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João Pereira Coutinho: as idéias conservadoras

João Pereira Coutinho concedeu uma bela entrevista ao jornalista Gabriel Garcia, publicada no Blog do Noblat. Ele fala sobre o novo livro que está lançando (“As idéias conservadoras”) e sobre o caos do sistema político-partidário brasileiro. Abaixo transcrevo alguns trechos:

Por que um livro sobre as ideias conservadoras?

O conservadorismo é apenas uma ideologia moderna, como o liberalismo ou o socialismo, e o objetivo do livro era apresentar essa ideologia, sem proselitismos, para dissipar caricaturas ou equívocos.

Há espaço na política para conservadores? O que seria um conservador?

Qualquer sociedade democrática e pluralista tem que ter espaço para vozes dissonantes. Só ditaduras procuram silenciar o adversário. Um conservador, por exemplo, é alguém que entende a política como um serviço prestado ao público e não como uma forma de nos servirmos dos recursos públicos. É alguém que entende seriamente a importância de reformar – a economia, a legislação trabalhista, a fiscalização -, de forma a tornar o seu país mais competitivo e, consequentemente, mais justo. Porque só pode existir justiça social se existe criação sustentada de riqueza.

Como o conservadorismo trata questões como união gay e aborto?

Depende. Existem conservadorismos, no plural, e cada um pode tratar desses assuntos de maneira diversa. Se perguntarem a um conservador de tendência mais libertária o que ele pensa a respeito dessas matérias, ele dirá que a união gay e o aborto são assuntos individuais, onde o Estado não mete a pata. Um neoconservador, pelo contrário, dirá que a defesa dos valores morais é tão ou mais importante do que quaisquer outros porque são os valores morais que sustentam uma sociedade.

Na recente eleição brasileira, houve um intenso debate sobre direita e esquerda, liberais e socialistas. Por que os políticos com pensamento de livre mercado são demonizados, são vistos como ditadores?

Porque o mercado assusta mentalidades concentracionárias. O que é o mercado, afinal? É um espaço de livre troca, não apenas de produtos ou capitais – mas também de ideias. Por isso as ditaduras tendem a abolir o livre mercado. Porque elas sabem que, circulando ideias, isso representa um perigo para a manutenção do poder autocrático.

Como o senhor vê o Congresso brasileiro, representado por cerca de 30 partidos políticos?

Como um sintoma de arcaísmo. Já escrevi aplaudindo um texto de Sérgio Dávila onde ele defendia, com lucidez e coragem, o bipartidarismo. Basta olhar para as democracias mais avançadas do mundo e contar o número de partidos com representação parlamentar. Não encontra nenhum caso com 30 partidos.

Como o senhor encara o sistema de coalizão no presidencialismo, que geralmente une partidos tão diferentes ideologicamente?

Como um convite para o atavismo reformista e para a corrupção.

Como funciona em democracias mais maduras?

Em democracias maduras, há partidos que ganham eleições; que podem eventualmente fazer coligações com um ou dois parceiros menores de forma a constituir governo; e que no fim do mandato são julgados por isso. A tradição “gelatinosa” do Brasil é uma originalidade – e um desastre.

(…)

No mundo, a população depende tanto de programas de transferência de renda como ocorre aqui no Brasil?

Desconfio que não seja possível comparar a pobreza europeia à pobreza brasileira. Agora, o modelo de bem-estar social europeu, que emergiu depois da Segunda Guerra Mundial, está a atravessar uma crise de existência por vários motivos. A Europa não cresce como na segunda metade do século XX. A população está a envelhecer e os encargos sociais são enormes. Os governos foram alargando os benefícios sociais quase até ao delírio. São lições importantes para o Brasil. É necessário evitar extremos de pobreza e algumas conquistas sociais são preciosas. Mas o Estado não pode ser a “babysitter” dos seus cidadãos em todos os aspectos da existência.

(…)

O brasileiro foi às ruas em meados do ano passado manifestar contra os péssimos serviços públicos. O europeu tem mais hábito de protestar. Como o senhor vê essas manifestações?

