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Em Pernambuco, Aécio lança carta conclamando a sociedade e as lideranças políticas à união no segundo turno.

Se alguém esperava um aceno de Aécio no segundo turno, ele veio hoje. Em Pernambuco, onde vai se encontrar com a família de Eduardo Campos, o mineiro divulgou uma carta-compromisso que chama eleitores e líderes políticos que rejeitaram o PT no primeiro turno a dar as mãos agora, em nome da mudança.

Se Marina esperava um aceno concreto, não pode mais se lamentar. Aécio não apenas reconhece o legado de Eduardo Campos, como lembra da importância de Marina no cenário eleitoral do primeiro turno – também ela como veículo da mudança desejada. Agora não há mais tempo para demoras e conjecturas: quem quer transformar o país precisa abraçar a única alternativa possível: Aécio Neves.

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Hora de união nacional das pessoas de bem deste país

Personalidades e políticos os mais diversos começaram a acenar para Aécio Neves tão logo ficou oficializado que ele iria para o segundo turno contra Dilma. Um apoio de peso que o tucano deve receber é o do PSB de Pernambuco, de Eduardo Campos, amigo pessoal de Aécio e vítima daquela inexplicável tragédia ocorrida no dia 13 de agosto. A razão é de simples compreensão: em Pernambuco o PSB tem uma identidade muito grande com a família de Eduardo, que não esconde a mágoa diante da campanha abjeta lançada por Dilma e pelo PT contra a memória do ex-governador e de Marina Silva.

A própria Marina, especula-se, pode estar prestes a declarar apoio a Aécio. O discurso dela ainda na noite de domingo deu pistas nesse sentido, principalmente quando ela frisou que “não se pode ignorar o resultado das urnas” e o “desejo de mudança”. Marina sabe que esta eleição é muito diferente da de 2010 e que o PT está sendo frontalmente rejeitado pela maioria dos eleitores brasileiros. Além disso, é muito mais fácil ela procurar pontos em comum com o programa de Aécio, do que com o terrorismo político feito pelos petistas, que a acusaram de querer entregar o país aos banqueiros.

Não bastasse isso, um grupo de intelectuais diretamente ligados a Marina e à Rede já se pronunciou em apoio a Aécio neste segundo turno. O mote é o mesmo: é hora de união nacional por um objetivo maior e mais importante. A esse grupo se juntou o governador de Pernambuco, aliado político de Eduardo Campos e o próprio irmão do ex-governador, falecido no acidente aéreo.

Os movimentos estão sendo feitos com tanta naturalidade e tão às claras, que salta aos olhos: numa política interesseira e tradicionalmente repulsiva como a brasileira, o que se vê é uma vastidão de pessoas dispostas a dar as mãos em nome de um projeto alternativo a esse modelo petista de volta da inflação, de corrupção e de assalto aos cofres públicos. Podemos, de fato, estar vendo nascer um novo tempo no país.

Os caminhos da vitória


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Contra o prognóstico de muitos especialistas da política nacional, Aécio Neves chega ao segundo turno da eleição e o faz de uma forma que supera as expectativas dos tucanos mais otimistas. Enquanto algumas pesquisas de véspera (que vexame das pesquisas, aliás) chegavam a dar uma vantagem de mais de 20% a favor de Dilma Rousseff, abertas as urnas o que se viu é que cerca de apenas 8% separam a presidente do seu adversário direto.

Nada menos que 60% dos eleitores que compareceram disseram um sonoro “não” à candidatura do PT. Esse número sobe para mais de 70% se considerados os eleitores totais. Não há, pois, o que contemporizar: o país segue reprovando Dilma e clama por mudança. E as urnas mostraram que a pessoa escolhida para conduzir essa mudança é Aécio.

Agora é concentração total e dedicação nesses vinte dias até o segundo turno. A máquina eleitoral do PT é forte e sabe jogar o jogo eleitoral – inclusive o jogo sujo, como vimos na campanha movida contra Marina. Essa artilharia agora vai se voltar com ainda mais violência contra Aécio. É preciso estar a postos para não ficar na defensiva, não se deixar acuar.

Não há que se descuidar, também, dos arranjos regionais e dos apoios políticos. O país, como dito, quer mudança. É preciso saber atrair, com acordos republicanos e transparentes, os eleitores de Marina, por exemplo. É dirigir aos que deixaram de votar no primeiro turno um apelo em nome da urgência democrática que o país vive neste momento. Nunca o PT esteve tão ameaçado de sair do poder.

