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Joaquim Barbosa diz que não deve nada a “politiqueiros”.

“AZENVEJOZA PIRA NO MEU APÊ EM MIAMI.”

Algumas entidades de classe da magistratura nacional acharam por bem cobrar explicações do ministro Joaquim Barbosa acerca do apartamento que ele comprou nos Estados Unidos. O ministro, em resposta, limitou-se a dizer que “Comprei com o meu dinheiro, tirei da minha conta bancária, enviei pelos meios legais. Não tenho contas a prestar a esses politiqueiros”.

Eu estou desde ontem aplaudindo de pé as declarações de Joaquim Barbosa! Custo a acreditar que associações de juízes estejam voluntariamente passando esse monstruoso recibo de “invejinha” só porque o presidente do STF, que andou caindo nas graças de uma parte da população, agora tem um imóvel em Miami. Isso é pequeno demais; rasteiro demais.

E não consigo levar a sério a conversa de que fazem isso preocupados com a moralidade pública. Se fossem realmente movidos por essa preocupação, estariam apoiando a proposta de emenda constitucional que pretende endurecer as penas de magistrados e membros do ministério público apanhados cometendo crimes. Mas isso seria cutucar demais o corporativismo pátrio, não é mesmo?

Eu tenho birra de sindicatos, quaisquer que sejam eles. Se AMB, AJUFE e quetais estão contra o ministro Joaquim Barbosa, eu estou a favor. Principalmente porque não confio em quem questiona a moralidade de alguém que compra um imóvel em Miami, mas não fez questão de se manifestar publicamente em escândalos grandiosos que assolaram todo o país. Eu não consigo aplaudir essa moral seletiva.

Francisco

O conclave terminado na última quarta-feira decidiu que o então cardeal Jorge Mario Bergoglio deverá guiar a Santa Madre igreja, como seu Sumo Pontífice. Surgiu, então, diante de uma multidão de fiéis aglomerados na praça de São Pedro, o Papa Francisco.

Desde então, muito se especulou sobre a eleição do primeiro Papa sulamericano e sobre se a escolha seria boa, ou não. Adianto que não me atrevo a gostar ou desgostar de um Papa. Quem sou eu, não é mesmo? A mim cabe apenas aceitar, e respeitar o sucessor de Pedro, reconhecendo-o como líder máximo da minha igreja.

Quanto ao país de origem de Francisco, devo dizer que a nacionalidade do novo Papa não é o que mais merece destaque, a meu ver. Há outras nuances no homem escolhido pelos cardeais que merecem algumas observações, porque cercadas de simbolismos os mais diversos.

A “surpreendente” escolha

Bergoglio foi uma surpresa para grande parte do mundo, é verdade. Mas não parece ser lícito dizer que tenha sido um “azarão” no conclave que o elegeu. De fato, há tempos indiscrições dão conta de que já em 2005 o argentino foi muito bem votado – não a ponto de ameaçar a eleição de Ratzinger, porém.

Parece bastante lógico que quem era uma boa opção em 2005, continue sê-lo oito anos depois. Pessoalmente, não o incluí entre os “favoritos” por conta da idade: costuma-se alternar papados curtos e papados mais longos, o que me fez acreditar na eleição de um cardeal um tanto mais jovem.

A escolha de Bergoglio, hoje com 76 anos (fará 77 ainda em 2013), porém, pode apontar para outra coisa: o desejo da igreja de papados mais breves. Dificilmente o Santo Padre poderá governar por quase 30 anos, como fez João Paulo II (eleito aos 58 anos). Tudo, evidente, mera especulação minha…

O nome escolhido e os primeiros gestos públicos

Ao se nomear como o primeiro Papa Francisco da história, o sinal transmitido pelo Santo Padre é de uma importância assombrosa. Bergoglio não apenas homenageia o “óbvio” São Francisco de Assis – Il povrerello (o pobrezinho) -, como também São Francisco Xavier, um dos maiores nomes da ordem dos Jesuítas, de onde vem o novo Papa.

