Em Minas, a oposição obteve sua maior votação pós-2002. E no segundo turno será um triunfo!

Abertas as urnas, tem sido recorrentes os comentários de que Aécio, por não ter sido o mais votado em Minas Gerais, seria reprovado em seu própria estado. Trata-se de uma simplificação ligeira que acaba ignorando o dado mais relevante daquela eleição: mesmo contra a ação de uma máquina de corrupção eleitoral sem precedentes, Aécio arrancou em Minas o melhor resultado para a oposição desde a eleição de 2002.

Lógico que por ter sido eleito governador duas vezes e saído do governo com mais de 90% de aprovação, criou-se uma expectativa de que Aécio seria um rolo compressor em Minas. Alguns petistas, em regozijo, linkam matérias do começo do ano onde o PSDB falava em abrir 3 milhões de votos de vantagem sobre Dilma em Minas, sugerindo que Aécio teria fracassado. Isso não passa de uma análise torta dos fatos. Abaixo vou elencar os quatro pontos que explicam o resultado da eleição naquele estado, na esperança de desfazer, de uma vez por todas, as incompreensões.

1) Previsões de véspera.

Sim, no começo do ano o PSDB trabalhava com a hipótese de vencer por larga margem em MG. Essa previsão, porém, datava de antes da tragédia que vitimou Eduardo Campos. Depois disso e da entrada de Marina no jogo, houve uma natural divisão do voto anti-PT, o que se explica facilmente quando lembramos que Marina, em 2010, teve cerca de 20% dos votos em MG. Não era, pois, nenhuma desconhecida e conseguiu arrebanhar alguns votos de oposição a Dilma que, em outra circunstância, iriam, em sua maioria, para Aécio.

2) Tropeços na campanha estadual.

Não se pode ignorar, porém, que o PSDB ficou em segundo lugar no primeiro turno em Minas. E se esse resultado tem tudo pra ser revertido na eleição presidencial, ele já definiu a eleição de Pimentel para o governo do estado. É, sem dúvida, um golpe para a oposição ao PT, mas há explicações para isso que passam longe do suposto desprestígio de Aécio em Minas.

Pimentel foi prefeito de BH por dois mandatos e, na reeleição, teve o apoio de Aécio e seu grupo político. Pesquisas qualitativas mostram que muitos eleitores optaram por reviver a dobradinha e fizeram um voto “pimentécio”, casando a eleição do petista para o governo e a do tucano para a Presidência. Isso, naturalmente, dividiu o eleitorado de Aécio – coisa que não aconteceu com o PT, que, aparentemente votou coeso em Dilma e Pimentel.

As mesmas qualis mostram que nas classes D e E de Minas muitos eleitores chegaram mesmo a achar que Pimentel era o candidato de Aécio, inclusive em razão da semelhança entre os nomes (Pimentel e Pimenta) usados na campanha. Erros de estratégia? Sem dúvida ocorreram. E, apesar disso, Aécio alavancou sua votação e a do candidato tucano nos últimos dez dias da campanha e por muito pouco não houve segundo turno para o governo de Minas.

3) Corrupção como nunca se viu.

A apertada vitória de Dilma em Minas no primeiro turno e a de Fernando Pimentel ao governo do estado foram construídas por meio de métodos escusos, dentre os quais destaco o uso nojento dos Correios (com funcionários sendo obrigados a entregar material de campanha do PT durante o horário de trabalho) e de dinheiro vivo destinado à compra de votos. Não sou eu quem diz essas coisas, mas gente do próprio PT. Vejam:

Os próprios empregados dos Correios já se manifestaram publicamente contra o uso político da instituição e da exploração das pessoas que lá trabalham.

o jatinho cheio de dinheiro apreendido em Minas, agora se sabe, tinha como passageiro um dos homens fortes da campanha de Pimentel ao governo mineiro (e que também chegou a trabalhar no ministério de Dilma, em Brasília). Não se enganem: enfrentar uma semelhante máquina de corrupção eleitoral e conseguir 39,7% dos votos, como Aécio conseguiu, é um feito enorme!

4) Melhor resultado da oposição ao PT em Minas desde 2002.

