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Solução do governo Dilma pra inflação? As pessoas devem comer menos carne.

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A imagem acima eu tirei de uma propaganda do PT veiculada durante a campanha de 2010, que elegeu Dilma. Nela, aparece um prato cheio de carnes e o locutor diz que, nos anos FHC, isso era “coisa de rico” e que com o PT, ao contrário, chegou à mesa do pobre. Nada além de mentira e demagogia baratas: não fosse o Plano Real de FHC, o dinheiro dos pobres brasileiros continuaria a não valer nada (como na época dos hoje aliados de Dilma, Sarney e Collor).

Mas por que lembrei dessa antiga propaganda petista? Porque hoje, ao falar sobre a inflação no país (que estourou o teto da meta), o Secretário de Política Econômica do governo sugeriu que as pessoas deveriam passar a comer menos carne. Sim, é sério! Confrontado com a economia que vai se deteriorando mais a cada dia, um integrante do alto escalão do governo Dilma recomendou menos consumo de carne.

Afinal, vemos que foi sob o PT que carne virou – como era mesmo? – “coisa de rico”.

Enquanto se ocupa de mentir sobre Aécio, Dilma abandona o governo e inflação supera o teto da meta.

Abaixo notícia do G1:

Depois de uma temporada de quedas, o preço dos alimentos voltou a subir e pressionou a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). De agosto para setembro, o indicador acelerou de 0,25% para 0,57%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 6,75%, acima do teto da meta de inflação do Banco Central, de 6,5%. Segundo o IBGE, é o maior índice acumulado nesse período desde outubro de 2011, quando atingiu 6,97%. No ano, de janeiro a setembro, o IPCA está em 4,61%.
A expectativa do mercado financeiro para o IPCA está em 6,32% neste ano, de acordo com o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Para 2015, a previsão dos analistas dos bancos para o IPCA ficou estável em 6,30%.
Considerando todos os grupos de despesas cujos preços são analisados pelo IBGE, o dos alimentos tiveram a maior variação. Após caírem por três meses seguidos, eles voltaram a subir, registrando alta de 0,78%, influenciados principalmente pelas carnes. O quilo do alimento subiu 3,17% em setembro.
De acordo com a coordenadora do índice de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, os preços dos alimentos, que pararam de cair no mês passado, deixaram de contribuir para a queda do indicador.
“Em setembro os alimentos pararam de cair e não contribuíram com a taxa, já que os alimentos são considerados a maior despesa do consumidor. Nesses últimos quatro meses o resultado ficou ao redor ou acima dos 6,5%, repetindo o que aconteceu em 2013 nos meses de fevereiro, março abril e maio”, disse Eulina.

VALE A PENA VER DE NOVO: Lula dizendo que o Plano Real não daria certo.

Como é mesmo aquela música? “Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou…” Pois é, falou e falou groselha, como tantas vezes ao longo de sua vida pública. Atentem pro momento em que Lula compara FHC a Collor em tom depreciativo, sugerindo que o Plano Real era apenas eleitoreiro. E agora lembrem de quem Collor é aliado em Brasília…

Hoje, dia em que o Brasil comemora os 20 anos do Real, cairia bem um pedido de desculpas de Lula e do PT, heim? Eles que também foram contra a Constituição Federal, que classificaram como ~burguesa~. É a natureza deles: sempre contra as melhores iniciativas para o país.

Enquanto isso o Real está aí, firme e forte. E só não está mais forte porque esses mais de dez anos de governo do PT estão a cada dia dinamitando mais os alicerces econômicos que o país construiu ao conseguir, finalmente, debelar a inflação. Aliás, uma coisa peculiar do progressismo nacional é esse ódio a FHC… Por que os esquerdistas, tão orgulhosos de sempre buscar o melhor para os mais pobres, insistem em não reconhecer os méritos de um governo que implementou o maior e mais eficaz programa social de combate à miséria: o Real? Sim, porque é disso que se tratava todo o plano: ao derrotar a inflação, o país permitiu que o dinheiro não evaporasse dos bolsos dos trabalhadores. Isso é transformar a vida das pessoas, não dar dinheiro mensalmente em troca de voto.

