FAQ

Alguns leitores do blog (desde o primeiro, o “Construindo o pensamento”) sempre fazem (as mesmas) perguntas sobre minhas posições acerca de algumas questões políticas, econômicas, ideológicas e afins. A culpa talvez seja minha, afinal o blog não tem (ainda) uma seção onde sejam expostas, genericamente, as características e preferências deste vosso criado. Bom, aqui estou pra tentar sanar as dúvidas mais frequentes:

Quem é você, afinal? Onde mora, no que trabalha, estudou o quê? Conta aí!

Moro em Macapá, no Amapá. Um lugarzim no extremo norte do Brasil onde não há sequer as coisas mais básicas inerentes à civilização ocidental, tais como hospitais e escolas de qualidade, lojas do Subway Burger King, ou mesmo meio-fio.

Me formei em Direito (grandes merda!) pela universidade federal daqui (grandes merda!), e trabalho na área. Evidentemente que não direi onde, afinal entre os leitores gente-boa que aparecem por aqui, também há alguns stalkers sinistros, desses que podem acabar matando os ídolos…

Qual a sua ideologia?
Eu acredito na supremacia do indivíduo sobre as coletividades, num Estado pequeno, na iniciativa privada, no sistema de liberdades individuais e na democracia representativa. Isso está comumente mais associado à direita liberal, mas esse é um conceito genérico demais. Há, por exemplo, desde liberais clássicos, até libertários modernos. Complicado ficar rotulando…

O que você pensa sobre aborto, drogas, pena de morte e eutanásia?
Sou contra: o aborto, a pena de morte, a eutanásia e a descriminação das drogas. Isso porque defendo de forma intransigente o direito à vida. Mais que isso: defendo que nenhum homem – e nenhuma sociedade – pode dispor da vida humana, nem decidir quando ela começa ou termina. Tudo isso acabaria fazendo de mim um sujeito conservador, mas de novo teríamos uma rotulagem excessivamente genérica. Querem ver? Vamos à próxima questão.

Você é a favor do casamento homossexual?
Sou a favor da união civil de homossexuais. Casamento? Bom, o que se entende por isso? Sou contra a edição de uma lei que obrigue as igrejas a reconhecer uniões homossexuais, porque bem… defendo que cada um é livre pra acreditar no que bem entende. Os homossexuais querem estar juntos e ter direitos de casal? Acho justo. Mas não se pode obrigar que religiosos concordem com isso, da mesma forma que não se pode obrigar os homossexuais a concordar com os religiosos. Cada um vive como bem entende, respeitando os demais – e respeitar é bem diferente de aceitar ou concordar.

Você tem religião? Qual?
Sou católico apostólico romano. E gosto de dizer que sou também “papista”: reconheço que minha igreja tem um líder espiritual, e que as palavras dele devem ser conhecidas, respeitadas e ouvidas. Reprovo aquilo que chamo de “neopentecostalismo católico”, praticado por movimentos como Renovação Carismática e Shalom, que praticamente transformaram a Santa Missa numa “aeróbica de Jesus”. Costumo dizer que se fosse obrigado (e não sou, que fique claro!) a escolher entre a Opus Dei e as “missas dançantes” do Padre Marcelo, ou do Padre Fábio, ficaria com aquela.

O que você pensa sobre financiamento público de campanha, voto distrital e demais faces da chamada reforma política?
Concordo com o voto distrital, pois ele aproxima o eleito dos seus eleitores, e torna a atuação parlamentar mais prática. Sou radicalmente contra o financiamento público das campanhas. Primeiro por razão ideológica: não acho que seja função do Estado usar o nosso dinheiro para sustentar campanhas eleitorais. Segundo porque não há a mais singela evidência de que o financiamento público acabaria com o privado. Pelo contrário: uma vez aprovado o financiamento público, todo financiamento privado aconteceria “por baixo dos panos”. Um caos!

O principal, porém, ninguém discute quando se fala em reforma política. Defendo o fim do cargo de vice para o Executivo, e dos suplentes para o Senado. Defendo que um parlamentar, para assumir um cargo no Executivo, seja obrigado, antes, a renunciar ao mandato. Acredito ainda que seja necessária uma redução drástica no número de parlamentares, para diminuir o tamanho do Estado, além de se cortar substancialmente as vantagens econômicas hoje existentes.