Não há a mesma tradição de protestos. Muitos europeus ficaram espantados com as manifestações brasileiras, mas é óbvio que as manifestações fazem parte do DNA da democracia brasileira. De resto, é positivo que a classe média queira mais e melhor – na saúde, na luta contra a corrupção, no ensino. O que não é positivo é esperar essas melhorias do mesmo poder político que levou ao Brasil ao impasse em que se encontra agora.

Assessor da Presidência admite que ajudou a armar farsa na CPI da Petrobrás.

Vocês devem lembrar de Dilma, na TV, falando que as supostas fraudes na CPI da Petrobrás, praticadas, ao que parece, por políticos governistas, eram um “problema do Congresso”, não é? A presidenta tratou, desde o primeiro momento, de distanciar o Palácio do Planalto do episódio, na tentativa desesperada de descolar sua imagem desse escândalo.

Ontem, porém, um alto assessor da Presidência, Luiz Azevedo (número dois das Relações Institucionais do governo Dilma), admitiu participação no esquema que armou a farsa naquela CPI. Ele admitiu que atuou em duas frentes, inclusive “junto aos parlamentares”. Além disso, apurou-se que “assessores do Planalto pediram que a CPI não votasse vários requerimentos que poderiam criar embaraço para a Petrobrás e para o governo”.

Sobre as denúncias de que algumas pessoas ligadas ao governo teriam conseguido acesso prévio às perguntas feitas na CPI, descobriu-se que “mais de cem perguntas preparadas para a CPI foram foram compartilhadas”.

Notem que o modus operandi do mensalão se repete: primeiro o PT nega todas as acusações. Depois, uma vez apanhado com as mãos sujas, trata de socializar a culpa, apelando pra retórica do “isso sempre aconteceu” no Brasil. Foi o que fez o petista Paulo Bernardo em entrevista concedida ao jornalista Fernando Rodrigues, da Folha:

Acho que se há, isso vem desde Pedro Álvares Cabral. Porque na primeira CPI já deve ter acontecido isso. A não ser que a gente queira fingir que nós somos todos inocentes, que somos muito hipócritas.

A tática é aquela nossa velha conhecida: o PT tenta arrastar todos pra lama, a fim de conduzir a disputa política num terreno que conhece muito bem.

Vejam no infográfico abaixo os detalhes da participação de cada um dos envolvidos da fraude:

EXCELENTE artigo do Merval: “O Estado e o capitalismo”

Abaixo transcrevo o artigo de Merval Pereira no jornal O Globo. Peço que leiam com atenção:

Concordo com a presidente Dilma, que classificou ontem o que está acontecendo no mercado financeiro de “inadmissível” e “lamentável”, mas tenho a visão oposta à dela: o que é inaceitável é um governo, qualquer governo, interferir em uma empresa privada impedindo que ela expresse sua opinião sobre a situação econômica do país. Sobretudo uma instituição financeira, que tem a obrigação de orientar clientes para que invistam seu dinheiro da maneira mais rentável ou segura possível.

Numa democracia capitalista como a nossa, que ainda não é um “capitalismo de Estado” como o chinês — embora muitos dos que estão no governo sonhem com esse dia —, acusar um banco ou uma financeira de “terrorismo eleitoral”, por fazerem uma ligação óbvia entre a reeleição da presidente Dilma e dificuldades na economia, é, isso sim, exercer uma pressão indevida sobre instituições privadas.

Daqui a pouco vão impedir o Banco Central de divulgar a pesquisa Focus, que reúne os grandes bancos na previsão de crescimento da economia, pois a cada dia a média das análises indica sua redução, agora abaixo de 1% este ano.

Outro dia, escrevi uma coluna sobre a influência da economia nos resultados eleitorais, e o incômodo que a alta cúpula petista sentia ao ver análises sobre a correspondência entre os resultados das pesquisas eleitorais e os movimentos da Bolsa de Valores: quando Dilma cai, a Bolsa sobe.