Esse nome, por demais forte simbolicamente, parece parte de um conjunto de atos que Francisco vem adotando desde o primeiro momento como líder da igreja católica, sempre no intuito de externar o máximo de simplicidade e de humildade possível. É o que se depreende, por exemplo, do fato de ele decidir pagar a conta do hotel em que ficou hospedado; da decisão de ir à Basilica di Santa Maria Maggiore, orar, antes de se ocupar das vestes papais; e, por fim, do fato de pedir que bispos e padres argentinos façam caridade com o dinheiro que usariam para ir à Roma vê-lo.

Mais que tudo isso, porém, entrará para a história o Sumo Pontífice, diante da multidão de católicos que o recebia em festa, pedindo para que o povo o abençoasse. Um silêncio longo e marcante, durante o qual o líder da igreja curvou-se diante do seu povo, pedindo orações antes de ele próprio dar a bênção.

Mas e as posições conservadoras?

Muitos questionaram, tão logo se divulgou quem fora escolhido na Capela Sistina, as posições conservadoras de Bergoglio acerca de temas como casamento gay e aborto. Eu juro que não entendo quem se surpreende com isso… Queriam o quê?! Do ponto de vista do aborto, a questão é indiscutível! Trata-se de dogma; de “cláusula pétrea”. Do ponto de vista do casamento gay, o que esperam? Que a igreja católica realize matrimônios de pessoas do mesmo sexo? Acho que há uma confusão nas coisas; nas reivindicações postas… Explico.

O movimento gay (ou mesmo a sociedade como um todo) deve exigir que: 1) o Estado garanta direitos civis iguais a todos, sem distinção; 2) a igreja (qualquer igreja!) não interfira nas questões de Estado; 3) o Estado não se envolva nas questões de igreja. Só isso!

Ora, o Papa fala ao povo dele. E ninguém é obrigado a ser católico, não é mesmo? A igreja não pode impedir que o Estado regule as uniões civis de homossexuais, mas pode perfeitamente externar sua opinião sobre o assunto. Liberdade de expressão, amigos. Todos podemos opinar sobre o que quer que seja.

O mesmo vale para o aborto: o Estado quer legalizar a prática? Que o faça! A igreja e os católicos podem perfeitamente se dizer contrários e, valendo-se dos mecanismos da sociedade democrática (da qual fazem parte), defender seu ponto de vista. Lembro, uma vez mais, que só precisa se importar com o que pensa o Papa, quem o reconhece como líder religioso. Quem gosta de repetir que “a igreja católica está ultrapassada”, ou que “ser Papa não quer dizer nada”, não precisa se preocupar com o que Francisco pensa. Mas não pode pretender calá-lo! Queiram ou não, os católicos são parte da sociedade e podem, como quaisquer outros, externar suas opiniões.

A decadência do catolicismo

Muitos dizem que essa insistência da igreja católica em manter posições ditas conservadoras e antiquadas a está condenando ao fim. Não deixa de ser curioso notar que profetiza-se a extinção da Santa Madre há coisa de uns dois mil ano, e até agora ela segue aí…

Tão decadente e pouco importante é a igreja de Cristo, que durante duas semanas só se falou dela nos principais meios de comunicação do mundo. Aqui, a principal rede de televisão cobriu in loco a escolha do sucessor de Pedro. Na internet não se falava sobre outro assunto… Imagino como deveria ser na época em que a igreja estava no auge, não é mesmo?

Não, eu não pretendo negar que há problemas (alguns gravíssimos!) que devem ser enfrentados. É evidente que os há! A igreja é a portadora da verdade revelada pelo Filho de Deus, mas é conduzida por homens. E homens são pecadores, sujeitos às mais diversas falhas…

O meu ponto é: não me parece ser o mais lógico se preocupar com os alarmes vindos de pessoas para as quais seria um bem se amanhã o catolicismo simplesmente deixasse de existir. Em outras palavras, eu não quero saber qual a solução que um Jean Wyllys tem para a igreja; ou o que Tom Zé e Hector Babenco acham que o Papa deveria fazer para “modernizar” a Santa Sé. Não! Para esses, suponho que o ideal fosse um Papa a favor do aborto, do casamento gay, que trocasse o evangelho pelo Manifesto Comunista e – por que não? – que fosse ateu.