Se FHC tivesse chamado o Real de “Plano Nacional de Erradicação da Miséria”, os intelectuais de esquerda empoleirados nas universidades brasileiras teriam tatuado as iniciais dele nas nádegas!

Brasil terá menor crescimento entre emergentes em 2014.

Essa era petista à frente do governo federal está mesmo deixando suas marcas – e todas serão muito difíceis de ser superadas no futuro. Agora é a economia, que Dilma, Mantega e companhia limitada estão conseguindo empurrar pro abismo:

O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve nesta terça-feira a projeção de crescimento econômico para o Brasil neste ano, em 2,5%, mas reduziu a estimativa para o próximo ano, de 3,2% para 2,5%. Com isso, o Brasil ocupa a última colocação entre os países emergentes em 2014.

Segundo a entidade, a inflação mais alta reduziu a renda real dos brasileiros e pode pesar sobre o consumo, que vem segurando o crescimento da economia do país nos últimos anos. (…) [Fonte: Uol Economia]

Pior entre os chamados países emergentes? Sim, isso mesmo: pior! Confiram comigo no replay:

A previsão de crescimento para a economia mundial caiu de 3,8% para 3,6% e entre os emergentes e em desenvolvimento, o crescimento esperado foi reduzido de 5,5% para 5,1%. A expansão das economias avançadas foi mantida em 2%.

No relatório atual, a queda na expectativa do crescimento do Brasil, em 2014, só foi menor que a da Índia, revisada de 6,2% para 5,1%.

Para este ano, a instituição manteve a previsão de crescimento do Brasil em 2,5%, a mesma do relatório de julho. A Índia novamente foi o país com maior queda na previsão de crescimento, de 5,6% para 3,8%, seguida do México, de 2,9% para 1,2%. [Fonte: G1]

Pois é, como era mesmo aquele lema lançado pelo PT este ano? Ah, lembre: “O decênio que mudou o Brasil”. De fato, em uma década o governo petista conseguiu destruir uma das maiores conquistas recentes da sociedade brasileira: a estabilidade da economia. Parabéns aos envolvidos.

É a economia

Há vários chavões políticos destinados a explicar a importância da economia em uma campanha eleitoral. Não há dúvidas de que na eleição o coração do povo fica no bolso, como a Suênia nos contou:

Quando o dinheiro suado do povo começa a valer menos, porque o governo perde o controle da inflação, começa a despontar aquele que o amigo Pedro Nunes (@buiux) bem definiu como o melhor candidato das oposições: a economia. E o governo do PT parece ter perdido o rumo já há algum tempo nessa área:

A imagem acima estampa matéria da Folha sobre o assunto. Transcrevo abaixo alguns trechos (íntegra aqui):

Os preços de uma cesta de 104 itens chegaram a subir até 19% nos supermercados entre 2012 e 2013, segundo pesquisa anual da Proteste (associação dos consumidores) feita em 21 cidades de 14 Estados do país.

(…) A pesquisa mostrou alta generalizada nos preços de alimentos, bebidas e artigos de limpeza e higiene em todo o país. São coletados para essa cesta apenas os valores de marcas líderes de mercado em cada região pesquisada.

Quem bater perna na hora de comprar consegue uma economia de até R$ 2.028,90 por ano, considerando a compra mensal dessa cesta.

(…) Os Estados com o maior aumento nos preços neste ano, na comparação com 2012, estão no Nordeste. No Ceará, houve aumento de 19%, seguido por Bahia (17%), Maranhão (17%) e Paraíba (16%). “É justamente a região de maior ascensão da chamada nova classe média”, disse Michele Alves, responsável pela pesquisa.

Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste, lembra que, além de o frete para essa parte do país ser mais elevado, os consumidores dessa região têm menos “educação para o consumo”, o que pode facilitar o repasse do aumento de preços pelos supermercados. “Isso ocorre principalmente em áreas onde a concorrência também é menor”, diz. (…)

O governo Dilma dirá que isso é culpa dos espiões americanos, da direita, da Veja, da Globo e da elite branca. Às oposições cabe mostrar à sociedade que quem governa o Brasil há uma década seguida é o PT: o descontrole inflacionário que está corroendo o salário de quem trabalha é um “conquista” de Lula e Dilma.

Textículos #11

O petista Jaques Wagner, que hoje pena com uma greve – absurda e violentíssima, que há muito já descambou para a bandidagem -, na Bahia, afirmou, no já longínquo ano de 1991 da graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o que segue:

Em primeiro lugar solidarizo-me com nossos conterrâneos da Polícia Militar do Estado da Bahia, que há aproximadamente dez dias vêm se movimentando juntamente com seus familiares, particularmente as esposas, numa justa reivindicação por melhorias salariais. Infelizmente, a impermeabilidade do Governador do Estado fez com que o Comando da Polícia Militar punisse cerca de 110 militares.

É, amigos… Eram outros tempos, em que a Bahia era governada por ACM, usado pelos petistas como encarnação de Belzebu na Terra. Evidente que hoje ele não se solidariza com os grevistas, nem acha justas as reivindicações deles, não é mesmo?

Não! Eu não estou condescendendo com a bandidagem e o terrorismo que o comando de greve da PM/BA tem produzido em Salvador. Acho que a greve é ilegal e os responsáveis precisam ser caçados e punidos de forma exemplar! Servidor público fazendo greve já é uma vergonha pra espécie humana. Servidor público armado fazendo greve (e constrangendo abertamente a população, como está ocorrendo na Bahia) é ato de terrorismo!

Mas é muito divertido ver o PT provando do próprio veneno. Ah, isso é!

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Para os que ainda acham que exagero ao chamar a greve da PM na Bahia de terrorismo, sugiro a leitura disso: “Grevistas utilizam crianças como escudo humano na Bahia”.

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Aliás, bem lembrado lá na Flanela Paulistana: vai ser só a PM/SP resolver entrar em greve também, em apoio aos amiguinhos da Bahia, que rapidamente os petistas passarão de revoltados a defensores “de uma categoria oprimidade pela política nazifascista da administração Alckmin”

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E o PT privatizando aeroportos, heim? Quem diria… Bem, eu diria…

Sério, estava muito evidente que a dona Dilma faria isso, né? Pessoalmente, concordo com a idéia: sou um liberal, como vocês estão cansados de saber. Por mim, privatizava-se tudo (exceção feita ao aparelho de segurança pública e às Forças Armadas)! Assim, não há qualquer incoerência de minha parte em aplaudir a idéia de privatizar aeroportos, que, convenhamos, não têm por que estar sob controle do Estado.

Quem deve estar precisando fazer análise é o pessoal do PT, que passou a vida toda criticando as privatizações… Não deve ser fácil acordar e precisar fazer contorcionismo retórico e moral a fim de defender o governo.

Contudo, cabe registrar que a forma de privatização escolhida pelo PT é ridícula! Aliás, nem se pode chamar de privatização aquilo que nada mais é do que uma mera troca de monopólios. Isso pra não mencionar o ágio absurdo que se verificou nas negociações (ou erraram os preços antes, ou há sobrevalorização indevida depois…), e o fato de que o BNDES vai financiar 80% das privatizações. Amigo, iniciativa privada feita à base de grana pública, sem assumir nenhum risco? Ô, coisa linda essa privatização à brasileira! Até eu!

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Dilma escolheu hoje Eleonora Menicucci para o cargo de Secretária de Política para Mulheres. Ao falar sobre o aborto, essa senhora afirmou:

O aborto, como sanitarista, tenho que dizer, ele é uma questão de saúde pública, não é uma questão ideológica. Como o crack, as drogas, a dengue, o HIV, todas as doenças infecto-contagiosas.

Pois é, devo mesmo ser um conservador careta… Afinal, por mais que me esforce, não consigo tratar o aborto como “todas as doenças infecto-contagiosas”. Sei lá, acho que uma vida não é como um parasita, que precisa ser eliminado.

