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Consciência negra

Neste 20 de novembro, dia em que o Brasil celebra a “consciência negra”, compartilho com vocês dois vídeos muito interessantes:

1) Morgan Freeman, ator americano, negro, fala sobre o mês da consciência negra, nos EUA:

2) Walter Williams, professor universitário americano, também negro, explica por que é contra as cotas raciais:

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P.S.: O primeiro vídeo eu surrupiei lá no bqeg.

Top 10 coisas comuns na Europa, que parecem inacreditáveis pra nós.

Eu volto de uma viagem pra Europa e é inevitável que amigos perguntem: “E aí, como foi lá?” A conversa começa e segue até o momento em que, sem nem me dar conta, menciono alguma particularidade do “velho mundo” que, aos nossos olhos de brasileiros, parece coisa de outro mundo.

É curioso (e, confesso, divertido) narrar alguns aspectos próprios da cultura e da vida européias, vendo a cara de espanto dos interlocutores. Algumas vezes, a galera desconfia mesmo! “Que nada, cê tá zoando! Isso não existe!”

Mas existe! Para ilustrar, resolvi fazer um Top 10 das coisas que considero absolutamente comuns na vida dos europeus, mas que para nós, nascidos neste país-tropical-abençoado-por-Deus-e-bonito-por-natureza-mas-que-beleza, parecem saídas de histórias de ficção científica. Taí:

1 – Posto de gasolina SEM FRENTISTA!

É eu mencionar isso, e meus amigos brasileiros ficarem de queixo caído. “Como assim?! E quem coloca a gasolina?! E como paga?! E se o maluco fugir sem pagar?! E se explodir a porra toda?!” Essas são só algumas das perguntas que a galera me faz.

Primeiro, xeu esclarecer pra vocês: é claro que existem postos de gasolina com frentista na Europa. A questão é que além desses tradicionais há aqueles em que ficam lá só as bombas de combustível e você tem que se virar, meu amigo.

“Ah, grandes merda! Se existe posto tradicional, é só procurar um desses.” Sim, você pode ir no que preferir. Mas tem um detalhe: o preço do combustível é sempre mais barato nos postos self-service. A razão é óbvia: sem frentista o dono do posto tem menos despesas. Se tem menos despesas, os custos diminuem. Se os custos diminuem, os preços caem. God bless capitalism!

Abastecer sozinho o carro é bem simples, basta saber ler e raciocinar logicamente. Via de regra, você chega, digita no computadorzim da bomba de combustível quanto quer pagar, aí vai e coloca a gasolina em seguida. A bomba trava no momento exato em que completar o valor que você digitou no início da operação. Et voilà!

Durante o dia, é comum que as lojinhas dos postos (quase todo posto tem uma lojinha dessas de conveniência) estejam lá pra receber o pagamento. Aí, se você preferir, pode primeiro abastecer e depois pagar diretamente no caixa.

“Mas o maluco pode abastecer e fugir sem pagar!” Pode. Se ele for um turista vagabundo, beneficiário do Bolsa-Família e/ou Android user. Mas não se enganem: há câmeras em todos os postos, e a polícia será avisada da sua “brincadeirinha”…

2 – Sistema self-checkout nos supermercados.

Estranhou posto de gasolina sem frentista? Pois agora imagina um caixa de supermercado sem aquela tiazinha que passa as compras e recebe a grana. Impossível? Ficção científica? Fringe? Não, amigos. Isso é muito comum lá nazorópa.

Funciona exatamente como um caixa normal, a diferença é que você faz a leitura dos códigos de barra dos produtos no lugar de um funcionário do supermercado. Cê entra, pega seu carrinho, junta suas compras e, na hora de sair, vai passando um produto de cada vez no leitor óptico, enquanto o computador dos caras soma o valor.

No final, basta escolher se vai pagar em cartão ou dinheiro, e pronto! A máquina termina o processo de pagamento e você vai pra sua casa muito mais rápido, afinal o ser humano é um animal preguiçoso e a maioria das pessoas prefere encarar as filas dos caixas onde estão as tiazinhas contratadas pelo supermercado, a fazer o trabalho pessoalmente.

“Caraio, mas devem roubar muita coisa!” Taqueopariu, ceis só pensam nisso, seus farofeiros?! Sim, claro que dá pra roubar os produtos. O que impede que isso aconteça é o caráter da galerinha, educada em – como direi? – “outros padrões”… Sem falar que os vigilantes podem a qualquer momento desconfiar das caras corintianas de vocês, e obrigá-los a mostrar as compras. Aí, quem bancou o espertinho vai dormir na cadeia, hehehe.

