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Depois de Dilma mentindo sobre o pré-sal, Lula mentindo sobre liberdade de imprensa.

Hoje sem dúvida foi um dia triste para a verdade. Dilma, ao falar sobre o leilão de Libra (aquele que teve só um interessado e foi finalizado no lance mínimo), mentiu. Como mostrou o Coronel, a presidente deu informações falsas aos brasileiros, na ânsia de travestir de sucesso uma iniciativa que foi um desastre retumbante do ponto de vista da gestão.

Mentiu ao, em rede nacional de televisão, fingir que privatizar (sim, esse é o termo correto!) o pré-sal sempre esteve nos planos dela, quando, na verdade, sabe-se que ela chegou a chamar de crime (!) a privatização.

E, para “coroar” o dia, Lula mentiu ao se dizer defensor da liberdade de imprensa. Justo ele, que instou a Advocacia-Geral a União a, pela primeira vez na história do país, processar um jornalista estrangeiro por conta de um artigo de opinião. A desfaçatez com que Lula patrolou os fatos pode ser vista na matéria transcrita abaixo (íntegra aqui):

Em entrevista ao jornal “El País”, Lula tentou desvincular sua imagem a de líderes radiciais da América Latina, como Rafael Correa, Cristina Kirchner e Nicolás Maduro.

Perguntado sobre sua postura de tolerância aos meios de comunicação, a quem diz nunca ter pedido “favores”, o ex-presidente afirmou ser “um democrata, um defensor da liberdade de imprensa”.

O passado, porém, revela uma cordialidade razoavelmente menor.

Durante maio de 2004, Lula enfrentou uma crise que nada teve a ver com a governabilidade ou os resultados de sua equipe.

Ele ameaçou cancelar o visto do repórter Larry Rother, então correspondente do The New York Times, após a publicação de uma matéria de meia página a respeito de seus hábitos etílicos.

Márcio Thomaz Bastos, Ministro da Justiça, foi um dos agentes que ajudaram Lula a reconsiderar a decisão, cuja repercussão seria bastante negativa para a imagem do Brasil e do próprio governo.

Eu não me surpreendo com a desenvoltura com que os petistas negam os fatos, distorcem a realidade e apresentam realidades alternativas (e fantasiosas) no lugar. Lembram de Lula, em 2006, falando que o Brasil era “autosuficiente em petróleo”? Pois é, a eles não importam os fatos, mas o ganho eleitoral que determinada versão pode trazer. Se a versão mentirosa trouxer melhores resultados na urna, eles a usam sem pudor.

Aumento de 900% nos gastos do “Minha casa, minha vida”, mas só pro marketing do programa. Para as pessoas, nada.

O PT chegou ao poder, depois de perder várias eleições, ao compreender, dentre outras coisas, que fazer propaganda é muito mais fácil que apresentar propostas realmente capazes de transformar a vida das pessoas. Vejam a notícia abaixo (íntegra aqui):

O Programa Minha Casa, Minha Vida é uma das principais apostas eleitorais da presidente Dilma Rousseff para 2014, dada a escassez de grandes realizações que possam cativar o eleitor e garantir um segundo mandato à petista. O governo aposta tanto na divulgação do programa que, em 2013, despejou uma quantidade desproporcional de recursos apenas para fazer propaganda dele.

Dados cedidos pela Caixa Econômica Federal a pedido do líder da minoria na Câmara, Nilson Leitão (PSDB-MG), mostram a repentina elevação de gastos com publicidade: em 2011, foram 261 000 reais. No ano seguinte, 1,7 milhão. Em 2013, até o fim de julho, a Caixa já havia destinado 15,7 milhões de reais para divulgar o programa. Mesmo que o banco público não gaste mais um real até o fim do ano para propagandear o programa habitacional, o valor significará um aumento de 923% por cento na comparação com todos os gastos de 2012 – e de mais de 6.000% em relação a 2011.

(…) Mas o que se viu nos últimos meses foi uma profusão de peças de publicidade para atrair novos participantes para o programa, estreladas pela atriz Camila Pitanga e a apresentadora Regina Casé. A Caixa, aliás, não revela o preço pago a elas: diz que o cachê é uma informação “estratégica”. O governo tem como meta firmar 2,5 milhões de contratos para o Minha Casa, Minha Vida até o fim de 2014. Até agora, 1,3 milhão de pessoas aderiram ao programa. (…)

O governo Dilma poderia gastar menos em propaganda e mais no programa em si. Talvez assim não precisasse entregar casas sem as mínimas condições de habitação, onde não há sequer água e luz. Isso mostra o caráter unicamente eleitoreiro do programa: as peças publicitárias, com rostos de artistas conhecidos pelo povão, são mais importantes para eles que entregar moradia digna para as pessoas necessitadas.

