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Dica de série: Broadchurch

Essa é uma série britânica que eu comecei a ver por acaso, na idéia de ocupar o tempo durante a entre-safra das séries que normalmente acompanho. E que grata surpresa se revelou!

A história gira em torno das investigações que se seguem à morte de um menino, morador de uma típica cidade pequena do interior. O que aparentemente parece um anunciado desfile de clichês, com os tradicionais tipos interioranos se revelando, termina por se adensar cada vez mais e, quando menos esperamos, somos arremessados dentro de uma trama de grandíssima carga dramática.

A maneira como as investigações do crime são conduzidas, ora apontando para uns, ora virando completamente sobre outros, aliadas ao desenvolvimento psicológico de cada um dos personagens apresentados ao telespectador são sensacionais. Aliás, algo recorrente em séries britânicas que tenho visto (um outro exemplo excelente disso é The Fall).

Enquanto caminhamos pro final da primeira temporada, é fácil perceber que o mistério envolvendo a morte do garoto nada mais é que um palco onde os dramas principais são cuidadosamente desenvolvidos e trabalhados, de modo a mostrar a profundidade miserável que atormenta a alma de alguns dos moradores da pequena cidade.

A série teve uma temporada até o momento, mas já foi renovada para uma segunda. E é aí que mora o perigo: conseguirá a segunda ser tão sensacional quanto a primeira? É o drama de todo seriado que começa muito bem. Por ora, sei que vale a pena demais ver, podem confiar.

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Receitinha #6: filé de costela ao vinho branco, glaceado no vinho tinto, com batatas salteadas e bacon ao Cointreau (ufa!).

Rapaz, só pelo nome do prato você, leitor amigo, já pode ter certeza que aquela moçoila alvo de sua cobiça estará pronta para aceitar seu pedido de casamento ao final do jantar. Se liga que hoje é sexta e, depois desse post aqui, nenhum de vocês terá mais desculpa pra passar o final de semana comendo mexido feito com as sobras dos almoços passados. Mas, deixo um importante alerta: esse prato é demorado e não tão simples. Porém juro que vale o trabalho. 🙂

INGREDIENTES

– 600g de filé de costela, que aqui ninguém quer comer pouco!

– um raminho de hortelã;

– dois copos de vinho branco seco;

– três copos de vinho tinto seco;

– cinco ou seis cebolas daquelas pequenas;

– oito dentes de alho (calma, vocês vão entender!);

– uma maçã;

– duas ou três batatas (aí depende do tamanho de cada uma…);

– quatro tirinhas de bacon;

– um xablau™ de Cointreau (pode ser meia xícara de café);

– sal e pimenta do reino ao gosto do cozinheiro;

– um punhadinho de açúcar.

Ufa! Acho que lembrei de tudo. Ao trabalho (se se preparem porque vai dar trabalho mesmo!):

PREPARO

Primeiro precisa temperar a carne, o que será feito com sal, pimenta do reino e as folhinhas do hortelã. “Só isso?” É, só isso. Depois arrumem um saco plástico e coloquem a carne dentro, regando-a, em seguida, com o vinho branco. Aí é fechar o saco plastico bem apertado (pra carne ficar toda em contato com o vinho) e deixar marinando na geladeira por no mínimo duas horas.

Agora prestenção: se quiserem que a parada fique fera mesmo, preparem a carne de noite e deixem marinando a noite toda + a manhã seguinte toda e façam essa delícia pro almoço. Sério, aí é pra ganhar prêmio internacional. Mas sigamos:

Tirem a carne da geladeira e do plastico e coloquem numa assadeira de bordas altas. Depois derramem o caldo no qual ela ficou marinando e acrescentem as cebolas, os dentes de alho (inteiros, com casca e tudo!) e a maçã, devidamente fatiada em quatro ou cinco pedaços. Cubram com papel alumínio e levem ao forno por umas três horas“Nossa, isso tudo?!” Meu amigo, tá com pressa vai comer bife de fígado requentado lá no quilão da esquina!

Enquanto a carne tá no forno, coloquem as batatas pra cozinhar com casca e tudo, atentando pro seguinte: elas deverão ser retiradas da água ainda “meio durinhas”. E o ponto é esse mesmo, não tem jeito de explicar melhor. Precisa ter sensibilidade pra tirar antes que fiquem se desfazendo, senão só vão servir pra purê.