3 – Embalador de compras? O que é isso?!

Lá na Europa (e acho que em algumas cidades maiores e mais desenvolvidas do Brasil, também) simplesmente não existe mais a figura do embalador de compras. Você vai no supermercado, escolhe o que quer levar, passa no caixa (o tradicional, ou o do sistema self-checkout) e, depois, cuida de embalar suas tralhas, maluco! Ninguém vai fazer isso por você, e o próximo freguês também tá com pressa!

O que a gente faz lá é já ir embalando as compras tão logo a tiazinha do caixa vai passando elas, de modo a agilizar o processo todo. Aí, quando chega a hora de pagar, os produtos já tão todos dentro das sacolas. Putz, bem lembrado! Tem o lance das sacolas…

4 – Quer uma sacolinha pra embalar suas compras? TEM QUE COMPRAR!

Sacam essa neurose da Igreja do Aquecimento Global dos Últimos Dias, que vive nos ameaçando com um armagedom horrendo caso não paremos de jogar no lixo garrafas pet e sacolas plásticas? Pois é, o Brasil – como sempre! – chegou atrasado. Na Europa os caras já tão nessa onda há muito mais tempo.

Para desencorajar o uso das famigeradas sacolas plásticas de supermercado, a galerinha decidiu cobrar por elas – o que, convenhamos, é um lance de gênio! Aí, ou você compra cada sacolinha por cinco centavos de euro, ou se vira e passa a usar aquelas reutilizáveis, que tão começando a virar moda por essas bandas agora.

“Ah, só cinco centavos?!” Pois é, só. Eu também penso a mesma coisa, mas só porque não moro lá. Imagina quem precisa ir no supermercado toda semana, comprando umas dez-quinze sacolinhas cada vez. Aí neguinho já se sente otário, né? É por isso que todos os nativos usam as sacolas ecologicamente corretas (que eu prefiro chamar de economicamente corretas, afinal salvam os nossos bolsos…). Aliás, dessa vez eu também comprei três dessas, pra parar de pagar pelas sacolinhas plásticas. [Beijo, Marina Silva!]

5 – Quer um carrinhos no supermercado/aeroporto? TEM QUE PAGAR!

Sim, precisa pagar mesmo. Mas é só um empréstimo: você deposita uma moeda, pega o carrinho, usa pro que precisa e, ao final, devolve. Aí, quando devolve, pode pegar sua moeda de novo. Na verdade, é mais como uma consignação

Em todo canto você vê isso: supermercados, shoppings, aeroportos… Você vai conseguir um carrinho pra quebrar o galho se tiver nos bolsos uma moedinha de 0,50, 1, ou 2 euros. No final, como dito, basta devolver o carrinho pra pegar a moedinha tão preciosa de volta (ou, se você está com muita pressa, pode largar o carro em qualquer canto e abrir mão da moeda). Simples assim.

O curioso é que isso é algo tão distante da nossa realidade, que pega todos os turistas brasileiros de surpresa. Uma das coisas mais hilárias do mundo é ver a galera tupiniquim penando na tentativa de ARRANCAR os carrinhos dos postos de retirada, sem entender por que caráleos “essas merdas tão presas”. PQP, só de lembrar já tô rindo aqui!

Mais bacana que isso é quando eles finalmente descobrem o sistema, e saem no meio dos outros passageiros pedindo “””””emprestada”””” uma moedinha pra pegar o carrinho. Véi… Eu sempre chego na Itália de bom humor, a despeito de uma viagem internacional de 10 horas, porque esses malucos me proporcionam uma sessão de risos espetacular!

Claro que eu, como bom brasileiro, sempre levo umas moedinhas a mais pra socorrer meus conterrâneos Symbian users. Aproveito e forço no acento italiano, pra eles pensarem “nossa, como são simpáticos aqui na Itália”. 😉

Tenho uma teoria sobre isso: aposto que os seguranças dos aeroportos gostam de ver a galera quebrando a cabeça com os carrinhos, porque é inexplicável que não haja uma única maquininha daquelas de câmbio de dinheiro, bem ao lado dos carrinhos. Só pode ser pela zoeira com a turistada…

6 – Meia margherita, meia quatro queijos? Negativo! Lá é UMA PIZZA PRA CADA UM!

