Arquivo da tag: No divã do Yashá Gallazzi

Dez livros

A nova modinha no facebook (ainda é, ou já acabou?) é listar dez livros marcantes para a vida de cada um de nós. O pressuposto da brincadeira é fazer a lista de bate-pronto, sem pensar muito. Eu entrei no jogo e, bem… Aí vai o resultado:

Por que fui entrar nisso, meu Deus?! Por quê?! Foi publicar o post e começar a me arrepender por conta dos livros que esqueci de mencionar. Onde está Romeu e Julieta?! Como consegui deixar de fora Memórias póstumas de Brás Cubas, que considero o melhor de Machado?! Onde estava com a cabeça quando deixei passar Casa grande e senzala, ou Angústia? Como pude cometer o pecado de esquecer Orgulho e preconceito?!

Não que os dez listados não mereçam estar onde estão. São ótimas obras e todas marcaram muito minha – se me permitem – formação como leitor. O que me atormenta um tanto desde a manhã de hoje é a ânsia de entender o que me levou a apontar aqueles dez e deixar de foram tantos outros livros preferidos.

Eu cliquei no botão “publicar” e imediatamente: “Meu Deus, Orgulho e preconceito! Ah, não! Esqueci Memórias póstumas!” E ter de carregar comigo o resultado dessa irresponsabilidade que foi escolher só dez dentre tantos livros passou o dia a me atormentar como se fosse a malfadada gravata, em Angústia. E eu tentava afrouxar o nó (imaginário), mas quê!

Ah, as armadilhas do inconsciente… Aliás, alguém tem um bom livro que trate disso, pra me indicar?

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Brinquedos sexistas

Ontem eu li sobre a ~~polêmica~~ do Kinder Ovo e seu suposto “sexismo”. Os abismos do intelecto humano contemporâneo me deixam cada vez mais espantado… Fechei os olhos e imaginei, num futuro não tão distante, a seguinte cena:

O pai, que sempre se vangloriou de seus pensamentos progressistas e de sua mente moderna e aberta às mudanças sociais, chega em casa com um boneco do Ben 10 numa mão e uma Barbie na outra, e chama o filho, de 6 anos, na sala:

– Meu filho, pode escolher qual presente você prefere.

– QUERO O BEN 10, PAPAI! – disse o menino, pulando.

– Você pode escolher qualquer um. Não se prenda a preconceitos.

– QUERO O BEN 10! – avançando sobre o brinquedo.

– Pense bem. – o pai puxou o brinquedo – Você não precisa se ater aos estereótipos impostos pela sociedade machista a patriarcal. Qualquer criança pode brincar com qualquer brinquedo.

– ME DÁ O BEN 10, PAI! – já era uma súplica desesperada.

– Por quê?

– Por que o quê?!

– Por que tanta pressa em se definir? Em excluir um brinquedo e escolher o outro? Você nem olhou direito a Barbie.

– Eu prefiro o Ben 10, pai.

– Mas por quê? Por que você acha errado um menino preferir uma Barbie?

– Eu só acho o Ben 10 mais legal. – quase chorando.

– Será que acha? Ou será que isso é mais um conceito que te foi imposto por essa sociedade sexista?

– Sociedade o quê?

– Sexista.

– Me dá o Ben 10, pai! – já chorando – Você falou que eu podia escolher qualquer um.

– E pode!

– Então me dá o Ben 10!

– E por que não a Barbie?!

– MAMÃE, O PAPAI NÃO QUER ME DAR O MEU BRINQUEDO! – choro desesperado.

– Por que o boneco é o “seu brinquedo”? Quem determinou que a boneca deveria ser excluída? Você não precisa se prender a esses rótulos. Você pode ser livre, se quiser.

– EU SÓ QUERO O MEU BEN 10! – choro convulsivo

– Prefere um boneco, a pensar livre de qualquer estereótipo pré-estabelecido pela sociedade patriarcal-consumista?