Você é a favor das privatizações?
Sim. Defendo que quase tudo deva ser privatizado. Acredito que o Estado deva se ocupar apenas de defesa externa, segurança pública, saúde básica e de pronto-atendimento, além da educação básica. E só! Mais que isso já acho intervencionismo exagerado e, no mais das vezes, danoso – afinal o Estado não tem vocação para administrar dinheiro.

Em que pessoas você se espelha? Quais são os seus ídolos?
Em política posso dizer que admiro Lincoln, Theodore Roosevelt, Churchill, Reagan, Thatcher e Chesterton. Em economia há que se ler a Escola Austríaca, mas sempre com os pés na realidade. Mais genericamente, posso dizer que gosto de São Paulo, São Tomás de Aquino e Santo Agostinho.

Você é a favor do imperialismo? [Acreditem, recebo muito essa pergunta.]
Essencialmente, não. Para ilustrar o que digo, costumo falar que por mim nem as Grandes Navegações teriam existido: a Europa continuaria sendo “apenas” Europa; as valiosíssimas cultura e medicina do Oriente seriam cultivadas pelos orientais; e os índios americanos estariam até hoje sacrificando virgens e batendo com os pés no chão para invocar os espíritos. Assim, cada um na sua.

O que você pensa sobre o direito ao voto? Prefere o obrigatório, ou o facultativo?
Sou a favor do voto facultativo simplesmente porque não existem “direitos obrigatórios”. A minha concepção de democracia alimenta a idéia de que ao indivíduo deve ser dado, inclusive, o direito de não jogar o jogo democrático.

O que você pensa sobre o direito de ter armas, e um plebiscito sobre desarmamento?
Eu não gosto de armas. Não tenho e não penso em ter uma arma em casa. Confesso que, num mundo ideal, me sentiria mais seguro sabendo que meu vizinho também não tem uma arma, e não corre o risco de sair atirando feito um louco se algum dia o time de futebol dele levar um sapeca-ia-iá. Mas não estamos num mundo ideal, não é mesmo?

A retórica ongueira do “as armas matam” não me pega. Armas não matam ninguém. Quem mata são os indivíduos. Assim, proibir por meio de leis que civis comprem legalmente armas de fogo é tão estúpido quanto inócuo. Basta notar que países como Estados Unidos e Suíça, onde a população pode comprar uma pistola no supermercado da esquina, são infinitamente menos violentos que o Brasil, onde vigora uma das leis mais restritivas do mundo.

Proibir o comércio legal de armas sob a alegação de que isso combateria a violência é como proibir as eleições, a fim de impedir que corruptos sejam eleitos…

—–
That’s it! Mais alguma coisa? Perguntem aí, que depois respondo.

4 ideias sobre “FAQ

  1. Anônimo

    Concordo com tudo isso que você escreveu. Gostei. Você escreve o que eu penso. Mas, Macapá? Não acredito. Mas, vá lá. Abraços.

    Resposta
  2. georgeumbrasileiro

    Você parece aplicar dois pesos e duas medidas em relação à sua lógica de raciocínio para com a questão da descriminalização das drogas e a criminalização das armas. Fico curioso também sobre a sua posição em relação a drogas descriminalizadas como o álcool e o tabaco.

    Resposta
    1. yashagallazzi Autor do post

      Não acho. Sigo achando mais provável que algum viciado entorpecido me faça mal, do que alguém que possui uma arma dentro de casa, para defender a própria família de agressões injustas.

      Resposta
      1. georgeumbrasileiro

        Curiosamente seu comentário impõe condições para que o uso das armas, porém não o faz em relação ao uso das variadas drogas e seus variados efeitos. O seu não comentário sobre drogas descriminalizadas dá a impressão de que as questões no caso são mais uma questão de moral do que de coerência.
        PS: Vc nunca sofreu uma agressão injusta por alguém alcoolizado?

        Resposta

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