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Top 10 coisas comuns na Europa, que parecem inacreditáveis pra nós.

Eu volto de uma viagem pra Europa e é inevitável que amigos perguntem: “E aí, como foi lá?” A conversa começa e segue até o momento em que, sem nem me dar conta, menciono alguma particularidade do “velho mundo” que, aos nossos olhos de brasileiros, parece coisa de outro mundo.

É curioso (e, confesso, divertido) narrar alguns aspectos próprios da cultura e da vida européias, vendo a cara de espanto dos interlocutores. Algumas vezes, a galera desconfia mesmo! “Que nada, cê tá zoando! Isso não existe!”

Mas existe! Para ilustrar, resolvi fazer um Top 10 das coisas que considero absolutamente comuns na vida dos europeus, mas que para nós, nascidos neste país-tropical-abençoado-por-Deus-e-bonito-por-natureza-mas-que-beleza, parecem saídas de histórias de ficção científica. Taí:

1 – Posto de gasolina SEM FRENTISTA!

É eu mencionar isso, e meus amigos brasileiros ficarem de queixo caído. “Como assim?! E quem coloca a gasolina?! E como paga?! E se o maluco fugir sem pagar?! E se explodir a porra toda?!” Essas são só algumas das perguntas que a galera me faz.

Primeiro, xeu esclarecer pra vocês: é claro que existem postos de gasolina com frentista na Europa. A questão é que além desses tradicionais há aqueles em que ficam lá só as bombas de combustível e você tem que se virar, meu amigo.

“Ah, grandes merda! Se existe posto tradicional, é só procurar um desses.” Sim, você pode ir no que preferir. Mas tem um detalhe: o preço do combustível é sempre mais barato nos postos self-service. A razão é óbvia: sem frentista o dono do posto tem menos despesas. Se tem menos despesas, os custos diminuem. Se os custos diminuem, os preços caem. God bless capitalism!

Abastecer sozinho o carro é bem simples, basta saber ler e raciocinar logicamente. Via de regra, você chega, digita no computadorzim da bomba de combustível quanto quer pagar, aí vai e coloca a gasolina em seguida. A bomba trava no momento exato em que completar o valor que você digitou no início da operação. Et voilà!

Durante o dia, é comum que as lojinhas dos postos (quase todo posto tem uma lojinha dessas de conveniência) estejam lá pra receber o pagamento. Aí, se você preferir, pode primeiro abastecer e depois pagar diretamente no caixa.

“Mas o maluco pode abastecer e fugir sem pagar!” Pode. Se ele for um turista vagabundo, beneficiário do Bolsa-Família e/ou Android user. Mas não se enganem: há câmeras em todos os postos, e a polícia será avisada da sua “brincadeirinha”…

2 – Sistema self-checkout nos supermercados.

Estranhou posto de gasolina sem frentista? Pois agora imagina um caixa de supermercado sem aquela tiazinha que passa as compras e recebe a grana. Impossível? Ficção científica? Fringe? Não, amigos. Isso é muito comum lá nazorópa.

Funciona exatamente como um caixa normal, a diferença é que você faz a leitura dos códigos de barra dos produtos no lugar de um funcionário do supermercado. Cê entra, pega seu carrinho, junta suas compras e, na hora de sair, vai passando um produto de cada vez no leitor óptico, enquanto o computador dos caras soma o valor.

No final, basta escolher se vai pagar em cartão ou dinheiro, e pronto! A máquina termina o processo de pagamento e você vai pra sua casa muito mais rápido, afinal o ser humano é um animal preguiçoso e a maioria das pessoas prefere encarar as filas dos caixas onde estão as tiazinhas contratadas pelo supermercado, a fazer o trabalho pessoalmente.

“Caraio, mas devem roubar muita coisa!” Taqueopariu, ceis só pensam nisso, seus farofeiros?! Sim, claro que dá pra roubar os produtos. O que impede que isso aconteça é o caráter da galerinha, educada em – como direi? – “outros padrões”… Sem falar que os vigilantes podem a qualquer momento desconfiar das caras corintianas de vocês, e obrigá-los a mostrar as compras. Aí, quem bancou o espertinho vai dormir na cadeia, hehehe.

3 – Embalador de compras? O que é isso?!

Lá na Europa (e acho que em algumas cidades maiores e mais desenvolvidas do Brasil, também) simplesmente não existe mais a figura do embalador de compras. Você vai no supermercado, escolhe o que quer levar, passa no caixa (o tradicional, ou o do sistema self-checkout) e, depois, cuida de embalar suas tralhas, maluco! Ninguém vai fazer isso por você, e o próximo freguês também tá com pressa!

O que a gente faz lá é já ir embalando as compras tão logo a tiazinha do caixa vai passando elas, de modo a agilizar o processo todo. Aí, quando chega a hora de pagar, os produtos já tão todos dentro das sacolas. Putz, bem lembrado! Tem o lance das sacolas…

4 – Quer uma sacolinha pra embalar suas compras? TEM QUE COMPRAR!

Sacam essa neurose da Igreja do Aquecimento Global dos Últimos Dias, que vive nos ameaçando com um armagedom horrendo caso não paremos de jogar no lixo garrafas pet e sacolas plásticas? Pois é, o Brasil – como sempre! – chegou atrasado. Na Europa os caras já tão nessa onda há muito mais tempo.

Para desencorajar o uso das famigeradas sacolas plásticas de supermercado, a galerinha decidiu cobrar por elas – o que, convenhamos, é um lance de gênio! Aí, ou você compra cada sacolinha por cinco centavos de euro, ou se vira e passa a usar aquelas reutilizáveis, que tão começando a virar moda por essas bandas agora.

“Ah, só cinco centavos?!” Pois é, só. Eu também penso a mesma coisa, mas só porque não moro lá. Imagina quem precisa ir no supermercado toda semana, comprando umas dez-quinze sacolinhas cada vez. Aí neguinho já se sente otário, né? É por isso que todos os nativos usam as sacolas ecologicamente corretas (que eu prefiro chamar de economicamente corretas, afinal salvam os nossos bolsos…). Aliás, dessa vez eu também comprei três dessas, pra parar de pagar pelas sacolinhas plásticas. [Beijo, Marina Silva!]