Essa constatação, fácil de fazer e presente em todo o noticiário político do país nos últimos dias, ganhou ares de conspiração contra a candidatura governista e gerou intervenções de maneiras variadas do setor público no privado.

O Banco Santander foi forçado a pedir desculpas pela análise enviada a investidores sugerindo que prestassem atenção às pesquisas eleitorais, pois, se a presidente Dilma estancasse a queda de sua popularidade ou a recuperasse, os efeitos imediatos seriam a queda da Bolsa e a desvalorização cambial. E vice-versa.

O presidente do PT, Rui Falcão, já havia demonstrado que o partido governista não se contenta com um pedido de desculpas formal, como classificou a presidente Dilma: “A informação que deram é que estão demitindo todo o setor que foi responsável pela produção do texto. Inclusive gente de cima. E estão procurando uma maneira de resgatar o que fizeram”.

Ontem, na sabatina do UOL, a presidente Dilma disse, em tom ameaçador, que terá “uma conversa” com o CEO do Banco Santander.

Mas não foi apenas o Banco Santander que sofreu esse assédio moral por parte do governo. Também a consultoria de investimentos Empiricus Research foi acusada pelo PT de campanha eleitoral em favor do candidato oposicionista Aécio Neves, tendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acatado o pedido para que fossem retirados do Google Ads anúncios bem-humorados do tipo “Como se proteger de Dilma” e “E se Aécio ganhar”.

Justamente é este o ponto. A cada demonstração de autoritarismo e intervencionismo governamental, mais o mercado financeiro rejeita uma reeleição da presidente Dilma, prepara-se para enfrentá-la ou comemora a possibilidade de que não se realize.

Isso acontece simplesmente porque o mercado é essencialmente um instrumento da democracia, como transmissor de informações e expressão da opinião pública.

Atitudes como as que vêm se sucedendo, na tentativa de controlar o pensamento e a ação de investidores, só reforçam a ideia de que este é um governo que não tem a cultura da iniciativa privada, e não lida bem com pensamentos divergentes, vendo em qualquer crítica ou mesmo análise uma conspiração de inimigos que devem ser derrotados.

Um dos sócios da consultoria Empiricus Research, Felipe Miranda, afirmou em entrevistas que não se intimidará, e fez uma constatação óbvia. “O que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento”.

Lembram quando nós, os chamados “reaças”, somos acusados de ser paranóicos pelos esquerdistas? Quando eles dizem que exageramos ao afirmar que o Brasil, se continuar sendo governado pelo PT, caminhará rapidamente para uma tirania? Pois bem, parece que não estamos assim tão errados…

Nesse episódio tivemos uma empresa privada dando opiniões e diretrizes de investimento a seus clientes. Ora, em nenhum país do chamado mundo civilizado um governo tem qualquer coisa a ver com isso. Se o seu Zé, da padaria da esquina, quiser dizer a seus clientes que o país vai piorar com Dilma, ele tem esse direito!

Se você, como o PT, não admite a existência dessa liberdade, sinto dizer mas você está soprando um pouco mais na fogueira do caudilhismo deste governo, onde empregados pagos para dar opiniões sobre a conjuntura econômica são demitidos porque desagradam o partido da situação.

Na TV, Aécio avisa: “é tolerância zero com a inflação!”

Ontem começaram a ser veiculadas as inserções do PSDB. Nelas, Aécio Neves é formalmente apresentado como líder indiscutível da oposição brasileira e, como tal, não foge da batalha: o mineiro apontou de forma objetiva e concreta algumas das maiores falhas do governo petista. Mas não se limitou a isso e apontou soluções para tirar o Brasil da crise e recolocar o país nos trilhos do desenvolvimento.

Esse discurso, apontando com segurança os erros do PT, sem esquecer, porém, de que o fundamental é indicar como será o país do amanhã, é o que tem faltado há mais de uma década à oposição brasileira. Não apenas órfã de discurso e de agenda, ela também sempre demonstrou sentir falta de um líder firme, carismático e de boa articulação política. A campanha que o PSDB está levando à TV aponta, felizmente, para uma grata novidade: a oposição tem um líder, um discurso e, principalmente, vontade de enfrentar o projeto de poder do PT.