Encolhido no chão, o menino só chora. O pai insiste:

– Você é criado nesta casa para experimentar a liberdade. Pode ter o que quiser, entendeu? Não tem problema se quiser a Barbie. Papai e mamãe não vão te julgar.

– Mas eu só quero o Ben 10.

– Tem certeza que VOCÊ quer? Ou é um gosto que te foi imposto pela mídia sexista?

– ME DÁ MEU BEN 10!!! – o choro convulsivo de volta.

– CHEGA! NÃO É POSSÍVEL MANTER UM DEBATE FILOSÓFICO SE VOCÊ SÓ FICA GRITANDO E CHORANDO! VÁ JÁ PARA O SEU QUARTO!

Fala que eu te escuto (#5)

Escrevi um tempão atrás um texto revelando algumas – como direi? – facetas ocultas do argentino Che Guevara. Não que tenha precisado recorrer a uma pesquisa grandiosa, ou tenha desenvolvido teses inovadoras. Que nada! São todos fatos com registro histórico que estão aí, ao alcance de qualquer um que tenha disposição de conhecer a verdade.

Na época da publicação, recebi vários comentários. Alguns – claro! – revoltados pelo “ataque” que fiz ao mito; à lenda. É do jogo… Ignorar fatos e insistir em invencionices a fim de preservar o ídolo é um direito de qualquer fã de Che. Quem se portou com o mínimo decoro teve suas críticas publicadas, como de costume. E algumas eram muito divertidas… Nenhuma, porém, tanto quanto a que recebi ontem, do Felipe. Acho que mereceu este ~registro histórico~ (os negritos são meus):

Acho melhor matar para mudar esta MERDA de mundo que esta agora,do que ficar d braços Cruzados,e achar que assim esta tudo bem!!!!E quantas pessoas os Americanos Matarão?? quantas guerras que não da conta deles se meterão???Estupravão Vietnamitas,Che falou bem.não deveria ter 1,2,3.. mas 10 guerras do Vietña,pra fuder os Americanos que se achão donos do mundo. Vocês Acreditan que eles forão pra lua,ahaha..Depois da grande Depressão?!?!?!?!???? Quanta ingenuidade.

Juro que reproduzi tudo na íntegra, respeitando os erros do original… O analfabetismo é um drama que aflige milhões!

Um fanático anti-mercado.

Já faz algum tempo que Paulo Moreira Leite não anda escrevendo coisa com coisa… Hoje, em texto publicano na Época, ele resolve tirar uma onda com aqueles a quem chama de “fanáticos do mercado”, destilando todo o seu fanatismo anti-mercado. Acompanhem:

Em sua edição de 27 de janeiro, a reportagem de capa da Economist, leitura obrigatória da elite financeira mundial, ajuda a colocar o debate sobre os rumos da economia em seu devido lugar.

O titulo é bastante significativo: “O crescimento do capitalismo estatal
– o novo modelo dos emergentes.”
Como sabem seus leitores, a Economist é uma publicação com idéias conservadoras em assuntos econômicos. Defende uma presença mínima do Estado na economia, costuma apoiar governos e candidatos de acordo com elas mas não é partidária de idéias irracionais nem fanáticas. [Sim, os grifos são meus. Não sei vocês, mas não ficou bem claro pra mim qual seria a orientação da revista. Acho que nem pra ele, by the way…]
A vantagem para os leitores é que não confunde a realidade com seus desejos. [Diferente do que faz o próprio Paulo Moreira Leite, que passa o texto inteiro tentando torturar os fatos, para que se confessem de acordo com seus desejos.]
Diante da crise européia, a Economist tem sido uma das críticas mais duras da obsessão de Angela Merkel com a austeridade e defende programas de estímulo ao crescimento para tirar o Velho Mundo para o fundo do poço.
Em 2009, quando boa parte da imprensa brasileira preocupava-se em encontrar obstáculos na recuperação do país após a crise de Wall Street, a Economist saiu com uma capa que mudou o rumo da conversa:  ”O Brasil decola.” Ali, lembrava aos leitores que o país havia entrado numa fase de prosperidade e que em breve estaria ocupando um lugar importante entre as maiores economias do planeta. [Sim, hoje este país-tropical-abençoado-por-Deus-e-bonito-por-natureza-mas-que-beleza é a sexta economia do mundo! QUE RUFEM OS TAMBORES! Pouco importa que mais da metade da população não tenha esgoto em casa. Somos orgulhosamente uma POTÊNCIA EMERGENTE! Uma potência que caga no mato, mas, ainda assim, uma potência.]
Essa forma não-provinciana de enxergar a realidade também aparece na reportagem especial de 14 páginas sobre capitalismo de estado. [A velha arte de tentar diminuir a visão que lhe é contrária… Como ele concorda com a revista, ele se torna “não-privinciana”. E vamoquevamo!]

