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Curtas (ou nem tanto)

Meu filho mais velho, o Lucas, é danado. Atribuem a mim a culpa, pois, durante a gestação, eu dizia que queria um filho danado. Mea maxima culpa, então. Eu não acredito nessas coisas, mas, por via das dúvidas, durante a gestação da Giulia fiquei dizendo o tempo todo que queria uma filha bem comportadinha. E ao que tudo indica ela vai ser uma cópia do irmão, comprovando que o senso de humor de Deus só não é maior que sua infinita misericórdia.

É impressionante como todos (eu disse todos!) os clichês da paternidade são verdadeiros. Os filhos mudam completamente a vida da gente, em todos os sentidos. A maneira como sabotam as nossas rotinas é, confesso, assustadora. Sou um conservador e, como tal, sempre considerei a rotina uma coisa libertadora. Ah, que saudades eu tenho da aurora da minha vida, da minha rotina querida! Etc, etc…

Todos os pais têm alguns medos elementares no que concerne aos filhos pequenos. O meu medo essencial é me tornar uma daquelas pessoas que eu, quando mais novo (e sem filhos) detestava. Aquelas que levam os filhos pequenos pra todo tipo de lugar, sem se preocupar em perturbar quem lá está. Não é chato quando estamos no restaurante/cinema/avião e chega aquele casal: ela com o bebê no colo, ele com carrinho, moisés, bolsa, travesseiro e, por incrível que pareça, só dois braços?! Pois é, agora eu me tornei o cara chato. E é inevitável, suponho… Afinal, a gente quer passear e fazer as coisas que sempre fez. Agora eu entendo, mas continuo morrendo de medo daquele olhar de reprovação das pessoas.

Lucas fez cinco anos outro dia. Por falar em clichês, lá vai: meu bebê está crescendo. Mas é depois de ter uma recém-nascida em casa que percebemos como ele está realmente enorme – quase um “mini-adulto”. A irmãzinha nem senta ainda sozinha e ele já vai pro banho e escova os dentes sozinho! Dá orgulho? Claro que dá! Mas eu quero meu bebê de volta!

Ele disse que tem cinco anos, mas que ainda quer colo. E que ainda é o nosso bebê.

E aquelas pessoas que tentam afetar cumplicidade? Sujeito vê você tentando desesperadamente calar o bebê em público e já chega: “É cólica? Complicado… Os meus tiveram. Sabe o que você faz?” MEU AMIGO, PRIMEIRAMENTE SAI DE PERTO DE MIM! VOCÊ TÁ CHAMANDO MAIS ATENÇÃO AINDA, DESGRAÇADO!

Confesso que acho estranho essa gente que tenta fazer amizade do nada, puxando papo onde quer que esteja. Ok, o problema pode ser comigo, confesso. Mas não perco a esperança de ser uma alma lúcida atormentada por esse mundo de pessoas simpáticas.

Um sujeito aqui da minha cidade resolveu dar a maior contribuição civilizacional para o povo daqui, desde a chegada da palavra escrita. Falei rapidamente (bem rapidamente) a respeito lá no facebook: http://goo.gl/QIIBSA

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Quando a vida faz sentido.

Lembro quando meu primeiro filho, Lucas, nasceu. Eu contei aqui na época, alguns dias depois da chegada dele (quando a reviravolta causada pela nova rotina começava, então, a ficar sob controle).

Hoje completam-se dez dias que Giulia está conosco. E eu, cinco anos mais velho, me sinto novamente apanhado pelo furacão que a chegada de uma criança traz. Por um período me iludi achando que seria tudo mais tranquilo, afinal já passamos por isso antes. Que nada! Há momentos em que me pego ainda mais ansioso do que no passado (ou do que me lembro do passado…), sendo um clichê ambulante que encosta a mão no peito da filha pra “sentir a respiraçãozinha”.

O milagre da vida sempre nos surpreende, de uma forma ou de outra. E a chegada de Giulia às nossas vidas permite redescobrir até o “meninão” da casa, que ainda é pouco mais que um bebê. Lucas está um legítimo big brother, querendo abraçar, brincar, beijar a irmãzinha. Ter de novo um bebê em casa serve para mostrar como o Lucas já está grande. E isso também assusta, porque (e lá vamos nós em busca de outro clichê) o tempo passa aparentemente ainda mais rápido do que imaginamos. E começa a dar saudade de tudo o que já vivemos com ele e que agora vamos começar a viver – de novo, mas de uma forma diferente – com ela.