Mas eu não passo de um reacionário direitista, né? Gente boa mesmo são os humanistas da esquerda, como a dona Eleonora. São eles que se dedicam a estudar o tal “outro mundo possível”, onde coisas abstratas como “o povo” e “a sociedade civil” viverão de mãos dadas, caminhando e cantando e seguindo a canção. Eu, egoísta que sou, me ocupo apenas dos indivíduos – inclusive aqueles que ainda nem nasceram…

Um fanático anti-mercado.

Já faz algum tempo que Paulo Moreira Leite não anda escrevendo coisa com coisa… Hoje, em texto publicano na Época, ele resolve tirar uma onda com aqueles a quem chama de “fanáticos do mercado”, destilando todo o seu fanatismo anti-mercado. Acompanhem:

Em sua edição de 27 de janeiro, a reportagem de capa da Economist, leitura obrigatória da elite financeira mundial, ajuda a colocar o debate sobre os rumos da economia em seu devido lugar.

O titulo é bastante significativo: “O crescimento do capitalismo estatal
– o novo modelo dos emergentes.”
Como sabem seus leitores, a Economist é uma publicação com idéias conservadoras em assuntos econômicos. Defende uma presença mínima do Estado na economia, costuma apoiar governos e candidatos de acordo com elas mas não é partidária de idéias irracionais nem fanáticas. [Sim, os grifos são meus. Não sei vocês, mas não ficou bem claro pra mim qual seria a orientação da revista. Acho que nem pra ele, by the way…]
A vantagem para os leitores é que não confunde a realidade com seus desejos. [Diferente do que faz o próprio Paulo Moreira Leite, que passa o texto inteiro tentando torturar os fatos, para que se confessem de acordo com seus desejos.]
Diante da crise européia, a Economist tem sido uma das críticas mais duras da obsessão de Angela Merkel com a austeridade e defende programas de estímulo ao crescimento para tirar o Velho Mundo para o fundo do poço.
Em 2009, quando boa parte da imprensa brasileira preocupava-se em encontrar obstáculos na recuperação do país após a crise de Wall Street, a Economist saiu com uma capa que mudou o rumo da conversa:  ”O Brasil decola.” Ali, lembrava aos leitores que o país havia entrado numa fase de prosperidade e que em breve estaria ocupando um lugar importante entre as maiores economias do planeta. [Sim, hoje este país-tropical-abençoado-por-Deus-e-bonito-por-natureza-mas-que-beleza é a sexta economia do mundo! QUE RUFEM OS TAMBORES! Pouco importa que mais da metade da população não tenha esgoto em casa. Somos orgulhosamente uma POTÊNCIA EMERGENTE! Uma potência que caga no mato, mas, ainda assim, uma potência.]
Essa forma não-provinciana de enxergar a realidade também aparece na reportagem especial de 14 páginas sobre capitalismo de estado. [A velha arte de tentar diminuir a visão que lhe é contrária… Como ele concorda com a revista, ele se torna “não-privinciana”. E vamoquevamo!]

(Pegue o link, em inglês: http://www.economist.com/node/21542931)

Eu acho que essa reportagem merece reflexão de quem se interessa de verdade pelo conhecimento da economia e não pela divulgação de suas convicções e mesmo de seus preconceitos. [É curiosos, porque o texto todo do Paulo Moreira Leite nada mais é do que a mera “divulgação de suas convicções e mesmo de seus preconceitos”…]

Para a revista, assiste-se a um momento em que a crise do “capitalismo liberal ocidental coincidiu com uma forma nova e poderosa do capitalismo de estado nos mercados emergentes.”