De fato, como dito anteriormente, Aécio, com seus 39,7% dos votos, conseguiu em Minas o melhor resultado do PSDB desde 2002, isto é, desde a primeira eleição de Lula. Naquela ocasião, por exemplo, Serra teve 33,6% em Minas. Quatro anos depois, Alckmin conquistou 34,8%. Já em 2010, Serra teve 30,7% dos votos.

Da última eleição para a atual, o PSDB ganhou quase 10% de votos a mais no segundo maior colégio eleitoral e terminou no limite do empate técnico. É um feito digno de nota, principalmente quando se tem em mente que Minas, com seus inúmeros municípios, é um dos estados onde pelo menos um quarto da população está ligada aos programas assistenciais do governo federal. Mesmo assim Aécio ficou a apenas 3% de Dilma no primeiro turno e, sem Marina na disputa, tem tudo para abrir uma vantagem avassaladora no segundo.

Concluindo, fica evidente que Minas funcionou, uma vez mais, como espelho do país: os votos de oposição ao PT se dividiram entre Aécio e Marina e permitiram que Dilma terminasse o primeiro turno ligeiramente à frente dos dois (3% à frente de Aécio, pra ser exato). no segundo turno, com a proximidade entre Aécio e o PSB mineiro e com o possível apoio da Rede e de Marina ao tucano, esses votos que estiveram divididos vão, pela lógica, se juntar (ao menos a maioria deles), o que dará ao mineiro uma vitória avassaladora em sua terra natal.

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Enquanto se ocupa de mentir sobre Aécio, Dilma abandona o governo e inflação supera o teto da meta.

Abaixo notícia do G1:

Depois de uma temporada de quedas, o preço dos alimentos voltou a subir e pressionou a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). De agosto para setembro, o indicador acelerou de 0,25% para 0,57%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 6,75%, acima do teto da meta de inflação do Banco Central, de 6,5%. Segundo o IBGE, é o maior índice acumulado nesse período desde outubro de 2011, quando atingiu 6,97%. No ano, de janeiro a setembro, o IPCA está em 4,61%.
A expectativa do mercado financeiro para o IPCA está em 6,32% neste ano, de acordo com o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Para 2015, a previsão dos analistas dos bancos para o IPCA ficou estável em 6,30%.
Considerando todos os grupos de despesas cujos preços são analisados pelo IBGE, o dos alimentos tiveram a maior variação. Após caírem por três meses seguidos, eles voltaram a subir, registrando alta de 0,78%, influenciados principalmente pelas carnes. O quilo do alimento subiu 3,17% em setembro.
De acordo com a coordenadora do índice de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, os preços dos alimentos, que pararam de cair no mês passado, deixaram de contribuir para a queda do indicador.
“Em setembro os alimentos pararam de cair e não contribuíram com a taxa, já que os alimentos são considerados a maior despesa do consumidor. Nesses últimos quatro meses o resultado ficou ao redor ou acima dos 6,5%, repetindo o que aconteceu em 2013 nos meses de fevereiro, março abril e maio”, disse Eulina.

Hora de união nacional das pessoas de bem deste país

Personalidades e políticos os mais diversos começaram a acenar para Aécio Neves tão logo ficou oficializado que ele iria para o segundo turno contra Dilma. Um apoio de peso que o tucano deve receber é o do PSB de Pernambuco, de Eduardo Campos, amigo pessoal de Aécio e vítima daquela inexplicável tragédia ocorrida no dia 13 de agosto. A razão é de simples compreensão: em Pernambuco o PSB tem uma identidade muito grande com a família de Eduardo, que não esconde a mágoa diante da campanha abjeta lançada por Dilma e pelo PT contra a memória do ex-governador e de Marina Silva.

A própria Marina, especula-se, pode estar prestes a declarar apoio a Aécio. O discurso dela ainda na noite de domingo deu pistas nesse sentido, principalmente quando ela frisou que “não se pode ignorar o resultado das urnas” e o “desejo de mudança”. Marina sabe que esta eleição é muito diferente da de 2010 e que o PT está sendo frontalmente rejeitado pela maioria dos eleitores brasileiros. Além disso, é muito mais fácil ela procurar pontos em comum com o programa de Aécio, do que com o terrorismo político feito pelos petistas, que a acusaram de querer entregar o país aos banqueiros.

