Dilma:

O governo do Brasil parece estar pedindo chuva a São Pedro para resolver os problemas de energia do país, diz a revista britânica The Economist na edição desta semana. “Rezar para São Pedro não é uma política do setor de energia. Mas parece que é o que o governo está fazendo ao contar com a chuva para resolver a crise do setor elétrico”, diz a publicação.

Aproximadamente 80% da eletricidade do Brasil é proveniente de hidrelétricas, lembra a semanal. Normalmente, os reservatórios do país são preenchidos durante a temporada de chuvas no país, de dezembro a março. Mas, neste ano, “São Pedro pulou o Brasil”. Janeiro de 2014 foi o segundo mais seco em 80 anos.  Os reservatórios estão se esgotando e o consumo de energia aumentando, com os brasileiros passando por um dos verões mais quentes em muitos anos.

A publicação sugere que, além do calor e da falta de chuva, a atual crise do setor é reflexo das ações do governo, e destaca a promessa da presidente Dilma Rousseff de reduzir as contas de energia em um quinto.

“Para isso, ela ofereceu renovar as concessões que iriam se expirar entre 2015 e 2017, com a condição de cortes nas tarifas, tornando mais barata as contas de famílias, indústrias e pequenas empresas”, diz.

O consultor Arthur Ramos, da Booz & Co., ouvido pela revista, disse que “ninguém sabe realmente o quanto de energia está garantida” e que o governo brasileiro não deve descartar a possibilidade de racionamento, especialmente com a previsão de alta da demanda na Copa do Mundo neste ano.

A presidente, de acordo com a Economist, não deve faltar com a palavra e deixar os preços de energia subirem. Isso conteria a demanda e pressionaria a “já alta” inflação. Além disso, prejudicaria nos votos para as eleições deste ano. “Por outro lado, ela não quer uma reprise das eleições de 2002. Está nas mãos de São Pedro”, diz a revista.

Enquanto a crise energética do Brasil ocupou páginas do miolo da respeitada revista, a crise Argentina está estampada na capa da semanal. 

Segundo a publicação, o país, que já foi visto como promissor, é, mais uma vez, foco do nervosismo com emergentes.

O caos argentino, segundo a publicação, é fruto da incompetência da presidente Cristina Kirchner, que sucedeu a uma série de “populistas economicamente analfabetos”, desde antes de Juan e Eva Perón. 

A lição que deve ser aprendida com a Argentina é que um bom governo importa. “Pode ser que essa lição tenha sido aprendida. Mas há chances de vermos, daqui cem anos, outra Argentina: um país de futuro que ficou preso no passado”, diz a revista.

Eu leio isso e lembro de Lula, na TV, falando que ela era um “excelente quadro técnico”. E muita gente acreditou em mais essa mentira do PT.

Desconstruindo Guido Mantega em cinco passos.

Em artigo publicado hoje, na Folha de São Paulo, o senador Aécio Neves mostra como destroçar os argumentos de Guido Mantega em apenas cinco passos:

Ao antecipar o anúncio do cumprimento do superavit primário, na sexta-feira, o ministro Guido Mantega agiu como aquele chefe que gosta de contar uma piada para desanuviar um ambiente carregado. Todo mundo dá uma gargalhada forçada, por obrigação, a reunião termina, as pessoas vão embora, mas os problemas continuam sobre a mesa sem qualquer solução à vista.

Com base apenas em fatos recentes, preparei aqui uma lista resumida de cinco motivos para que o ministro possa entender por que os brasileiros estão “nervosinhos” com a situação da economia.

1) Fragilidade no superavit primário: o resultado foi atingido com ajuda de receitas extras, como o bônus da privatização do campo de petróleo de Libra, que não vão se repetir em 2014, tornando o equilíbrio fiscal ainda mais duro de ser alcançado ao longo do ano.

2) Queda na balança comercial: divulgados na última semana, os números da balança comercial brasileira tiveram o pior desempenho em 13 anos.