Taí uma coisa que sempre causa espanto na galera daqui. Quando você for numa pizzaria na Europa pela primeira vez, o primeiro susto será ao ler o cardápio: 1) há uma infinidade de sabores; 2) não há tamanhos diferentes. Pequena, média e grande? Esquece! Lá é tamanho único: algo entre a média e a grande daqui. E é uma pizza pra cada um!

“Como assim, caráleo?!” É, assim. Cada freguês pede uma pizza inteira para si. Você fala: “quero margherita” e o garçom vai e te trás uma pizza inteira de margherita, pra você comer sozinho. Pensa no susto da turistada quando vê isso pela primeira vez, hehehehe…

7 – Quer uma Coca-Cola gelada? SE FUDEU!

Pra não dizerem que nunca reclamo da Europa: lá é quase impossível comprar refrigerante, água ou cerveja bem gelados. Sacam esse “bem gelados”, né? Do jeito que a gente gosta aqui: trincando!

Eu nunca entenderei por que diabos eles tomam essas coisas quentes (no máximo levemente frias)… Quando a gente pega um dia de sol por lá e tá com calor, é angustiante não conseguir uma Coca bem gelada pra refrescar… No desespero, compra-se qualquer uma e aí vem aquela desgraça quase morna… Argh!

Descobri três formas de escapar disso e conseguir bebida gelada: 1) nas maquininhas de self-service, dessas que ficam na rua; 2) nos fast-foods (porque aí dá pra pedir muito gelo!); e 3) comprando em barraquinhas de estrangeiros. Atentem: tem que ser barraquinha de estrangeiro mesmo! De preferência um africano: o maluco tá acostumado com calor e também gosta das bebidas bem geladas. Costumo dizer que nunca serei contrário à imigração por conta disso: os marroquinos e argelinos nos salvam com suas Cocas geladas.

8 – Você joga o papel higiênico no lixeirinho? SEU PORCO!

Taí uma coisa que pode parecer muito insignificanete, mas chama a atenção de quem vai à Europa pela primeira vez: papel higiênico usado deve ser jogado no vaso, não no lixeirinho. Na maioria dos lugares, aliás, nem lixeirinho perto do vaso existe!

E se você já foi à Europa, limpou esse traseiro gordo e tascou o papel imundo em outro lugar que não o vaso, saiba que passou por porco diante dos nativos.

9 – Ônibus sem cobrador.

Pois é, a pessoa compra o bilhete (ou um cartão onde coloca créditos para um dia, uma semana, um mês, um ano…), entra no ônibus, se dirige até uma das maquininhas que ficam dentro do veículo e tasca o bilhete dentro (ou passa o cartão na frente do leitor óptico). Pronto, simples assim.

E, sim. Eu sei que com a mente criminosa de vocês, estão todos pensando algo como “nossa, mas assim fica fácil de viajar sem gastar a passagem”. Verdade, dá pra neguinho subir no ônibus, não inserir o bilhete na máquina e viajar de graça. Mas isso é ser desonesto, meus caros. E aí voltamos pro que já falei antes: os valores lá não são como cá… A arte do “jeitinho” e do “sou esperto e passo os outros pra trás” são instituições brasileiras que não imperam no primeiro mundo. Por isso eles são o que são, e nós somos o que somos…

10 – Nota fiscal até em venda de balinha.

Esse é uma das coisas que mais me surpreendem na Europa, mesmo depois de váááárias viagens que fiz até lá: toda e qualquer comprinha que você fizer vai gerar uma nota fiscal. E mais: o vendedor vai fazer questão de entregar a notinha a você.

“Ah, mas isso é lei no Brasil também.” Sim, mais uma dessas leis que, como se diz por aqui, “não pegou”… O que faz a coisa lá ser tão diferente, é que todos os vendedores imprimem a nota (ou o cupom) fiscal sempre, sem nunca perguntar se o cliente quer. Eles sabem que é lei, portanto cumprem. Que maravilha, heim?

Você entra no bar e pede um café, paga um euro e a vendedora vai lá, imprime seu cupom fiscal e larga ele no balcão, na sua frente. Aí, se na hora de sair você virar as costas e esquecer o cupom lá, ela te chama só pra lembrar que é preciso ficar com ele. A paranóia dos caras é fácil de entender: se algum policial/fiscal estiver pelos arredores e abordar um cliente recém saído de um estabelecimento, e o sujeito não tiver a nota fiscal, vai dar merda pra ambos (cliente e vendedor)!