Não bastasse isso, um grupo de intelectuais diretamente ligados a Marina e à Rede já se pronunciou em apoio a Aécio neste segundo turno. O mote é o mesmo: é hora de união nacional por um objetivo maior e mais importante. A esse grupo se juntou o governador de Pernambuco, aliado político de Eduardo Campos e o próprio irmão do ex-governador, falecido no acidente aéreo.

Os movimentos estão sendo feitos com tanta naturalidade e tão às claras, que salta aos olhos: numa política interesseira e tradicionalmente repulsiva como a brasileira, o que se vê é uma vastidão de pessoas dispostas a dar as mãos em nome de um projeto alternativo a esse modelo petista de volta da inflação, de corrupção e de assalto aos cofres públicos. Podemos, de fato, estar vendo nascer um novo tempo no país.

Enquanto o PT mente e apela pro medo, Aécio apresenta seu programa de governo para resgatar o Brasil.

É uma pena que o PT, ao ver que é rejeitado pela maioria dos brasileiros, desista de debater os problemas do país e prefira partir para uma campanha de mentiras e medo. No primeiro turno, Marina foi uma vítima desse “marketing do terror”, especializado em espalhar mentiras e ignorar os assuntos que interessam verdadeiramente ao país.

A nova cartada da campanha petista é espalhar que Aécio não tem programa de governo, que ele ignora a área social e o nordeste e que nada fará pelos mais pobres. É tudo mentira! Aécio apresentou, sim, programa de governo. Ele pode ser acessado aqui e lido na íntegra, ou tópico a tópico. Quem não apresentou programa de governo foi Dilma, porque ela… bem… não governa nada!

No programa, elaborado com cuidado por uma equipe que inclui alguns dos maiores intelectuais do país, Aécio apresenta seu diagnóstico e, mais importante, suas soluções para áreas centrais da administração pública, como segurança, habitação e esporte, educação, desenvolvimento social e trabalho. Isso só para citar alguns dos temas que mais interessam ao país. Há ainda a parte do programa que trata da saúde pública, ao combate à fome, ao combate duro ao crime organizado e, ainda, uma área exclusiva sobre o nordeste – coisa que nenhum outro candidato se preocupou em fazer.

Como o próprio Aécio já disse algumas vezes, o PT se contenta em administrar a pobreza. Superá-la de uma vez por todas não interessa a eles, porque um povo independente das ajudas oficiais do governo é mais crítico e imune às campanhas de medo. Por isso o PT não se preocupa em organizar e melhorar a Bolsa Família, mas apenas em espalhar a mentira de que os adversários – quaisquer que sejam – querem acabar com ela. É falso! Aécio já garantiu que não apenas vai manter, como transformar a Bolsa Família em programa de Estado, isto é, em algo que deixa de ser uma “ajuda dada pelo PT” e passa a ser direito de quem realmente precisa. E mais: com a criação de mecanismos que ajudem as pessoas a caminhar com as próprias pernas e conseguir sua independência financeira. Porque o melhor programa social de todos é um emprego.

Conheça você também o site do programa de governo de Aécio. Informe-se, leia mais a respeito (inclusive para cobrar depois!) e divulgue ao máximo. As pessoas têm o direito de escolher o candidato que preferirem, mas é justo que façam isso com base em verdades, não é mentiras baixas e apelativas.

Os caminhos da vitória


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Contra o prognóstico de muitos especialistas da política nacional, Aécio Neves chega ao segundo turno da eleição e o faz de uma forma que supera as expectativas dos tucanos mais otimistas. Enquanto algumas pesquisas de véspera (que vexame das pesquisas, aliás) chegavam a dar uma vantagem de mais de 20% a favor de Dilma Rousseff, abertas as urnas o que se viu é que cerca de apenas 8% separam a presidente do seu adversário direto.

Nada menos que 60% dos eleitores que compareceram disseram um sonoro “não” à candidatura do PT. Esse número sobe para mais de 70% se considerados os eleitores totais. Não há, pois, o que contemporizar: o país segue reprovando Dilma e clama por mudança. E as urnas mostraram que a pessoa escolhida para conduzir essa mudança é Aécio.