Qual é a nova política de Marina?

Marina no PSB de Eduardo Campos. Sem dúvida uma notícia que mexe bastante no cenário eleitoral, mesmo sendo ainda cedo para saber de que forma isso vai impactar a eleição. Ela vai concorrer em primeira pessoa? Será vice dele? Senadora? Não disputará nada? Não é possível, agora, cravar o que fará a ex-ministra de Lula (e os entendidos de política que estão proferindo certezas na imprensa são os mesmos que, como nós, não esperavam pela filiação dela no PSB…).

Eu me permito o ceticismo de não acreditar em desprendimento quando se trata de política: se Marina queria apenas apoiar Eduardo Campos depois de, numa epifania qualquer, ter descoberto que o projeto do pernambucano era melhor que o dela, a filiação não era necessária. Bastava declarar apoio e pronto. Certeza que ele aceitaria feliz da vida.

Não… Ela se filiou porque quer concorrer. A questão que fica é a qual cargo. Meu chute – claro! – é que mantém intactas as pretensões de disputar a Presidência e escolheu, justamente por isso, o partido do candidato que aparece com menor intenção de voto nas pesquisas. Imaginem a pressão que o lobby sonhático fará em prol de uma renúncia de Eduardo Campos.

Mas isso tudo, como dito antes, são especulações acerca do que está por vir. Eu queria analisar um pouco o que há de concreto e essa, admito, não é uma tarefa fácil quando se fala de Marina Silva: o discurso dela pode ser muitas coisas, mas concreto não é.

Se vamos falar do que Marina Silva representa, nada melhor do que dar espaço às palavras dela. Vejam abaixo o que ela falou ao jornal O Globo, depois de se filiar ao PSB (os destaques são meus):

Ao lado do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, Marina Silva e aliados anunciaram, na tarde deste sábado, a filiação de integrantes da Rede Sustentabilidade ao PSB. Marina deixou claro o apoio à candidatura de Campos à Presidência da República, mas não confirmou se vai compor a chapa na condição de vice. Quando perguntada se apoiava o nome do governador, ela respondeu com outra indagação:

— Você tem alguma dúvida em relação a isso? – disse ela.

Após um longo suspense, Marina surpreendeu o mundo político e assinou sua filiação à sigla de Campos. Cercados por militantes, os dois fizeram juntos o anúncio da aliança, em Brasília. O acordo é de que Marina será vice de Campos em 2014, mas os dois evitaram oficializar a chapa.

— Não sou uma militante do PSB, sou militante da Rede Sustentabilidade, e a Rede ainda não fez essa discussão de se vai ter vice ou não vai ter vice. O PSB já fez sua discussão e tem um candidato.

Marina destacou que tanto a possibilidade de migrar para uma pequena sigla apenas para ser candidata à presidência quanto simplesmente abdicar da disputa e permanecer construindo a Rede seriam atitudes previsíveis:

— A minha decisão foi de não ficar carimbada como aquela que tentou criar um partido e foi abatida na pista e foi atrás de uma sigla de aluguel, ou como aquela que, querendo ser Madre Teresa de Calcutá da política, se resignou no manto e disse para o Brasil que está aí com esse atraso na política que pode fazer a gente perder as conquistas que a duras penas ganhamos, eu vou ficar resguardada de tudo isso. A decisão foi de assumir posição, e a posição é programática não é pragmática. O mundo e o melhor de mim estou depositando aqui no projeto por um Brasil que queremos.

Antes de responder a perguntas da imprensa, Marina discursou e agradeceu a oportunidade dada por Campos para a filiação de integrantes da Rede. Ela disse que o seu partido é a primeira legenda clandestina desde a redemocratização. A ex-senadora reiterou a tese de que a rejeição do registro de sua legenda não foi uma derrota. E afirmou que a História julgará se o ato será uma vitória ou uma derrota. Marina disse ainda que a aliança entre Rede e PSB vai “sepultar de vez a Velha República”.

— Nós somos o primeiro partido clandestino criado em plena democracia. Quero agradecer ao PSB por ter dado chancela política e moral — disse ela, em evento no Hotel Nacional, em Brasília.