5 – Quer um carrinhos no supermercado/aeroporto? TEM QUE PAGAR!

Sim, precisa pagar mesmo. Mas é só um empréstimo: você deposita uma moeda, pega o carrinho, usa pro que precisa e, ao final, devolve. Aí, quando devolve, pode pegar sua moeda de novo. Na verdade, é mais como uma consignação

Em todo canto você vê isso: supermercados, shoppings, aeroportos… Você vai conseguir um carrinho pra quebrar o galho se tiver nos bolsos uma moedinha de 0,50, 1, ou 2 euros. No final, como dito, basta devolver o carrinho pra pegar a moedinha tão preciosa de volta (ou, se você está com muita pressa, pode largar o carro em qualquer canto e abrir mão da moeda). Simples assim.

O curioso é que isso é algo tão distante da nossa realidade, que pega todos os turistas brasileiros de surpresa. Uma das coisas mais hilárias do mundo é ver a galera tupiniquim penando na tentativa de ARRANCAR os carrinhos dos postos de retirada, sem entender por que caráleos “essas merdas tão presas”. PQP, só de lembrar já tô rindo aqui!

Mais bacana que isso é quando eles finalmente descobrem o sistema, e saem no meio dos outros passageiros pedindo “””””emprestada”””” uma moedinha pra pegar o carrinho. Véi… Eu sempre chego na Itália de bom humor, a despeito de uma viagem internacional de 10 horas, porque esses malucos me proporcionam uma sessão de risos espetacular!

Claro que eu, como bom brasileiro, sempre levo umas moedinhas a mais pra socorrer meus conterrâneos Symbian users. Aproveito e forço no acento italiano, pra eles pensarem “nossa, como são simpáticos aqui na Itália”. 😉

Tenho uma teoria sobre isso: aposto que os seguranças dos aeroportos gostam de ver a galera quebrando a cabeça com os carrinhos, porque é inexplicável que não haja uma única maquininha daquelas de câmbio de dinheiro, bem ao lado dos carrinhos. Só pode ser pela zoeira com a turistada…

6 – Meia margherita, meia quatro queijos? Negativo! Lá é UMA PIZZA PRA CADA UM!

Taí uma coisa que sempre causa espanto na galera daqui. Quando você for numa pizzaria na Europa pela primeira vez, o primeiro susto será ao ler o cardápio: 1) há uma infinidade de sabores; 2) não há tamanhos diferentes. Pequena, média e grande? Esquece! Lá é tamanho único: algo entre a média e a grande daqui. E é uma pizza pra cada um!

“Como assim, caráleo?!” É, assim. Cada freguês pede uma pizza inteira para si. Você fala: “quero margherita” e o garçom vai e te trás uma pizza inteira de margherita, pra você comer sozinho. Pensa no susto da turistada quando vê isso pela primeira vez, hehehehe…

7 – Quer uma Coca-Cola gelada? SE FUDEU!

Pra não dizerem que nunca reclamo da Europa: lá é quase impossível comprar refrigerante, água ou cerveja bem gelados. Sacam esse “bem gelados”, né? Do jeito que a gente gosta aqui: trincando!

Eu nunca entenderei por que diabos eles tomam essas coisas quentes (no máximo levemente frias)… Quando a gente pega um dia de sol por lá e tá com calor, é angustiante não conseguir uma Coca bem gelada pra refrescar… No desespero, compra-se qualquer uma e aí vem aquela desgraça quase morna… Argh!

Descobri três formas de escapar disso e conseguir bebida gelada: 1) nas maquininhas de self-service, dessas que ficam na rua; 2) nos fast-foods (porque aí dá pra pedir muito gelo!); e 3) comprando em barraquinhas de estrangeiros. Atentem: tem que ser barraquinha de estrangeiro mesmo! De preferência um africano: o maluco tá acostumado com calor e também gosta das bebidas bem geladas. Costumo dizer que nunca serei contrário à imigração por conta disso: os marroquinos e argelinos nos salvam com suas Cocas geladas.

8 – Você joga o papel higiênico no lixeirinho? SEU PORCO!

Taí uma coisa que pode parecer muito insignificanete, mas chama a atenção de quem vai à Europa pela primeira vez: papel higiênico usado deve ser jogado no vaso, não no lixeirinho. Na maioria dos lugares, aliás, nem lixeirinho perto do vaso existe!

E se você já foi à Europa, limpou esse traseiro gordo e tascou o papel imundo em outro lugar que não o vaso, saiba que passou por porco diante dos nativos.

9 – Ônibus sem cobrador.

Pois é, a pessoa compra o bilhete (ou um cartão onde coloca créditos para um dia, uma semana, um mês, um ano…), entra no ônibus, se dirige até uma das maquininhas que ficam dentro do veículo e tasca o bilhete dentro (ou passa o cartão na frente do leitor óptico). Pronto, simples assim.

E, sim. Eu sei que com a mente criminosa de vocês, estão todos pensando algo como “nossa, mas assim fica fácil de viajar sem gastar a passagem”. Verdade, dá pra neguinho subir no ônibus, não inserir o bilhete na máquina e viajar de graça. Mas isso é ser desonesto, meus caros. E aí voltamos pro que já falei antes: os valores lá não são como cá… A arte do “jeitinho” e do “sou esperto e passo os outros pra trás” são instituições brasileiras que não imperam no primeiro mundo. Por isso eles são o que são, e nós somos o que somos…

10 – Nota fiscal até em venda de balinha.

Esse é uma das coisas que mais me surpreendem na Europa, mesmo depois de váááárias viagens que fiz até lá: toda e qualquer comprinha que você fizer vai gerar uma nota fiscal. E mais: o vendedor vai fazer questão de entregar a notinha a você.

“Ah, mas isso é lei no Brasil também.” Sim, mais uma dessas leis que, como se diz por aqui, “não pegou”… O que faz a coisa lá ser tão diferente, é que todos os vendedores imprimem a nota (ou o cupom) fiscal sempre, sem nunca perguntar se o cliente quer. Eles sabem que é lei, portanto cumprem. Que maravilha, heim?

