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Pastor Everaldo no JN.

Ontem foi a vez da entrevista do Pastor Everaldo no Jornal Nacional. Para ele, absolutamente desconhecido do grande público, a entrevista foi mais importante que os dois meses de horário eleitoral obrigatório que ainda estão por vir, principalmente considerando a audiência do JN. Pois bem, vamos às impressões:

Primeiro quero parabenizar o Pastor Everaldo. Sim, parabenizar! Não é qualquer um que vai em rede nacional, na frente do país inteiro, defender as bandeiras que ele defendeu, correndo o risco de virar alvo de todo o establishment progressista e politicamente correto que controla o país. Ele não apenas bancou pela primeira vez desde 89 uma agenda claramente conservadora, como o fez de forma objetiva e direta.

Não acho que ele vá se tornar um fenômeno eleitoral (mesmo estando convencido de que boa parte da população brasileira simpatiza com os valores morais dele), principalmente porque é muito pouco conhecido e concorre por um partido nanico. Mas entendo que ele presta um serviço ao país ao oferecer uma opção claramente à direita, sem vergonha de se reconhecer como tal. Não se enganem: nenhuma democracia sólida do mundo deixou de ter uma agenda conservadora nas campanhas eleitorais. Só o Brasil teimava em ser diferente.

Pessoalmente, discordo de vários pontos que ele defende, assim como me reconheço em tantos outros. A novidade – a boa nova – é que ele pode ter aberto a porta para outras candidaturas e agendas de direita, inclusive de cunho mais liberal (afinal ele falou em privatizar a Petrobrás, os Correios… Tudo!). Faço votos para que isso se aprofunde no país ao longo dos próximos anos, pois trará um amadurecimento do debate político. Com um Everaldo na disputa, falando em privatizar todas as estatais, por exemplo, o discurso do PT de tratar os tucanos como neoliberais vira uma piada.

Dilma no JN: o Brasil nunca teve alguém tão despreparado no comando do país.

Que espetáculo constrangedor foi aquela protagonizado por Dilma, no Jornal Nacional. Não faltaram as tradicionais engasgadas e a principal marca dela: a incapacidade de concluir um mísero raciocínio lógico sem se perder em milhares de devaneios.

Dilma foi duramente confrontada por Bonner (o que é correto) e, quando teve que falar sobre o costume que o PT tem de tratar bandidos condenados como heróis, saiu-se dando a entender que discordaria do STF, caso não fosse presidente da República. Mostrou que não conhece nada da administração Federal (disse que foi Lula quem criou a CGU, órgão que existe desde 2001!) e, como não poderia deixar de ser, mentiu. Mentiu ao insistir que a inflação estaria em zero. Mas não se pode negar que também foi sincera: quando reconheceu, para 40 milhões de pessoas, que a saúde no Brasil não está nem perto do aceitável.

Uma boa análise da entrevista foi publicada pelo jornalista Ricardo Noblat, que pode ser acusado de tudo, menos de ser um ferrenho anti-petista:

William Bonner empurrou a presidente Dilma Rousseff para o canto do ringue. E ficou batendo nela até cansar. Até resolver lhe dar algum refresco, quando ofereceu um minuto e meio além dos 15 previstos para que ela fizesse suas considerações finais.

Como Dilma, atarantada, não conseguiu respeitar o tempo que lhe coube, Bonner e Patrícia Poeta decretaram o fim da terceira entrevista do Jornal Nacional com candidatos a presidente. As duas primeiras foram com Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

De longe, a entrevista com Dilma foi um desastre. Para ela. Não chamou Bonner e Patrícia de “meus queridos”, como costuma fazer quando se irrita com jornalistas que a acossam com perguntas incômodas. Mas chegou perto.

Passou arrogância. Exibiu uma de suas características marcantes – a de não juntar coisa com coisa, deixando raciocínios pelo meio. Foi interrompida mais de uma vez porque não conseguia parar de falar, e fugia de respostas diretas a perguntas.

Perguntaram-lhe sobre corrupção. Dilma respondeu o de sempre: nenhum governo combateu mais a corrupção do que o dela. Bonner perguntou o que ela achava de o PT tratar como heróis os condenados pelo mensalão. Foi o pior momento de Dilma (terá sido mesmo o pior?).

Dilma escondeu-se na resposta de que como presidente da República não poderia comentar decisões da Justiça. Ora, a resposta nada teve a ver com a pergunta. E Bonner insistiu com a pergunta. E Dilma, nervosa, valeu-se outra vez da mesma resposta. Pegou mal. Muito mal.

Quando foi provocada a examinar o estado geral da economia, perdeu-se falando de “índices antecedentes”. Provocada a dizer algo sobre o estado geral da saúde, limitou-se a defender o programa “Mais Médicos”.

Seguramente, nem em público, muito menos em particular, Dilma se viu confrontada de modo tão direto, seco e sem cerimônia como foi por Bonner e Patrícia. Jamais. Quem ousaria? Surpreendida, por pouco não se descontrolou.