Depois que tirarem as batatas da água, cortem elas em pedaços disformes. Sim, nós queremos algo rústico mesmo, sem muita simetria. Depois, numa frigideira com o clássico fio de azeite e mais uma colher de manteiga, despejem as batatas. O objetivo aqui é garantir que fiquem douradas por fora e macias por dentro. Quando elas estiverem começando a ficar “moreninhas”, é hora do truque: joquem um fiozinho de vinagre balsâmico sobre as batatas. Ele vai ajudar a dar uma dourada legal nelas, e ainda enriquecer a parada toda com o aroma.

E vamo pro bacon! Tranquilos, que essa é a parte mais fácil da parada: fritem o bacon normalmente numa frigideira qualquer. O detalhe é que, logo que ele começar a escurecer, derramem nele o Cointreau. Detalhe importante: o licor vai fazer o bacon ficar ainda mais escuro que o normal, mas vocês não precisam se assustar, porque não vai queimar (a menos que vocês deixem queimar, né?!). Enfim, quando estiver tostadinho, tirem do fogo e reservem um pouco pra ele secar e ficar crocante.

Agora é hora de finalizar a carne: tirem do forno e se apaixonem pelo cheiro dessa maravilha. Em seguida, numa panela comum (pode ser aquela em que cozinharam as batatas até – mas logicamente sem água, seus energúmenos!), coloquem o vinho tinto e o punhadinho de açúcar. Quando o vinho começar a reduzir, coloquem o caldo que a carne soltou e, em seguida, a própria carne. E é aqui que começa a parte mais trabalhosa, acreditem: a parada é ficar juntando o vinho com uma colher e jogando pacientemente na carne. O objetivo aqui é dar a tal da glaceada. “E quando fica pronto?” Quando o caldo + vinho tinto estiverem um pouco mais engrossados, com cara de cobertura, entendem? E, obviamente, antes de queimar a parada toda.

Depois é só cortar a carne e servir junto com as demais delícias que você preparou. 😉

“O fascismo do PT contra os médicos” – Luiz Felipe Pondé

Eu sei que haters gonna hate, mas a verdade é que Pondé acertou em cheio no artigo publicado na Folha de hoje. A tática do PT de escolher um “inimigo nacional” para ser crucificado pela população é velha conhecida da história e sempre esteve presente em todos os fascismo conhecidos. Vejam (os negritos são meus):

O PT está usando uma tática de difamação contra os médicos brasileiros igual à usada pelos nazistas contra os judeus: colando neles a imagem de interesseiros e insensíveis ao sofrimento do povo e, com isso, fazendo com que as pessoas acreditem que a reação dos médicos brasileiros é fruto de reserva de mercado. Os médicos brasileiros viraram os “judeus do PT”.

Uma pergunta que não quer calar é por que justamente agora o governo “descobriu” que existem áreas do Brasil que precisam de médicos? Seria porque o governo quer aproveitar a instabilidade das manifestações para criar um bode expiatório? Pura retórica fascista e comunista.

E por que os médicos brasileiros “não querem ir”?

A resposta é outra pergunta: por que o governo do PT não investiu numa medicina no interior do país com sustentação técnica e de pessoal necessária, à semelhança do investimento no poder jurídico (mais barato)?

O PT não está nem aí para quem morre de dor de barriga, só quer ganhar eleição. E, para isso, quer “contrapor” os bons cidadãos médicos comunistas (como a gente do PT) que não querem dinheiro (risadas?) aos médicos brasileiros playboys. Difamação descarada de uma classe inteira.

A população já é desinformada sobre a vida dos médicos, achando que são todos uns milionários, quando a maioria esmagadora trabalha sob forte pressão e desvalorização salarial. A ideia de que médicos ganham muito é uma mentira. A formação é cara, longa, competitiva, incerta, violenta, difícil, estressante, e a oferta de emprego descente está aquém do investimento na formação.

Ganha-se menos do que a profissão exige em termos de responsabilidade prática e do desgaste que a formação implica, para não falar do desgaste do cotidiano. Os médicos são obrigados a ter vários empregos e a trabalhar correndo para poder pagar suas contas e as das suas famílias.

Trabalha-se muito, sob o olhar duro da população. As pessoas pensam que os médicos são os culpados de a saúde ser um lixo.

Assim como os judeus foram o bode expiatório dos nazistas, os médicos brasileiros estão sendo oferecidos como causa do sofrimento da população. Um escândalo.

É um erro achar que “um médico só faz o verão”, como se uma “andorinha só fizesse o verão”. Um médico não pode curar dor de barriga quando faltam gaze, equipamento, pessoal capacitado da área médica, como enfermeiras, assistentes de enfermagem, assistentes sociais, ambulâncias, estradas, leitos, remédios.

Só o senso comum que nada entende do cotidiano médico pode pensar que a presença de um médico no meio do nada “salva vidas”. Isso é coisa de cinema barato.