3) Desvalorização da Petrobras: para tristeza da memória de tantos nacionalistas que se recordam da campanha “O petróleo é nosso”, em 2013 a estatal foi a empresa de capital aberto que mais perdeu valor de mercado em termos nominais, segundo a consultoria financeira Economatica. Em apenas três anos, o governo Dilma conseguiu a façanha de reduzi-la a menos da metade do seu valor. Entre os motivos, está a gestão orientada para render dividendos políticos ao Partido dos Trabalhadores.

4) Recorde na carga tributária: enganou-se quem acreditava que a situação dos impostos no Brasil não podia mais piorar. A Receita Federal divulgou a carga tributária de 2012, que bateu mais um recorde e chegou a 35,85% da renda nacional.

5) PIB em baixa, inflação em alta: a bravata do “pibão” na casa dos 4%, prometidos para 2013, deve acabar reduzida a um humilde “pibinho” abaixo de 2,5%. Além disso, o ano de 2013 ficará conhecido como aquele em que a inflação, de péssima lembrança, voltou a assombrar as feiras e os supermercados.

Essa é a realidade que as autoridades se recusam a admitir publicamente.

Em junho, a presidente Dilma Rousseff acusou a oposição de agir como o Velho do Restelo, personagem de Camões que representa o pessimismo. A economia, entretanto, continuou à deriva. Agora, a presidente reclama de uma suposta “guerra psicológica”, “capaz de inibir investimentos e retardar iniciativas”. Já para o ministro Guido Mantega, são os “nervosinhos” que atrapalham o sucesso dos planos formidáveis do governo.

As crianças costumam ter amigos imaginários. Os petistas cultivam os inimigos imaginários. Assim, fica mais fácil livrar-se das responsabilidades para as quais foram eleitos.

Ministro da Justiça usou sua posição para atacar a oposição ao governo Dilma.

Certa vez, em uma crônica espetacular, Diogo Mainardi disse que para compreender um escândalo na política brasileira é preciso sempre procurar o petista envolvido. Ele estava certo, como sói.

O escândalo da vez, apesar de surgir como novidade, nada mais é que a reiteração daquele que, a meu juízo, é o principal objetivo do PT desde que chegou ao poder, em 2002, com Lula: investir contra os alicerces democráticos a fim de submeter o Estado aos interesses do partido. O PT tem feito isso com grande sucesso e sob o olhar cúmplice da maior parte da imprensa nacional, acuada pela cantilena recorrente da “imprensa golpista”.

José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça, é um dos homens de confiança de Dilma, que funciona como conselheiro político e pessoal da presidente desde a campanha eleitoral de 2010. Titular de um dos mais importantes cargos do Estado brasileiro, Cardozo não viu problemas em diminuir a cadeira que ocupa a fim de atacar, com interesses puramente partidários e eleitorais, o principal partido de oposição ao PT. Descoberto, o ministro confessou a empreitada com a desenvoltura de quem diz “bom dia”. E, o que é mais assombroso, continua no cargo mesmo depois disso. Vejam em detalhes abaixo:

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu hoje a VEJA, por meio de sua assessoria, que foi ele quem repassou à Polícia Federal o depoimento atribuído a um ex-executivo da Siemens que acusa a cúpula do PSDB em São Paulo de envolvimento com o cartel que operava em licitações de trens e metrô no estado.  A informação desmente a versão da PF, subordinada ao Ministério da Justiça, que até então atribuía a origem do documento ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. Revelado na quinta-feira, o depoimento envolveu pela primeira vez políticos da cúpula do PSDB nesse caso.

No documento, supostamente elaborado pelo ex-executivo da Siemens Everton Rheinheimer, que trabalhou na empresa por 22 anos até 2007, o autor diz ter provas do envolvimento dos políticos, sem no entanto apresentá-las. “Tenho em meu poder uma série de documentos (originais) que provam a existência de um forte esquema de corrupção no estado de São Paulo durante os governos [Mário] Covas,[Geraldo]  Alckmin e [José] Serra e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa dois do PSDB e do DEM”, disse. Em troca das informações, Rheinheimer teria pedido ao destinatário do texto um cargo na direção da Vale.