Sobre as mentiras contadas por Dilma ontem, a Turma do Chapéu publicou um excelente texto feito pelo @albertolage, que todos deveriam ler para poder conhecer a verdade.

Eduardo Campos no Jornal Nacional.

Ontem foi a vez de Eduardo Campos ser entrevistado no Jornal Nacional. O candidato do PSB não chegou a ir mal, mas, a meu ver, se deixou abater pela forma incisiva com que Bonner e Patrícia Poeta têm conduzido o quadro. Começou até ensaiando alguma desenvoltura, pra depois ir murchando a partir dos três minutos, quando confrontado com a interferência política que fez para que sua mãe chegasse ao TCU.

Estranhamente, ele parecia não esperar perguntas sobre o caso de nepotismo, o que causa assombro: se uma campanha não se prepara para enfrentar os esqueletos que o candidato tem no armário, é melhor nem começar.

O melhor momento de Campos foi quando lembrou que “Dilma vai entregar o país pior do que recebeu”, algo inédito na chamada Nova República. E ao dizer que com o descontrole inflacionário “o salário não chega até o fim do mês”, usando uma expressão lançada por Aécio ainda durante as inserções eleitorais.

O pior momento de Campos, além de ter ficado visivelmente abatido quando confrontado com o episódio da nomeação da mãe, foi quando Bonner lembrou que a vice dele, Marina Silva, tem uma posição contrária ao agronegócio. Nesse momento me pareceu que o candidato chutou o balde: bancou Marina e disse que foi contra o Código Florestal. Minha leitura é que deu o voto do agronegócio por perdido de uma vez, numa última esperança de arrebatar o coração dos “sonháticos” e chegar aos dois dígitos nas pesquisas.

Aécio abre rodada de entrevistas no Jornal Nacional: “Não trato bandido como herói nacional”.

Ontem o Jornal Nacional realizou a primeira da série de entrevistas que fará com os principais candidatos à Presidência. O entrevistado foi o tucano Aécio Neves que, a meu ver, se mostrou seguro e sereno em todos os momentos, inclusive naqueles quem que foi duramente confrontado por William Bonner e Patrícia Poeta. Abaixo a análise que o jornalista Ricardo Noblat fez:

Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente da República, foi claro, sereno e arguto ao responder, há pouco, a perguntas de William Bonner e de Patrícia Poeta, apresentadores do Jornal Nacional.

A entrevista de 15 minutos abriu a série de entrevistas do Jornal Nacional com os presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto.

Amanhã será a vez de Eduardo Campos (PSB). Na quarta, de Dilma Rousseff (PT). E na quinta do Pastor Everaldo (PSC).

A pergunta sobre a construção de um aeroporto em terras da família de Aécio foi a que poderia tê-lo deixado numa saia justa. Mas não. Ele a respondeu da melhor maneira possível – o que não significa que tenha sido convincente.

Pareceu convincente quando se esquivou com habilidade da pergunta sobre Eduardo Azeredo, protagonista do escândalo do mensalão mineiro, e que é visto sempre ao seu lado. “Ele está me apoiando e não o inverso”, chegou a dizer quase baixinho. Para completar (cito de memória):

– O PT tratou como heróis nacionais seus dirigentes condenados e presos. Isso não faremos.

Bonner quis saber o que Aécio fará para pôr em ordem uma economia desajustada. Certamente repetirá a pergunta quando entrevistar os demais candidatos.

Aécio driblou a pergunta em duas ocasiões. Como os demais candidatos farão. Nenhum deles admitirá que medidas impopulares deverão ser tomadas para que o país volte a crescer.

Ao se despedir dos espectadores, Aécio usou um recurso simpático e eficiente. Citou eleitores que conheceu para destacar os principais problemas que enfrentará caso se eleja. Não foi de graça que privilegiou eleitores do Norte e Nordeste, regiões onde está mais fraco.

É uma pena que o jornalismo dos canais abertos de televisão só nos ofereça entrevistas francas – ou quase isso – às vésperas de eleições. A política poderia ser melhor se isso ocorresse com regularidade.

Meu destaque vai pra dois momentos em especial: primeiro quando Aécio, reafirmando que não tem bandidos de estimação, comprometeu-se a nunca tratar bandidos condenados pelo STF como heróis nacionais, diferente do que fez e faz o PT até hoje, com os mensaleiros. O segundo momento de destaque foi o final, quando Aécio voltou-se para a câmera e, citando alguns eleitores que encontrou nas recentes viagens ao norte e ao nordeste do país, falou diretamente aos brasileiros.

Amanhã o entrevistado será Eduardo Campos, seguido de Dilma (quarta) e do Pastor Everaldo (quinta). Quero crer que os âncoras do JN irão manter a mesma “pegada” com todos. Torço por isso: quando o jornalista é duro, o mais preparado se destaca.

Aqui a íntegra da entrevista, caso ainda não tenham visto: http://goo.gl/0WwgT5