Pessoas e entidades as mais diversas (Marx, URSS…) já anunciaram que o catolicismo estava com os dias contados. Quase todas já ruíram, enquanto a Barca de Jesus segue navegando – ainda que enfrentando mares tormentosos.

Ruptura?

Mas se há problemas (e os há aos montes!) a resolver na igreja, teremos uma ruptura de paradigmas? Não, não teremos. Francisco não é – ao contrário do que boa parte tenta demonstrar – um anti-Bento XVI. Pelo contrário: ouso dizer que o Papa Emérito não apenas aprovou a escolha, como esperava por ela.

Como Ratzinger (ainda que sem a mesma proeminência intelectual), Bergoglio também sempre foi um exímio estudioso; um intelectual de preparo inquestionável. Nunca é demais lembrar que se trata de um Jesuíta, uma ordem conhecida por seu apreço intelectual e por sua farta produção de conhecimento.

A principal característica do papado de Francisco, a meu aviso, será o desejo de emular São Francisco Xavier: unir a missão pastoral de evangelizar o mundo, ao atrelamento doutrinário mais puro. Lembremos que Bergoglio, quando arcebispo de Buenos Aires, se opôs frontalmente a coisas como a Teologia da Libertação. Ele não discorda que cuidar dos pobres de Deus seja um dever cristão, mas não acha – ainda bem! – que isso deva ser feito colocando-se Marx ao centro de tudo, no lugar de Jesus.

Descarto qualquer ruptura com a chamada linha teológica de Ratzinger – que, atrevo-me a apostar, seguirá sendo o farol intelectual da igreja enquanto viver. Todas as coisas já ditas e escritas por Francisco, permitem concluir que ele será radical quanto à defesa da doutrina, como sempre foi seu antecessor (e os antecessores deles). E é muito fácil de entender por qual motivo as coisas serão assim, basta lembrar do que ensinou Chesterton.

Segundo ele, a melhor forma de manter um poste branco sempre branco não é trocá-lo toda vez que ele estiver sujo (revolucionar), mas pintá-lo um pouco de branco todos os dias (conservando-o). É evidente que a essência católica é de conservação, afinal – repito! – a ela cabe cuidar da verdade que lhe foi revelada pelo Deus encarnado.

A certeza de que Francisco não fará concessões de ordem moral e teológica, porém, não afasta a idéia – passada por ele mesmo neste pouco tempo sobre o trono de Pedro – de que poderemos ter um papado mais pastoral e missionário. E aqui – e somente aqui – noto alguma importância na origem geográfica do novo Papa: a idéia pode ser mostrar o desejo de desapegar-se da burocracia da Cúria Romana e olhar mais para o mundo como um todo. Algo ótimo, por sinal!

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P.S.: Não, nem comentei as “denúncias” de que o Papa Francisco teria colaborado com a ditadura argentina. Por ora, não há nada além do jornalismo que “ouviu dizer”… É o mesmo tipo de jornalismo que chamou Ratzinger de nazista, lembram? Aguardo que alguma evidência concreta, além de um político kirchnerista qualquer, seja apresentada. Até lá, prefiro acreditar no sucessor de Pedro (eu acredito na encarnação do Filho de Deus, acreditar no Papa é a menor das minhas “esquisitices”).

Consciência negra

Neste 20 de novembro, dia em que o Brasil celebra a “consciência negra”, compartilho com vocês dois vídeos muito interessantes:

1) Morgan Freeman, ator americano, negro, fala sobre o mês da consciência negra, nos EUA:

2) Walter Williams, professor universitário americano, também negro, explica por que é contra as cotas raciais:

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P.S.: O primeiro vídeo eu surrupiei lá no bqeg.

Que festa?