(Pegue o link, em inglês: http://www.economist.com/node/21542931)

Eu acho que essa reportagem merece reflexão de quem se interessa de verdade pelo conhecimento da economia e não pela divulgação de suas convicções e mesmo de seus preconceitos. [É curiosos, porque o texto todo do Paulo Moreira Leite nada mais é do que a mera “divulgação de suas convicções e mesmo de seus preconceitos”…]

Para a revista, assiste-se a um momento em que a crise do “capitalismo liberal ocidental coincidiu com uma forma nova e poderosa do capitalismo de estado nos mercados emergentes.”

Fazendo um balanço histórico, a revista lembra que o papel do Estado na economia mundial cresceu entre 1900 e 1970. Naquele momento, o vento soprava nessa direção. [Nem uma mísera linha sobre como esse crescimento do tal “papel do Estado na economia” ajudou a construir a bagunça toda. Nada…]

Depois disso, as idéias do mercado  ganharam terreno com Ronald Reagan e Margareth Tatcher,as privatizações  e a ruína da União Soviética e seus satélites. [“Ganharam terreno”, não. Ganharam a disputa como um todo, mesmo! Ou alguém pode considerar (a sério!) que, depois do colapso da URSS, ainda exista alternativa possível ao capitalismo?
A partir de 2008, depois da crise do Lehman Brothers e a crise das economias desenvolvidas,  ”a era do triunfalismo do mercado foi interrompida.” [Aham… A “crise das economias desenvolvidas” é tão destruidora, que o salário médio deles – tadinhos! – deve ser umas quatro vezes maior que o nosso, aqui nessa potência emergente. E nem vamos falar do IDH…]
Avaliando as consequências desta situação, a revista afirma que a forma atual de “capitalismo de estado representa o mais formidável inimigo que o capitalismo liberal já enfrentou.” [Ô! Um lado defende o mercado livre e a democracia plena, enquanto o outro tem como grande modelo a China, uma ditadura! Do the math…]
Hoje, “o capitalismo de estado pode reivindicar os maiores sucessos econômicos do mundo para seu campo.” [Claro! Se Brasil imprimindo dinheiro e China controlando ferramentas econômicas na base da canetada podem ser considerados exemplos de sucesso, então tá valendo.] As empresas estatais representam 80% dos valores negociados no mercado de ações da China, 62% na Russia e 38% no Brasil. Comparando taxas de crescimento, a revista recorda que estes países crescem  5,5% ano ano, contra 1,6% dos desenvolvidos. A revista também acredita em 2020 essas economias emergentes irão responder por metade do PIB mundial. [Ou seja, podemos imaginar o tamanho da CATÁSTROFE quando o Estado fizer besteira em uma delas (e ele sempre faz, taí a história pra comprovar…).]
A influencia do capitalismo de estado deve prolongar-se por anos, diz a revista. Isso porque, em função de sucessos localizados e momentâneos, talvez seja necessário aguardar muito tempo até que  ”as fraquezas do modelo se tornem evidentes.” [Opa! Esse é o ponto mais interessante da matéria: a revista tem certeza que os problemas desse capitalismo conduzido com mão-de-ferro pelo Estado vai inevitavelmente acabar mal.]
Partidária da visão de que a economia de mercado sempre será mais eficiente e  mais aberta às inovações, a revista acredita que cedo ou tarde o capitalismo de estado acabará perdendo sua força e poder de atração. [Dãããããã!]

