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O Datafolha, o boom de Marina e o brasileiro, este ser emocional.

Dois petistas hoje, um pessoalmente e outro no Twitter, vieram me perguntar se “bateu o desespero”, depois de divulgados os números do Datafolha. Confesso que não entendi… Se há algo bem pouco surpreendente nessa pesquisa mais recente é o surgimento de Marina em um patamar tão alto e é até bem fácil entender por quê.

O povo brasileiro, sabe-se, é emocional. E nos últimos dias, como se viu, o que não faltou foi emoção, não é mesmo? Depois da comoção decorrente da tragédia que vitimou Eduardo Campos, de toda a cobertura feita em torno do drama da família, dos amigos e dos aliados e do surgimento natural de Marina como substituta dele na chapa, nada mais natural que ela ganhasse destaque num primeiro momento. 

Não. Marina com 21% só surpreendeu, talvez! a própria Marina: se lê por aí que aliados dela esperavam algo na casa dos 25% agora (lembrem que na última pesquisa em que figurou como candidata, em abril deste ano, Marina teve 27%). Há, sim, três dados relativamente curiosos na pesquisa:

1) Brancos, nulos e indecisos: todos com Marina!

Surpresa foi ver que simplesmente todos os votos de Marina vieram exclusivamente de Eduardo, dos brancos, nulos e indecisos. Sim, segundo o Datafolha, todas as pessoas que desistiram de não votar em nenhum dos candidatos outrora apresentados, agora migrou automaticamente para Marina. Será que nenhum eleitor do Eduardo quis votar em Aécio? Será que nenhum B/N/I optou por Dilma ou pelo tucano? 

2) Aécio e Dilma não perderam nada, apesar do “fenômeno” Marina.

Outro dado curioso é que Marina entra na disputa numa reviravolta digna de Game of Thrones, aparece de cara acima dos 20%, mas não faz com que nenhum dos dois outros principais candidatos perca um mísero ponto na pesquisa. Há um mês Dilma tinha 36% e manteve exatamente o mesmo agora. Aécio tinha 20% e continuou igual. É estranho, pois Marina, pela trajetória política, é natural que roube votos do PT dentro da esquerda. Assim como seria lógico que pescasse algo de Aécio, ainda não conhecido por todos os brasileiros. Mas não. 

3) Melhorou a aprovação ao governo.

Pois é, melhoraram os índices do governo, mas não a intenção de voto em Dilma. Mais estranho: melhoraram os índices sem que tenha ocorrido nenhum fato político que justifique isso. Ou alguém lembram de uma notícias capaz de inverter aquela tendência de desaprovação que se via? Não. Nada de diferente aconteceu, a não ser… Sim, a tragédia! Com uma comoção daquelas, natural que o povo fique mais condescendente (o que se reverte em melhora de avaliação, também).

Pessoalmente, acho que o Datafolha mostra um cenário onde a maior bomba caiu invariavelmente no colo do PT. Ainda havia no partido quem falasse em vitória no primeiro turno. Hoje, porém, essa hipótese está amplamente descartada. E, em havendo seguundo turno, a candidata com 34% de rejeição tende a ser derrotada, independentemente de quem seja o oponente. Aécio, apesar de ter de fazer ajustes na campanha, sem dúvida não tem motivo algum para desespero: ainda desconhecido de um em cada cinco brasileiros, o mineiro não perdeu votos com a entrada de Marina na disputa e ainda viu sua votação espontânea subir – o que indica que o eleitorado dele é um voto mais consolidado. 

Nos próximos dias, chuto que Marina possa até subir um pouco mais, especialmente entre os eleitores de Dilma. Depois disso, daqui a uns quinze dias, deve desinflar um pouco, especialmente quando a comoção diminuir mais e a agenda da campanha voltar a ser os problemas da economia. Difícil imaginar que daqui a um mês a Dona Terezinha da esquina ainda esteja comovida e não pensando no fato de que o salário não chega no fim do mês…

Quando a pauta voltar aos eixos, a tendência natural é que a experiência administrativa e os resultados gerenciais de Aécio o consolidem como única alternativa possível ao petismo, principalmente porque Marina, até agora, não apresentou soluções para os problemas concretos do país. E não vai poder sustentar uma campanha na base apenas da emoção durante mais de dois meses: ela vai precisar dizer o que pensa sobre impostos, agronegócio, Banco Central, tripé econômico, segurança pública, SUS… Enfim, vai precisar falar sobre governo, coisa que ela sem dúvida preferiria não fazer. É então que, depois de subir um pouco mais, imagino que ela deva assentar novamente. 