E vem aquela adrenalina decorrente da insegurança: “será que eu consigo ser um bom pai pros dois?” Acho que é inevitável se perguntar essas coisas… Ser pai é descobrir que os clichês são todos verdadeiros. E que a rotina é uma coisa libertadora! Por falar nela, é hora de eu cuidar da mais nova integrante da nossa família. 😉

Governo do PT lança PAC das cidades históricas. De novo!

Dilma ontem esteve em Minas Gerais. Ela sabe que precisa dedicar um bom tempo de sua campanha à reeleição ao estado mineiro, onde, segundo as pesquisas atuais, perde (e feio!) para o senador Aécio Neves. Em São João Del Rei, Dilma lançou o “PAC das cidades históricas” (aquele das cidades normais já deve ter sido concluído com sucesso, suponho…). Vejam:

A presidente da República, Dilma Rousseff, anunciou, nesta terça-feira (20), R$ 1,6 bilhão para investimentos em ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para 44 cidades históricas de 20 estados, em São João Del Rei, a 185 quilômetros de Belo Horizonte. A previsão é a de que o recurso seja aplicado em requalificação e obras de infraestrutura urbana, recuperação de monumentos, sítios históricos e patrimônio. As ações devem ser desenvolvidas nos próximos três anos.

“Me sinto muito feliz por estar nessa linda região para colocar em prática o PAC das cidades que vai apoiar a recuperação de praças e espaços públicos de grande relevância”, disse Dilma em seu discurso. (…)

Tudo muito bom, tudo muito bem. Não fosse um ~detalhe~: Lula, em 2009, já havia lançado esse mesmo programa! Fica claro, agora, que naquela ocasião tudo não passou de um ato eleitoreiro de pré-campanha e… OH, WAIT!!! Vejam o ex-presidente, então em Ouro Preto, discursando no evento:

Dilma, que já afirmou ter “muito respeito pelo ET de Varginha”, brinca com a inteligência do povo mineiro, da mesma forma que fez Lula, em 2009. Não deixa de ser fascinante a desenvoltura com que este governo tortura os fatos até que eles confessem as “verdades” que interessam ao partido.

Lara está em casa.

Há quem diga que o mundo de hoje afasta as pessoas e torna a vida mais mecanizada. Eu discordo. Conheci muitos amigos graças à internet, uma das maiores faces da modernidade. Foi por poder me conectar com qualquer parte do país e do mundo, sem sair de casa, que conheci a Lara.

Lara é a filha do Diego e da Thati. E vocês hão de me perdoar por não saber dizer muitos detalhes sobre a vida deles. São amigos de internet, desses que a gente conhece num repente e começa a trocar mensagens e compartilhar experiências. Vocês sabem como funciona esse mundo: quando percebemos, já nos sentimos próximos das pessoas, mesmo sem nunca tê-las encontrado pessoalmente. Assim é com o Diego, com a Thati e com a Lara.

Lara, como toda filha, estava sendo amada e esperada desde o primeiro momento. E ela parece ter amado tanto a família, que decidiu chegar mais cedo. Muito mais cedo… Lara nasceu prematura, com 24 semanas e pouco mais de 500 gramas. Precisou passar quatro meses na UTI, enquanto terminava de ser “gestada fora do útero”. Espero que ela me perdoe a simplicidade do resumo: não cheguei nem perto de conseguir relatar a força e a intensidade com que essa pequena guerreira lutou pela vida.

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Foi assim que eu conheci a Lara, lendo os relatos emocionantes do pai dela, o Diego. Cada dia uma nova vitória, um novo passo no caminho para conseguir aquilo que todos os pais esperam: levar o filho para casa. Algo que, agora, parece tão simples, tão óbvio, tão natural…

Hoje, que a Lara está indo pra casa, as provações que ela e a família enfrentaram parecem até pequenas. Mas estarão para sempre na lembrança de quem, mesmo sem conhecê-los de perto, viveu esse período com eles. E não foram poucos os que, como eu – meros desconhecidos -, passaram a acompanhar os relatos do Diego diariamente, incorporando-os à própria rotina. Tenho certeza que muita gente chorou de emoção com eles a cada nova conquista. Eu sei, porque eu mesmo chorei várias vezes. Como agora, que a Lara está a caminho de casa.