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E aí? Algum leitor culto e viajado deste blog, que já foi à Europa, lembra de mais alguma coisa comum por lá, que aqui parece algo de outro mundo?

É caro viajar pra Europa?

Eis uma pergunta que todos me fazem sempre. Então decidi fazer um textinho aqui sobre esse polêmico tema, que aflige o povo-assalariado-que-recebe-em-reais desta pátria-amada-idolatrada-salve-salve-mãe-gentil.

Não! Viajar pra Europa não é caro! E não sou o único a afirmar isso. Perguntem pra qualquer um que tenha ido de férias pra lá, e vão ver que tô falando apenas a verdade. Aliás, para ser mais preciso, não apenas ir ao “velho mundo” não é caro, como algumas vezes é mais barato que viajar pelo próprio Brasil!

“Ah, cê tá zoando!” Não, amigos. Não tô. Agradeçam aos impostos extorsivos do Brasil, ao capitalismo pedestre que não incentiva a concorrência e aos gargalos de logística por isso. Em condições normais de temperatura e pressão, ir à Itália pode custar o mesmo que ir ao Rio Grande do Sul (considerando a minha realidade, que saio do Amapá de Lost).

A parte mais salgada de uma viagem à Europa continua sendo a passagem aérea. Mas mesmo aqui já é possível encontrar coisa bem legal. Numa pesquisinha rápida, vi que passagem pra dois adultos + uma criança até Milão tá saindo por 5.200 pela KLM e 5.300 pela TAP. Sim, pouco mais de 5 mil dilmas por três passagens! Tá bom bagarai o preço (by the way, acho que vou programar outra viagem logo…)!

Uma amostra de como o Brasil fode a gente? Pela TAM, a mesma viagem sairia por – segurem-se nas cadeiras! – dez mil e trezentos reais! A explicação pra isso é muito simples: nesta bagaceira de país ferrado, recolhem-se mais impostos (pensem nos encargos trabalhistas, nas taxas aeroportuárias e nos custos escondidos no preço dos combustíveis…) e há menos concorrência. Aliás, não há concorrência alguma, afinal a Gol, pelo que me consta, não voa pra Europa. [ironic mode on] E este é o país que pretende sediar uma Copa! [ironic mode off]

Visto que é possível encontrar passagens pra Europa por uns dois mil reais (ida e volta!), fica claro que o diabo não é tão feio assim como pintam ele. E se você acha dois mil contos muito, procure algum traficante de drogas, ou um cafetão, que eles te embarcam pra lá por um precinho bem mais camarada – em troca de alguns “favores”…

“Tá, mas e hotel? Deve ser caro bagarai essa merda lá!” Olha, depende… Preço de hotel na Europa é exatamente como em qualquer outro lugar do mundo: varia muito de acordo com o que você procura. Se você quiser, pode ficar num hotel em Paris com mármore em todo o banheiro e maçanetas banhadas a ouro nas portas. E vender a alma ao diabo para pagar a conta, depois. Ou pode procurar bastante e encontrar hotéis bem baratinhos e igualmente muito bons.

Quando fomos a Paris pela primeira vez, eu a esposa linda ficamos num Íbis situado na região da Defence. Se vocês olharem um mapinha, verão que essa área da cidade fica um tantinho longe do centro badalado (Torre Eiffel, Champs Elisee, e tals). Mas a sacada é que havia uma estação de metrô na porta do hotel, que nos deixava nos pontos turísticos mais famosos em uns 15 minutos. Preço da diária? Apenas 48 euros (na época lembro que dava uns 90 reais).

Pra nós, que vivemos num país sem estrutura nenhuma e com muita violência, contar com metrô parece furada. Mas no primeiro mundo é diferente, amigos. O metrô de Paris é sensacional, user friendly e fácil de entender. Eu aconselho todos os meus amigos a escolherem o hotel tendo como base a proximidade do metrô, não das atrações turísticas.

Isso vale pras demais grandes cidades da Europa, como Milão, Madrid, Londres, etc (o metrô de Milão é mais bagunçado, mas também serve de boa). O de Londres é sensacional, como o francês. Podendo contar com transporte público de qualidade, é bobagem pagar mais caro pra ficar no pé da Torre Eiffel.