— A vitória ou a derrota só são medidos na História. Apressa-se quem acha que uma derrota se dá numa canetada. Se não é possível um novo caminho, há que se aprender uma nova maneira de caminhar — discursou, sendo aplaudida em seguida.

Logo depois do discurso de Marina falou Eduardo Campos. Discursando como candidato à Presidência, ele afirmou ser de uma família de perseguido político e disse que a política atual abandonou o povo, num ataque indireto ao governo do PT.

Os brasileiros querem um Brasil melhor, mais limpo, querem derrotar a velha política. Esse país quer respeito e decência na vida pública. A política abandonou o povo, a vida das pessoas. Falta na política brasileira o sonho de transformar esse país… Nossa inquietação com o que virou a vida pública nos conduziu até aqui — disse ele.

— É um ato de reforma da política brasileira. Momento que nós fizemos o que não deixavam a gente fazer. Esse dia será lembrado daqui a 20, 30, 40 anos. Só quem não pensa de forma convencional poderia enxergar (a união entre Eduardo e Marina). (…)

Esse messianismo, vocês me desculpem, nunca representou nada de bom. Ao longo da história, todos os totalitarismos conhecidos começaram com alguém prometendo união em torno de “sonhos”, com o fim de “derrotar a velha política”. Mussolini fez isso na Itália. Mais recentemente, Berlusconi notabilizou-se por recorrer à mesma retórica – com direito a falar que a entrada dele na política, em 1994, seria lembrada pelas futuras gerações como o princípio da mudança.

A tática de demonizar a política apresentando-se como um “outsider” portador de uma espécie de verdade redentora não me seduz. Na verdade, costuma disparar em mim um alarme: nada de bom costuma surgir quando alguém se vale dos instrumentos do jogo democrático para pregar contra a… democracia!

No mais, qual seria essa “velha política” a ser sepultada pela união Marina-Eduardo? Deduzo que se opõem ao atual governo, do PT, liderado por Dilma. Em sendo assim, porém, como explicar que o PSB de Campos esteve, até outro dia, na base governista do governo petista – na qual está desde 2002, aliás? E Marina? A “velha política” que ela parece desprezar agora é a mesma da qual ela fez parte na condição de ministra do governo Lula? Afinal, falei lembrar que Marina continuou como ministra do governo petista mesmo depois de estourado o mensalão

Enfim, não me convence… A mesma política que hoje ela condena, como forma de se promover politicamente e tentar surfar na onda de insatisfações que surgiu no país, era a política da qual ela fazia parte como integrante do governo petista – ao lado de Sarney, Renan Calheiros, Maluf e companhia…

Hoje, Marina se propõe a fazer algo “novo”, rompendo com o que há de “tradicional”. Pois bem, ela e Eduardo querem mesmo acabar com o ciclo do PT? Há uma – e apenas uma – forma de fazer isso de verdade: unindo as oposições. Farão o único movimento possível para que suas palavras mudancistas tenham credibilidade, ou estão apenas preocupados em valorizar o passe, na hora de negociar apoio num eventual segundo turno? Meu ceticismo me leva a crer que a segunda opção é a verdadeira. Espero estar errado…

Artigo recomendado: “Despertador” – Igor Gielow

Muito bom o artigo de Igor Gielow, publicado na Folha de hoje. Vejam abaixo (os destaques são meus):

Independentemente do desfecho da novela de criação da Rede, Marina Silva só perdeu com o episódio. Além de poder ficar sem sua legenda, ela viu expostas contradições originadas na formação de sua imagem pública.

Marina tenta capitalizar desde 2010 a fama de uma “outsider” dada a gerenciar de forma horizontalizada, seja lá o que for isso, o sonho dos milhões que a apoiaram.

Só que esta hagiografia, calcada na narrativa da superação da miséria e no peculiar cruzamento entre ideologia “povo da floresta” e populismo evangélico, escamoteia o fato de que Marina é política de carteirinha.

A dinastia petista do Acre, de onde vem, é tão viciada quanto qualquer outra. A forma envergonhada com a qual lida com empresários revela mais sobre a tradicional simbiose público-privado da política do que possam fazer crer mil palavras de ordem.

Por fim, ensaia o papel de salvadora da pátria, “deus ex machina” da política. É personagem recorrente no Brasil, como Jânio e Collor não nos deixam esquecer.

O processo de criação da Rede explicita a dificuldade de convivência entre a verdadeira Marina e a musa idealizada dos sonháticos. As regras são ridículas? São, mas é o que temos hoje; cláusula de barreira é o nome da melhoria possível.