E tem mais. Além do fato de os médicos cubanos serem mal formados, aliás, como tudo que é cubano, com exceção dos charutos, esses coitados vão pagar o pato pelo vazio técnico e procedimental em que serão jogados. Sem falar no fato de que não vão ganhar salário e estarão fora dos direitos trabalhistas. Tudo isso porque nosso governo é comunista como o de Cuba. Negócios entre “camaradas”. Trabalho escravo a céu aberto e na cara de todo mundo.

Quando um paciente morre numa cadeira porque o médico não tem o que fazer com ele (falta tudo a sua volta para realizar o atendimento prático), a família, a mídia e o poder jurídico não vão cobrar do Ministério da Saúde a morte daquele infeliz.

É o médico (Dr. Fulano, Dra. Sicrana) quem paga o pato. Muitas vezes a solidão do médico é enorme, e o governo nunca esteve nem aí para isso. Agora, “arregaça as mangas” e resolve “salvar o povo”.

A difamação vai piorar quando a culpa for jogada nos órgãos profissionais da categoria, dizendo que os médicos brasileiros não querem ir para locais difíceis, mas tampouco aceitam que o governo “salvador da pátria” importe seus escravos cubanos para salvar o povo. Mais uma vez, vemos uma medida retórica tomar o lugar de um problema de infraestrutura nunca enfrentado.

Ninguém é contra médicos estrangeiros, mas por que esses cubanos não devem passar pelas provas de validação dos diplomas como quaisquer outros? Porque vivemos sob um governo autoritário e populista.

Receitinha #5: creme de palmito

Olha que beleza! :)

Olha que beleza! 🙂

Sábado é sempre um dia bom pra abandonar a vida de mendicância consistente em jantar o resto do frango assado comprado no almoço, né? É por isso que trouxe para vocês uma dica fácil e muito rápida que vai render uma jantinha da mais alta fidalguia: creme de palmito.

INGREDIENTES

– 400ml de leite.

– 3 colheres de farinha de trigo.

– 3 colheres de margarina.

– Um vidro de palmito.

– 200ml de creme de leite.

– Noz moscada.

– Queijo ralado.

– Azeite.

PREPARO

Bata no processador (ou liquidificador) os 200ml de creme de leite e os palmitos. Depois rale um pouco de noz moscada (vai do gosto) e bata novamente. Então, reserve.

Dissolva as três colheres de farinha de trigo nos 400ml de leite. A idéia aqui é criar uma mistura homogênea, pra não aparecerem aquelas pelotas horrorosas depois. Quando estiver do jeito, leve uma panela ao fogo (médio) e derreta as três colheres de margarina. Em seguida, acrescente o leite e espere até começar a mudar a consistência. Então, acrescente o creme de leite e o palmito que foram reservados antes.

Aí é só esperar dar aquela engrossada e pronto! Não disse que era fácil? E rápido, aliás: isso tudo demora uns dez minutos, apenas. Agora é só jogar um queijim ralado e o clássico fio de azeite por cima e jantar feliz.

Bonus game: Compre um daqueles pães italianos grandes, retire o miolo e sirva o creme lá dentro. Fazendo isso você aumenta exponencialmente o grau de fidalguia do jantar. 😉

Breaking Bad e Banshee

Hoje é sexta, né? Xeu aproveitar o final de semana chegando aí pra mandar duas dicas espertas: Breaking BadBanshee. Pra quem curte os seriados americanos, como este vosso criado, são ótimas formas de ocupar o final de semana (e os dias da semana também, afinal elas viciam fortemente).

Banshee teve sua estréia no começo deste ano e já foi renovada para uma segunda temporada. Numa vibe de pancadaria desenfreada, meio Clube da Luta, conta a história de Lucas Hood, um ex-presidiário que, por uma dessas coincidências da vida dos roteiros americanos acaba virando xerife de uma típica cidade pequena dos Estados Unidos. Desnecessário dizer que as coisas começam a virar do avesso quando a pacata localidade e seus moradores conhecem o jeito bruto do recém-chegado, o qual, como verão no decorrer dos episódios, também é um verdadeiro ímã de problemas. Enfim, muitas cenas de luta, muito sangue, mas sem deixar de lado um roteiro de qualidade, que vai prender a atenção de todos. Abaixo o trailer da série:

Já Breaking Bad eu imaginava que fosse conhecida de todosafinal trata-se possivelmente da série mais sensacional do momento, que já está na quinta e última temporada (ideal pra você, que ainda não a conhece, assistir tudo de uma vez só!). Mas qual não foi meu espanto ao descobrir que um número cada vez maior de amigos meus nunca viu essa obra de arte maravilhosa! Sendo assim, deixo aqui a dica (na verdade, estou implorando para que vejam!).