Outro common misunderstanding diz respeito às refeições: simplesmente todas as pessoas que vêm falar comigo acham que sair pra almoçar/jantar na Europa vai significar gastar todo o dinheiro e implorar para lavar os pratos do dia em troca de não ser atirado na cadeia. Pura bobagem… Geral fica de queixo caído quando eu digo que jantar fora na Europa custa o mesmo que no Brasil. Em alguns casos chega a ser mais barato! E, sim. Eu estou falando muito sério.

Tem um exemplo matador que costumo apresentar quando falo disso: é possível almoçar no restaurante situado no alto da Torre Eiffel por apenas 18 euros – menos de 45 reais! Sério, tentem comer bem num lugar fodástico pagando um valor tão pequeno aqui no Brasil…

Notem que não estou indicando um muquifo meia-boca, destinado a imigrantes ilegais e mulas do tráfico. Tô falando do restaurante que fica na Torre Eiffel, meus caros! Menos de 45 dilmas pra almoçar comida boa vendo do alto uma das cidades mais lindas do mundo. Como diria o maluco lá das Casas Bahia, “tá barato pra caramba!”

Via de regra, sempre que vamos a um restaurante na Europa gastamos, na pior das hipóteses, o mesmo que gastamos nestas terras tupiniquins de vergonhas descobertas. E comendo muito bem!

É tudo explicado por uma equação bem simples: as “coisas” na Europa custam muito menos que no Brasil. Já as “pessoas” custam mais. Traduzo: comprar um tênis da Adidas será sempre mais barato lá, do que cá. Mas se você quer contratar uma manicure, uma faxineira, um manobrista, um taxista, ou um cabeleireiro, melhor ficar por aqui, porque lá isso custa bem mais.

Isso permite entender por que alugar um carro na Europa é muito mais barato que no Brasil. Eu paguei uns 1.200 reais por um mês a bordo de um carro com ar condicionado e direção hidráulica, na Itália. Em Brasília, paguei 980 reais por apenas dez dias. E isso já com desconto e pegando o carro mais safado que eles tinham (sem porcaria nenhuma de opcional).

Curti muito o carrinho que aluguei lá, mas ele puxava pra esquerda quando eu passava dos 280Km/h...

Da mesma forma, fazer compras lá vale muito a pena. É por isso que a brasileirada volta de mala cheia, afinal é um pecado não aproveitar as oportunidades. Os gadgets mais diversos são muito mais em conta. Nessa última viagem vi Nintento Wii por 350 reais; Play Station por 300. Paguei 1.100 reais por uma bike de corrida que aqui no Brasil custa, por baixo, uns 2.500! E isso vale pras demais coisas, em geral. Roupas, sapatos, acessórios… Via de regra, é tudo mais barato por lá.

“Mas se o euro é mais caro que o real, como pode ser mais barato?” Sim, há analfabetos beneficiários do Bolsa-Família que me perguntam isso… Entendam: não importa que cada euro valha 2,3 reais, se lá eu consigo comprar por 40 euros (uns 90 reais) uma chuteira da Nike que aqui custa mais de duzentas dilmas! Sacaram a lógica?

Em Milão, a esposa linda foi na Zara procurar uns escravos umas roupas, e fez a feira! Eu fui na Sérgio Tacchini justamente no período em que tavam dando até 70% de desconto (God bless o capitalismo e a concorrência!), e comprei por 15 euros (uns 40 reais) camisas que no Brasil saem por mais de 100! Enjoy your Baratão do Povo e lojas Marisa…

Milão não é só pra fazer compras, seus sacoleiros! Visistem os monumentos do lugar também.

O que é caro pra cacete na Europa, além “das pessoas”, é água e refrigerante. Em restaurantes vale muito mais a pena pedir cerveja e vinho, que lá custam menos que aqui. Agora, se você não conseguir ficar sem água mineral e Coca-Cola, então prepare-se para ser assaltado: cheguei a ver latinhas de refrigerante sendo vendidas por até 6 euros (uns 15 reais)!!! Sério, I’m not making this up!

A dica amiga que deixo pra vocês é a seguinte: quando quiserem tomar uma bela Coca-Cola, procurem o McDonald’s mais próximo. Considerando o copaço de bebida que eles te vendem, o preço acaba ficando mais razoável (apesar de que ainda é mais caro que aqui). Outra opção é ir a um supermercado e comprar sua água e seu refrigerante por lá. Ou, ainda numa daquelas maquininhas de distribuição que ficam nas ruas, sabem?