Gostaria de comentar algumas idéias discutidas pela revista. [Mal posso esperar!]

A revista associa mercado e democracia, estado e ditadura. Confesso que até hoje não entendi porque se costuma associar estes dois fenômenos, sempre desta maneira. [Jura?! Tá precisando voltar pros livros de história, amigo.] Num país onde o Estado tem forte influencia na economia, esta atividade passa a sofrer forte influencia do sistema político. Se o regime for uma ditadura, será uma influencia autoritária. Se for uma democracia, irá refletir, após muitos filtros e distorções, o pensamento do eleitor. [Só que uma economia sofrendo forte influência do sistema político (vish!) fica à mercê do partido/coligação que governa. Ferramentas econômicas deixam passam a ser objeto de disputas partidárias e – o que é mais perigoso! – ideológicas. Coisa linda, heim?!] Numa economia dominada pela iniciativa privada, a maior influencia sobre o Estado virá do mercado, ou seja, das empresas privadas e seus lobistas. [Búúúúúú! Capitalismo malvado! Búúúúúú! Empresas privadas!] Não virá do cidadão comum nem da classe média nem dos trabalhadores. [Sim, porque no Brasil – p.ex. – quem influencia a economia são os trabalhadores, né? Não é nem o PT, nem o PMDB. Na China, a galerinha que costura tênis da Nike e planta arroz vive ditando as diretrizes macroeconômicas, como o mundo inteiro sabe. Evidente que não são os burocratas do PC a fazer isso…]

França, Inglaterra e Alemanha são paises que tiveram uma forte influencia do Estado na economia, ao longo do século XX, e não deixaram de ser democracias por causa disso. Nos anos Roosevelt, o Estado coordenou e até dirigiu boa parte do crescimento econômico americano. Seria autoritarismo? As ideias ultraprivatizantes de Augusto Pinochet nunca o impediram de transformar o Chile numa ultraditadura. Há quem diga que a segunda foi condição para que pudesse realizar a primeira. [Paulo Moreira Leite tenta dar um migué na lógica. Ele torce e retorce os termos pra tentar trapacear o leitor, mas o truque é facilmente perceptível: pode haver liberalismo econômico sem liberdade civil. Mas não pode haver liberdade civil sem liberalismo econômico. E aqui fica o desafio: apontem um único exemplo de país onde a sociedade tenha vivido plenamente num regime de liberdades civis, sem que tenha existido mercado livre. SPOILER: não há!]

O nazismo de Adolf Hitler foi um produto direto da obsessão da centro-direita alemã com o mercado e sua recusa para criar medidas para enfrentar o desemprego e a falta de crescimento. [Eita, nóis… Prefiro achar, em benefício do articulista, que o que vai acima não é uma deliberada mentira criada com o intuito de turvar o pensamento do leitor, mas apenas a “boa” e velha BURRICE, mesmo. Então aos olhos de Paulo Moreira Leite Hitler seria um entusiasta do mercado? Logo ele, que declaradamente idolatrava Marx e Lênin?! Logo ele, que criou um troço chamado de Partido Nacional-Socialista?! Se Hitler lesse isso, se sentiria tão ofendido que Moreira Leite correria sérios riscos de ser mandado para a câmara de gás…]