Fazendo um balanço histórico, a revista lembra que o papel do Estado na economia mundial cresceu entre 1900 e 1970. Naquele momento, o vento soprava nessa direção. [Nem uma mísera linha sobre como esse crescimento do tal “papel do Estado na economia” ajudou a construir a bagunça toda. Nada…]

Depois disso, as idéias do mercado  ganharam terreno com Ronald Reagan e Margareth Tatcher,as privatizações  e a ruína da União Soviética e seus satélites. [“Ganharam terreno”, não. Ganharam a disputa como um todo, mesmo! Ou alguém pode considerar (a sério!) que, depois do colapso da URSS, ainda exista alternativa possível ao capitalismo?
A partir de 2008, depois da crise do Lehman Brothers e a crise das economias desenvolvidas,  ”a era do triunfalismo do mercado foi interrompida.” [Aham… A “crise das economias desenvolvidas” é tão destruidora, que o salário médio deles – tadinhos! – deve ser umas quatro vezes maior que o nosso, aqui nessa potência emergente. E nem vamos falar do IDH…]
Avaliando as consequências desta situação, a revista afirma que a forma atual de “capitalismo de estado representa o mais formidável inimigo que o capitalismo liberal já enfrentou.” [Ô! Um lado defende o mercado livre e a democracia plena, enquanto o outro tem como grande modelo a China, uma ditadura! Do the math…]
Hoje, “o capitalismo de estado pode reivindicar os maiores sucessos econômicos do mundo para seu campo.” [Claro! Se Brasil imprimindo dinheiro e China controlando ferramentas econômicas na base da canetada podem ser considerados exemplos de sucesso, então tá valendo.] As empresas estatais representam 80% dos valores negociados no mercado de ações da China, 62% na Russia e 38% no Brasil. Comparando taxas de crescimento, a revista recorda que estes países crescem  5,5% ano ano, contra 1,6% dos desenvolvidos. A revista também acredita em 2020 essas economias emergentes irão responder por metade do PIB mundial. [Ou seja, podemos imaginar o tamanho da CATÁSTROFE quando o Estado fizer besteira em uma delas (e ele sempre faz, taí a história pra comprovar…).]
A influencia do capitalismo de estado deve prolongar-se por anos, diz a revista. Isso porque, em função de sucessos localizados e momentâneos, talvez seja necessário aguardar muito tempo até que  ”as fraquezas do modelo se tornem evidentes.” [Opa! Esse é o ponto mais interessante da matéria: a revista tem certeza que os problemas desse capitalismo conduzido com mão-de-ferro pelo Estado vai inevitavelmente acabar mal.]
Partidária da visão de que a economia de mercado sempre será mais eficiente e  mais aberta às inovações, a revista acredita que cedo ou tarde o capitalismo de estado acabará perdendo sua força e poder de atração. [Dãããããã!]

Gostaria de comentar algumas idéias discutidas pela revista. [Mal posso esperar!]

A revista associa mercado e democracia, estado e ditadura. Confesso que até hoje não entendi porque se costuma associar estes dois fenômenos, sempre desta maneira. [Jura?! Tá precisando voltar pros livros de história, amigo.] Num país onde o Estado tem forte influencia na economia, esta atividade passa a sofrer forte influencia do sistema político. Se o regime for uma ditadura, será uma influencia autoritária. Se for uma democracia, irá refletir, após muitos filtros e distorções, o pensamento do eleitor. [Só que uma economia sofrendo forte influência do sistema político (vish!) fica à mercê do partido/coligação que governa. Ferramentas econômicas deixam passam a ser objeto de disputas partidárias e – o que é mais perigoso! – ideológicas. Coisa linda, heim?!] Numa economia dominada pela iniciativa privada, a maior influencia sobre o Estado virá do mercado, ou seja, das empresas privadas e seus lobistas. [Búúúúúú! Capitalismo malvado! Búúúúúú! Empresas privadas!] Não virá do cidadão comum nem da classe média nem dos trabalhadores. [Sim, porque no Brasil – p.ex. – quem influencia a economia são os trabalhadores, né? Não é nem o PT, nem o PMDB. Na China, a galerinha que costura tênis da Nike e planta arroz vive ditando as diretrizes macroeconômicas, como o mundo inteiro sabe. Evidente que não são os burocratas do PC a fazer isso…]