Outra dica preciosa é: NUNCA, em hipótese alguma, peguem táxi na Europa. Em especial em Paris! A razão é bem simples: como o sistema público de transporte é simplesmente ótimo (sério, é fantástico mesmo!), andar de táxi é considerado luxo por lá. E você paga por esse luxo, como é óbvio.

Xeu vê o que mais… Ah, lembrei! Outra dica fundamental é: não aluguem carro em Paris – a menos, é claro, que você seja praticamente um nativo! Nas ruas mais badaladas (onde nós, turistas, queremos ir) é impossível estacionar. Não, isso não é uma hipérbole! Quando eu digo impossível, quero dizer que realmente vocês vão rodar em círculos o dia todo, sem conseguir parar. Passar por algo assim é simplesmente estúpido, afinal há estações de metrô por toda a cidade, que podem te deixar onde você quiser.

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Bônus game: na cidadezinha de Mendrisio, na Suíça, pertinho da fronteira com a Itália, há um shopping fenomenal onde as coisas são vendidas sempre com desconto. Não, não é um shopping qualquer, desses que você encontra em todo lugar. Lá estão as maiores marcas do mundo! Prada, Gucci, Armani, Dior, Valentino, Nike, Puma, Adidas, Ferrari, Sergio Tacchini, Timberland… Isso só pra citar algumas que lembrei de cabeça.

O lugar, chamado Foxtown, fica na parte italiana da Suíça (geral entende e fala italiano muito bem!), e está a apenas 60Km de Milão (dá pra chegar em menos de uma hora, de carro). Você chega, estaciona no subsolo do shopping (é grátis!) e fica lá o dia todo, passeando entre uma loja e outra. Impossível sair sem comprar nada, acreditem.

Lembrem da dica que já dei outra vez: não usem as autoestradas da Suíça (expliquei aqui o porquê)! Melhor seguir para Como, sair quando chegar lá e, por estradas secundárias, cruzar a fronteira e seguir até Mendrisio. Não tem como errar, afinal Foxtown é o único grande outlet daquela região, e todos o conhecem. Pintou dúvida? Encosta num café ou num posto de gasolina e confirma o caminho, que as pessoas saberão te ajudar.

Férias na Itália (#2): Lago di Garda + parques de diversões

Tenho certeza de que todos vocês já ouviram falar da Riviera Francesa. Sim, trata-se de um lugar lindo – longe de mim negar isso! Mas, falando francamente, é muito overrated… No litoral francês, exatamente por conta da badalação em torno do lugar, qualquer viagem significa dar de cara com uma multidão de gente. Isso, é evidente, dificulta tudo: desde arrumar uma vaga num estacionamento, até conseguir lugar num restaurante. Sem mencionar que os preços na Riviera francesa são extorsivos (tudo é muito mais caro que em Paris, por exemplo).

Mas não se preocupem! Eu tenho a solução pra vocês: esqueçam o litoral da França e visitem a região do Lago di Garda, na Itália. A beleza do lugar não perde em absolutamente nada para o destino transalpino mais badalado:

Sintam a maravilha!

O lago fica no norte da Itália, a apenas 45 minutos de carro de Verona. Lembram do Parco-Giardino Sigurtà? Está também a cerca de 40 minutinhos de Garda. Para situá-los um pouquinho mais, saindo de Milão ou Veneza, a viagem demoraria cerca de duas horas.

Atenção agora: todas (sim, todinhas!) as cidades que costeiam o Lago são LINDAS e merecem ser vistas. Não, eu não estou exagerando! Taí o mapinha da região (cliquem para ampliar):

Escolham uma cidadezinha ao acaso: ela será MARAVILHOSA!

As que conheço mais são Desenzano, Sirmione, Peschiera, Lazise e Bardolino. São cidedades pequenas e bucólicas, tipo Canela e Gramado, no RS (talvez até menores!), e podem ser visitadas em um ou dois dias. Mas quando eu digo que qualquer lugar lá é lindo, I mean it! Vejam, por exemplo, uma foto de Limone, um povoado pequeno lá no noroeste do lago:

Essa é definitivamente a casa de veraneio de Deus!

Pois bem, ao longo de todo o Lago, é possível encontrar praias belíssimas, banhadas por uma água naquela cor perfeita entre o azul e o verde, sabem? Em cada esquina há um restaurante e todos (sim, todos mesmo!) preparam uma comida deliciosa, por um preço muito acessível. By the way, ir a restaurantes na Europa é bem mais barato do que o senso comum acredita aqui no Brasil. Nós gastamos sempre mais ou menos a mesma coisa que se gasta saindo pra jantar em Macapá!