Você entra no bar e pede um café, paga um euro e a vendedora vai lá, imprime seu cupom fiscal e larga ele no balcão, na sua frente. Aí, se na hora de sair você virar as costas e esquecer o cupom lá, ela te chama só pra lembrar que é preciso ficar com ele. A paranóia dos caras é fácil de entender: se algum policial/fiscal estiver pelos arredores e abordar um cliente recém saído de um estabelecimento, e o sujeito não tiver a nota fiscal, vai dar merda pra ambos (cliente e vendedor)!

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E aí? Algum leitor culto e viajado deste blog, que já foi à Europa, lembra de mais alguma coisa comum por lá, que aqui parece algo de outro mundo?

É caro viajar pra Europa?

Eis uma pergunta que todos me fazem sempre. Então decidi fazer um textinho aqui sobre esse polêmico tema, que aflige o povo-assalariado-que-recebe-em-reais desta pátria-amada-idolatrada-salve-salve-mãe-gentil.

Não! Viajar pra Europa não é caro! E não sou o único a afirmar isso. Perguntem pra qualquer um que tenha ido de férias pra lá, e vão ver que tô falando apenas a verdade. Aliás, para ser mais preciso, não apenas ir ao “velho mundo” não é caro, como algumas vezes é mais barato que viajar pelo próprio Brasil!

“Ah, cê tá zoando!” Não, amigos. Não tô. Agradeçam aos impostos extorsivos do Brasil, ao capitalismo pedestre que não incentiva a concorrência e aos gargalos de logística por isso. Em condições normais de temperatura e pressão, ir à Itália pode custar o mesmo que ir ao Rio Grande do Sul (considerando a minha realidade, que saio do Amapá de Lost).

A parte mais salgada de uma viagem à Europa continua sendo a passagem aérea. Mas mesmo aqui já é possível encontrar coisa bem legal. Numa pesquisinha rápida, vi que passagem pra dois adultos + uma criança até Milão tá saindo por 5.200 pela KLM e 5.300 pela TAP. Sim, pouco mais de 5 mil dilmas por três passagens! Tá bom bagarai o preço (by the way, acho que vou programar outra viagem logo…)!

Uma amostra de como o Brasil fode a gente? Pela TAM, a mesma viagem sairia por – segurem-se nas cadeiras! – dez mil e trezentos reais! A explicação pra isso é muito simples: nesta bagaceira de país ferrado, recolhem-se mais impostos (pensem nos encargos trabalhistas, nas taxas aeroportuárias e nos custos escondidos no preço dos combustíveis…) e há menos concorrência. Aliás, não há concorrência alguma, afinal a Gol, pelo que me consta, não voa pra Europa. [ironic mode on] E este é o país que pretende sediar uma Copa! [ironic mode off]

Visto que é possível encontrar passagens pra Europa por uns dois mil reais (ida e volta!), fica claro que o diabo não é tão feio assim como pintam ele. E se você acha dois mil contos muito, procure algum traficante de drogas, ou um cafetão, que eles te embarcam pra lá por um precinho bem mais camarada – em troca de alguns “favores”…

“Tá, mas e hotel? Deve ser caro bagarai essa merda lá!” Olha, depende… Preço de hotel na Europa é exatamente como em qualquer outro lugar do mundo: varia muito de acordo com o que você procura. Se você quiser, pode ficar num hotel em Paris com mármore em todo o banheiro e maçanetas banhadas a ouro nas portas. E vender a alma ao diabo para pagar a conta, depois. Ou pode procurar bastante e encontrar hotéis bem baratinhos e igualmente muito bons.

Quando fomos a Paris pela primeira vez, eu a esposa linda ficamos num Íbis situado na região da Defence. Se vocês olharem um mapinha, verão que essa área da cidade fica um tantinho longe do centro badalado (Torre Eiffel, Champs Elisee, e tals). Mas a sacada é que havia uma estação de metrô na porta do hotel, que nos deixava nos pontos turísticos mais famosos em uns 15 minutos. Preço da diária? Apenas 48 euros (na época lembro que dava uns 90 reais).

Pra nós, que vivemos num país sem estrutura nenhuma e com muita violência, contar com metrô parece furada. Mas no primeiro mundo é diferente, amigos. O metrô de Paris é sensacional, user friendly e fácil de entender. Eu aconselho todos os meus amigos a escolherem o hotel tendo como base a proximidade do metrô, não das atrações turísticas.

Isso vale pras demais grandes cidades da Europa, como Milão, Madrid, Londres, etc (o metrô de Milão é mais bagunçado, mas também serve de boa). O de Londres é sensacional, como o francês. Podendo contar com transporte público de qualidade, é bobagem pagar mais caro pra ficar no pé da Torre Eiffel.

Outro common misunderstanding diz respeito às refeições: simplesmente todas as pessoas que vêm falar comigo acham que sair pra almoçar/jantar na Europa vai significar gastar todo o dinheiro e implorar para lavar os pratos do dia em troca de não ser atirado na cadeia. Pura bobagem… Geral fica de queixo caído quando eu digo que jantar fora na Europa custa o mesmo que no Brasil. Em alguns casos chega a ser mais barato! E, sim. Eu estou falando muito sério.

Tem um exemplo matador que costumo apresentar quando falo disso: é possível almoçar no restaurante situado no alto da Torre Eiffel por apenas 18 euros – menos de 45 reais! Sério, tentem comer bem num lugar fodástico pagando um valor tão pequeno aqui no Brasil…

Notem que não estou indicando um muquifo meia-boca, destinado a imigrantes ilegais e mulas do tráfico. Tô falando do restaurante que fica na Torre Eiffel, meus caros! Menos de 45 dilmas pra almoçar comida boa vendo do alto uma das cidades mais lindas do mundo. Como diria o maluco lá das Casas Bahia, “tá barato pra caramba!”

Via de regra, sempre que vamos a um restaurante na Europa gastamos, na pior das hipóteses, o mesmo que gastamos nestas terras tupiniquins de vergonhas descobertas. E comendo muito bem!

É tudo explicado por uma equação bem simples: as “coisas” na Europa custam muito menos que no Brasil. Já as “pessoas” custam mais. Traduzo: comprar um tênis da Adidas será sempre mais barato lá, do que cá. Mas se você quer contratar uma manicure, uma faxineira, um manobrista, um taxista, ou um cabeleireiro, melhor ficar por aqui, porque lá isso custa bem mais.