Outra afirmação é a seguinte: “o capitalismo de estado funciona direito quando dirigido por um estado competente.” A regra vale para tudo na vida, na verdade. Inclusive para o capitalismo de mercado. [Ué, e não é verdade?!] Colapsos gigantescos como de 1929 e 2008 deveriam reforçar a modéstia dos que acreditam na competência instrínseca da iniciativa privada. Nos dois casos ela precisou ser salva pelos recursos do Estado, socializando imensas perdas depois de ter embolsado enormes prejuízos. [Mas, “Paulinho”, o Estado se metendo pra salvar a iniciativa privada não tem nada a ver com a idéia essencial de liberalismo econômico! Agora, quando consideramos que o Estado só existe porque nós, indivíduos livres, concordamos em tolher parte de nossas liberdades naturais para viver em sociedade, e pagamos impostos para permitir que ele funcione, o mínimo a esperar é que algo seja feito para compensar os desastres decorrentes de políticas públicas pretéritas. Sim, afinal a tal crise de 2008 não seria o que foi, se o Estado não tivesse saído por aí dando crédito de forma desregrada; ou fazendo alavancagem com dinheiro irreal; ou brincando de banco imobiliário na base da impressão de moeda.]

A ideia da eficiência natural do mercado esbarra em contradições importantes. [A idéia de eficiência natural do Estado esbarra em fatos históricos.] Os mercados tem uma dificuldade imensa para lidar com a desigualdade social, problema que está na raiz das principais crises econômicas recentes. [Errado! Na raiz das crises recentes está o Estado se metendo e: 1) regulando em excesso aquilo que não deveria regular; 2) fomentando na base da impressão de dinheiro aquilo que não deveria fomentar.] Sem mercados para crescer, a economia cria sistemas de credito para emprestar dinheiro para quem pode consumir mas não tem renda de verdade para pagar a conta, montando uma bola de neve que produziu os derivativos que explodiram em 2008. [Tá tudo quase certo nesse último período. Basta trocar aquele “a economia” por “os governos”. Pronto! A bola de neve não apenas foi criada pelo Estado criando sistemas de crédito para quem podia consumir, mas não tinha renda pra pagar, como também foi atirada montanha abaixo por esse mesmo Estado, na base do “se acabar o dinheiro a gente imprime mais!” Sério, de quem foi a culpa, “Paulinho”?]

Fala que eu te escuto (#4)

Leiam com atenção o comentário do leitor Roberto Rodrigues. Vocês perceberão que o escrito pede (implora mesmo) por uma resposta zoacionística. Pois bem, here we go!

O problema é que não dá pra levar a sério autores que, seja por desconhecimento o ma fé, confudem formas de governo com modos de produção!…Muito senso comun também!….Ah…o nazismo não deu certo por causa de Hiltler, mas de Stálin!… (dívida eterna da humanidade aos povos da URSS!)…o Socialismo não deu certo na URSS porque negaram Stálin!…A diferença entre ele e os que o sucederam pode ser resumida assim: ele (Stálin) herdou um país arruinado e transformou-o numa super-potência, os seus sucessores herdaram essa super-potência e a arruinaram!… [Os negritos são meus]

Então… É até complicado esculhambar semelhantes “argumentos”, porque pode-se acabar sendo acusado de praticar bullying…

Notem que não há nenhuma referência às mais de TRINTA MILHÕES de pessoas que morreram sob as botas de Stalin, um dos maiores sociopatas da história do mundo! Me permitam ser um tanto repetitivo: eu disse TRINTA MILHÕES! Perto dele, Hitler não passava de um moleque travesso.

Mas suponhamos, por amor ao debate, que o sujeito seja um pragmático: “Sim, matou uma galerinha, e tal… Mas transformou um país arruinado numa superpotênia!” Sim, só que ao contrário…

Vejam: sob Stalin a URSS não se tornou um exemplo de prosperidade. Basta ter em mente que boa parte daqueles 30 milhões referidos morreram de fome, graças, também, a jenialidades como as fazendas coletivas. Eu não tenho tempo (nem saco) para destrinchar em pormenores todos os fatores que levaram ao colapso do bloco comunista.

Mesmo porque não me é possível levar a sério quem considera digno de idolatria um assassino compulsivo; quem exige reconhecimento para um sistema que deu à luz a maior máquina de matar da história humana.