É hora de reforçar as bases em São Paulo, Santa Catarina e Paraná, onde expressivas vitórias foram conquistadas. É hora de virar o jogo em Minas e no Rio Grande do Sul, onde ficou claro que há muito mais espaço para a oposição que para o PT. É hora, enfim, de travar o bom combate, de fazer a boa política, como prega Aécio desde o começo. Mas sem perder a garra e a força que o trouxe até aqui.

A vitória é logo ali. E nós estamos prontos para ir pegá-la!

“Eu sou a mudança segura”

Excelente entrevista do Aécio à revista Isto É! Vejam abaixo alguns trechos (íntegra aqui):

ISTOÉ – É evidente o desejo de mudança do brasileiro, exposto desde o ano passado nas manifestações de rua. O que o seu governo trará de novo para o País?
Aécio Neves –
A primeira é uma mudança ética, de valores. Talvez essa seja a mais perversa das heranças que esse governo nos deixará: a baixa qualidade das relações políticas e o absurdo aparelhamento da máquina pública para servir a interesses que não são os dos brasileiros, são de grupos políticos que convivem dentro do governo. A segunda é uma mudança de visão do Estado. Eu pratiquei isso durante toda a minha vida. Entendo que o Estado não tem que ser ineficiente por ser Estado. O setor público não precisa necessariamente apresentar maus resultados apenas por ser público. Acho que essa é uma mudança profunda que o Brasil precisa viver, qualquer que seja o próximo governante.

ISTOÉ – Como se faz isso?
Aécio –
Promovendo o resgate da meritocracia, de um governo que funcione, tenha metas, apresente resultados. Hoje vemos uma desqualificação cada vez maior dos serviços públicos. A terceira mudança é uma nova visão de mundo. O Brasil se isolou por uma visão absolutamente equivocada desse governo, que promoveu um alinhamento ideológico da política externa sem que isso trouxesse qualquer benefício ao País. O mundo avança em acordos bilaterais. O governo do PT, no entanto, celebrou apenas três acordos bilaterais: com Egito, Israel e Palestina, o que não teve qualquer consequência objetiva no fortalecimento da nossa economia, na ampliação de mercados para os nossos produtos. O sentimento de mudança hoje é tão avassalador na sociedade brasileira que até o governo do PT quer mudar.

 

 

ISTOÉ – Por que o sr. já apresentou seu ministro da Fazenda?
Aécio –
Quando eu anuncio que, se eleito, nomearei o Armínio Fraga como ministro da Fazenda, estou dando a sinalização clara na direção que o País vai. É muito cômodo você ouvir candidatos dizer “ah, eu vou governar com os melhores”… Quem é que vai governar com os piores, né? Não existe isso…

ISTOÉ – O sr. acha que quem concorrer contra a Dilma ganha no segundo turno?
Aécio –
Quem concorre contra a Dilma é presidente da República. O PT perdeu essas eleições e nós temos duas alternativas: nós e a Marina. Não duvido das boas intenções dela, mas a Marina é fruto desse mesmo sistema que hoje ela combate. Ela militou por 20 anos no PT.

ISTOÉ – Essa insatisfação é com o governo, mas também não é uma insatisfação com a polarização PT/PSDB?
Aécio –
Há dois componentes principais nas intenções de voto da Marina: uma é a negação da política, outra a insatisfação com essa polarização. E uma outra parcela que quer derrotar o PT. Só que derrotar o PT é apenas o início da obra, não é a conclusão da obra. Eu não quero estar daqui a quatro anos lamentando com o brasileiro uma nova opção equivocada, porque a inexperiência da Dilma no governo custou muito caro ao Brasil. Então, o Brasil tem duas alternativas hoje. A nossa é experimentada, os quadros estão aí e estamos sinalizando com muita clareza em que direção vamos. A outra trata a política como se fosse um balcão de supermercado: vamos buscar os melhores, vamos pegar os melhores daqui, os melhores dali. Mas para ela avançar em qual direção? Respeito a Marina, mas até agora não teve que mostrar com clareza o que pretende fazer se vencer as eleições. E só boas intenções não resolvem os problemas do Brasil.