Tomemos como exemplo a questão econômica, que tem indiscutível importância numa campanha eleitoral: hoje, o Estadão trouxe uma matéria relatando que houve um estouro de preços que pressionou ainda mais a inflação, que acabou por extrapolar a meta inicialmente estabelecida pelo governo. Isso significa menos dinheiro no bolso do trabalhador e, por conseguinte, aumento da pobreza.

Aécio sabe, por sua própria formação e pela experiência que teve como governador de Minas, que combate a inflação é um dos maiores programas sociais que um gestor pode fazer, pois garante que o salário das pessoas tenha valor de verdade:

Um portal para conhecer e apoiar o Brasil que virá.

Há uns meses eu escrevi aqui sobre a importância de se preparar para combater a máquina de mentiras do PT – especialmente na internet, onde um boato mentiroso vira um viral em questão de minutos. E não existe forma melhor de se rebater as mentiras deles, do que apresentando verdades.

Por exemplo: quem nunca aí ouviu a cantilena de que “os tucanos são elitistas e se eleitos vão governar para os ricos e esquecer os pobres”? A cada quatro anos o PT saca essa carta da manga e lança boatos os mais diversos, sem se preocupar com os fatos. E como combater esse tipo de campanha mentirosa? Ora, com a verdade! Mas, para isso, é preciso conhecê-la primeiro.

Essa é uma das idéias por trás do portal Mineiro, Brasileiro, Aécio, lançado hoje. Lá é possível descobrir, por exemplo, que:

Conhecendo realizações como essas, fica fácil rebater as mentiras do PT. Daí a importância daquele portal.

Mas o portal não trata só de ajudar o público da internet a conhecer melhor o principal candidato de oposição a Dilma e ao PT. Isso, apesar de ser uma parte importante do processo (afinal Aécio ainda é conhecido por apenas 70% do eleitorado), não é o principal. No novo portal também começa-se a desenha o Brasil que virá.

Nada daqueles formatos políticos tradicionais, com receitas prontas atiradas pra cima dos eleitores em meio a estatísticas frias. No portal lança-se idéias gerais para servir de ponto de partida para o debate mais importante a ser feito: o debate sobre o futuro! E, a partir daí, abre-se espaço para que as pessoas contribuam compartilhando seus anseios, suas visões, seus desejos. É como Aécio disse na TV, quando se apresentou ao país como líder da oposição: “quem faz o Brasil é você!”.

Não custa lembrar: o Nordeste vive a pior seca em décadas, enquanto o governo Dilma abandona a transposição do São Francisco e gasta quase 1 bilhão em Cuba.

Olha, perdoem se pareço um tanto insensível às necessidade do governo tirânico dos irmãos Castro. Eu sei das necessidades enormes de Cuba, causadas, quase que em sua totalidade, pelas décadas de opressão impostas pela revolução comunista comandada por Fidel, Raul e Che Guevara. Mas não consigo esquecer que o Nordeste brasileiro vive a pior seca das últimas décadas e a única coisa que recebe do governo Dilma é descaso!

Enquanto brasileiros estão sem água para beber e cozinhar, Dilma gasta quase um bilhão financiando os interesses de uma tirania! Enquanto agricultores nordestinos puxam carroças, porque os animais que faziam o serviço morreram de sede, o banco de fomento do Brasil está injetando dinheiro na mais duradoura tirania do planeta! Por favor, perdoem meu conservadorismo, mas não consigo deixar de achar isso um ultraje.

O abandono do Nordeste brasileiro durante o governo do PT, da forma como está sendo feito, só mostra que o partido de Lula e Dilma trata aquela região do país como seu curral particular, que só merece atenção no período eleitoral. É o petismo praticando sua forma peculiar de coronelismo, adotando as políticas que passou vinte anos condenando, quando estava na oposição.