Fala que eu te escuto (#3)

Eu devo ter feito pole-dance na Cruz, limpado o chão com o Santo Sudário e kibado os quatro evangelhos… Só isso pra explicar as desgraças que aparecem aqui de quando em vez, pra me atormentar. Vejam o comentário que recebi ontem, escrito numa língua que lembra apenas de longe o português (cliquem para ampliar):

Última flor do lácio, INCULTA e FEIA PRA CARÁLEO!

Ai, meu Jesus Cristinho… Notem que sou uma alma caridosa: nem darei importância à total falta de sentido do texto escrito pelo nosso amiguinho virtual, mesmo sendo forçoso admitir que fiquei fascinado pelas tais “pessoas com grande poder de intelectualidade” – me surge a imagem do Professor Charles Xavier na cabeça…

O mais divertido, contudo, é esse tom de certeza que ele afeta desde o início do texto, próprio daquelas pessoas que… bem… não têm a menor noção daquilo que estão fazendo. O que seria dessa pérola, não fosse aquele inicial “Cara você nunca estudou?”, dirigido a este pobre escriba?

Bom, quem disse que não publico os comentários dos leitores que discordam de mim? Não apenas publico, como dou destaque! Taí o nosso querido Cayke na home do blog, alegrando esta sexta-feira. Volte sempre!

Fala que eu te escuto (#2)

Num post de ontem linquei uma tabela ilustrando o custo de vida em algumas cidades do mundo. Ali vimos que é mais caro dar um rolé em São Paulo e no Rio, do que em Nova Iorque, Paris, Copenhague e Milão, por exemplo.

Pois bem, a exemplo do The Drunkeynesian, que manja bem mais de economia do que eu, falei que a principal razão do elevado custo de vida no Brasil é a combinação entre inflação (e as incertezas em torno dela) e moeda artificialmente alta.

O leitor Paulo deixou o seguinte comentário àquele post:

“A explicação, além da inflação+real artificialmente valorizado, não seria, principalmente, os impostos embutidos nos precos?”

Sim, é evidente que a carga tributária brasileira concorre muito pro custo país como um todo, como bem lembrou o Thiago, outro assíduo leitor do blog, em sua pertinente intervenção naquele post. Mas as incertezas que tomam o mercado (e suas projeções futuras) por conta da falta de uma política forte frente à inflação, aliadas a essa teimosia estúpida que leva a mão visível do Estado a forçar uma valorização claramente artificial do Real, acabam por impor aos que marcam os preços a cultura do imediatismo.

E não pensem que estou sendo exageradamente pessimista quando falo sobre incertezas quanto ao futuro do país. Esqueçam as bravatas nacionalistas de Lula, Mantega e similares: o Brasil caminha para um belo problema econômico. Ou vocês acham que a despesa pela Copa de 2014 e pelas Olimpíadas de 2016 não acabará sendo “paga” por meio da impressão de dinheiro, comandada pelo governante de turno (seja ele petista, tucano, ou qualquer outra coisa)?

Da mesma forma, cedo ou tarde a conta dessa orkutização do crédito também precisará ser paga. E aí, como vai ficar? O que acontecerá quando a primeira construtura, cujos prédios são financiados pela Caixa Econômica, quebrar? E quando os compradores desses apartamentos, financiados pela mesma Caixa Econômica, deixarem de pagar suas prestações? Percebem? O que sê vê no Brasil é um dos fenômenos mais perigosos do mundo econômico: o Estado está pagando o Estado com dinheiro impresso pelo… Estado! Não tem como funcionar… Os tais “fundamentos sólidos da economia brasileira” só precisam de um empurrãozinho para ir ao vinagre…

“E o que você entende de economia, cara?” Eu?! Bem pouca coisa… Por isso lhes peço: não acreditem em mim! Acreditem no Financial Times, que vem falando há tempos sobre o fim do chamado “boom econômico brasileiro”.

A bem da verdade, é mais fácil ver a absurdamente endividada Itália se livrando de Berlusconi e saneando suas contas públicas, do que ver o Brasil escapando sem uma crise brutal nos próximos anos. Again: não sou eu quem diz isso, mas a The Economist. Outra que entende bem mais do que este vosso criado.