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Hoje, eu quero agradecer a Lara, o Diego e a Thati. Agradecer por terem permitido que eu, um desconhecido, fizesse parte da história deles aqui de longe, lendo sobre a pequena guerreira que queria muito viver. E que conseguiu! Quero agradecer o exemplo de fé, de perseverança e de ternura deles, que me ajudaram a ser uma pessoa melhor hoje.

Não sei qual é o termo certo para definir a experiência que vivi acompanhando a história da Lara e dos pais dela. Eu prefiro chamar de milagre, porque não me atrevo a compreender. Apenas agradeço muito e desejo, do fundo do coração, que ela tenha uma ótima vida ao lado da família. Se depender da força de vontade dela, tenho certeza que terá.

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P.S.: Pra quem eventualmente não conhece a Lara, aqui está o Facebook e o Twitter do pai dela, o Diego.

Francisco

O conclave terminado na última quarta-feira decidiu que o então cardeal Jorge Mario Bergoglio deverá guiar a Santa Madre igreja, como seu Sumo Pontífice. Surgiu, então, diante de uma multidão de fiéis aglomerados na praça de São Pedro, o Papa Francisco.

Desde então, muito se especulou sobre a eleição do primeiro Papa sulamericano e sobre se a escolha seria boa, ou não. Adianto que não me atrevo a gostar ou desgostar de um Papa. Quem sou eu, não é mesmo? A mim cabe apenas aceitar, e respeitar o sucessor de Pedro, reconhecendo-o como líder máximo da minha igreja.

Quanto ao país de origem de Francisco, devo dizer que a nacionalidade do novo Papa não é o que mais merece destaque, a meu ver. Há outras nuances no homem escolhido pelos cardeais que merecem algumas observações, porque cercadas de simbolismos os mais diversos.

A “surpreendente” escolha

Bergoglio foi uma surpresa para grande parte do mundo, é verdade. Mas não parece ser lícito dizer que tenha sido um “azarão” no conclave que o elegeu. De fato, há tempos indiscrições dão conta de que já em 2005 o argentino foi muito bem votado – não a ponto de ameaçar a eleição de Ratzinger, porém.

Parece bastante lógico que quem era uma boa opção em 2005, continue sê-lo oito anos depois. Pessoalmente, não o incluí entre os “favoritos” por conta da idade: costuma-se alternar papados curtos e papados mais longos, o que me fez acreditar na eleição de um cardeal um tanto mais jovem.

A escolha de Bergoglio, hoje com 76 anos (fará 77 ainda em 2013), porém, pode apontar para outra coisa: o desejo da igreja de papados mais breves. Dificilmente o Santo Padre poderá governar por quase 30 anos, como fez João Paulo II (eleito aos 58 anos). Tudo, evidente, mera especulação minha…

O nome escolhido e os primeiros gestos públicos

Ao se nomear como o primeiro Papa Francisco da história, o sinal transmitido pelo Santo Padre é de uma importância assombrosa. Bergoglio não apenas homenageia o “óbvio” São Francisco de Assis – Il povrerello (o pobrezinho) -, como também São Francisco Xavier, um dos maiores nomes da ordem dos Jesuítas, de onde vem o novo Papa.

Esse nome, por demais forte simbolicamente, parece parte de um conjunto de atos que Francisco vem adotando desde o primeiro momento como líder da igreja católica, sempre no intuito de externar o máximo de simplicidade e de humildade possível. É o que se depreende, por exemplo, do fato de ele decidir pagar a conta do hotel em que ficou hospedado; da decisão de ir à Basilica di Santa Maria Maggiore, orar, antes de se ocupar das vestes papais; e, por fim, do fato de pedir que bispos e padres argentinos façam caridade com o dinheiro que usariam para ir à Roma vê-lo.

Mais que tudo isso, porém, entrará para a história o Sumo Pontífice, diante da multidão de católicos que o recebia em festa, pedindo para que o povo o abençoasse. Um silêncio longo e marcante, durante o qual o líder da igreja curvou-se diante do seu povo, pedindo orações antes de ele próprio dar a bênção.

Mas e as posições conservadoras?