Agora é concentração total e dedicação nesses vinte dias até o segundo turno. A máquina eleitoral do PT é forte e sabe jogar o jogo eleitoral – inclusive o jogo sujo, como vimos na campanha movida contra Marina. Essa artilharia agora vai se voltar com ainda mais violência contra Aécio. É preciso estar a postos para não ficar na defensiva, não se deixar acuar.

Não há que se descuidar, também, dos arranjos regionais e dos apoios políticos. O país, como dito, quer mudança. É preciso saber atrair, com acordos republicanos e transparentes, os eleitores de Marina, por exemplo. É dirigir aos que deixaram de votar no primeiro turno um apelo em nome da urgência democrática que o país vive neste momento. Nunca o PT esteve tão ameaçado de sair do poder.

É hora de reforçar as bases em São Paulo, Santa Catarina e Paraná, onde expressivas vitórias foram conquistadas. É hora de virar o jogo em Minas e no Rio Grande do Sul, onde ficou claro que há muito mais espaço para a oposição que para o PT. É hora, enfim, de travar o bom combate, de fazer a boa política, como prega Aécio desde o começo. Mas sem perder a garra e a força que o trouxe até aqui.

A vitória é logo ali. E nós estamos prontos para ir pegá-la!

Todas as pesquisas confirmam: onda verde-amarela vem forte pra levar Aécio ao segundo turno!

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Acima estão as mais recentes pesquisas Ibope e Datafolha da corrida presidencial. Os números são um pouco diferentes entre ambas, mas as curvas se assemelham: Marina desidrata de forma constante, enquanto Aécio vai recuperando os votos perdidos depois da tragédia que vitimou Eduardo Campos. Difícil cravar quem estará no segundo turno, mas a tendência é que Aécio esteja lá.

Estou convencido disso por duas razões fundamentais: 1) Aécio tem o apoio de uma sólida estrutura partidária e conta com palanques fortes nos grandes colégios eleitorais brasileiros; 2) nas simulações de segundo turno ele alcança o mesmo patamar de Marina e está só 7% atrás de Dilma. Isso significa 3,5% na prática, já que no segundo turno é confronto direto.

É hora do esforço final para colocar Aécio no segundo turno! E no segundo turno, com dez minutos de tempo de TV, é outra eleição. A virada já começou e, ao contrário do que parte do jornalismo especializado falou, nunca houve um “furacão Marina”. O voto útil pra vencer o PT é o voto em Aécio!

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“Eu sou a mudança segura”

Excelente entrevista do Aécio à revista Isto É! Vejam abaixo alguns trechos (íntegra aqui):

ISTOÉ – É evidente o desejo de mudança do brasileiro, exposto desde o ano passado nas manifestações de rua. O que o seu governo trará de novo para o País?
Aécio Neves –
A primeira é uma mudança ética, de valores. Talvez essa seja a mais perversa das heranças que esse governo nos deixará: a baixa qualidade das relações políticas e o absurdo aparelhamento da máquina pública para servir a interesses que não são os dos brasileiros, são de grupos políticos que convivem dentro do governo. A segunda é uma mudança de visão do Estado. Eu pratiquei isso durante toda a minha vida. Entendo que o Estado não tem que ser ineficiente por ser Estado. O setor público não precisa necessariamente apresentar maus resultados apenas por ser público. Acho que essa é uma mudança profunda que o Brasil precisa viver, qualquer que seja o próximo governante.

ISTOÉ – Como se faz isso?
Aécio –
Promovendo o resgate da meritocracia, de um governo que funcione, tenha metas, apresente resultados. Hoje vemos uma desqualificação cada vez maior dos serviços públicos. A terceira mudança é uma nova visão de mundo. O Brasil se isolou por uma visão absolutamente equivocada desse governo, que promoveu um alinhamento ideológico da política externa sem que isso trouxesse qualquer benefício ao País. O mundo avança em acordos bilaterais. O governo do PT, no entanto, celebrou apenas três acordos bilaterais: com Egito, Israel e Palestina, o que não teve qualquer consequência objetiva no fortalecimento da nossa economia, na ampliação de mercados para os nossos produtos. O sentimento de mudança hoje é tão avassalador na sociedade brasileira que até o governo do PT quer mudar.