Vai se aproximando a Festa da Democracia™ e o meu desânimo diante do processo democrático brasileiro é cada vez maior. Há algo de muito errado num sistema que tolhe liberdades e garantias individuais à luz do dia, corroendo por dentro os alicerces da própria democracia.

escrevi várias vezes sobre minha descrença diante do sistema democrático brasileiro, cada vez mais contaminado por regras esdrúxulas. Os órgãos que foram criados pelos representantes do povo para garantir o exercício democrático, têm se dedicado a policiar o Twitter, a tirar do ar o Facebook, a suspender o YouTube… Ou algo importantíssimo me escapa, ou perdeu-se a noção do que seja, de fato, importante.

Por favor, não se enganem! A idéia aqui não é defender as redes sociais. Longe disso… Os exemplos acima servem apenas para ilustrar aquilo que considero o símbolo de uma mentalidade antidemocrática que, perigosamente, avança contra o sistema de liberdades individuais que deveria proteger.

Esse ranço contra as redes sociais – em particular – e a internet – em geral -, denota, a meu ver, a sede desmedida de provar a própria superioridade. É a geração que viu surgir a proibição dos muros pintados, dos chaveiros, dos broches, dos bonés e das camisetas. Agora, confrontados com o mundo libertário ao extremo do ambiente virtual, não aceitam ver sua autoridade ignorada.

Correndo o risco de me repetir, digo que acho assustador que o aparelho do Estado possa, em nome de coisas abstratas como o chamado “equilíbrio do pleito”, cercear garantias e liberdades individuais concretas. Em outras palavras, acho incompreensível que um burocrata diga como alguém deve pintar o muro de sua própria casa; ou como e quando pode adesivar seu carro; ou, ainda, com que roupa pode se apresentar na seção eleitoral.

Não há perífrases em tais casos: a máquina pública se organiza para limitar e tolher os indivíduos. Em benefício da democracia? Não! A democracia, aqui entendida em sua essência mais básica, só é exaltada quando o cidadão exerce de forma plena suas liberdades.

É deprimente o ponto a que se chegou no Brasil: no período das eleições, aquele em que deveríamos viver o máximo do processo democrático, experimentamos, inclusive, censura prévia. Ou, ainda, uma sorte de censura sazonal: assuntos que seriam livremente debatidos em fevereiro ou março, tornam-se proibidos durante a época eleitoral para não “influenciar eleitores” nem “desequilibrar o pleito”. Há algo de muito errado quando até mesmo fatos incrontroversos e com registro histórico tornam-se proibidos ao grande público, a fim de salvaguardar candidatos. Quem não lembra de 2010, quando dizer que Dilma já defendeu (e defendeu mesmo!) o aborto virou “propaganda negativa”?

A preocupação do Estado e de seus órgãos deixa, em alguns casos, de ser a garantia da liberdade individual, para ser o controle e o policiamento de tal liberdade; deixa de ser a defesa da verdade, para ser o “equilíbrio do pleito”. E daí se para equilibrá-lo é preciso esconder fatos e limitar a liberdade de expressão? Isso não parece preocupar boa parte das mentes envolvidas no processo, que se curvam a um pensamento, creio eu, ultrapassado.

De que outra forma definir a mente de quem, por conta de um (unzinho só!) texto publicado em um (unzinho só!) perfil do Facebook, ordena que todo o país (!) fique sem acessar aquela rede social? O aparelho judiciário do Estado, naquele caso, de forma deliberada, tolheu direitos de todos, a fim de punir um. E tudo isso se fez em nome da… Democracia!

De novo: não se trata de defender a internet ou o acesso a uma rede social! Se trata de valores e princípios. “Quem é fiel nas pequenas coisas, também é fiel nas grandes coisas; quem é injusto nas pequenas coisas, também é injusto nas grandes coisas”, se lê no evangelho de Lucas (16:10).

Quem subverte liberdades e garantias individuais está sendo tirano e antidemocrático, pouco importa o alvo da tirania. A questão de fundo é sempre a mesma: cada vez mais acha-se normal alijar o cidadão (o indivíduo) do processo democrático, limitando-o e diminuindo-o em sua individualidade, até o ponto de torná-lo um autômato ocupado apenas e tão-somente em sair de casa, apertar alguns botões e pronto.