ISTOÉ – A presidenta Dilma comparou Marina a Collor pela ausência de uma estrutura partidária. O sr. vê riscos semelhantes?
Aécio –
Não acho que a história dela se pareça com a do Collor. Mas a pregação da não política, sem uma palavra de valorização e fortalecimento dos partidos é algo que me preocupa. A negação pura e simples da política é estranha, principalmente vindo da Marina, alguém que militou tradicionalmente na política durante mais de 20 anos. Essas contradições têm que ser analisadas por todos nós. Qual é a Marina que vai governar? É a que acena em abraçar o agronegócio ou aquela que em 1999 apresentou um projeto de lei para proibir o cultivo de transgênicos no País? É aquela que dentro do PT se submetia a esse corporativismo que impedia avanço na gestão pública ou é a que propõe agora em seu governo a meritocracia? É a que acena para o presidente Fernando Henrique de um lado e para o Lula de outro, como se fosse possível essa compatibilização? Agora o brasileiro vai avaliar com consistência, com profundidade, as alternativas que existem aí.

 

 

ISTOÉ – Sua campanha apostava mais no combate direto à presidenta Dilma. A partir de agora vai mirar mais no combate à Marina?
Aécio –
Sou oposição à Dilma, oposição ao PT. Não circunstancialmente. Sou oposição desde sempre. Nunca acreditei nesse modelo que está aí. Então não abro mão da prerrogativa e da primazia oposicionista em relação ao modelo que está aí. Mas o meu papel é mostrar também as fragilidades da candidatura de Marina. Não do ponto de vista pessoal, pois a respeito, como respeito a Dilma do ponto de vista pessoal. Mas a Dilma fracassou. A inexperiência dela custou muito caro ao Brasil. O aprendizado do PT no governo da Dilma custou um tempo que não volta mais. Nossos indicadores sociais pioraram. Na economia é isso que nós estamos vendo hoje: um quadro de recessão, os investimentos deixaram de vir para o Brasil, um cemitério de obras com sobrepreços e abandonadas ou paralisadas pelo País afora. O conjunto da obra do PT vai levá–los a uma derrota. E eu quero conhecer com clareza, além das platitudes do discurso da Marina, o que ela efetivamente pensa e como ela vai governar.

Pesquisas confirmam crescimento de Marina. Mas o que ela quer para o país? Alguém sabe?

Estado certas as pesquisas recentes (e não acho que estejam erradas mais do que tanto), o principal objetivo de 2014 já foi atingido: Dilma e os petistas podem começar a empacotar seus pertences porque é certo que dia 1º de janeiro de 2015 não estarão mais ocupando as dependências do Palácio do Planalto.

Depois do Ibope, o Datafolha também mostra um impactante crescimento da candidatura de Marina Silva, que já aparece empatada com Dilma no primeiro turno e à frente dela no segundo. O que eu acho? Acho o mesmo de sempre: faltando mais de um mês para a eleição, pesquisa não vale tanto pelos números de intenção de voto, mas por mostrarem tendências. E a tendência que parece emergir dos levantamentos é a de que Marina tomou parte do voto anti-PT que estava com Aécio, sendo vista como uma espécie de “voto útil” para vencer Dilma. Isso quer dizer que acabou a eleição? Não, longe disso.

Desde que aconteceu a tragédia que vitimou Eduardo Campos, Marina só deixou de estar positivamente na mídia na última quarta-feira, durante a entrevista ao Jornal Nacional. E, ainda assim, não é que ela tenha sido um desastre: mostrou que carrega muitas contradições e que, além de vender sonhos, tem, por enquanto, pouca coisa concreta a apresentar. Mas não esteve nem perto de sofrer um nocaute. Só nesta semana Marina começou a ser confrontada politicamente, como é justo que seja. Ainda temos quarenta dias de campanha pela frente só no primeiro turno e há que se ver como ela reagirá sendo cobrada com mais ênfase – afinal é a nova favorita.

Como venho dizendo, ainda acho fora de lugar falar em “furacão Marina”. Ela tem, agora, o mesmo que tinha em junho de 2013, no auge dos protestos. É a partir de agora que deve ser analisada a curva de Marina nas pesquisas: vai continuar crescendo, canibalizando também o balaio de votos de Dilma? Ou pára num patamar na casa dos 35%? Se crescer ainda mais, poderemos, então, falar em “fenômeno” e “furacão”. Por quanto isso me parece mais wishfull thinking de certo jornalismo brasileiro, órfão de sonhos mais à esquerda.