Isso permite entender por que alugar um carro na Europa é muito mais barato que no Brasil. Eu paguei uns 1.200 reais por um mês a bordo de um carro com ar condicionado e direção hidráulica, na Itália. Em Brasília, paguei 980 reais por apenas dez dias. E isso já com desconto e pegando o carro mais safado que eles tinham (sem porcaria nenhuma de opcional).

Curti muito o carrinho que aluguei lá, mas ele puxava pra esquerda quando eu passava dos 280Km/h...

Da mesma forma, fazer compras lá vale muito a pena. É por isso que a brasileirada volta de mala cheia, afinal é um pecado não aproveitar as oportunidades. Os gadgets mais diversos são muito mais em conta. Nessa última viagem vi Nintento Wii por 350 reais; Play Station por 300. Paguei 1.100 reais por uma bike de corrida que aqui no Brasil custa, por baixo, uns 2.500! E isso vale pras demais coisas, em geral. Roupas, sapatos, acessórios… Via de regra, é tudo mais barato por lá.

“Mas se o euro é mais caro que o real, como pode ser mais barato?” Sim, há analfabetos beneficiários do Bolsa-Família que me perguntam isso… Entendam: não importa que cada euro valha 2,3 reais, se lá eu consigo comprar por 40 euros (uns 90 reais) uma chuteira da Nike que aqui custa mais de duzentas dilmas! Sacaram a lógica?

Em Milão, a esposa linda foi na Zara procurar uns escravos umas roupas, e fez a feira! Eu fui na Sérgio Tacchini justamente no período em que tavam dando até 70% de desconto (God bless o capitalismo e a concorrência!), e comprei por 15 euros (uns 40 reais) camisas que no Brasil saem por mais de 100! Enjoy your Baratão do Povo e lojas Marisa…

Milão não é só pra fazer compras, seus sacoleiros! Visistem os monumentos do lugar também.

O que é caro pra cacete na Europa, além “das pessoas”, é água e refrigerante. Em restaurantes vale muito mais a pena pedir cerveja e vinho, que lá custam menos que aqui. Agora, se você não conseguir ficar sem água mineral e Coca-Cola, então prepare-se para ser assaltado: cheguei a ver latinhas de refrigerante sendo vendidas por até 6 euros (uns 15 reais)!!! Sério, I’m not making this up!

A dica amiga que deixo pra vocês é a seguinte: quando quiserem tomar uma bela Coca-Cola, procurem o McDonald’s mais próximo. Considerando o copaço de bebida que eles te vendem, o preço acaba ficando mais razoável (apesar de que ainda é mais caro que aqui). Outra opção é ir a um supermercado e comprar sua água e seu refrigerante por lá. Ou, ainda numa daquelas maquininhas de distribuição que ficam nas ruas, sabem?

Outra dica preciosa é: NUNCA, em hipótese alguma, peguem táxi na Europa. Em especial em Paris! A razão é bem simples: como o sistema público de transporte é simplesmente ótimo (sério, é fantástico mesmo!), andar de táxi é considerado luxo por lá. E você paga por esse luxo, como é óbvio.

Xeu vê o que mais… Ah, lembrei! Outra dica fundamental é: não aluguem carro em Paris – a menos, é claro, que você seja praticamente um nativo! Nas ruas mais badaladas (onde nós, turistas, queremos ir) é impossível estacionar. Não, isso não é uma hipérbole! Quando eu digo impossível, quero dizer que realmente vocês vão rodar em círculos o dia todo, sem conseguir parar. Passar por algo assim é simplesmente estúpido, afinal há estações de metrô por toda a cidade, que podem te deixar onde você quiser.

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Bônus game: na cidadezinha de Mendrisio, na Suíça, pertinho da fronteira com a Itália, há um shopping fenomenal onde as coisas são vendidas sempre com desconto. Não, não é um shopping qualquer, desses que você encontra em todo lugar. Lá estão as maiores marcas do mundo! Prada, Gucci, Armani, Dior, Valentino, Nike, Puma, Adidas, Ferrari, Sergio Tacchini, Timberland… Isso só pra citar algumas que lembrei de cabeça.

O lugar, chamado Foxtown, fica na parte italiana da Suíça (geral entende e fala italiano muito bem!), e está a apenas 60Km de Milão (dá pra chegar em menos de uma hora, de carro). Você chega, estaciona no subsolo do shopping (é grátis!) e fica lá o dia todo, passeando entre uma loja e outra. Impossível sair sem comprar nada, acreditem.

Lembrem da dica que já dei outra vez: não usem as autoestradas da Suíça (expliquei aqui o porquê)! Melhor seguir para Como, sair quando chegar lá e, por estradas secundárias, cruzar a fronteira e seguir até Mendrisio. Não tem como errar, afinal Foxtown é o único grande outlet daquela região, e todos o conhecem. Pintou dúvida? Encosta num café ou num posto de gasolina e confirma o caminho, que as pessoas saberão te ajudar.

Férias na Itália (#6): Orta San Giulio.

O fato de ter família e amigos na Itália, me permite receber dicas ótimas sobre lugares lindos de se visitar. Não raro, vamos a cidadezinhas espetaculares que ficam fora dos tradicionais roteiros de viagens turísticas. Confesso que adoro isso, principalmente porque proporciona mais tranquilidade ao nos manter longe dos centros mais badalados.

Orta San Giulio é um desses locais que descobri assim, por acaso. Numa bela manhã de sábado, em 2008, conversando com uns tios meus, falei que pretendia ir até o Lago Maggiore, pra curtir o final de semana. Era o primeiro dia bonito depois de uma semana de chuvas esparsas e algum frio, lembro bem. Aí um dos tios sugeriu que mudássemos o roteiro, indo ao Lago d’Orta, em San Giulio. Falou que o lugar era lindo, tranquilo e, o principal, menos badalado.

Um pouco de contexto pra vocês: a região do Lago Maggiore – que é linda, aliás! – é meio que “a praia” dos habitantes de Milão. Basta uma frestinha de sol + final de semana, e pronto: a galera toda se abala da cidade grande pra curtir um relax lá. Por isso é uma área tão badalada e cheia de gente.