Escolheu-se tratar como “festa” algo sério e importante como a democracia e, assim, acabou-se por desencadear um processo que, de forma lenta e gradual, vai abalando os alicerces do próprio sistema de liberdades individuais sobre o qual se erigiu o Ocidente. E, não! Eu não estou sendo exageradamente catastrofista. Basta ver como o autoproclamado sucesso do processo eleitoral brasileiro parece inebriar a todos: falam até mesmo em “ensinar democracia” para nações que… Bem… Poderiam dar aula de qualquer coisa ao Brasil.

Certa vez, ouvi de um “entendido no assunto” que enquanto o Brasil “dá show de eleição, os Estados Unidos ainda votam em papel”. A afirmação revela a ignorância gigantesca própria de quem mergulha no sucesso criado por si e para si mesmo. Não sei quais motivos levam os americanos, criadores de alguns dos produtos tecnológicos mais avançados do mundo, a não se inclinar perante a superioridade da urna eletrônica brasileira. Mas sei que lá, em pleno século XXI, o Estado não se acha no direito de dizer como uma pessoa deve se vestir para ir votar – e viria abaixo se ousasse dizer.

O Brasil da “Festa da Democracia” é o país preocupado em impedir que pessoas livres pintem os muros de suas casas; é o país que se acha no direito de ordenar que redes sociais sejam suspensas (como fazem a China, o Irã e a Venezuela, só para citar alguns exemplos gloriosos…); é o país que reeditou a censura prévia; é o país que inventou a censura sazonal. Desafio qualquer um a me apontar algum resquício de democracia em semelhante ambiente… O Brasil da “Festa da Democracia” é, enfim, uma espécie de Neymar: canta para si mesmo e para sua própria torcida suas glórias; jura que é o melhor de todos. E o mundo, tal como no futebol, olha de soslaio e sorri, divertido. São muito simpáticos esses brasileiros, se achando tão importantes.

Trollacast™

É com grande prazer e incontida emoção que apresento pra vocês o mais novo grande sucesso da internet brasileira – quiçá intergaláctica: o Trollacast™. Tá, não… Menos. Bem menos…

Digamos que eu e alguns amigos aqui da minha cidade, que sempre nos divertimos quando nos reunimos pra bater-papo, resolvemos ver como seria gravar uma dessas sessões de conversa fiada. Não sei se vocês vão gostar de ouvir (sempre que decidam ouvir…), mas a gente achou muito maneiro fazer. E, na boa, pruma primeira vez até que não ficou tão mal.

Agora, pelo preço da assinatura tradicional deste site (que custa exatamente zero reais!), vocês também podem ouvir os episódios do Trollacast e descobrir como é a nossa vida aqui na floresta. Enfim, será uma espécie de NatGeo de várzea, NatGeo moleque, NatGeo arte, NatGeo produzido num campinho de terra batida.

AnywayAcessem o site do podcast, assinem o feed, mandem ver naquele botão de “joinha”, ou, se preferirem, joguem pedras com vontade nos comentários.

Ah, o link pro episódio piloto taí embaixo! Agora é com vocês. 😉

Trollacast – S01E00 (Piloto – Versão final, concluída, acabada e que não vai mudar mais!).

Dois a zero pro CNJ.

O Tribunal de Justiça do meu glorioso Amapá escolheu um novo juiz para compor a corte, na vaga aberta pela aposentadoria compulsória de um agora ex-membro. Notas foram dadas, quesitos avaliados e um vencedor apurado. Fim.

Fim?! Longe disso… Um (uma, pra ser mais exato) dos postulantes à vaga discordou do resultado e recorreu ao Conselho Nacional de Justiça. E o CNJ, numa decisao unânime (vamos repetir: UNÂNIME!!!), entendeu que era o caso – como direi? – refazer o processo de escolha. Well, se o CNJ disse, quem sou eu pra discordar, né?