“O acordo que proponho a seguir não tem nenhum risco, mas envolve minha indicação para uma diretoria-executiva da Vale no médio prazo”, diz o ex-executivo. Como é sabido, nem o Cade nem a Polícia Federal e nem Ministério Público têm o poder de fazer nomeações para a mineradora. Essa prerrogativa é dos acionistas da ex-estatal, incluindo o governo federal — que detém 5% das suas ações — e representantes do partido do governo com influência na empresa.

(…) A VEJA, a assessoria do ministro informou que ele costuma receber denúncias e encaminhá-las aos órgãos responsáveis. Não explicou, no entanto, por que ele passou a semana inteira em silêncio enquanto se discutia a origem do documento, atribuída ao Cade. Cardozo admitiu que foi ele quem passou o depoimento à Polícia Federal depois de questionado pela reportagem da revista.

O que lemos acima é de uma gravidade espantosa e, num país minimamente civilizado, renderia não apenas a demissão do Ministro da Justiça, mas uma investigação destinada a apurar as evidentes ilegalidades promovidas por ele no exercício do cargo que ocupa.

Em síntese, temos que alguém entra em contato com um ministro do governo petista prometendo um documento contendo denúncias contra nomes do PSDB – principal adversário do PT – e pedindo, em troca da tal informação, um cargo na Vale. E o que fez José Eduardo Cardozo diante de tal situação? Deu eco à história, em vez de investigar quem estaria se propondo a incriminar terceiros em troca de um emprego.

Trata-se não apenas de uma conduta imoral de Cardozo, que já deveria estar na rua a esta altura dos acontecimentos, como de um episódio que concorre para aviltar a instituição que ele representa; a cadeira que ele ocupa. Até por isso, acertadamente, a oposição já mostra que está disposta a jogar dura e cobra explicações:

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), provável candidato à Presidência em 2014, disse neste sábado (23) que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deve explicar sua participação no encaminhamento da denúncia contra tucanos no caso Siemens.

O Ministério da Justiça apresentou uma nova versão sobre a origem da denúncia do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, que acusa autoridades e ex-autoridades do governo de São Paulo de receber propinas.

Segundo a nova versão, o documento foi entregue ao gabinete do ministro por Simão Pedro, deputado licenciado do PT e secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo.

“O ministro precisa esclarecer de forma clara qual foi sua participação nesse processo. Isso é extremamente grave. Estamos assistindo no Brasil o uso de instituições do Estado para fins políticos”, disse Aécio, ao chegar ao Congresso do PPS do Rio. (…)

Espero que, além da oposição política ao PT, as autoridades republicanas encarregadas de zelar pela ordem democrática e pelo Estado de direito também cobrem explicações de Cardozo. O aviltamento das instituições públicas em nome dos interesses particulares do PT mostra que o grau de envenenamento da democracia brasileira é mais grave do que se poderia supor. E, definitivamente, não pode continuar.

UPDATE: E agora o ex-diretor da Siemens nega as delações que lhe foram imputadas por Cardozo. Terá o Ministro da Justiça do PT inventado tudo? Considerando o passado aloprado dessa gente (ainda mais às portas de uma eleição), não seria de se estranhar…

Sonho da casa própria vira pesadelo

Lembram da Dilma indo sem parar a Minas Gerais nos últimos meses? perdi a conta de quantas viagens ela fez ao estado, com o claro objetivo de tentar construir espaço na casa do Senador Aécio Neves, que desponta como principal adversário do PT para 2014. Dilma poderia ter aproveitado algumas dessas idas a Minas para entregar algum resultado concreto aos mineiros, mas fica difícil quando um dos principais programas do governo federal se mostra um fracasso, capaz até mesmo de colocar em risco a vida das pessoas:

Era uma casa muito sonhada, mas não tinha laje, não tinha muro, não tinha piso, não tinha quintal, não tinha privacidade, não tinha graça, não tinha nada. E o que é pior: pegava fogo. Podia ser apenas uma paródia da música do poeta e compositor Vinicius de Moraes, mas é a realidade vivida hoje pelas famílias do conjunto habitacional Shopping Park, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, empreendimento de R$ 144 milhões, financiado pela Caixa Econômica Federal (CEF) com recursos do programa federal Minha casa, minha vida e erguido sob a responsabilidade da prefeitura. A reportagem do Estado de Minas percorreu a pé durante um dia inteiro o conjunto – inaugurado durante a gestão do ex-prefeito Odelmo Leão (PP) em 2011–, que abriga 3.632 famílias de baixa renda, todas numerosas, com muitas crianças e portadores de deficiência.