França, Inglaterra e Alemanha são paises que tiveram uma forte influencia do Estado na economia, ao longo do século XX, e não deixaram de ser democracias por causa disso. Nos anos Roosevelt, o Estado coordenou e até dirigiu boa parte do crescimento econômico americano. Seria autoritarismo? As ideias ultraprivatizantes de Augusto Pinochet nunca o impediram de transformar o Chile numa ultraditadura. Há quem diga que a segunda foi condição para que pudesse realizar a primeira. [Paulo Moreira Leite tenta dar um migué na lógica. Ele torce e retorce os termos pra tentar trapacear o leitor, mas o truque é facilmente perceptível: pode haver liberalismo econômico sem liberdade civil. Mas não pode haver liberdade civil sem liberalismo econômico. E aqui fica o desafio: apontem um único exemplo de país onde a sociedade tenha vivido plenamente num regime de liberdades civis, sem que tenha existido mercado livre. SPOILER: não há!]

O nazismo de Adolf Hitler foi um produto direto da obsessão da centro-direita alemã com o mercado e sua recusa para criar medidas para enfrentar o desemprego e a falta de crescimento. [Eita, nóis… Prefiro achar, em benefício do articulista, que o que vai acima não é uma deliberada mentira criada com o intuito de turvar o pensamento do leitor, mas apenas a “boa” e velha BURRICE, mesmo. Então aos olhos de Paulo Moreira Leite Hitler seria um entusiasta do mercado? Logo ele, que declaradamente idolatrava Marx e Lênin?! Logo ele, que criou um troço chamado de Partido Nacional-Socialista?! Se Hitler lesse isso, se sentiria tão ofendido que Moreira Leite correria sérios riscos de ser mandado para a câmara de gás…]

Outra afirmação é a seguinte: “o capitalismo de estado funciona direito quando dirigido por um estado competente.” A regra vale para tudo na vida, na verdade. Inclusive para o capitalismo de mercado. [Ué, e não é verdade?!] Colapsos gigantescos como de 1929 e 2008 deveriam reforçar a modéstia dos que acreditam na competência instrínseca da iniciativa privada. Nos dois casos ela precisou ser salva pelos recursos do Estado, socializando imensas perdas depois de ter embolsado enormes prejuízos. [Mas, “Paulinho”, o Estado se metendo pra salvar a iniciativa privada não tem nada a ver com a idéia essencial de liberalismo econômico! Agora, quando consideramos que o Estado só existe porque nós, indivíduos livres, concordamos em tolher parte de nossas liberdades naturais para viver em sociedade, e pagamos impostos para permitir que ele funcione, o mínimo a esperar é que algo seja feito para compensar os desastres decorrentes de políticas públicas pretéritas. Sim, afinal a tal crise de 2008 não seria o que foi, se o Estado não tivesse saído por aí dando crédito de forma desregrada; ou fazendo alavancagem com dinheiro irreal; ou brincando de banco imobiliário na base da impressão de moeda.]

A ideia da eficiência natural do mercado esbarra em contradições importantes. [A idéia de eficiência natural do Estado esbarra em fatos históricos.] Os mercados tem uma dificuldade imensa para lidar com a desigualdade social, problema que está na raiz das principais crises econômicas recentes. [Errado! Na raiz das crises recentes está o Estado se metendo e: 1) regulando em excesso aquilo que não deveria regular; 2) fomentando na base da impressão de dinheiro aquilo que não deveria fomentar.] Sem mercados para crescer, a economia cria sistemas de credito para emprestar dinheiro para quem pode consumir mas não tem renda de verdade para pagar a conta, montando uma bola de neve que produziu os derivativos que explodiram em 2008. [Tá tudo quase certo nesse último período. Basta trocar aquele “a economia” por “os governos”. Pronto! A bola de neve não apenas foi criada pelo Estado criando sistemas de crédito para quem podia consumir, mas não tinha renda pra pagar, como também foi atirada montanha abaixo por esse mesmo Estado, na base do “se acabar o dinheiro a gente imprime mais!” Sério, de quem foi a culpa, “Paulinho”?]