 

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Eduardo Campos no Jornal Nacional.

Ontem foi a vez de Eduardo Campos ser entrevistado no Jornal Nacional. O candidato do PSB não chegou a ir mal, mas, a meu ver, se deixou abater pela forma incisiva com que Bonner e Patrícia Poeta têm conduzido o quadro. Começou até ensaiando alguma desenvoltura, pra depois ir murchando a partir dos três minutos, quando confrontado com a interferência política que fez para que sua mãe chegasse ao TCU.

Estranhamente, ele parecia não esperar perguntas sobre o caso de nepotismo, o que causa assombro: se uma campanha não se prepara para enfrentar os esqueletos que o candidato tem no armário, é melhor nem começar.

O melhor momento de Campos foi quando lembrou que “Dilma vai entregar o país pior do que recebeu”, algo inédito na chamada Nova República. E ao dizer que com o descontrole inflacionário “o salário não chega até o fim do mês”, usando uma expressão lançada por Aécio ainda durante as inserções eleitorais.

O pior momento de Campos, além de ter ficado visivelmente abatido quando confrontado com o episódio da nomeação da mãe, foi quando Bonner lembrou que a vice dele, Marina Silva, tem uma posição contrária ao agronegócio. Nesse momento me pareceu que o candidato chutou o balde: bancou Marina e disse que foi contra o Código Florestal. Minha leitura é que deu o voto do agronegócio por perdido de uma vez, numa última esperança de arrebatar o coração dos “sonháticos” e chegar aos dois dígitos nas pesquisas.

Ibope: Dilma empaca e a oposição cresce. No 2º turno, diferença para Aécio é de apenas seis pontos.

Não importa qual pesquisa seja divulgada, o mantra aqui permanece o mesmo: o segredo é olhar menos para os números de intenção de votos e mais para as tendências. Isso vale para a pesquisa do Ibope que saiu ontem, como se verá agora.

Segundo o Ibope, num intervalo de aproximadamente duas semanas, Dilma ficou exatamente no mesmo patamar: 38%. Aécio e Eduardo subiram um ponto cada um e agora têm 23% e 9%, respectivamente. O que os números nos dizem? Que a candidata à reeleição está empacada, enquanto a oposição cresceu.

“Mas foram meras oscilações na margem de erro”, dizem alguns. Sim, verdade. Por isso que prefiro nem olhar para os números e dar atenção às curvas: a trajetória do principal nome da oposição, o senador Aécio Neves, é crescente já há vários meses. E o que chama mais a atenção é que se trata, ao que tudo indica, de um crescimento gradual e consolidado – movimentos assim dificilmente são revertidos.

Quando se analisa os números das simulações de segundo turno, tudo faz ainda mais sentido. Vejam a imagem abaixo:

O que há de mais relevante acima é: a) a diferença entre Dilma e Aécio era de 8%. Agora é de apenas 6%, o que significa, para efeitos estatísticos, situação de empate técnico na margem de erro; b) Do primeiro para o segundo turno, Dilma ganha apenas 4%, enquanto Aécio dá um salto de 13%!

Antes de concluir a análise, vejamos a quantas anda a rejeição dos candidatos:

Vamos aos fatos: a) Dilma tem a maior rejeição disparada; b) ela chega a ter mais que o dobro da rejeição de Aécio (que inclusive caiu no período!).

Encerrando, podemos concluir que a pesquisa é muito preocupante para Dilma. Se ela comemora (e faz bem) o fato de ter parado de cair, também é verdade que precisa se preocupar com o tamanho de sua rejeição, que, aliás, também parou de cair há muito tempo.

A presidente está numa situação curiosa: a intenção de votos nela (38%) está em situação de empate técnico com a rejeição (36%). Se essas linhas se cruzarem, o PT pode dar adeus à reeleição de Dilma.

Além disso, ela aparece só 6% à frente de Aécio num eventual segundo turno, sendo que o mineiro, além de ter menos da metade da rejeição da petista, ainda é desconhecido por quase 20% da população. Aqui, a meu ver, está a grande bomba pro PT: um candidato desconhecido por um a cada cinco eleitores dá um salto de 13% quando colocado num 2º turno contra Dilma e aparece praticamente empatado com ela.

Vale lembrar que essa pesquisa veio depois de uma semana de exploração desenfreada do dossiê daquele aeroporto, preparado para tentar atingir a imagem de Aécio. Resultado? Ele ganhou mais votos e viu sua rejeição diminuir!

Eu insisto: tem gente sem dormir lá pelos lados do Planalto…