A série conta a história de Walther White, um professor de química que faz uns bicos num lava-rápido para completar a renda da família. Enfim, um típico cidadão americano de classe média, frustrado com sua vida e que, de quebra, descobre um câncer terminal de pulmão. Aí bate o desespero no camarada e, com medo de morrer e deixar a família desamparada, resolve fabricar metanfetaminas e se aventurar no mundo do tráfico de drogas.

É a partir daí que se desenvolve um dos melhores roteiros que já vi, coroado com interpretações brilhantes dos atores que compõem o cast. Breaking Bad é de tirar o fôlego a cada episódio (fora aquele punhado que, num universo de cinco temporadas, foram colocados aqui e ali a fim de preencher a clássica linguiça…) e todas as cenas, todas as construções psicológicas, todo o desenvolvimento dos personagens é cuidadosamente amarrado desde o princípio. Enfim, vejam! Abaixo o trailer da estréia só pra dar aquela atiçada:

E é issaê. Vejam e depois venham me agradecer. 😉

P.S.: Mais dicas de séries maneiras aqui.

Reaçonaria™

Pra quem ainda não sabe, eu também escrevo de quando em vez no portal da Reaçonaria™. By the way, tem texto novinho em folha lá sobre o caso da família de PMs morta brutal e misteriosamente e sobre o comentário abjeto feito pelo cartunista Carlos Latuff acerca do episódio. Corram lá! 😉

http://reaconaria.org/colunas/yashagallazzi/os-mortos-sem-pedigree/

Receitinha #4: risoto de linguiça ao vinho.

Mais um risotim esperto, que tal? Essa receita é do mais alto garbo e fidalguia, mas não deixa de ser muito fácil de fazer. Prestenção!

INGREDIENTES

– Oito “punhados” de arroz arbóreo (cada um tem um jeito de medir a quantidade. Eu uso o tal “punhado”, que é uma mão quase cheia. Calculo dois desses pra cada comensal).

– Meia cebola.

– Uma colher de sopa de margarina.

– Dois tabletes de caldo de galinha (ou de legumes. Ou de bacon. Vai do gosto…).

– Um copo de vinho branco seco.

– Quatro ou cinco linguiças (depende do tamanho de cada uma…).

PREPARO

Comecem os trabalhos cedo! Sério, não vai deixar pra cima da hora, porque precisa de algum tempinho – e logo aos amigos entenderão por quê.

Coloquem cerca de um litro de água numa panela e levem ao fogo. Enquanto esperam que ela ferva, cortem a cebola em cubinhos. Depois, joguem os dois tabletes de caldo na panela de água e, depois de dissolvidos, coloquem as linguiças dentro da água para que cozinhem.

Quando as linguiças estiverem cozidas, retirem da água, desliguem o fogo e reservem o caldo. Em seguida, fatiem as linguiças em rodelas marromêno finas, coloquem-nas num recipiente, submerjam elas com o vinho e deixem lá por uma horinha, que é pra ficarem “curtindo” e ganhando aquele sabor.

Depois desse tempo, liguem novamente o fogo daquela panela onde está o caldo em que foram cozidas as linguiçãs, joguem o clássico fio de azeite na panela onde o risoto será preparado e, quando ele estiver quente, coloquem as cebolas picadas. Quando elas estiverem naquele esquema, parecendo “translúcidas”, acrescentem o arroz, mexendo muito para que todo ele incorpore o azeite e a cebola. Em seguida, acrescentem as linguiças que ficaram “apurando” no vinho e, logo depois, o próprio vinho em que elas estavam mergulhadas. Lembrem de sempre mexer muito a mistura, ok? Não vão me fazer  vergonha de deixar a parada queimar, caraio!

Quando o vinho tiver secado, hora de começar a acrescentar o caldo da panela ao lado. Vão colocando uma concha de caldo de cada vez, sempre mexendo muito até que o líquido evapore. Então, acrescentem mais uma concha e assim por diante, até que o risoto atinja aquele famoso ponto al dente (que é quando ele já está cozido, mas ainda meio durinho). Quanto estiver assim, deliguem o fogo, tasquem a margarina por cima e cubram a panela com a tampa. Cinco minutinhos depois, abram a panela e mexam mais uma vez. Pronto!

Duas rodelas de linguiça e umas lasquinhas de parmesão, pra dar aquela decorada no prato, que aqui ninguém é pedreiro pra comer de qualquer jeito!