A Rede achou que seria possível montar um partido a partir de 500 mil curtidas no Facebook, e que o direito divino estaria a seu lado —a soberba de Marina em suas declarações é reveladora disso. Nesse sentido, o parecer negativo do Ministério Público vai ao ponto quando questiona a criação da sigla com fim exclusivo de eleger uma candidata.

Se a lei for levada ao pé da letra pelo TSE, o fracasso empurrará Marina ou ao exílio orgulhoso ou à lambança de fazer tudo o que prometia não fazer. Se for rasgada, a vitória a manchará com a pecha de que apelou ao jeitinho como todo mundo. Sonhar é fácil. Despertar, nem tanto.

Então vamos falar sobre o Ibope

Chega a ser engraçado o padrão do DCE da internet™: sai uma pesquisa a mais de um ano de distância da próxima eleição mostrando Dilma na frente e eles começam a cobrar comentários de quem critica o governo. Muito bem! Querem falar sobre a nova pesquisa Ibope?! Vamos falar sobre ela!

Os dados de mais apelo do ponto de vista do marketing petista eu nem preciso comentar, né? A imprensa brasileira – inclusive o tal PIG – já fez o serviço bem ao gosto do freguês e estampou em suas manchetes ao longo do dia que Dilma lidera, que a vantagem dela aumentou e que ela – pasmem! – venceria no primeiro turno. Isso tendo 38% de intenções de voto na pesquisa estimulada e diante de um total de 31% de indecisos. Os jornais poderiam ter trazido em suas capas que NUNCA UMA ELEIÇÃO SE APRESENTOU TÃO ABERTA E IMPREVISÍVEL, mas isso não agradaria quem pagou caro por uma margem de erro, não é mesmo? Então falemos daquilo estão querendo esquecer: a opinião dos entrevistas sobre as áreas mais sensíveis da administração pública brasileira:

Vocês desculpem meu ceticismo, mas diante de um quadro como o de cima – e tendo em mente que um terço do eleitorado entrevistado diz não ter decidido ainda em quem votar (ouso dizer que o número é bem maior, mas ok) -, apenas tolos ou governistas a soldo poderiam estar comemorando a perspectiva de uma reeleição de Dilma ainda em primeiro turno.

Percebam que a saúde é a pior área do governo Dilma, segundo avaliação dos entrevistados pelo Ibope. A mesma saúde que está há meses em todas as propagandas, graças ao tal Mais Médicos. O que isso nos mostra? Que a população até pode responder bem quando perguntada se deseja mais médicos no SUS (quem não deseja?!), mas a percepção sobre as condições da saúde pública no Brasil são péssimas.

Notem que Dilma é a candidata no cargo que concorrerá à reeleição. O favoritismo natural é dela! E, ainda assim, lá está a presidenta, a “mulher do Lula”, com pouco mais do terço de votos que o PT historicamente sempre teve às portas de qualquer eleição. É pouco. Principalmente quando se considera que dois dos candidatos de oposição estão só começando a se apresentar à população, ao passo que a gerentona não faz outra coisa a não ser campanha eleitoral (seja na cadeia nacional de rádio e TV, seja no púlpito da Assembléia-Geral da ONU).

Enfim, o grande dado dessa pesquisa (e das outras divulgadas até agora) é que o governo não é imbatível. Longe disso, eu diria: a avaliação dos entrevistados sobre as áreas mais sensíveis da administração pública mostram que há espaço para a oposição, bastando apenas que se saiba construir o discurso que será apresentado aos eleitores ao longo deste quase um ano. E um candidato em particular parece estar conseguindo fazer um bom trabalho nesse sentido. Vejam abaixo o que foi publicado no Uol mais, a partir dos dados da mesma pesquisa Ibope de que estamos falando (os negritos são meus):

Com a proximidade do prazo final de filiações partidárias com vistas às eleições de 2014, as especulações em torno de nomes da oposição à presidente Dilma Rousseff (PT), como Marina Silva (sem partido) e José Serra (PSDB), crescem. Isso em função da primeira ainda não ter viabilizado a criação de seu partido, a REDE, e o segundo, por sua posição no mínimo misteriosa.

No caso de Marina, os números mostram que a curva de queda de suas intenções de voto tem se mantido constante e em ritmo acelerado, apesar de que se mantém em segundo lugar em qualquer cenário.

Já Serra não tem passado de um ghost candidate. Ou seja, nos holofotes se nega como candidato, mas nos bastidores alimenta essa possibilidade, prejudicando principalmente o real pré-candidato de seu partido, Aécio Neves (PSDB).