As obras de transposição do São Francisco foram abandonadas há tempos, porque o governo do PT parece ter outras prioridades. Isso já foi acertadamente denunciado pelo senador Aécio Neves, quando teve a chance de ir à TV mostrar como é o Brasil real (não aquele pintado no photoshop pelo marketing petista):

É triste que as vidas de milhões de brasileiros sejam relegadas à miséria porque o PT prefere repassar dinheiro público aos companheiros ditadores. Mais que triste: é revoltante! E que os esbirros virtuais do petismo não venham com a baboseira de que o porto é estratégico, porque está perto de Miami. Mencionar isso quando se sabe que todo cubano é refém de uma tirania que fuzila quem ousa fugir é condescender com a barbárie mais ainda.

Não que isso incomode o PT, que já mostrou ter bandidos e ditadores de estimação… Na verdade, dar apoio financeiro a uma tirania vem completar o crime de quem sempre se prestou a dar apoio moral.

Comprovadas falhas no modelo do pré-sal

Do Jornal O Globo:

Na seção de energia do americano “Wall Street Journal”, depois de se considerar como ação de “relações públicas” do governo o fato de autoridades tacharem o pregão de Libra de “o começo de nova era”, de “a divisão entre o passado e o futuro” na indústria do petróleo brasileira, pergunta-se qual seria a “hipérbole se o leilão tivesse sido de fato um sucesso”.

Pode ser elevado o sarcasmo usado no comentário sobre o carnaval fora de época feito pelo governo, com direito a pronunciamento da presidente Dilma em cadeia nacional, tudo explicado pela evidente contaminação do evento pelo calendário eleitoral.

Mas não se deve tirar a razão do WSJ e de muitos analistas quando consideram que o leilão não foi um completo sucesso, apesar das comemorações. Aconselha-se que, passada a bem estudada euforia, os técnicos oficiais avaliem, com a necessária frieza, o que precisa ser feito nas próximas licitações de áreas do pré-sal para que atraiam mais interessados, a fim de que haja uma real disputa entre as empresas.

No lado positivo estão o fato de Shell (anglo-holandesa) e Total (francesa) terem entrado no consórcio — que deixou de ser um negócio entre estatais chinesas, CNOOC/CNPC, e a brasileira Petrobrás — e o arremate em si do campo.

Não pode ser menosprezado que as grandes petrolíferas americanas se mantiveram ao largo, que apenas onze se apresentaram como interessadas e, destas, cinco constituíram o único consórcio. Por isso mesmo, ofereceram ao Estado o lance mínimo de 41,65% de lucro em óleo, e levaram.

É indiscutível que o excesso de intervencionismo estatal do modelo de partilha idealizado para o pré-sal, sob forte influência do lulopetismo sindical que controlou a Petrobrás durante certo tempo, afastou Exxon, Chevron e outras.

A criação de uma nova estatal, a PPSA, com enorme poder na gestão de Libra, é um eficaz desincentivo. Os nomes escolhidos para dirigi-la foram bem aceitos. Em alguma medida, Shell e Total teriam decidido participar devido a isto. E no futuro?

O programa de substituição de importações inspirado no governo militar de Geisel é outra questão a ser rediscutida. Incentivar o fornecimento interno de equipamentos e serviços é positivo.

Esta preocupação também existe no modelo de concessão. Mas, como o intervencionismo se tornou marca forte em Brasília, há o risco de, como Geisel, se tentar executar o programa a qualquer custo. Não deu certo no passado, não dará agora.

O monopólio criado para a Petrobras na operação e a fatia compulsória de 30% em qualquer consórcio são exigências que a própria estatal, descapitalizada, não poderá atender. Curioso: o mesmo governo que desestabiliza a estatal, por obrigá-la a subsidiar combustíveis, exige da empresa algo que ele próprio a impede de executar.

Estarão em risco os demais investimentos da empresa. Pelo menos, haverá tempo até o próximo leilão no pré-sal para as necessárias revisões.

O que dirá o DCE da internet? Fácil: “Olha aí os golpistas americanos e as organizações Globo se unindo pra difamar o Brasil!!!1111” Afinal, responder com argumentos de verdade é mais difícil.