Pois bem, o Tribunal daqui, então, voltou a se reunir para escolher o novo desembargador. E escolheu (de novo!) o mesmo que havia sido escolhido anteriormente. E, uma vez mais, o CNJ foi acionado por alguém que se sentiu prejudicado. E, se o Tribunal repetiu o que havia feito na primeira vez, o Conselho Nacional de Justiça também repetiu o que fizera anteriormente: mandou suspender (DE NOVO!!!) a promoção do magistrado escolhido pelo TJ daqui (a íntegra da decisão pode ser acessada aqui). Vejam abaixo apenas um trecho da nova decisão do CNJ:

Pois é… So far, dois a zero pro CNJ. Resta ver se da próxima vez teremos algo diferente, ou se o Conselho Nacional fará o terceiro e pedirá música no Fantástico…

Longe de mim achar que um TJ precise das minhas sugestões, afinal sou apenas um rapaz latinoamericano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior… Mas, como sou uma alma caridosa, deixo assim mesmo duas sugestões que – creio… – podem tornar muito melhor o processo:

1) Nomear contadores para acompanhar a atribuição e a somatória das notas, garantindo que as continhas sejam feitas de forma correta. Afinal, a matemática é uma ciência cheia de complicações, principalmente para quem (como eu) é da chamada área de humanas.

2) Chamar o narrador oficial da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro para narrar a eleição e a apuração do novo desembargador. Não, essa sugestão não visa garantir que o processo ocorra sem erros. Mas vai deixar tudo mais divertido, não acham? “Fulano. Noooootaaaa: DEEEEEEEEZ!” Aí a câmera corta pra casa da pessoa e mostra a torcida comemorando. Seria sensacional!

Enfim… São só umas dicas dadas na humildade… Se nada de diferente acontecer, é capaz do processo acabar com uma goleada barcelônica aplicada pelo CNJ, né?

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P.S.1: Este texto não tem o objetivo de ofender qualquer pessoa. Tenha ela honra, ou não.

P.S.2: Caso alguém resolva acolher uma das sugestões dadas acima, pode fazê-lo sem sequer recolher os copyrights pra mim. Sou mesmo uma pessoa muito generosa, como se nota.

TOP 5: melhores equipes de futebol de todos os tempos

Tá, eu sei que esse tipo de listinha causa uma polêmica danada. Mas é por isso mesmo que gostamos tanto delas, né? Assim, eu sei que vocês vão discordar, porque cada um tem seu top 5 particular… Também sei que muitos vão lembrar que “é sempre temerário comparar equipes e jogadores de épocas distintas”… Bom, pra isso serve a área de comentários do blog: podem detonar livremente as escolhas deste humilde escriba – mas o façam sabendo de que elas continuarão sendo as únicas corretas! 😉

REAL MADRID DE PUSKAS E DI STEFANO

Um time que consegue ganhar cinco Copas dos Campeões seguidas, jogando um futebol bonito e ao mesmo tempo eficaz, não poderia ficar fora deste que é o definitivo Top 5 acerca do tema. Os blancos guiados por Puskas e Di Stefano foram os principais responsáveis por disseminar no mundo o sentimento de respeito pela uniforme do Real Madrid. Na década de 50, fizeram algo parecido com o que o Barcelona vem fazendo atualmente: ditam lei e aniquilam seus oponentes.

P.S.: Sem falar que tinham, como dito Di Stefano: o melhor jogador argentino de todos os tempos. Vish, lá vem mais polêmica!

SANTOS DE PELÉ

Taí outro time que juntou gente que jogava muito e saiu pelo mundo ganhando de quem quer que aparecesse pela frente. Pelé, Coutinho e Pepe, aliás, formam um dos ataques mais temíveis que o futebol já conheceu.

O mais bacana: davam espetáculo e eram eficientes. Ganharam tudo o que havia para ganhar na época, inclusive vencendo algumas das maiores equipes estrangeiras.