Mas afinal, o que quer para o país a candidata Marina Silva? Como seria o governo dela, que fala em todas as entrevistas que vai se livrar da tal “velha política” (o que quer que isso signifique), ao mesmo tempo em que afirmar querer governar com “os melhores quadros” – inclusive de PT e PSDB, partidos que ela já disse na TV estarem esgotados? São essas incógnitas que, a meu ver, ainda não estão nem perto de ser esclarecidas e que me fazem não embarcar na “onda” criada em torno do nome de Marina.

Eu tenho, não escondo, uma preferência pela candidatura de Aécio. As razões estão aí, no arquivo do blog: Aécio é o único candidato que, sempre que pode falar à nação, trata de forma objetiva dos problemas do país e apresenta propostas concretas para solucioná-los. Além disso, ele tem currículo na política: sei o que ele fez em Minas, como governador e, por isso, sei que posso acreditar quando ele fala que sabe como sanear o Brasil. Dilma… Bem… É esse desastre que todos conhecemos. E Marina, como falei antes, não se ocupa de responder concretamente o que lhe é perguntado.

Marina entendeu que foi um contexto de comoção que a colocou em evidência e que isso lembrou a todos o desejo de mudança externado há mais de um ano em todas as pesquisas. Bastou juntar A e B para que se desse a lógica: tendo mais recall, sendo conhecida de 100% do eleitorado e cavalgando o sentimento de emoção (poucos povos são mais emocionais que o brasileiro), Marina rapidamente encarnou o sentimento de mudança. Some-se a isso o fato de a outra alternativa, Aécio, ainda não ser totalmente conhecida e, assim como Dilma, ter sido abalroado pela reviravolta eleitoral causada pela morte de Eduardo Campos. Admitamos: nenhuma estratégia de campanha poderia ter se preparado para algo assim.

O problema, a meu ver, é que esse – como direi? – “misticismo” que há em torno de Marina (e que ela própria alimenta com entusiasmo) não apenas não me convence, como também me preocupa bastante. Essa coisa de sacar da manga a carta da origem humilde sempre que confrontada é algo que Lula sempre fez e… Bem… Digamos que ele acabou com os melhores colaboradores presos.

Marina procura, de forma esperta, permanecer no terreno abstrato dos sonhos. Ela sabe que o povo é emocional e se esforça para manter a campanha nesse terreno. Alguém pergunta por que ela deve ser escolhida e ela fala em “nova política” e “superar o atraso”. Depois perguntam com quem ela governaria e ela cita os “melhores de todos os partidos”, sem explica como conseguirá convencê-los a embarcar na sua arca da salvação. É como se respostas objetivas não fossem exigíveis de Marina simplesmente porque ela representa algo mais etéreo, que paira acima dos problemas mundanos decorrentes da nossa política tradicional.

Política tradicional, aliás, é outro termo que Marina adora citar pejorativamente, prometendo também escantear isso. E aí meu ceticismo só aumenta, principalmente quando se vê que a vida política de Marina é uma das coisas mais tradicionais que há: começou sindicalista, fez parte do PT, criou um nicho político próprio em sua terra (terei a boa vontade de não chamar de curral eleitoral) e compôs, no governo Lula, com gente como Sarney e Maluf. O que poderia haver de mais tradicional do que isso?

Sou um conservador, nunca escondi isso. Como tal, busco certezas, não aventuras. E rejeito qualquer discurso salvacionista que não tenha saído da boca de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se Marina é portadora de alguma verdade mística que lhe foi revelada entre os seringais da Amazônia, que a compartilhe conosco nas entrevistas, debates e no horário eleitoral. Que explique como sua “nova política” vai, na prática, solucionar o problema dos 50 mil assassinatos por ano, as filas no SUS e o tráfico de drogas. Só falar em mudar tudo sem explicar como, apenas mostrando aquele olhar profundo fixado no horizonte (como Obama fazia, lembram?), desculpem, é pouco para mim.

Como dito alhures, o jogo ainda não está jogado. A única certeza é que Dilma acabou e que qualquer um que for com ela ao segundo turno vai vencer, seja Marina, Aécio ou o Pastor Everaldo. Depois de uma semana dando um show técnico no horário eleitoral, o PT não conseguiu derrubar a rejeição à presidente nem melhorar a avaliação do governo significativamente. A era PT está próxima do fim, isso é fato. E, exatamente por isso, não se pode dizer que a eleição acabou, ou alguém acredita que o PT, dono da maior máquina eleitoral que este país já viu, vai vender barato a derrota? Marina pode se preparar porque a artilharia petista vai virar toda pra ela e eles são implacáveis.