Whatever… Como eu e a esposa linda já conhecíamos o Lago Maggiore, decidi ouvir os nativos e rumamos para Orta San Giulio. E encontramos lá um lugar simplesmente lindo!

Parece uma pintura.

Orta fica muito perto de Milão (82Km – gasta-se uma hora e meia, de carro), que é o destino de chegada de quase todos os turistas brasileiros. Tendo isso em mente, é quase um crime passar por aquela região sem visitar o lugar. Este ano, com mais tempo, voltamos mais uma vez. E foi muito bacana!

A pedida lá é caminhar tranquilamente pelas margens do lago, curtindo a paisagem e os jardins floridos. Há um caminho pensado especialmente para permitir um passeio tranquilo a dois (ou em família), com bancos para descansar de tempos em tempos, e uma vista linda para ser fotografada:

Não vão pisar na grama e me envergonhar, pelamor de Deus!

muitas opções de hotéis e restaurantes no lugar, todos muito aconchegantes e bonitos. Como já falei antes (e explicarei melhor em breve), os preços são todos bastante acessíveis. Apenas Android users não conseguem pagar por um almoço decente em Orta, mas para eles resta sempre a opção de levar pão com manteiga e Q-suco aqui do Brasil… Symbian users, tais como o nobre @pneto, de acordo com as leis da União Européia, são detidos na imigração e deportados imediatamente de volta para o Brasil, assim que identificados.

Feito o alerta, xeu mostrar pra vocês uma foto do lugarzim maneiro onde almoçamos:

Comida deliciosa, às margens do lago.

No restaurante da foto (que para o azar de vocês eu não lembro o nome…) pedimos uma degustação de queijos que estava sensacional! Isso sem falar nos pratos… Comi ravioli com camarões e, olha… Tô babando aqui, neste exato momento, só de lembrar.

Pra quem curte esporte e aventura, Orta também é uma boa pedida. É um destino tradicional do ciclismo, e tem uma “subidinha” de quebrar as pernas até o Sacro Monte do lugar. Também é comum ver gente aproveitando as águas calmas do lago para praticar canoagem, ou aventurando-se em trilhas na serra que cerca a cidade.

O Sacro Monte, que mencionei acima, também é bacana pros que gostam de fazer um turismo histórico. A igrejinha que fica lá é linda! Não é sem motivo que o lugar é disputadíssimo por casais de noivos, ávidos por celebrar sua união num cenário paradisíaco (se vocês googlearem “sacro monte orta”, verão imagens de vários casamentos muito bacanas! Em 2008, eu a esposa presenciamos um que estava acontecendo no dia em que decidimos visitar o lugar.).

Há um trenzinho turístico que sai do centro de Orta e passeia por todos os arredores, subindo até a tal igrejinha. Pros que forem com mais tempo e não quiserem dirigir, é uma ótima pedida. Contudo, quem quiser passear por lá no seu próprio carro pode fazê-lo tranquilamente. O lugar é perfeitamente sinalizado e é impossível se pederder, afinal a cidade é muito pequena.

Confesso que não sei se existe uma época ideal para ir a Orta… Fui na primavera e no verão, e o lugar sempre esteve lindo. Posso apostar que no outono e no inverno é a mesma coisa: frio, mas igualmente espetacular – imaginem os canteiros e as árvores cobertas de neve!

É lindimais mesmo!

Para chegar até Orta (a partir de Milão) pode-se seguir pelas autoestradas (A4 e A8), fazendo o caminho mais rápido. Mas o legal mesmo é passar pelas cidades que costeiam o Lago Maggiore, como Arona e Stresa, seguindo por estradas secundárias até Orta. A segunda opção talvez custe mais uns trinta-quarenta minutos de estrada, mas é infinitamente mais bonita.

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Dica esperta: Uma vez em Orta San Giulio, é possível tomar um barco que leva até aquela ilhazinha que fica no meio do lago (olhem lá na primeira foto!). É outro lugar que vale a pena conhecer.

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P.S.: Mais fotos de Orta San Giulio, aqui.

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Bônus game: uma foto da turma toda, em Orta:

Quando perguntarem sobre filho bonito, ceis já sabem quem faz...

Férias na Itália (#5): Roma with kids

Quando pensamos em Roma, imediatamente surge a imagem do Coliseu, da Fontana di Trevi, da Praça de São Pedro, no Vaticano e de Francesco Totti. É natural, afinal são os cartões postais da capital italiana, uma das cidades mais ricas em história e cultura ho mundo todo.

Mas este texto não é sobre turismo convencional em Roma. Se você espera saber como foi nossa visita à Capela Sistina, sinto, mas terei de desapontá-lo, leitor amigo.

Uma das coisas que a gente aprende com a paternidade é que existe uma enorme diferença entre viajar e tirar férias, quando estamos acompanhados dos filhos. Crianças têm uma rotina própria e, acreditem, não há nada mais libertador do que ela.

A questão é que quando viajamos toda a rotina muda. Ainda bem, senão seria como ficar em casa, né? O lance é que mudanças de rotina nem sempre são bem recebidas pelos pequeninos… Eles não aceitam, por exemplo, que precisam almoçar mais tarde num determinado dia, para que os pais possam ver algo que é do interesse deles. Ou esquecem de almoçar quando estão se divertindo num parquinho, pouco importando a fome dos adultos.

Depois de viajar algumas vezes com o meu terrorista filho, aprendi que o interesse e as necessidades dele precisam vir sempre em primeiro lugar. Não adianta planejar um programa cult, se for pra passar o dia com menino no colo, resmungando.

Você passa a perceber que pesquisa no Google restaurantes que tenham área de lazer para crianças; ou praças com parquinhos; ou pequenos parques de diversões. Tudo a fim de incluir na programação coisas que interessem a ele, para que todos possam aproveitar a viagem – afinal, se a criança não aproveita, ninguém aproveita…

Pois bem, eu jamais pensaria em ir a Roma com um bebê de dois anos e meio, afinal é uma cidade histórica, própria para aquilo que chamo de turismo contemplativo. O lance, em Roma, é admirar o Coliseu, o Vaticano e as demais maravilhas de lá. Mas é claro que algo assim não pode interessar a uma criança tão pequena, então melhor nem perder tempo indo lá, certo?