SELEÇÃO BRASILEIRA DE 1970

Essa foi, pra mim, a melhor seleção brasileira que já existiu. Sim, eu sei que a galera tem um xodó especial pela de 1982 – que jogava muita bola, ninguém nega. Mas, sei lá… O time de 70 não apenas sabia jogar muita bola, como também reuniu algum dos maiores nomes do futebol de todos os tempos e, last but not least, ganhou a Copa!

Não! Eu não acho que ganhar uma Copa seja atestado de grande qualidade futebolística (caso contrário seríamos obrigados a considerar Roque Jr. melhor que Zico, Gattuso melhor que Roberto Baggio e Maradona melhor que Messi…). Mas não se pode também ignorar o fato de que se trata do torneio mais importante para as seleções nacionais. E esse é um dos motivos que me faz considerar a seleção de 70 melhor que a de 82: ambas jogavam bagarai, encantavam o mundo e tinham gênios em seus elencos. Mas a de 70 ganhou, ao passo que a de 82…

Ah, tem um último detalhe: a de 70, além de jogar demais e contar com mitos como Gerson, Clodoaldo, Rivelino e Tostão, também tinha ninguém menos que Pelé, o maior de todos.

HOLANDA DE 1974

Lembram quando eu disse que a Copa do Mundo é importante, mas não é tudo? Pois é, tava preparando o terreno pra Laranja Mecânica, o time histórico e fascinante comandado por Cruyff.

A revolução que aquela Holanda fez no futebol não poderia passar desapercebida, meus caros. “Ah, mas não ganharam a Copa!” AZAR DA COPA! Os holandeses de então deram início àquilo que o amigo @gravz definiu tão bem como “processo de futeboldesalãonização do futebol de campo” – hoje aperfeiçoado pelo Barcelona. A velocidade nas trocas de passes, a arte de ocupar os espaços no campo, a troca constante de posições e a condução paciente da bola até o gol… Aquele time quebrou paradigmas e mostrou que esquemas táticos definidos com base em números frios podem ser facilmente subjugados pelo talento coletivo. Enfim, um espetáculo!

BARCELONA DE MESSI, INIESTA, XAVI, FÁBREGAS…

Sim, eu sei que alguns podem considerar precipitado alçar os catalães ao panteão dos grandes da história. Que se dane! Estou convencido de que estamos vendo a história ser escrita a cada novo jogo, a cada nova vitória, a cada nova goleada, a cada novo título… Este Barcelona, de Messi, Xavi, Iniesta, Fábregas e tantos outros nada mais é do que a interpretação perfeita da filosofia inaugurada em 74, pela Holanda. Não é mera coincidência que Cruyff, cérebro da Laranja Mecânica, tenha uma ligação tão profunda com o clube catalão…

A maneira como esse time casou espetáculo e eficiência já lhe vale um lugar na história, não tenho dúvidas. São geômetras em campo, trocando passes com inquietante agilidade, fazendo com que espaços surjam aparentemente do nada. Não há firulas, não há pedaladas inúteis, não há estrelas de cabelo escroto… Há apenas a certeza da própria superioridade convertida, inexoravelmente, em gol; em triunfo.

A exemplo do time holandês de 74, no Barcelona também não se guardam posições burocráticas. Contra o Santos, na final do mundial, os catalães jogaram num impressionante ZERO-TRÊS-SETE! Isso ganha uma dimensão ainda maior, quando se considera que apenas Messi era atacante “de ofício”.

A mais recente vitória sobre o rival Real Madrid é ainda mais emblemática: o gol do decisivo 2 a 1 sai depois de uma repetida troca de passes, até que Messi desenha um lançamento maravilhoso para a conclusão de Abidal, um defensor! Não importam os nomes em campo, as posições de origem ou os esquemas táticos: o Barcelona é uma filosofia em campo.

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P.S.: Merecem uma menção honrosa a seleção brasileira de 1982, o Flamengo de 1981 e o Milan de Arrigo Sacchi, os quais a muito custo ficaram fora deste Top 5.

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E aí, discordam muito? Pouco? Milagrosamente concordam? Contem quais são as equipes que entrariam no Top 5 de vocês!