É evidente que existem exceções, como por exemplo a Suíça, onde tudo é mais caro. Mas a regra geral é conseguir comer muito bem pagando menos que num estabelecimentozinho meia-boca aqui dessas bandas.

Um exemplo que uso para ilustrar isso: no alto da Torre Eiffel há um restaurante onde é possível almoçar por apenas 18 euros. Isso é menos de 45 reais! E, sim. Vocês entenderam direito: eu disse que fica no alto da Torre Eiffel, com vista pra toda cidade de Paris. Agora tentem almoçar com 45 reais no Cantinho Baiano, olhando a orla maltratada de Macapá…

Mas já divago… Falarei com mais vagar sobre isso em outro post. Bora voltar ao Lago di Garda:

Precisa dizer alguma coisa?

Para quem não se contenta em sentar preguiçosamente às margens desse paraíso (como eu fiz), é possível alugar pedalinhos (que actually funcionam, não como os da Praça Floriano Peixoto…) e rodar pelo Lago livremente. Pra galerinha proprietária de iPhones e iPads, há ainda a opção de alugar um barco e enjoyar ainda mais o passeio (os Android users não terão dinheiro pra isso, como se sabe).

E que tal ficar até o final do dia, sentar para jantar num restaurante de frente pro Lago e apreciar um pôr-do-sol dos mais maravilhosos? Eu recomendo!

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Maravilhoso!

“Tá, é tudo muito lindo! Mas e quem curte fazer algo além de ficar sentado na beira de um lago?” Muito justo! Na área de Garda há a cidade de Bardolino, famosíssima por seus vinhos. Qualquer um pode ir até lá e passear de cantina em cantina, degustando a bebida de Baco.

“Certo, mas e quem não for pinguço?” Nenhum problema! Ali também encontramos dois dos parques de diversões mais famosos da Itália: Gardaland e Movieland. Eu já visitei os dois, e posso dizer que Gardaland é maior e tem mais atrações. Mas Movieland, apesar de menor, também vale a visita, principalmente porque dentro dele há um parque aquático espetacular!

Em Gardaland, você tem acesso a dois parques: um de brinquedos (montanha russa, e essas coisas) e um aquário muito lindo. Já em Movieland, além de um parque inspirado nos clássicos de Hollywood, você tem acesso a um parque aquático grande cheio de atrações (piscina de ondas, escorregadores gigantescos, etc…). My point is: os dois são ótimos e valem a visita. Eu aconselharia assim: quem tem menos tempo, ganha se for a Movieland, que é fisicamente menor. Se tiver mais tempo, Gardaland oferece mais atrações. Se, porém, tempo não for o problema, vá aos dois!

Coloquei ao longo dos textos uns links para fotos dos parques. Se vocês googlearem vão encontrar muita coisa, também. Larguem mão de preguiça e cuidem de fuçar na internet, oras!

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Bônus game: quando forem à região do Lago di Garda, mais especificamente à cidade de Lazise, não deixem de jantar no Café-Gelateria Riviera. Além da excepcional culinária italiana, há sobremesas maravilhosas! E o mais legal: o lugar é povoado por brasileiros! Quando fomos lá (por puro acaso), fomos atendidos por uma brasileira que paparicou o filhote a noite toda! Uma galera muito simpática mesmo.

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P.S.1: O ingresso para os dois parques de Movieland (brinquedos + parque aquático) sai por 29 euros (umas 65 dilmas, fazendo a conta de cabeça). Em Gardaland o ingresso é 39,50 euros para o parque de diversões + aquário. Dá uns 85-90 reais, por aí. Larguem mão de ser miseráveis e vão pra lá, seus farofeiros usuários de Android!

P.S.2: Site oficial de Gardaland aqui; o de Movieland aqui.

FÉRIAS!

Tô indo passar um mês inteiro nesse lugarzim maneiro.

Como eu já expliquei detalhadamente num outro post, durante este mês de agosto vou curtir uma fodástica viagem de férias ao lado da esposa linda e do filhote fofo. Vamos passear, nos divertir muito e aprontar altas confusões em clima de azaração lá na Itália, enquanto vocês se matam de trabalhar e acordam de madrugada para levar seus rebentos à escola.