Errado! Googleando por aí, a esposa linda descobriu um roteiro do tipo Roma with kids, que foi bem interessante.

Chegamos na capital italiana de carro, por volta das quatro da tarde de um domingo. Fomos pro hotel, que era uma maravilha. Sério, a esposa garantiu um epic win fenomenal ao escolher o Ecohotel, situado fora da parte histórica da cidade. Amigos, vocês precisam conhecer o lugar! Pela bagatela de 95 euros (umas 200 dilmas) ficamos num quarto muito grande, com quarto, sala e um banheiro enorme, que contava com banheira de hidromassagem para duas pessoas.

O hotel fica longe das atrações turísticas, mas perto de uma estação do metrô que fica a 10 minutos do Vaticano. Bingo! Está traçado o roteiro da próxima viagem de vocês.

Confesso que nem usamos o metrô por dois motivos básicos: 1) estávamos de carro; 2) como era agosto (mês de férias coletivas na Itália), o metrô fechava às 21h – malditos direitos trabalhistas! Mas, se você for a Roma em outro mês qualquer, ele funciona até as 23h (se bem me lembro…). Dá perfeitamente pra conhecer a cidade toda via metrô, e voltar depois tranquilamente pro hotel fodástico que indiquei.

Continuando: saímos do hotel umas 19h e fomos jantar no centro, perto da Fontana di Trevi. Acho que já vi essa escultura um milhão de vezes, mas sempre fico fascinado:

A menos que você seja Robert Langdon, é proibido nadar aí.

Jantamos num restaurantezim muito simpático, onde lembro que comi uma pasta alla carbonara simplesmente fabulosa! Aí saímos pra tomar um café e vimos que a Fontana pode ser ainda mais linda depois que anoitece:

Lindimais!

A essa altura, já tinha turista bagarai ao redor da fonte, desperdiçando suas moedas ao “fazer desejos”. Notei também vários “fotógrafos” tentando descolar uns trocados em troca de uma foto instantânea (do tipo Polaroid!) do turistas. Fiquei por lá uma meia hora, e nesse tepo não vi ninguém contratar os serviços deles. Confesso que no começo não entendia como eles esperavam ganhar algum dinheiro com isso, sendo que todo mundo hoje em dia tem máquina digital/iPhone. Aí entendi que eles estão lá para fotografar os Android/Symbian users…

Na segunda-feira de manhã fomos ao Bioparco de Roma: uma mistura espetacular de zoológico com parque arborizado. Galera, a área do parque é muito grande! Sério, grande demais mesmo! Há uma linha de ônibus só pra transportar as pessoas lá dentro.

O zoológico também é muito legal e diverte as crianças. Meu filho, que já tinha visto o de Brasília, adorou, pois viu animais novos (ursos e focas, por exemplo). Pra quem é mais preguiçoso, tem um trenzinho turístico que passeia por todo o zoológico, mostrando um panorama geral. Uma dica legal é atentar para as sessões de alimentação dos animais, que acontecem sempre numa hora certa e podem ser acompanhadas pelos visitantes. Fomos lá na hora do almoço dos ursos, mas os safados não quiseram comer… 😦

O bosque enorme que fica fora do zoológico também é lindo e merece ser visitado com calma, curtindo o lugar.

Nem preciso dizer nada...

Outra atração interessante pros pequenos parece ser o museu Explora. Notaram aquele “parece ser” ali, né? Pois é, nós planejávamos ir ao Explora nas últimas férias, mas acabamos dando o azar monstruoso de encontrá-lo fechado justo no dia em que estávamos por lá…

Whatever… Continuo querendo levar o filhote lá algum dia. Basta visitar o site do lugar pra ver que se trata de um museu muito diferente e interessante. Basicamente, trata-se de um museu interativo, onde as crianças podem brincar com as coisas expostas e realizar atividades dirigidas acompanhadas por monitores. Deve ser bem bacana mesmo… Fica pra próxima.

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P.S.1: Site oficial do Ecohotel, aqui. Dica esperta: peçam a suíte junior, que é aquela ampla, com banheira de hidromassagem.

P.S.2: Site oficial do Bioparco, aqui.

P.S.3: Site oficial do museu Explora, aqui.

Férias na Itália (#4): Lago di Varese

Eu já tinha ouvido falar muito da região do Lago di Varese, mas só fui conhecê-lo mesmo na viagem deste ano. Eu, a esposa linda e o filhote passamos um domingo muito bacana lá, junto com um primo meu e a noiva dele.

Acho magnífico esse cenário de lago cercado por montanhas de cumes nevados.

Adorei o lugar! Situado a 61Km de Milão (cerca de uma hora de carro), o lago ostenta uma paisagem simplesmente sensacional, e ainda há toda uma infraestrutura própria para receber famílias com crianças.

Há uma ciclovia que costeia todo o lago, permitindo um passeio muito bonito de 28Km. É um percurso tranquilo, basicamente plano, e muito arborizado, que pode ser feito até por crianças pequenas.

É possível ainda entrar em clubes fechado, com piscina, bar e joguinhos de salão. Ou então ficar nos bosques abertos que cercam o lago, curtindo uma preguiça na grama e fazendo piquenique com a turma.

Diz aí se não é maravilhoso.

A área do Lago di Varese também é um famoso destino do ciclismo italiano. Várias vezes os corredores do Giro d’Italia passaram pela região, inclusive escalando o Sacro Monte di Varese, com seu final duríssimo: 12Km com rampas que chegam a uma inclinação de 26%. Pra quem gosta, é uma ótima pedida.

A subida até o Sacro Monte, aliás, vale também pros que gostam de conhecer um pouco mais da história dos lugares. O mais legal é que qualquer época do ano é boa pra ir até a região de Varese, como vocês podem ver nessa foto:

No inverno, as luzes fazendo contraste com a neve.

Taí, mais um lugarzim maneiro que conhecemos – e para onde certamente retornaremos no futuro.

Férias na Itália (#3): Leukerbad

Xeu começar explicando o paradoxo do título: Leukerbad fica na Suíça, mas como minha base de partida pra lá é sempre a Itália, vai assim mesmo. Eu chego na Itália, alugo um carrinho baratinho (vou explicar melhor isso em outro texto, mas adiando que alugar um carro na Europa é absurdamente mais barato que no Brasil!), pego a estrada e depois de umas três-quatro horinhas tô no paraíso.