Por outro lado, a pesquisa divulgada pelo Ibope ontem traz dois importantes dados talvez relegados ao segundo plano pela recuperação da popularidade de Dilma, mas que são fundamentais para se enxergar a real situação das pré-candidaturas de oposição.

O primeiro dele confirma que Aécio Neves é o pré-candidato da oposição com melhores condições de crescimento. O senador mineiro é o nome oposicionista com menor rejeição, principal fator que deve ser analisado quando se tenta projetar o potencial de crescimento de uma candidatura.

Já Serra é o campeão de rejeição com 47%. Já Marina e Eduardo Campos (PSB) tem 36%. Todos piores do que Aécio Neves (35%), que se igual à Dilma Rousseff.

O segundo fator importantíssimo para se ler as pré-candidaturas de oposição em 2014 é a consulta feita pelo Ibope levando-se em conta a citação espontânea dos eleitores. Nela, Aécio Neves já é o candidato oposicionista mais citado. Fica à frente, inclusive, de Marina e Serra, que já tiveram a oportunidade e a visibilidade de uma eleição presidencial.

Está claro que há um jogo a jogar e ele há pouco começou. Mais que isso, está bastante evidente que é possível vencer esse jogo. Não se deixem enganar por intenções de voto distantes mais de um ano do pleito: o eleitor é naturalmente acomodado e, a esta altura dos acontecimentos, sequer pôde ser convencido por uma real alternativa. Mas ele está lá: mais de 60% dizendo que Dilma não é boa o bastante para continuar na Presidência. Não acho que isso deva animar demais a oposição, principalmente para evitar qualquer tipo de acomodação. Mas tenho certeza que está incomodando o governo.

Muito timidamente, a Folha fala sobre a máquina petista de moer reputações.

Tenho falado quase sempre (vejam dois exemplos aqui e aqui) sobre a máquina de moer reputações montada a serviço do petismo, que opera na internet. Sem constrangimento algum de chafurdar na lama, esse aparato de mídia eletrônica é acionado sempre que se faz necessário atacar qualquer um que ouse se colocar como barreira aos interesses do partido – ainda que se trate de um ministro do STF, fazendo cumprir a Constituição Federal.

Os ataques contra o ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal 470, conhecida como “processo do mensalão”, não são novos. Há anos os – como os chamarei? – militantes virtuais da causa petista o tratam como uma escória. Por quê? Porque chamou de quadrilha a cúpula do PT, condenada na suprema corte brasileira por tomar de assalto o Estado e colocá-lo de joelhos, submetendo-o aos interesses espúrios de um projeto de poder.

Eles não aceitam isso. Pior: acham uma afronta daquele que deveria ser grato a Lula – e ao PT – por ter sido “o primeiro negro” a chegar ao STF. O mais recente ataque a Joaquim Barbosa, sempre usando um viés vergonhosamente preconceituoso, foi desferido pelo “Blog da Dilma”, autoproclamado o maior portal da presidente na internet. Abaixo a imagem lá publicada (e reproduzida, hoje, pela Folha):

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Transcrevo abaixo um trecho da matéria da Folha, que traz também as declarações dos responsáveis pelo “Blog da Dilma” sobre o caso. Aconselho todos a segurarem o vômito (os negritos são meus):

Um site que promove a presidente Dilma Rousseff na internet desde 2008 virou fonte de constrangimento para o Palácio do Planalto nos últimos dias, ao associar o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, à imagem de um macaco.

A associação foi feita há uma semana pelo Blog da Dilma para ilustrar um artigo do ex-deputado federal pelo PT Luiz Eduardo Greenhalgh sobre o julgamento do mensalão. A ilustração era composta por um macaco sorridente em primeiro plano, Barbosa ao fundo e uma legenda: “Ainda vai Barbosinha? kkkkk”.

O episódio foi criticado nas redes sociais por pessoas que consideraram a associação racista com Barbosa, que é negro. Após cinco dias no ar, a imagem foi substituída por uma foto do próprio Greenhalgh e o site divulgou um texto intitulado “Racismo não”.

(…) O governo procurou ficar longe da confusão. “O único blog vinculado com a presidenta Dilma ou com a Presidência da República é o Blog do Planalto, administrado pela Secretaria de Imprensa da Secom”, disse o porta-voz da Presidência da República, Thomas Traumann.