Passagens compradas, carro reservado, apartamento prontinho, cartão de crédito devidamente autorizado a funcionar no exterior… Hum… Falta finalizar a arrumação das malas mesmo, e correr para aproveitar o ócio tipicamente pequeno-burguês.

Sairemos de Macapá Lost daqui a pouco e ficaremos um diazinho em Brasília (pra diminuir o choque civilizacional, se é que vocês me entendem…). Depois, Europa! Aproveitarei para ver algumas das coisas maravilhosas criadas pela cultura ocidental, que infelizmente não existem aqui onde moro: arte renascentista, catedrais maravilhosas, asfalto de qualidade, meio-fio nas ruas e água encanada não-marrom.

É bastante provável que o blog entre em estado de hibernação, o que não significará absolutamente nada, afinal vocês todos estarão me odiando depois deste post e não sentirão a menor vontade de ler o que porventura eu decida escrever. Mas, para os mais stalkers, adianto que dificilmente conseguirei me livrar do vício internético por completo, o que pode ser traduzido como: “follow me on Twitter!

“Poxa, que cara mala! Precisa ficar falando sobre essa viagem de férias?!” Não rageiem, queridos. Sou apenas um menino querendo brincar de viajar pelo mundo. Essa é a minha vida, esse é o meu clube.

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P.S.: Dos meus conterrâneos macapaenses me despeço dando início a mais um inesquecível capítulo da série internética mais aclamada destas terras tucujus: enjoy your passar os finais de semana no “lugar bonito” e na Fazendinha. Forte abraço!

Custo de vida

Sabem aquela velha história de que aqui o tal custo de vida é maior que em muitas cidades do dito primeiro mundo? Pois é, trata-se da mais pura verdade! Vejam o ranking abaixo, feito pela Mercer:

Férias no Rio? Besteira! Escolham Copenhague ou Londres, que é mais barato.

É mais em conta ir para Paris, Nova Iorque, Milão, Londres, Oslo e Copenhague, que para Rio e São Paulo. Considerando que nas referidas cidades desenvolvidas e de primeiro mundo é bem menor o risco de ser assaltado ou levar um balaço na nuca, fica fácil perceber onde o custo-benefício é maior…

A explicação para isso é bastante simples e objetiva: inflação + real artificialmente valorizado. Só não entende quem não quer – ou quem tem pouca leitura…

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O The Drunkeynesian já deve estar planejando sua próxima viagem…

Artigo recomendado (#4) – “Isso é Wimbledon ou Glastonbury?”

O melhor artigo da semana do mês do ano da década é, sem dúvida, aquele assinado por Mary Gold para o Daily Mail. Vejam alguns trechos (e leiam o original – que está em inglês, mas vocês andam precisando treinar mesmo…):

“Whatever is going on with the women at Wimbledon?” [Que caráleo tá acontecendo com as mulheres em Wimbledon?! – em tradução livre] (…) “Bad clothes, bad hair, bad manners. Sometimes it’s hard to know if we’re watching Wimbledon or Glastonbury. Take 21-year-old Victoria Azarenka, who arrived on court wearing earphones, moving her head in time to the music like a teenager, and chewing gum, which she then appeared to spit into a towel.” [Péssimas roupas, péssimos cabelos, péssimos modos. Algumas vezes é difícil saber se estamos vendo Wimbledon ou Glastonbury. Veja-se Victoria Azarenka, de 21 anos, que chegou na quadra usando fones de ouvido, balançando a cabeça no ritmo da música como uma adolescente, e mastigando um chiclete, que parece ter sido cuspido dentro de uma toalha.]

Esse artigo revigorou meu conservadorismo, hehehe. Também acho aborrecidamente depressivo ver essas ladies se comportando como umas teenagers. E Wimbledon… bem… É Wimbledon! Jogar tênis simplesmente is not good enough, meus caros. O “código de conduta” é igualmente importante. E ele pressupõe decoro e compostura. Mary Gold está certíssima ao reclamar da – se me permitem – “orkutização” do tênis.

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P.S.1: O que a colunista diria se visse os cultos das igrejas neopentecostais brasileiras, ou mesmo dos “braços crentes” do catolicismo (Shalon et caterva)? VIXE!

P.S.2: Deixo registrado que minha única discordância em todo o texto acima é referente aos gemidos da russa Maria Sharapova. Porque, né? Se acabarmos com eles o negócio perde a graça…