Leukerbad foi uma dica preciosíssima de um primo meu, que seguramente irá pro céu só pelo fato de ter partilhado isso comigo. Conhecemos essa cidadezinha em 2008, e foi amor à primeira vista! Este anos voltamos lá mais uma vez e a paixão pelo lugar só aumentou.

E já bateu saudade...

Esculpida num vale que parece ter saído de um conto de fadas, Leukerbad é uma cidade muito pequena. E quando eu digo muito, quero dizer muito mesmo: apenas 1.430 habitantes lá! Você chega de carro e, se se distrair muito olhando a paisagem, arrisca passar pela cidade e ir embora.

A principal atração de Leukerbad são os centros de águas termais. A cidade é basicamente dividida entre hotéis e clubes cheios de piscinas de água quente. Você mergulha na água, fica de molho numa hidromassagem, ao lado das montanhas que se erguem poderosas acima. E isso não é maneira de falar. É exatamente assim que funciona mesmo, vejam:

No paraíso, estremos todos nos banhando nas águas quentes de Leukerbad.

Ficamos dois dias (uma noite) em Leukerbad e deu pra aproveitar bem. Talvez um dia a mais fosse o ideal, mas a idéia é essa: vale um passeio de final de semana.

Sempre seguindo a dica daquele meu primo, escolhemos o clube Burgerbad, que parece ser o maior e mais completo da cidade. Para passar a noite, ficamos no Hotel Viktoria, que é bem na entrada da cidade. A diária do hotel foi 200 euros (uns 450 reais), e vocês podem pensar: “putaqueopariu, tá caro bagarai isso!” É, tá mesmo. Se fosse a diária… O lance é que esse preço inclui muita coisa! Além da estadia no hotel (dããããã!), ganha-se o acesso ao clube termal Burgerbad por um dia inteiro, passeio de teleférico nas montanas do lugar, passeio de ônibus turístico nas cidades históricas vizinhas e acesso a um centro esportivo que é seguramente melhor que qualquer CT de clube de futebol brasileiro (há tênis, bedminton, golfe, patinação no gelo, trilhas, e mais um bocado de coisas!).

Tendo isso tudo em mente, o preço já me parece sinceramente bem pagável. Sério, em que lugar do Brasil a gente pode ter acesso a hotel + parque aquático de águas quentes + aquelas outras atrações por apenas 450 dilmas?! Sinceramente, tá bom o preço. Ainda mais se pensarmos que aqui em Macapá a suíte luxo do Ceta, o “”””””melhor”””””” hotel da cidade, custa a bagatela de 380 dilmas e é mais feia e menor que um quarto do Hotel Viktoria.

Mas comparar um paraíso daqueles com Macapá é covardia… Tomo como parâmetro outro point famoso pelas águas termais, aqui no Brasil: Caldas Novas. Pra começo de conversa, o ingresso pro parque aquático termal lá custa 91 dilmas! Beeeem mais que os ingressos pros parques de Leukerbad. Fui no site da Rio Quente Resorts, e vi que os hotéis custam algo na faixa dos 250 contos. Só aí já daria mais de 300 reais, amigos. E sem teleférico nas montanhas, sem acesso a centro esportivo fodástico e – o principal! – sem estar na Suíça. Do the math e um abraço!

Enfim, a meu ver é muito evidente que passar um final de semana em Leukerbad é bem menos caro do que se imagina por aqui. Mas já divaguei bastante. Vamos retornar às fotos daquele paraíso:

Essa é a vista que eu tinha do meu quarto de hotel, em Leukerbad.

No parque termal há piscinas para todos os gostos: cobertas, ao ar livre, de hidromassagem, com jatos d’água, toboáguas, infantis…

Ó o lugarzinho das crianças.

Além disso, o parque Burgerbad oferecia tratamento de spa, massagens, academia de ginástica e mais um bocado de coisas que eu nem lembro.

vários tipos de ingressos disponíveis pros parques termais, desde os de 3 horas, até os de 3 dias. Não lembro quanto custavam, porque comprei o acesso por meio da diária do hotel, como já expliquei antes. Mas eram preços bem pagáveis, acreditem.

Pra quem curte um turismo de aventura, não faltam opções. Pode-se fazer trilhas nas montanhas, acampamentos ao ar livre, escaladas, rapel, ciclismo (tanto road, quanto downhill) e, no inverno, esqui.

Enfim, é um lugar perfeito! Dá pra aproveitar indo sozinho, em casal, com crianças, em grupo… Não há maneira de uma viagem a Leukerbad não ser espetacular! Todas as pessoas que eu conheço que já foram lá, adoram o lugar e voltam sempre.

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Dica esperta 1: nunca entrem na Suíça por uma autoestrada daquele país. Eles te param e te obrigam a pagar quarenta euros, que é o equivalente ao plano anual de uso das rodovias de lá. Entendam: a questão não é evitar de pagar aquela grana, mas o fato de que seria imbecilidade adquirir um plano anual, sendo que se está visitando o lugar esporadicamente, como turista. O truque é seguir por estradas secundárias, que podem até ser um pouco menores, mas são igualmente muito boas. Para ir a Leukerbad, o caminho ideal é a SS33, conhecida como Strada del Sempione. Não tem como errar, é praticamente em linha reta até Brig, de lá para Visp, então Leuk e Leukerbad. Além de evitar aquele pedágio caro extorsivo, ainda se viaja por uma das estradas mais lindas da Europa! De nada.

Dica esperta 2: Leukerbad fica na “parte alemã” da Suíça. Isso quer dizer que o ideal é saber alemão, mas, se você não sabe, é possível se virar legal com inglês e italiano. Mas se você é desses turistas brasileiros orgulhosos, que acham que todo mundo deve recebê-lo no seu idioma nativo, não conte por lá que descobriu o lugar no meu blog, ok?

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Bônus game: uma vez em Leukerbad, não deixem de conhecer o Oasis Steakhouse. Comi uma das melhores carnes da minha vida! O T-bone e os cortes argentinos deles são sensacionais! Eles ainda servem massas, pizzas, saladas, peixes, frutos do mar e têm menu infantil.