Muitos questionaram, tão logo se divulgou quem fora escolhido na Capela Sistina, as posições conservadoras de Bergoglio acerca de temas como casamento gay e aborto. Eu juro que não entendo quem se surpreende com isso… Queriam o quê?! Do ponto de vista do aborto, a questão é indiscutível! Trata-se de dogma; de “cláusula pétrea”. Do ponto de vista do casamento gay, o que esperam? Que a igreja católica realize matrimônios de pessoas do mesmo sexo? Acho que há uma confusão nas coisas; nas reivindicações postas… Explico.

O movimento gay (ou mesmo a sociedade como um todo) deve exigir que: 1) o Estado garanta direitos civis iguais a todos, sem distinção; 2) a igreja (qualquer igreja!) não interfira nas questões de Estado; 3) o Estado não se envolva nas questões de igreja. Só isso!

Ora, o Papa fala ao povo dele. E ninguém é obrigado a ser católico, não é mesmo? A igreja não pode impedir que o Estado regule as uniões civis de homossexuais, mas pode perfeitamente externar sua opinião sobre o assunto. Liberdade de expressão, amigos. Todos podemos opinar sobre o que quer que seja.

O mesmo vale para o aborto: o Estado quer legalizar a prática? Que o faça! A igreja e os católicos podem perfeitamente se dizer contrários e, valendo-se dos mecanismos da sociedade democrática (da qual fazem parte), defender seu ponto de vista. Lembro, uma vez mais, que só precisa se importar com o que pensa o Papa, quem o reconhece como líder religioso. Quem gosta de repetir que “a igreja católica está ultrapassada”, ou que “ser Papa não quer dizer nada”, não precisa se preocupar com o que Francisco pensa. Mas não pode pretender calá-lo! Queiram ou não, os católicos são parte da sociedade e podem, como quaisquer outros, externar suas opiniões.

A decadência do catolicismo

Muitos dizem que essa insistência da igreja católica em manter posições ditas conservadoras e antiquadas a está condenando ao fim. Não deixa de ser curioso notar que profetiza-se a extinção da Santa Madre há coisa de uns dois mil ano, e até agora ela segue aí…

Tão decadente e pouco importante é a igreja de Cristo, que durante duas semanas só se falou dela nos principais meios de comunicação do mundo. Aqui, a principal rede de televisão cobriu in loco a escolha do sucessor de Pedro. Na internet não se falava sobre outro assunto… Imagino como deveria ser na época em que a igreja estava no auge, não é mesmo?

Não, eu não pretendo negar que há problemas (alguns gravíssimos!) que devem ser enfrentados. É evidente que os há! A igreja é a portadora da verdade revelada pelo Filho de Deus, mas é conduzida por homens. E homens são pecadores, sujeitos às mais diversas falhas…

O meu ponto é: não me parece ser o mais lógico se preocupar com os alarmes vindos de pessoas para as quais seria um bem se amanhã o catolicismo simplesmente deixasse de existir. Em outras palavras, eu não quero saber qual a solução que um Jean Wyllys tem para a igreja; ou o que Tom Zé e Hector Babenco acham que o Papa deveria fazer para “modernizar” a Santa Sé. Não! Para esses, suponho que o ideal fosse um Papa a favor do aborto, do casamento gay, que trocasse o evangelho pelo Manifesto Comunista e – por que não? – que fosse ateu.

Pessoas e entidades as mais diversas (Marx, URSS…) já anunciaram que o catolicismo estava com os dias contados. Quase todas já ruíram, enquanto a Barca de Jesus segue navegando – ainda que enfrentando mares tormentosos.

Ruptura?

Mas se há problemas (e os há aos montes!) a resolver na igreja, teremos uma ruptura de paradigmas? Não, não teremos. Francisco não é – ao contrário do que boa parte tenta demonstrar – um anti-Bento XVI. Pelo contrário: ouso dizer que o Papa Emérito não apenas aprovou a escolha, como esperava por ela.

Como Ratzinger (ainda que sem a mesma proeminência intelectual), Bergoglio também sempre foi um exímio estudioso; um intelectual de preparo inquestionável. Nunca é demais lembrar que se trata de um Jesuíta, uma ordem conhecida por seu apreço intelectual e por sua farta produção de conhecimento.