Os problemas são muitos e as reclamações generalizadas. Para começar, as casas, geminadas, não têm parede até o teto. Elas acabam num forro – não há laje –, o que faz com que o vizinho escute tudo que se passa ao lado. Em algumas delas, o quintal é desnivelado, com barrancos de até quatro metros de altura, impossibilitando o uso do terreno pelas famílias. O forro no interior cobre todo o teto e esconde a rede elétrica, que, segundo os moradores, é feita de material de baixíssima qualidade. Em muitas residências, as lâmpadas não se acendem ou  se aquecem demais e queimam com frequência. Das tomadas e do chuveiro saem fogo, a energia cai quando mais de um aparelho elétrico é ligado ao mesmo tempo e há muitos relatos de pequenos incêndios. As caixas de energia não têm tampas e a fiação está exposta.

Pelo menos quatro residências do conjunto já pegaram fogo este ano. Uma delas, em 23 de setembro. O dono da casa, William Bonifácio, contou à imprensa que o fogo começou no quarto onde os seus três filhos dormem. Por sorte, ninguém se feriu, mas ele perdeu móveis e eletrodomésticos. “Acredito que o fogo tenha começado no alto da casa e algo de plástico pingou atrás do guarda-roupa. Também queimou parte da fiação do quarto”, afirmou.

No caso mais grave, em 12 de setembro, uma idosa de 78 anos, Célia de Jesus Silva, morreu asfixiada. Sua casa está fechada desde o incêndio, mas por uma fresta no muro é possível ver o estado em que o imóvel ficou. Do lado exterior não há nenhum sinal de fogo ou fumaça, mas é possível ver de longe que o forro do teto da casa derreteu completamente e alguns fios estão pendurados. Como todas as casas são geminadas, o fogo atingiu a residência ao lado, também fechada desde então.

O medo de novos incêndios ronda as famílias, principalmente as que têm filhos pequenos ou idosos e doentes. O Corpo de Bombeiros de Uberlândia ainda não concluiu o laudo sobre as causas do fogo, mas para os moradores o problema é a instalação elétrica feita pelas construtoras responsáveis pela obra, Marca Registrada, El Global, Emcasa e Castroviejo. Até mesmo uma audiência pública na Câmara de Uberlândia foi realizada para tratar desse problema específico. Semana passada todas as empreiteiras foram denunciadas, juntamente com a prefeitura e a CEF, pelo procurador federal Cléber Eustáquio Neves, em uma ação civil pública que pede reparação imediata dos problemas do conjunto habitacional e a proibição para que projetos similares ao do Shopping Park sejam implantados em outras localidades.

Em sua ação, o procurador classifica as residências como “arremedo de casas” e afirma que elas não têm o “mínimo padrão de dignidade e não observam regras técnicas de construção definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), fator decisivo para o rebaixamento do nível de vida das famílias do conjunto”. O procurador também pede a implantação imediata no local de serviços essenciais. No conjunto só existe uma escola municipal e uma creche, ambas com capacidade reduzida. “Esses arremedos foram inaugurados com grande pompa pelos políticos locais sem que existissem no local escolas, postos de saúde e outros equipamentos sociais.”

As casas têm cerca de 40 metros quadrados de área construída e teriam custado às empreiteiras R$ 39,7 mil cada. Elas foram financiadas pela CEF em 10 anos com prestações subsidiadas que variam de R$ 50 a R$ 160. Os lotes onde foram construídas as residências pertenciam à iniciativa privada e foram adquiridos pelas empreiteiras. A prefeitura foi a responsável pela seleção das famílias, vistoria para a liberação de habite-se e também pela execução das obras de pavimentação da via de acesso ao conjunto e da implantação da adutora de água e da estação de esgoto, obras que, segundo a atual gestão, custaram aos cofres públicos cerca de R$ 1 milhão.