(…) Criado em 2008, antes da eleição da presidente, o Blog da Dilma reproduz artigos e vídeos publicados antes em outros sites. Ele se intitula “o maior portal da Dilma Rousseff na internet”, tem perfil no Facebook, canal no YouTube e conta no Twitter para divulgar textos sempre elogiosos à presidente.

O funcionário público Daniel Bezerra, editor responsável do blog, disse que a substituição da foto foi uma medida tomada para “acabar logo com a polêmica”. “Não foi racismo. Utilizamos esse banner do macaquinho há muito tempo. É uma piada. Em Fortaleza, onde moro, macaco é sinônimo de alegria, afirmou à Folha. (…)

Notem que se está no melhor dos mundos para o Palácio do Planalto: há uma legião (como os demônios!) na internet operando as engrenagens da máquina de destroçar reputações alheias, mas ao PT basta dizer que o blog não é oficial. Entendo…

Ora, se não é oficial e não conta com o aval do governo, por que está no ar desde 2008 usando o nome e a imagem da presidente? O Planalto já questionou isso, para que ~terceiros~ não continuem associando Dilma a postagens tão abjetas? Claro que não! Afinal, como dito alhures, esse tipo de gente acaba ajudando o PT, ainda que de modo oblíquo.

O governo poderia, por exemplo, ter acionado a Secretaria de Promoção de Políticas de Igualdade Racial, que, quero crer, poderia adotar alguma providência diante de tão vergonhoso episódio. Não o fez, claro. Eu, porém, tomei a liberdade de relatar o episódio na fan page que a Seppir mantém no Facebook (cliquem na imagem para ampliar):

Secretaria racial joaquim barbosa

“Ah, mas não vai dar em nada.” Pode ser que não dê. Mas a máquina de mentiras e destruição de reputações do petismo só será destruída de uma vez por todas se atos abjetos como este não forem tratados como “piada”. Aceitar a desculpa de que “em Fortaleza macaco é sinônimo de alegria” é condescender com a barbárie de quem esperava subserviência do primeiro negro a chegar no STF, apenas por ser ele um… negro!

Segundo a PF, assessor da Presidência era lobista de esquema que ‘lavou’ R$ 300 mi.

A gerentona™ é fera no quesito indicar assessor, heim?

Impressionante como o governo do PT está sempre cercado de gente com um certo – como direi? – fetiche pela criminalidade, não é mesmo? Vejam abaixo trechos de uma matéria publicada no Estadão (íntegra aqui):

A Polícia Federal acusa um assessor da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (PT-SC), de envolvimento com a quadrilha suspeita de pagar propina a prefeitos para direcionar investimentos de fundos de pensão municipais. Relatório de inteligência da Operação Miqueias, ao qual o Estado teve acesso, diz que Idaílson José Vilas Boas Macedo atuava como lobista do esquema, tendo feito negociações dentro do Palácio do Planalto.

Ele é filiado desde 1999 ao PT de Goiás e foi nomeado em 25 de março do ano passado, com salário bruto de R$ 9,6 mil, assessor especial na Secretaria das Relações Institucionais (SRI), pasta vinculada à Presidência da República. A nomeação foi assinada pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR) – o preenchimento dos cargos de confiança mais altos precisam do aval dela.

(…) A PF pediu a prisão do assessor de Ideli, além do bloqueio de suas contas bancárias e de buscas em sua casa. O pedido de prisão foi negado pela Justiça. Ele é acusado de tráfico de influência e formação de quadrilha.

(…) Para a PF, que flagrou transações de Idaílson em grampos, há uma “intrínseca” relação entre ele e a organização criminosa. (…)

O inquérito diz ainda que o aliciador se apresentava como integrante da Casa Civil, supostamente a pedido do assessor palaciano. “Os diálogos interceptados não deixam dúvidas de que Idaílson atuava em favor da organização criminosa em comento, intermediando encontros entre prefeitos – especialmente dos municípios de Pires do Rio e Itaberaí, ambos localizados no estado de Goiás -, e a organização criminosa em comento”, sustenta a PF.

Com trânsito no Planalto, Idaílson integrou comitiva da presidente Dilma Rousseff em viagem a Salvador, neste ano, segundo o inquérito.

O tino de Dilma (aquela que Lula e João Santana apresentaram ao Brasil como sendo de “enorme competência”) pra se cercar de assessores propensos a dar um bypass na lei a gente conhece desde a indicação de Erenice Guerra.

Como disse certa vez Diogo Mainardi: em qualquer escândalo de corrupção, o truque é procurar o petista envolvido. Ele sempre está lá, em algum lugar.