Aécio, que vinha conduzindo a melhor campanha possível, foi sem dúvida fortemente atingido pela reviravolta. Sigo achando ele a melhor opção e votarei convicto nele. Vou além: é possível que se recupere nas pesquisas, principalmente depois de alguns ajustes no tom e no ritmo da campanha. Não que seja fácil: se atacar demais Marina corre o risco de ajudá-la a crescer e se atacar só o PT alimenta o discurso marineiro de que há uma “polarização nociva entre tucanos e petistas. Algum polimento nas campanhas estaduais, por exemplo, podem ajudar a mudar o quadro, já que o PSDB e seus aliados estão muito bem posicionados em São Paulo, Paraná, Bahia, Rio Grande do Sul e Goiás. São estados grandes, onde Aécio ainda não atingiu o potencial que poderia ter. Não é um trabalho simples construir um discurso assim, mas é possível fazê-lo, principalmente insistindo em mostrar que qualquer mudança pode não ser mudança alguma.

Conhecendo a “nova política”.

Abaixo matéria de ontem, do Jornal Nacional:

O Jornal Nacional obteve, com exclusividade, documentos importantes da operação de compra e venda do jato Cessna, que era usado pelo candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos. O dinheiro que teria sido usado para pagar o avião em que morreu o candidato Eduardo Campos passa por escritórios em Brasília e São Paulo e por uma peixaria fantasma em uma favela do Recife. “Eu estou até desnorteado. Como é que eu tenho uma empresa sem eu saber?”, questiona um homem.

O Jornal Nacional teve acesso com exclusividade aos extratos da conta AF Andrade – empresa que, para a Anac, é a dona da aeronave. Mas a AF Andrade afirma que já tinha repassado a aeronave para outro empresário, que emprestou para a campanha de Campos. Os extratos que já foram entregues à Polícia Federal mostram o recebimento de 16 transferências, de seis empresas ou pessoas diferentes. Num total de R$ 1.710.297,03. Nos extratos, aparecem os números do CPF das pessoas físicas ou do CNPJ, das empresas que transferiram dinheiro para a AF Andrade. Com esses números, foi possível chegar aos donos das contas.

A empresa que fez a menor das transferências, de R$ 12.500, foi a Geovane Pescados. No endereço que consta no registro da peixaria encontramos Geovane, não a peixaria. “Acha, que se eu tivesse uma empresa de pescado, eu vivia numa situação dessa?”, diz Geovane. Outra empresa, a RM Construções, fez 11 transferências, em duas datas diferentes. Cinco no dia 1º de julho e mais seis no dia 30 de julho, somando R$ 290 mil.

O endereço da RM é uma casa no bairro de Imbiribeira, em Recife. Mas a empresa de Carlos Roberto Macedo não funciona mais lá. “Tinha um escritório. Às vezes, guardava o material do outro”, conta ele. Tentamos falar por telefone com Carlos, mas ele pareceu não acreditar quando explicamos o motivo da minha ligação.

Repórter: Você andou depositando dinheiro para comprar de um avião?
Carlos: Tem certeza disso?

Já um depósito de quase R$ 160 mil saiu da conta da Câmara & Vasconcelos, empresa que tem como endereço uma sala vazia em um prédio e uma casa abandonada. Os dois lugares em Nazaré da Mata, distante 60 quilômetros do Recife. A maior transferência feita para a AF Andrade foi de R$ 727 mil, no dia 15 de maio, pela Leite Imobiliária, de Eduardo Freire Bezerra Leite. E completam a lista de transferências João Carlos Pessoa de Mello Filho, com R$ 195 mil, e Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho, advogado com escritórios em Brasília, Recife e São Paulo, com uma transferência de R$ 325 mil.

Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho disse que realizou, em junho, uma transferência bancária de R$ 325 mil e que esse valor é referente a um empréstimo firmado com o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho. O empresário João Carlos Lyra declarou que, para honrar compromissos com a empresa AF Andrade, fez vários empréstimos, com o objetivo de pagar parcelas atrasadas do financiamento do Cessna. A Leite Imobiliária confirmou que transferiu quase R$ 730 mil para a AF Andrade como um empréstimo a João Carlos Lyra.