 

 

ISTOÉ – Por que o sr. já apresentou seu ministro da Fazenda?
Aécio –
Quando eu anuncio que, se eleito, nomearei o Armínio Fraga como ministro da Fazenda, estou dando a sinalização clara na direção que o País vai. É muito cômodo você ouvir candidatos dizer “ah, eu vou governar com os melhores”… Quem é que vai governar com os piores, né? Não existe isso…

ISTOÉ – O sr. acha que quem concorrer contra a Dilma ganha no segundo turno?
Aécio –
Quem concorre contra a Dilma é presidente da República. O PT perdeu essas eleições e nós temos duas alternativas: nós e a Marina. Não duvido das boas intenções dela, mas a Marina é fruto desse mesmo sistema que hoje ela combate. Ela militou por 20 anos no PT.

ISTOÉ – Essa insatisfação é com o governo, mas também não é uma insatisfação com a polarização PT/PSDB?
Aécio –
Há dois componentes principais nas intenções de voto da Marina: uma é a negação da política, outra a insatisfação com essa polarização. E uma outra parcela que quer derrotar o PT. Só que derrotar o PT é apenas o início da obra, não é a conclusão da obra. Eu não quero estar daqui a quatro anos lamentando com o brasileiro uma nova opção equivocada, porque a inexperiência da Dilma no governo custou muito caro ao Brasil. Então, o Brasil tem duas alternativas hoje. A nossa é experimentada, os quadros estão aí e estamos sinalizando com muita clareza em que direção vamos. A outra trata a política como se fosse um balcão de supermercado: vamos buscar os melhores, vamos pegar os melhores daqui, os melhores dali. Mas para ela avançar em qual direção? Respeito a Marina, mas até agora não teve que mostrar com clareza o que pretende fazer se vencer as eleições. E só boas intenções não resolvem os problemas do Brasil.

ISTOÉ – A presidenta Dilma comparou Marina a Collor pela ausência de uma estrutura partidária. O sr. vê riscos semelhantes?
Aécio –
Não acho que a história dela se pareça com a do Collor. Mas a pregação da não política, sem uma palavra de valorização e fortalecimento dos partidos é algo que me preocupa. A negação pura e simples da política é estranha, principalmente vindo da Marina, alguém que militou tradicionalmente na política durante mais de 20 anos. Essas contradições têm que ser analisadas por todos nós. Qual é a Marina que vai governar? É a que acena em abraçar o agronegócio ou aquela que em 1999 apresentou um projeto de lei para proibir o cultivo de transgênicos no País? É aquela que dentro do PT se submetia a esse corporativismo que impedia avanço na gestão pública ou é a que propõe agora em seu governo a meritocracia? É a que acena para o presidente Fernando Henrique de um lado e para o Lula de outro, como se fosse possível essa compatibilização? Agora o brasileiro vai avaliar com consistência, com profundidade, as alternativas que existem aí.

 

 

ISTOÉ – Sua campanha apostava mais no combate direto à presidenta Dilma. A partir de agora vai mirar mais no combate à Marina?
Aécio –
Sou oposição à Dilma, oposição ao PT. Não circunstancialmente. Sou oposição desde sempre. Nunca acreditei nesse modelo que está aí. Então não abro mão da prerrogativa e da primazia oposicionista em relação ao modelo que está aí. Mas o meu papel é mostrar também as fragilidades da candidatura de Marina. Não do ponto de vista pessoal, pois a respeito, como respeito a Dilma do ponto de vista pessoal. Mas a Dilma fracassou. A inexperiência dela custou muito caro ao Brasil. O aprendizado do PT no governo da Dilma custou um tempo que não volta mais. Nossos indicadores sociais pioraram. Na economia é isso que nós estamos vendo hoje: um quadro de recessão, os investimentos deixaram de vir para o Brasil, um cemitério de obras com sobrepreços e abandonadas ou paralisadas pelo País afora. O conjunto da obra do PT vai levá–los a uma derrota. E eu quero conhecer com clareza, além das platitudes do discurso da Marina, o que ela efetivamente pensa e como ela vai governar.