A principal característica do papado de Francisco, a meu aviso, será o desejo de emular São Francisco Xavier: unir a missão pastoral de evangelizar o mundo, ao atrelamento doutrinário mais puro. Lembremos que Bergoglio, quando arcebispo de Buenos Aires, se opôs frontalmente a coisas como a Teologia da Libertação. Ele não discorda que cuidar dos pobres de Deus seja um dever cristão, mas não acha – ainda bem! – que isso deva ser feito colocando-se Marx ao centro de tudo, no lugar de Jesus.

Descarto qualquer ruptura com a chamada linha teológica de Ratzinger – que, atrevo-me a apostar, seguirá sendo o farol intelectual da igreja enquanto viver. Todas as coisas já ditas e escritas por Francisco, permitem concluir que ele será radical quanto à defesa da doutrina, como sempre foi seu antecessor (e os antecessores deles). E é muito fácil de entender por qual motivo as coisas serão assim, basta lembrar do que ensinou Chesterton.

Segundo ele, a melhor forma de manter um poste branco sempre branco não é trocá-lo toda vez que ele estiver sujo (revolucionar), mas pintá-lo um pouco de branco todos os dias (conservando-o). É evidente que a essência católica é de conservação, afinal – repito! – a ela cabe cuidar da verdade que lhe foi revelada pelo Deus encarnado.

A certeza de que Francisco não fará concessões de ordem moral e teológica, porém, não afasta a idéia – passada por ele mesmo neste pouco tempo sobre o trono de Pedro – de que poderemos ter um papado mais pastoral e missionário. E aqui – e somente aqui – noto alguma importância na origem geográfica do novo Papa: a idéia pode ser mostrar o desejo de desapegar-se da burocracia da Cúria Romana e olhar mais para o mundo como um todo. Algo ótimo, por sinal!

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P.S.: Não, nem comentei as “denúncias” de que o Papa Francisco teria colaborado com a ditadura argentina. Por ora, não há nada além do jornalismo que “ouviu dizer”… É o mesmo tipo de jornalismo que chamou Ratzinger de nazista, lembram? Aguardo que alguma evidência concreta, além de um político kirchnerista qualquer, seja apresentada. Até lá, prefiro acreditar no sucessor de Pedro (eu acredito na encarnação do Filho de Deus, acreditar no Papa é a menor das minhas “esquisitices”).

O trono vacante

O então Santo Padre, Papa Bento XVI, decidiu renunciar ao trono de Pedro e encerrar seus dias como “apenas mais um peregrino em oração”. Deixou, assim, o posto de líder maior dos católicos, de Vigário de Cristo na Terra, para “subir o monte” e se encontrar com o Altíssimo.

Sim, essas colocações soam estranhas para os que não professam a fé católica. Para estes, o Papa é apenas uma figura sem importância religiosa – no máximo aceito como chefe-de-Estado. Para os católicos (e neles me incluo), porém, se trata de um líder espiritual. Ou ao menos deveria ser assim…

O agora Papa Emérito Bento XVI renunciou e logo imprensa e opinião pública partiram para aquilo que mais gostam – e que mais vende jornais: as teorias da conspiração. Foram as pressões externas; foram as pressões internas; foi a corrupção; foi o colapso da fé cristã; foram os escândalos; foi obra de seitas infiltradas… E eis que num repente todos falavam dessa tão “desimportante e ultrapassada” instituição chamada Igreja Católica.

“Mas por que ele renunciou, afinal?” Ah, não tenho a menor idéia. Mas vou além: não tenho a audácia de tentar adivinhar o que se passa na cabeça, no coração e na alma do sucessor de Pedro. E aqui repousa um importante reflexo da fé: a mim basta saber que a escolha dele foi a melhor escolha. Não cabe a mim julgar. Ou melhor, quem sou eu para julgar? Não me atrevo… Meu coração está em paz.

Dito isso, é impossível negar que onde há seres humanos, há relações políticas. É evidente que a Santa Sé e a Cúria Romana têm problemas sérios e disputas profundas, e que essas coisas influenciaram tanto a rotina do então Papa Bento XVI, como influenciarão o conclave que hoje se iniciou. O que não me impede de acreditar – e isso é próprio da minha fé! – que a escolha dos cardeais será guiada, primordialmente, pelos interesses cristãos. Se não acreditar nisso, qual o ponto de seguir fiel?