Já o PSB declarou, nesta terça-feira (26), que o uso do avião foi autorizado pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira. E que o recibo eleitoral, com a contabilidade do uso do Cessna, seria emitido ao fim da campanha de Eduardo Campos. O PSB afirmou que o acidente, em que morreram assessores do candidato, criou dificuldades para o levantamento de todas informações.

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Que curiosa a “nova política” da Marina, né? Passa por empresas fantasmas e tudo o mais.

Ah, uma coisa: a candidatura da Marina, como se vê, parece capaz de ameaçar o projeto de poder do PT. Em sendo assim, eu sugiro que ela fique esperta… Duvido que a máquina eleitoral petista deixe passar algo como o que vai acima.

Os número do Ibope: o que dizem e como atingem as campanhas.

A internet, em especial aquele jornalismo que gosta de cravar resultados, ficou ouriçada com o Ibope de ontem, que mostra Marina isolada em segundo lugar (no limite do empate técnico com Dilma), dez pontos à frente de Aécio. O que podemos tirar dos dados dessa pesquisa, sem escorregar em análises ligeiras e superficiais?

Em primeiro lugar, acho importante notar que ainda não há esse tão propalada “furacão Marina”. Nos protestos de junho, quando despontou como a preferida de quem era “contra tudo isso que tá aí”, Marina chegou a ostentar 35% das preferências. Em abril, última vez que ela apareceu em uma sondagem, tinha 27% dos votos. Agora, 29%. Marina está, pois, onde sempre esteve. Se efetivamente estiver surgindo um fenômeno de votos a partir da candidatura do PSB, isso só será possível afirmar nas próximas pesquisas.

Percebam que algumas exultações (de novo: muitas partindo de certo jornalismo que mais faz torcida que análise) não passam de constatações do óbvio. “Marina lidera entre os mais escolarizados!” Ora, já foi assim em 2010. “Marina avança nos grandes centros urbanos!” Também fez isso na eleição passada. O que há, efetivamente, de novo? Até o presente momento, só o potencial demonstrado de levar para si boa parte dos que se declaravam dispostos a votar branco e nulo, bem como dos que se diziam indecisos. Mas esse eleitorado, sabe-se, é volátil.

Eu vejo dois cenários possível no horizonte para Marina: 1) se confirma a tal “onda” a favor dela e ela continua crescendo, inclusive superando Dilma já no primeiro turno. Em tal caso, tendo a acreditar que ela pesque mais votos na base eleitoral do PT, que na do PSDB, principalmente em razão da história política e das afinidades ideológicas; 2) a empolgação inicial arrefece e ela pára por volta do 30%.

Notem que qualquer dos cenários é relativamente confortável pra Marina, que está há mais de dez dias surfando em uma cobertura positiva do jornalismo (algo inédito, diga-se). A primeira oportunidade em que foi, de fato, confrontada politicamente se deu apenas ontem, no debate da rede Bandeirantes. Mas era evento com pouca audiência, com pouco alcance. O primeiro grande teste para Marina será a entrevista no Jornal Nacional (quando e se ocorrer…).

E Dilma?

Sem dúvida o sinal de alerta nunca soou tão alto na campanha petista. O segundo turno, que eles ainda sonhavam evitar, está confirmado. E a chance de derrota é mais do que real. A coisa toda se complica mais quando se nota que Dilma caiu depois de uma semana de programas na TV, desfilando as supostas obras que fez e as promessas que fará. Ah, e com Lula todo santo dia pedindo voto pra ela. Não parece mais ser garantia de nada.

E Aécio?

O candidato tucano vinha na estratégia acertada de se tornar conhecido, apresentando a biografia e as realizações, solidificando sua ida ao segundo turno e construindo, passo a passo, a vitória final. A reviravolta eleitoral o colheu em cheio também e agora a campanha se faz dura. Mas, ao contrário do que dizem alguns, não está derrotado: mesmo ainda desconhecido de boa parte do eleitorado, manteve-se na casa dos 20%. O trabalho é para se firmar como verdadeira alternativa ao PT, com a dificuldade de ter que fazer isso ainda mais rápido e de forma mais intensa.

O jogo ainda não está jogado: estamos diante da eleição mais imprevisível desde 1989.