Férias na Itália (#2): Lago di Garda + parques de diversões

Tenho certeza de que todos vocês já ouviram falar da Riviera Francesa. Sim, trata-se de um lugar lindo – longe de mim negar isso! Mas, falando francamente, é muito overrated… No litoral francês, exatamente por conta da badalação em torno do lugar, qualquer viagem significa dar de cara com uma multidão de gente. Isso, é evidente, dificulta tudo: desde arrumar uma vaga num estacionamento, até conseguir lugar num restaurante. Sem mencionar que os preços na Riviera francesa são extorsivos (tudo é muito mais caro que em Paris, por exemplo).

Mas não se preocupem! Eu tenho a solução pra vocês: esqueçam o litoral da França e visitem a região do Lago di Garda, na Itália. A beleza do lugar não perde em absolutamente nada para o destino transalpino mais badalado:

Sintam a maravilha!

O lago fica no norte da Itália, a apenas 45 minutos de carro de Verona. Lembram do Parco-Giardino Sigurtà? Está também a cerca de 40 minutinhos de Garda. Para situá-los um pouquinho mais, saindo de Milão ou Veneza, a viagem demoraria cerca de duas horas.

Atenção agora: todas (sim, todinhas!) as cidades que costeiam o Lago são LINDAS e merecem ser vistas. Não, eu não estou exagerando! Taí o mapinha da região (cliquem para ampliar):

Escolham uma cidadezinha ao acaso: ela será MARAVILHOSA!

As que conheço mais são Desenzano, Sirmione, Peschiera, Lazise e Bardolino. São cidedades pequenas e bucólicas, tipo Canela e Gramado, no RS (talvez até menores!), e podem ser visitadas em um ou dois dias. Mas quando eu digo que qualquer lugar lá é lindo, I mean it! Vejam, por exemplo, uma foto de Limone, um povoado pequeno lá no noroeste do lago:

Essa é definitivamente a casa de veraneio de Deus!

Pois bem, ao longo de todo o Lago, é possível encontrar praias belíssimas, banhadas por uma água naquela cor perfeita entre o azul e o verde, sabem? Em cada esquina há um restaurante e todos (sim, todos mesmo!) preparam uma comida deliciosa, por um preço muito acessível. By the way, ir a restaurantes na Europa é bem mais barato do que o senso comum acredita aqui no Brasil. Nós gastamos sempre mais ou menos a mesma coisa que se gasta saindo pra jantar em Macapá!

É evidente que existem exceções, como por exemplo a Suíça, onde tudo é mais caro. Mas a regra geral é conseguir comer muito bem pagando menos que num estabelecimentozinho meia-boca aqui dessas bandas.

Um exemplo que uso para ilustrar isso: no alto da Torre Eiffel há um restaurante onde é possível almoçar por apenas 18 euros. Isso é menos de 45 reais! E, sim. Vocês entenderam direito: eu disse que fica no alto da Torre Eiffel, com vista pra toda cidade de Paris. Agora tentem almoçar com 45 reais no Cantinho Baiano, olhando a orla maltratada de Macapá…

Mas já divago… Falarei com mais vagar sobre isso em outro post. Bora voltar ao Lago di Garda:

Precisa dizer alguma coisa?

Para quem não se contenta em sentar preguiçosamente às margens desse paraíso (como eu fiz), é possível alugar pedalinhos (que actually funcionam, não como os da Praça Floriano Peixoto…) e rodar pelo Lago livremente. Pra galerinha proprietária de iPhones e iPads, há ainda a opção de alugar um barco e enjoyar ainda mais o passeio (os Android users não terão dinheiro pra isso, como se sabe).

E que tal ficar até o final do dia, sentar para jantar num restaurante de frente pro Lago e apreciar um pôr-do-sol dos mais maravilhosos? Eu recomendo!

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Maravilhoso!

“Tá, é tudo muito lindo! Mas e quem curte fazer algo além de ficar sentado na beira de um lago?” Muito justo! Na área de Garda há a cidade de Bardolino, famosíssima por seus vinhos. Qualquer um pode ir até lá e passear de cantina em cantina, degustando a bebida de Baco.

“Certo, mas e quem não for pinguço?” Nenhum problema! Ali também encontramos dois dos parques de diversões mais famosos da Itália: Gardaland e Movieland. Eu já visitei os dois, e posso dizer que Gardaland é maior e tem mais atrações. Mas Movieland, apesar de menor, também vale a visita, principalmente porque dentro dele há um parque aquático espetacular!

Em Gardaland, você tem acesso a dois parques: um de brinquedos (montanha russa, e essas coisas) e um aquário muito lindo. Já em Movieland, além de um parque inspirado nos clássicos de Hollywood, você tem acesso a um parque aquático grande cheio de atrações (piscina de ondas, escorregadores gigantescos, etc…). My point is: os dois são ótimos e valem a visita. Eu aconselharia assim: quem tem menos tempo, ganha se for a Movieland, que é fisicamente menor. Se tiver mais tempo, Gardaland oferece mais atrações. Se, porém, tempo não for o problema, vá aos dois!

Coloquei ao longo dos textos uns links para fotos dos parques. Se vocês googlearem vão encontrar muita coisa, também. Larguem mão de preguiça e cuidem de fuçar na internet, oras!

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Bônus game: quando forem à região do Lago di Garda, mais especificamente à cidade de Lazise, não deixem de jantar no Café-Gelateria Riviera. Além da excepcional culinária italiana, há sobremesas maravilhosas! E o mais legal: o lugar é povoado por brasileiros! Quando fomos lá (por puro acaso), fomos atendidos por uma brasileira que paparicou o filhote a noite toda! Uma galera muito simpática mesmo.

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P.S.1: O ingresso para os dois parques de Movieland (brinquedos + parque aquático) sai por 29 euros (umas 65 dilmas, fazendo a conta de cabeça). Em Gardaland o ingresso é 39,50 euros para o parque de diversões + aquário. Dá uns 85-90 reais, por aí. Larguem mão de ser miseráveis e vão pra lá, seus farofeiros usuários de Android!

P.S.2: Site oficial de Gardaland aqui; o de Movieland aqui.