Aliás, por falar na escolha dos cardeais, não faltam hoje “preferidos” na imprensa. Todo país tem os seus (no mais das vezes o cardeal que de lá é originário). Eu? De novo me recolho à minha pequenez e não ouso ter um “favorito”. Tenho lá meus palpites, mas não me atrevo a dizer que esse ou aquele cardeal seriam melhores escolhas. Como poderia?! A mim cabe aceitar e respeitar o eleito, sabendo que ele carrega sobre os ombros o peso de uma missão que não é nada simples.

O principal, porém, é saber que a escolha feita no Vaticano não será orientada pela vontade dos sommeliers de conclave que surgiram nas últimas semanas, muitos dos quais apresentando todas as soluções para aqueles que eles acreditam ser os problemas da igreja. E lá vão os clichês sendo levados para passear: “É hora de um Papa negro!”; “É hora de um Papa progressista!”; “Chegou o momento de um Papa capaz de fazer reformas.” Em breve veremos alguém na Globo pedindo por um “Papa ateu”… Todos esses sábios conhecem os segredos para salvar a Santa Madre, que, segundo eles, caminhará para a extinção, caso suas idéias não sejam aceitas.

Nenhuma novidade… É assim há milênios e a igreja católica segue aí, existindo. Aliás, se mutios dos “especialistas” fossem ouvidos, ouso dizer que ela caminharia mais rapidamente para o seu fim. Eles não querem uma igreja melhor, mas uma igreja que empunhe suas bandeiras militantes. Eu passo! Prefiro uma igreja que continue preocupada mais com a defesa de seus valores, do que em agradar a militância moderna.

A igreja não está no mundo para ser popular ou simpática aos olhos do consenso de momento. Está para defender a verdade que lhe foi revelada, da qual é portadora. E, sim: isso só faz sentido para quem nela acredita e decide professar a fé católica. Assim sendo, por que dar ouvidos a quem com ela não se importa, e que não lamentaria nada caso ela amanhã deixasse de existir?

Pequenos diálogos

1 – Só mais 5 minutinhos

Meu filho anda muito preguiçoso. Aliás, não! Isso não soa legal… Ele anda muito – como direi? – “sonolento”. Tirar ele da cama pra ir à escola de manhã não é tarefa fácil…

O mais novo truque inventado pra estimular ele a acordar é oferecer um pouco da “camona” dos pais, logo cedo. É assim: eu acordo um pouco mais cedo que o normal, chamo ele lá no quartinho dele e pergunto se quer ir pra “camona”, um pouco. EVIDENTE que ele quer, e isso deveria servir para dar uma quebradinha no sono…

Então hoje fui lá, às 6:30, chamei ele pra “camona”, levei no colo, coloquei ele bem no meio e avisei: “Só mais um poquinho, heim? Tá quase na hora de levantar e ir pra escola.” E ele: “Tá, só mais unzinho-zinho.”. E deitei por mais 5 minutinhos… E acordei quase 9 horas da manhã.

2 – Ficando grande

É final de tarde e eu chego do trabalho. Na sala, ele está vendo TV: pela milésima vez o mesmo desenho da “Dora aventureira” (ou poderia ser um novo, confesso…).

Já sento do lado puxando ele pro colo, abraçando e beijando. Daquele jeito que visivelmente atrapalha a importante tarefa de acompanhar o desenrolar do que ocorre na televisão. Ele resmunga, claro! Até me empurra. Ouço um “Pára, papai!”. Não paro. Insisto… Falo que “nada vai nos separar”, e aperto ele bem forte.

Ele – finalmente – se solta. Vai pro canto oposto do sofá. E 30 segundos depois fala: “Eu acho que vai sim…” – algo, nos separar – “Porque eu  crescendo.”

Dúvida: a psicologia me permite entrar em pânico ao ouvir um menino com menos de quatro anos falar assim?!

3 – Amor próprio

“Filho, a sua festinha de aniversário na escola tá chegando! Você vai querer de qual tema?”

“De super herói.”

“Tá. Mas qual? Homem-aranha, Hulk, Capitão América… Qual?”

“Não.”

“Não?”

“Não. Quero do super herói Lucas.”

“Você é o super herói Lucas?”

“Sim.”

“Tá bom.”

Que ele continue com esse amor próprio pelo resto da vida.

O emblema do super herói Lucas até ficou bem bonitinho. 😉