Atenção agora!

A Caixa Econômica Federal (CEF) admitiu, por meio de nota, que 600 unidades habitacionais do residencial Shopping Park foram entregues faltando portas, pias, vasos sanitários e outros equipamentos. A justificativa do banco é que o conjunto foi invadido na fase de assinatura dos contratos e que temendo novas invasões os proprietários se mudaram para as residências. Inauguradas há cerca de dois anos, muitas das casas continuam sem os equipamentos, mas de acordo com a CEF isso será resolvido este mês. (…)

Eis aí mais um programa apenas de fachada do governo federal. Mais uma peça publicitária vendida como grande realização da “gerentona”, que termina por destruir não só o sonho da casa própria, mas até mesmo a vida de pessoas.

P.S.: A íntegra da notícia pode ser lida aqui: http://goo.gl/a0rjEO

Eles não toleram as liberdades e financiam quem investe contra elas.

Vejam o que vai abaixo, publicado no Portal Nacional:

Relatório da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), mostra que, de outubro de 2012 a setembro deste ano, foram registrados 136 casos de ameaças, atentados e agressões, censura judicial e assassinatos contra jornalistas no exercício da profissão. Um crescimento de 172% em relação aos 50 casos verificados nos 12 meses encerrados em setembro de 2012.

Para Diego Escosteguy, editor da revista Época e comentarista da rádio CBN, os números da Abert refletem a violência que existe em nosso cotidiano, assim como a fragilidade do valor da liberdade de expressão no país. Para Escosteguy, esses dois fatores ganham nova dimensão com o discurso de blogueiros petistas: “O ódio a imprensa, que permeia o discurso de blogueiros petistas e é replicado por black blocs na internet e nas ruas, demonstram esses dois traços. Então a gritaria histérica contra a imprensa profissional acaba estimulando um ambiente de intimidação dos jornalistas, que toma forma e violência nas ruas”.

O Brasil está entre os países mais perigosos para o exercício da profissão de jornalista, que lida com a questão social da violência, com a política de coronéis no interior do país e agora com o novo fenômeno de incitamento feito pela internet. “Esse ambiente de ódio que é incitado de forma proposital por blogueiros financiados pelo governo na internet, cria um ambiente muito ruim para o exercício da profissão”, afirma o comentarista da CBN.

O discurso do ódio na internet ficou evidente durante a visita da blogueira cubana Yoani Sánchez, que evidenciou que o PT incitava atos de violência contra jornalistas, sob o comando do presidente nacional do partido Rui Falcão e com as declarações do ministro Gilberto Carvalho, que avisava que o bicho vai pegar” e que a “violência está no ar”.

Nas manifestações, o que se via claramente era uma hostilidade declarada à cobertura feita pela imprensa, que era agredida tanto por policiais, quanto por manifestantes. Foi o caso do repórter da Globo News, Júlio Molica, que foi duplamente atingido durante as manifestações no Rio de Janeiro: pelo spray de pimenta da PM e por chutes de manifestantes, que tentavam expulsá-lo do local.

Diego Escosteguy se mostra mais uma vez um jornalista valente, que não se deixa intimidar pelo patrulhamento. E olhem que não é de hoje que os blogprog financiados pelo petismo para demonizar adversários e alimentar o discurso do ódio odeiam o repórter da Época. Basta lembrar o quanto espumaram, na internet, depois que ele revelou o novo mensalão do PT...

Aqui um comentário do Diego, na rádio CBN, complementar ao que vai acima. Vale que todos ouçam, pois diz muito sobre a natureza dessa gente, para quem o jogo democrático não existe: eles não toleram o contraponto dos adversários. Preferem eliminar todos os que lhes são contrários.

Mesmo depois de uma década no poder, não deixa de ser assustadora a desenvoltura com que o PT avança contra as liberdades individuais democráticas, tentando calar toda e qualquer voz que lhe é contrária. Vale lembrar que condescender com o autoritarismo, qualquer que seja o grau em que ele é exercido, é abrir as portas para a barbárie.